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Dia Nacional da Imunização alerta para baixas coberturas vacinais

Há 14 anos, a pediatra Natália Bastos atende desde pacientes recém-nascidos a adolescentes. Ela lembra, entretanto, que o atendimento pediátrico, sobretudo nas emergências de todo o país, mudou drasticamente ao longo das últimas décadas.

Ela cita como exemplo a triagem de crianças com suspeita de meningite. “Antigamente, a gente tinha inúmeras crianças esperando para fazer punção lombar, a gente já não tinha vaga no isolamento. Hoje, os residentes mal têm como fazer a punção lombar porque, graças a Deus, são poucas as crianças com quadro de meningite devido à vacinação”.

Em meio a um consultório repleto de brinquedos, a médica, vestindo um jaleco decorado com temas de desenhos infantis, admite que o maior desafio é a lida com os pais, sobretudo quando o assunto é a imunização dos pequenos. “No caso da vacina da gripe, por exemplo, sempre lançam fake news, dizendo que a dose não é segura, que contém cepa antiga, que não protege contra novos sorotipos. Tenho que ficar trabalhando pra desmistificar essas informações e garantir que a vacina é segura e protege as nossas crianças”.

“Temos também o exemplo da vacina contra a covid e como ela mudou o aspecto padrão da pandemia. Hoje, a gente pode sair sem máscara na rua graças à vacinação em amplo espectro”, disse.

Outra dose comumente questionada pelos pais, segundo Natália, é a contra o HPV, indicada atualmente para crianças a partir dos 9 anos de idade. A infecção pelo vírus pode causar lesões na pele associadas ao câncer de colo de útero. “Há sempre todo um trabalho de explicar que a vacina é segura e pode mudar a vida de uma mulher no futuro”, destacou.

Para o também pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, o Dia Nacional da Imunização, lembrado nesta sexta-feira (9), funciona como uma oportunidade para reforçar a urgência na retomada das altas coberturas vacinais em todo o país.

Em entrevista à Agência Brasil, ele lembrou que, este ano, comemora-se ainda os 50 anos do Programa Nacional de Imunizações, primeiro programa de imunizações estruturado da região das Américas.

“O Brasil foi pioneiro no continente na eliminação de doenças, na erradicação e no controle de outras. Certamente a data nos remete a esse histórico de conquistas, a todos os avanços que conseguimos em 50 anos de um programa de vacinação que, infelizmente, nos últimos anos, vem sofrendo abalos na sua estrutura, falta de investimento na sua manutenção, desconfiança da população no valor da vacinas e chegada de grupos antivacina que têm colocado todas essas conquistas sob risco”.

Segundo Kfouri, o momento é de comemoração de êxitos e, ao mesmo tempo, de preocupação. “Não há exagero nenhum em dizer que o país está sob risco de retorno de diversas doenças já erradicadas”, alertou, ao citar que, atualmente, três em cada dez crianças que completam 1 ano de idade no país estão sem as três doses contra a poliomielite. “E não só isso. O Brasil não faz uma boa vigilância de casos suspeitos, não monitora o vírus em esgoto. A Organização Pan-americana da Saúde (Opas) classifica o Brasil, junto com Haiti, Honduras e Peru, como um dos países de mais alto risco de reintrodução da poliomielite. É um risco real”.

O rol de doenças que voltaram a assombrar o país inclui ainda a rubéola, a difteria, a rubéola congênita, o tétano e o sarampo. “Na verdade, são todas as doenças, mas essas estão em um radar mais próximo em função do risco mais acentuado pela epidemiologia da região”, explicou o pediatra. Para ele, diversos fatores explicam a queda nas coberturas vacinais no Brasil ao longo dos últimos anos e as estratégias para reverter esse cenário devem levar em consideração as particularidades de regiões, estados e municípios.

