Fernando Calmon

Coluna Fernando