09/06/2023 – Brasília – Arte produzida pelo ministério da saúde para o dia Nacional da Imunização. Arte: Agência Brasil“O que tem diminuído a cobertura vacinal num país tão grande e desigual como o nosso não são os mesmos fatores. O que faz uma pessoa não se vacinar numa grande metrópole não é, certamente, o mesmo que motiva a não vacinação em outras regiões do país. É preciso enfrentar cada uma dessas realidades, dificuldades de comunicação são fundamentais, acesso, treinamento e capacitação dos profissionais de saúde. Precisamos investir muito também na produção de vacinas, para não haver falta”.

“Notificação, registro de doses aplicadas, sistema de informação. Há muito o que avançar. O Brasil tem um programa absolutamente democrático, descentralizado, que hoje contempla mais de 38 mil salas de vacina em todo o país. Precisamos de investimento. Só vamos começar a recuperar essa cobertura vacinal com um grande programa, um grande pacto entre sociedade civil, ministério, estados e municípios, que realizam na prática a vacinação”, recomenda o pediatra. (Agência Brasil)

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Bia Haddad luta, mas é superada por número 1 na semi de Roland Garros

Após uma campanha histórica, a brasileira Beatriz Haddad se despediu nesta quinta-feira (8) da chave de simple de Roland Garros, após ser superada pela polonesa Iga Swiatek, número um do mundo e atual campeã do torneio, por 2 sets a 0 – parciais de 6/2 e 7/6 (9-7).

Apesar da derrota, a paulistana, de 27 anos, escreveu um novo capítulo do tênis brasileiro no saibro parisiense, onde o catarinense Gustavo Kuerten foi tricampeão (1997, 2001 e 2001). Bia é a segunda brasileira a chegar tão longe em um Grand Slam (torneio de maior pontuação no circuito mundial): a pioneira foi a multicampeã Maria Eshter Bueno, em 1968, no US Open (1968).

Atual número 12 no ranking mundial, Bia pode ingressar pela primeira vez no top 10 da Associação de Tênis Feminino (WTA, na sigla em inglês), caso Iga Swiatek vença a theca Karolina Muchova (43ª) na final, às 10h (horário de Brasília) do próximo sábado (10). A polonesa disputará sua terceira final em  Roland Garros e a quinta em um Grand Slam.

No jogo desta tarde, a paulistana chegou a quebrar o saque de logo no primeiro game da partida, mas Iga devolveu a quebra e se manteve dominante no set até fechá-lo com vantagem de 6/2. Na parcial seguinte, a canhota paulistana reagiu: de cara quebrou o saque da polonesa e impôs vantagem de 3/1.

A adversária seguiu firme e arrancou o empate em 3 a 3. Daí em diante o duelo seguiu equilibrado. No nono game, Bia teve três chances de quebrar o saque de Swiatek, mas desperdiçou todas e foi para a parcial seguinte em desvantagem de 5/4.

Bia soube contornar a pressão no seu serviço e igualou o placar de novo. O set seguiu equilibrado, até Bia vencer o último game, fazer 6/6, e forçar o tie-break para definir a parcial.

A brasileira começou o tie-break de forma imponente, abriu vantagem de 5 a 3, mas do outro lado da quadra estava a número 1 do mundo, que conseguiu o empate em 5/5. A partir daí, Bia desperdiçou um set point no saque da polonesa, que passou à frente em 7/6.

No entanto, Swiatek perdeu o primeiro match-point, com uma paralela precisa da brasileira bem na linha. Depois, a polonesa passou à frente, fez 8/7 e aproveitou o segundo match-point para selar a vitória em 2 sets a 0. (Agência Brasil)

 

 

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Nova Ford surpreende pelo acabamento luxuoso e muita tecnologia a bordo

Aos poucos, a Ford vai mostrando o seu mais importante lançamento do ano. A Ford Ranger 2024 chegará ao mercado nos próximos meses, com um visual mais agressivo e moderno, novo motor V6 e muita tecnologia a bordo. A nova picape, assim como a atual, é produzida na Planta de Pacheco na Argentina.

Desde que chegou ao mercado, a Ranger sempre se destacou das demais picapes médias, tanto pela dirigibilidade como pelo acabamento e confiabilidade.

Apresentada no Salão do Automóvel de São Paulo em 1994, ela começou a ser vendida de verdade no ano seguinte, alguns meses antes da General Motors lançar a Chevrolet S10.

O modelo da época era menor, cabine simples e com uma tendência mais urbana, que foi mudando nas versões seguintes. Mas um importante detalhe retorna 30 anos depois: o motor V6.

O modelo dos anos 1990 tinha um V6 à gasolina de quatro litros que desenvolvia 162 cavalos de potência máxima e 30,4 kgfm de torque.

As novas Rangers vão ganhar o motor mais potente entre as picapes do segmento médio à venda no Brasil: será um V6 3.0 turbodiesel que produzirá 253 cavalos de potência e 60,8 kgfm de torque.

Para se ter uma ideia do ganho que o novo motor trará para a picape Ford, o atual motor 3,2 turbodiesel , que é muito bom, tem 200 cavalos de potência e 47,9 kgfm de torque. É, sem dúvida, a Ranger mais potente da história do modelo.

Nas versões de entrada, a motorização será um 2,0 litros turbodiesel de 213 cavalos e 50,9 kgfm.

Interior

Esta semana a Ford revelou o interior da nova picape. Logo de cara são surpreendentes o luxo, a tecnologia e a qualidade que a nova Ranger 2024 trará para o mercado nacional.

A versão apresentada era a top de linha, Limited, com bancos de couro e acabamento sofisticado. No interior, outros destaques são a tela vertical de 12 polegadas com o sistema multimídia SYNC 4 de nova geração, bem como o painel de instrumentos digital de 12,4 polegadas. A nova avalavanca da transmissão automática, do tipo joystike, e os botões no console central também ficaram muito bonitos e funcionais.

Destaque também é o apoio para o pé na lateral da caçamba. Só quem já carregou  uma caçamba sabe quanto faz falta.
(Fotos Thomaz Fraga)

 

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Lula e Marina Silva anunciam o novo plano de segurança para a Amazônia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem (5), data em que se celebrou o Dia Mundial do Meio Ambiente, que o governo federal vai lançar um novo plano de segurança para a Amazônia, em parceria com os governos estaduais.

São medidas para combater crimes como grilagem de terras públicas, atividades ilegais de garimpo, extração de madeira, mineração, além de caça e pesca em territórios indígenas, áreas de proteção ambiental e no bioma como um todo.

“Esses crimes que degradam o meio ambiente são alimentados e, ao mesmo tempo, alimentam um verdadeiro ecossistema criminal. É o tráfico de drogas, de armas e de pessoas, a lavagem de dinheiro, o trabalho escravo, os assassinatos por encomenda e a exploração sexual de crianças e adolescentes”, destacou Lula, durante discurso em evento no Palácio do Planalto. A ação foi chamada pelo presidente de Plano Amazônia: Preservação e Soberania.

Entre as ações que serão realizadas, o presidente citou a criação da Companhia de Operações Ambientais da Força Nacional de Segurança Pública, a instalação de bases fluviais e terrestres integradas para o fortalecimento dos serviços de segurança pública na região, construção ou reforma de postos policiais, além de quarteis e delegacias em pontos estratégicos.

O plano prevê também aparelhamento e modernização de meios e infraestrutura dos órgãos de segurança pública que atuam na Amazônia Legal, a implantação do Centro de Cooperação Policial Internacional para a proteção da Amazônia e de centros integrados de comando e controle, “com ênfase em inteligência integrada”.

Outros pontos mencionados incluem a ampliação e modernização dos meios navais que patrulham os rios da Amazônia, a modernização da rede de Capitanias, delegacias e agências da autoridade marítima, suporte dos pelotões da fronteira, aumento de operações na Amazônia, aquisição e modernização de sistemas aeroespaciais e de equipamentos logísticos para as Forças Armadas. O presidente não informou quando as medidas começarão a ser implementadas.

 

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Governo instala GT para regulamentar trabalho por aplicativos

O grupo de trabalho (GT) que vai definir uma proposta de regulamentação das atividades de prestação de serviços, transporte de bens, transporte de pessoas e outras atividades executadas por intermédio de plataformas tecnológicas se reuniu nesta segunda-feira (5) pela primeira vez.

 

Representantes das empresas de serviços, dos trabalhadores do setor e de outras áreas do governo têm prazo de 150 dias, a partir da data de entrada em vigor dodecreto de criação do grupo, prorrogável por igual período, para apresentar o relatório final das atividades.

“Nossa obrigação é refletir sobre como podemos garantir o equilíbrio. A jornada não pode ser extenuante. O trabalho tem que ser valorizado. Como dar transparência, evitar que um trabalhador ou trabalhadora, se sentindo prejudicado, tenha alguém com quem falar, não uma máquina. Essas questões são importantes e é preciso garantias”, disse o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.

Durante a instalação da mesa do grupo tripartite, o ministro lembrou que as empresas responsáveis por aplicativos se manifestaram favoráveis ao reconhecimento de garantias sociais e de previdência social, por exemplo. “Mas isso é muito pouco. É essencial, mas é pouco”, avaliou Marinho.

“É evidente que nós temos que construir. Peço serenidade das partes no processo de construção de um entendimento que possa oferecer depois ao parlamento as possibilidades de se transformar em lei. Temos que assumir a responsabilidade de oferecer ao parlamento um projeto equilibrado”, concluiu.

Em nota, o ministério informou que o GT deve discutir hoje questões que afetam diretamente a relação de trabalho entre empresas e empregados, como condições de trabalho, jornada, segurança e proteção social. A reunião será fechada. (Agência Brasil)

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Piloto campineiro é o destaque nos testes para as 24 Horas de Le Mans

O brasileiro André Negrão começou bem sua atuação nas 24 Horas de Le Mans de 2023. Participando pela sétima vez da tradicional corrida francesa – que neste ano celebra 100 anos desde sua primeira edição, em 1923 – o brasileiro no Alpine LMP2 #35 ficou em sexto lugar no primeiro treino  do test day e em terceiro no segundo.

NEGRAO André (bra), Alpine Elf Team, Oreca 07 – Gibson, portrait garage, box during the Test Day of the 24 Hours of Le Mans 2023 on the Circuit des 24 Heures du Mans on June 4, 2023 in Le Mans, France – Photo Germain Hazard / DPPI

Negrão é bicampeão da prova na LMP2 e guarda grande expectativa em relação à edição deste ano, muito em função das dificuldades enfrentadas pela equipe nas provas anteriores.

A melhor volta do Alpine que Negrão divide com o britânico Olli Caldwell e o mexicano Memo Rojas foi registrada em 3min36s644 e obtida no segundo ensaio. No agregado das duas sessões o tempo deu a eles o quarto posto do dia entre os 24 modelos inscritos para a categoria LMP2.

A Alpine retornou este ano à LMP2, segunda categoria mais importante do grid, depois de ter sido vice-campeã da Hypercar no ano passado, também contanto com o brasileiro. Mas recomeçar na LMP2 não foi fácil, devido às alterações do regulamento técnico e também ao uso dos pneus Goodyear ao invés dos Michelin.

“Foi um bom início, sentimos o carro um pouco à frente do que nos acostumamos durante este ano até aqui”, iniciou Negrão, vencedor duas vezes das 24 Horas de Le Mans na LMP2, em 2018 e 2019.

“Espero que esse dia de teste seja uma sinalização de que estamos alcançando os demais times em termos de acerto do carro”, disse o brasileiro. “É claro que é apenas um dia de teste, a pista ainda não está emborrachada, todos estão passando por um período de aclimatação, e queremos ter certeza de tudo nos próximos dias. Porém, é um início positivo, sem dúvida. Os dois carros do time estiveram no top 5, o que é ótimo”.

O segundo carro da Alpine, #36, com o trio francês Maxime Vaxiviere, Julien Canal e Charles Milesi, terminou logo atrás do #35 do brasileiro, na quinta posição, com um tempo 0s183 mais lento.

“Agora vamos analisar tudo o que pudermos para melhorar nosso desempenho para as próximas sessões”, concluiu André Negrão.

Todas categorias

Na Hypercar, o mais veloz foi o trio da Ferrari AF Corse #51, com o italiano Alessandro Pier Guidi, o britânico James Calado e o italiano Antonio Giovinazzi, com a volta de 3min29s504. Na LMP2, o #28 da JOTA, com brasileiro Pietro Fittipaldi e os dinamarqueses Oliver Rasmussen e David Heinemeier Hansson, cravou o melhor tempo, com 3min35s472.

Já na LMGTE Am, a JMW Motorsport, com a Ferrari 488 GTE Evo #66 do francês Thomas Neubauer, do italiano Giacomo Petrobelli e do monegasco Louis Prette, foi a mais veloz com 3min56s088.

Além das três categorias, as 24 Horas de Le Mans de 2023 ainda contam com o NASCAR da Hendrick Motorsports, na inovativa Garagem 56. O carro, sob comando do alemão Mike Rockenfeller, o britânico Jenson Button e o norte-americano Jimmie Johnson, fez o tempo de 3min53s761 – mais rápido que todos os GT.

Antes da largada para a prova, no próximo sábado, 10 de junho, as próximas atividades serão nesta quarta-feira, 7, com treinos livres e o início da definição do grid de largada.

Na quinta, 8, os oito mais bem colocados de cada categoria irão para a pista da Hyperpole, para a definição dos primeiros lugares dos grids.

Programação da 91ª edição das 24 Horas de Le Mans
(horário de Brasília):

Quarta-feira, 7
9h – Treino livre 1
14h – Q1
17h – Treino livre 2

Quinta-feira, 8
10h – Treino livre 3
15h – Hyperpole
17h – Treino livre 4

Sábado, 10
7h – Treino livre 5
11h – Largada para as 24h de Le Mans

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Transporte público da capital paulista perdeu 30% dos passageiros

O sistema coletivo público de transporte da capital paulista perdeu 30% ou quase um terço de seus passageiros nos últimos 10 anos. Em 2013, o sistema transportou 2,9 bilhões de passageiros, número que caiu para 2,04 bilhões em 2022. No mesmo período, a população da cidade aumentou 3,2%, de 11,8 bilhões de pessoas para 12,2 bilhões.

A queda na quantidade de passageiros foi acentuada no período da pandemia de covid-19, a partir de 2020. No entanto a redução já era visível no período anterior, de 2013 (2,9 bilhões de passageiros transportados) a 2019 (2,6 bilhões), período em que caiu 9,8% e a população da cidade aumentou 3,6%. Os dados são do pesquisador Daniel Santini, baseados em informações da prefeitura de São Paulo.

“Caiu 1 bilhão de viagens, eram 3 bilhões por ano, em 2013; em 2012, são 2 bilhões. Nosso sistema encolheu em um terço. Se a gente passar por mais 20 anos assim, ele desaparece”, destaca Santini, que desenvolve pesquisa na Universidade de São Paulo (USP) sobre políticas públicas de tarifa zero.

“Não é só a covid-19 [que causou a queda no número de viagens], a gente tem uma crise em curso, há uma linha de tendência, mesmo antes da covid. De 2013 a 2019, São Paulo já tinha perdido cerca de 10% do número de passageiros, o que é muita coisa; e de 2013 até 2023, perdeu 30%”, ressalta o pesquisador, que também é autor do livro Passe Livre: as Possibilidades da Tarifa Zero contra a Distopia da Uberização, e coorganizador do livro Mobilidade Antirracista.

Segundo Santini, o encolhimento das viagens no transporte público da cidade de São Paulo é representativo do que está ocorrendo nas demais cidades do país. Ele afirma que a forma de financiamento do sistema, baseada na cobrança de passagens nas catracas, cada vez mais caras, está se esgotando, e precisa ser repensada.

“Com esse encolhimento, torna-se mais difícil o equilíbrio financeiro a partir da receita da catraca. Para equilibrar, você tem que aumentar a passagem; o aumento da passagem torna o sistema mais excludente, e o desequilíbrio se aumenta porque você tem a redução do número de passageiros”.

De acordo com o pesquisador, outra forma que tem sido adotada para enfrentar o problema da diminuição do número de passageiros é redução da quantidade de ônibus nas ruas. “Se você não quer aumentar a passagem, o que que você faz? Você reduz a frota circulante; mas reduzindo a frota circulante, menos gente vai usar o ônibus e, de novo, você tem o mesmo problema”.

O engenheiro Lúcio Gregori, secretário de transportes da gestão de Luiza Erundina na prefeitura (1989-1993) e elaborador do Projeto Tarifa Zero em São Paulo, afirma que, com as seguidas elevações no preço das tarifas do transporte, parte da população deixou de ter condição financeira de se locomover pelo transporte público.

“A diminuição das viagens é decorrência] de reajustes de tarifas cada vez maiores; por exemplo, em função do aumento do preço de combustíveis. Mas no geral, a questão é tarifária. Quer dizer, a tarifa foi aumentando numa proporção que os usuários foram perdendo as condições de pagá-la e foram deixando de usar o transporte coletivo. Fundamentalmente é isso”.

A diminuição das viagens no transporte público urbano pode ser constatada também em nível nacional, a partir dos números da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). Os dados consideram as viagens mensais nas capitais Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Tomando o mês de abril como referência, foram feitas, em 2013, 381,1 milhões de viagens, ante 282,7 milhões em abril de 2019 (antes da pandemia de covid-19), e 202,9 milhões, em 2021. Em 2020, no auge do isolamento sanitário, foram apenas 92,4 milhões de viagens, o que gerou forte crise no sistema de transporte dependente da tarifa paga nas catracas.

“A pandemia trouxe à tona aquilo que os especialistas, os operadores, os técnicos mais envolvidos com essa questão vinham dizendo há muito tempo: esse serviço vem caindo de produção, a qualidade vem diminuindo, e os custos vêm aumentando significativamente. Não há mais como repassar o custo da produção do serviço inteiramente para o passageiro. O passageiro não tem condição de pagar mais isso”, afirma o presidente executivo da NTU, Francisco Christovam.

Tarifa zero

De acordo com o levantamento do pesquisador Daniel Santini, 72 municípios no país já adotam a tarifa zero plena no transporte público, ou seja, o passe livre que abrange todo o sistema durante todos os dias da semana. Segundo os dados, em 2013 eram 17 municípios no país com a tarifa zero; em 2019 (antes da pandemia de covid-19), 31; e em 2023, são 72 cidades, mostrando que a evolução pós-pandemia foi mais acelerada.

“As empresas passaram a defender a tarifa zero porque o modelo baseado na receita da catraca não se sustenta mais. E não é só esse fator a ser considerado, tem o eleitoral, tarifa zero dá votos”, destaca Santini.

“Isso quer dizer que a pressão das ruas não influenciou o processo? Muito pelo contrário. A pressão das ruas e junho de 2013 foram importantíssimos para a consolidar a ideia de mobilidade como direito”, acrescenta.

O pesquisador lembra que a pressão das ruas foi fundamental para aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 74, de 2013, promulgada como Emenda Constitucional 90, de 2015. A emenda, sugerida pela deputada federal Luiza Erundina, então no PSB e atualmente no PSOL, elevou o transporte a direito social que deve ser garantido pelo Estado.

“Essa é a base legal principal para a gente ter a perspectiva de, assim como a educação e a saúde, podermos batalhar por transporte com acesso gratuito universal”, destaca o pesquisador.

No último mês de maio, a mesma deputada apresentou, junto com outros parlamentares, especialistas e sociedade civil organizada, a PEC da Tarifa Zero, que regulamenta o direito ao transporte e tem o objetivo de garantir a gratuidade no sistema público de transporte, viabilizado por meio da Contribuição pelo Uso do Sistema Viários (ConUSV).

A aprovação da PEC é necessária para que os municípios possam implementar a contribuição, já que qualquer nova taxa municipal precisa ser autorizada pelo Congresso Nacional.

Gregori, que elaborou a ConUSV para Erundina, explica que a contribuição é uma possibilidade de fonte nova de recursos para transformar em realidade a tarifa zero.

“É uma contribuição calculada a partir do tamanho do veículo, frente versus profundidade do veículo, multiplicado pela potência do motor porque quanto mais potente, em tese, mais poluidor é o carro”.

De acordo com o engenheiro, feita essa conta, os carros seriam classificados em três níveis: grande, médio e pequeno, e uma contribuição diferente para cada um desses tamanhos seria cobrada.

“Eu fiz uma hipótese de cobrar R$ 3,50 por dia, do grande; R$ 2,50, por dia, do médio, e R$ 1, por dia, para o carro pequeno. Apliquei esses valores à frota de veículos da cidade de São Paulo de 2019. A receita obtida foi de US$ 6,5 bilhões, o que cria condições de sobra para implementar a tarifa zero”.

Outra proposta de financiamento levantada por Gregori é a utilização do Vale Transporte, já pago pelos empregadores, para financiar o sistema. “O Vale Transporte, tal como é hoje, é burro, porque a partir de um certo valor de salário você não quer ter o desconto, porque o desconto que é dado no salário é maior do que o custo da passagem de transporte coletivo. Então, se propõe a fazer um valor único”.

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Fluminense derrota Bragantino e encerra sequência negativa; Palmeiras vence o Coritiba

O Fluminense não jogou bem, mas derrotou o Bragantino por 2 a 1, na tarde de ontem  (4) no estádio do Maracanã, para dar fim a uma sequência de cinco jogos sem vitórias (dois deles pelo Campeonato Brasileiro).

Apesar de atuar em casa, a equipe comandada pelo técnico Fernando Diniz chegou ao confronto pressionada, em especial após a desclassificação da Copa do Brasil, após derrota de 2 a 0 para o Flamengo na última quinta-feira (1).

Talvez tentando dar uma resposta a seus torcedores, os jogadores do Tricolor das Laranjeiras começaram a partida correndo muito, não dando espaços aos adversários e forçando as jogadas de ataque. Desta forma o Fluminense se impôs no primeiro tempo e abriu uma vantagem de dois gols antes do intervalo.

O placar foi aberto aos 26 minutos, quando Arias dominou na ponta direita e avançou com liberdade para cruzar na medida para Ganso, que bateu de primeira, com categoria, para superar o goleiro Cleiton.

Sete minutos depois o camisa 10 do Tricolor cobrou escanteio ensaiado para Lima, que chutou na trave, aproveitando o rebote o zagueiro Felipe Melo escorou de três dedos para marcar um bonito gol.

Após tanto esforço, a equipe das Laranjeiras cansou e permitiu que o Bragantino descontasse aos 8 minutos com Thiago Borbas. A partir daí o Massa Bruta pressionou muito, mas não conseguiu vencer novamente o goleiro Fábio.

Palmeiras vence

Quem continua vivendo uma fase especial na competição é o invicto Palmeiras, que bateu o lanterna Coritiba por 3 a 1, no estádio da Serrinha, para permanecer na vice-liderança do Brasileiro, agora com uma diferença de apenas dois pontos para o líder Botafogo, que foi derrotado pelo Athletico-PR por 1 a 0 no último sábado (3).

Mesmo jogando em uma rotação mais baixa do que a que apresenta habitualmente, o Verdão abriu o placar aos 29 minutos, quando Piquerez levantou a bola na área, onde Artur não teve dificuldades para chegar batendo de primeira para superar o goleiro Gabriel.

Quatro minutos depois o Palmeiras ampliou. Com grande liberdade na direita, Mayke cruzou para Rony, que finalizou muito bem de cabeça.

Na etapa final, já aos 27, Rony voltou a deixar sua marca, mas desta vez em chute na saída do goleiro adversário após rápida jogada de contra-ataque que começou com passe de Dudu. O Coritiba ainda descontou com Alef Manga aos 37, mas a vitória final foi mesmo do Palmeiras.

Outros resultados
Grêmio 2 x 1 São Paulo
Goiás 0 x 1 Cuiabá
(Agência Brasil)

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Rampage é o nome da picape brasileira da Ram que será fabricada em Pernambuco

Prestes a começar a produzir a primeira picape média da marca Fiat no Brasil, o grupo Stellantis confirmou o nome de sua nova picape da marca americana Ram que também será fabricada no Brasil.

A picape Rampage, palavra inglesa que significa agitação, alvoroço, barulho, fúria, também vai ser produzida na fábrica pernambucana, onde produz os modelos Jeep e Toro.

No passado a marca já teve uma picape com o mesmo nome: Dodge Rampage.

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Mercado eleva para 1,68% projeção do crescimento da economia em 2023

A previsão do mercado financeiro para o crescimento da economia brasileira este ano subiu de 1,26% para 1,68%. A estimativa está no boletim Focus de hoje (5), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a projeção para os principais indicadores econômicos.

 

 

 

 

 

 

 

 

Para o próximo ano, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) é de crescimento de 1,28%. Em 2025 e 2026, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 1,7% e 1,9%, respectivamente.

Já a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerada a inflação oficial do país – caiu de 5,71% para 5,69% neste ano. Para 2024, a estimativa de inflação ficou em 4,12%. Para 2025 e 2026, as previsões são de 4%, para os dois anos.

A estimativa para este ano está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é 3,25% para 2023, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Ou seja, o limite inferior é 1,75% e o superior 4,75%. Segundo o BC, no último relatório de inflação, a chance de a inflação oficial superar o teto da meta em 2023 é de 83%.

A projeção do mercado para a inflação de 2024 também está acima do centro da meta prevista, fixada em 3%, mas ainda dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Em abril, influenciado pelo aumento dos preços de remédios, o IPCA ficou em 0,61%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é inferior à taxa de março, de 0,71%. Em 12 meses, o indicador acumula 4,18%.

O IPCA do mês passado será divulgado na quarta-feira (7). Mas, em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é a prévia da inflação, ficou em 0,51%.

Taxa de juros

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa está nesse nível desde agosto do ano passado, e é o maior desde janeiro de 2017, quando também estava nesse patamar.

Para o mercado financeiro, a expectativa é de que a Selic encerre 2023 em 12,5% ao ano. Para o fim de 2024, a estimativa é que a taxa básica caia para 10% ao ano. Já para o fim de 2025 e de 2026, a previsão é de Selic em 9% ao ano, para os dois anos.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Por fim, a previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar está em R$ 5,10 para o fim deste ano. Para o fim de 2024, a previsão é de que a moeda americana fique em R$ 5,16.

Mercado eleva para 1,68% projeção do crescimento da economia em 2023 Read More »

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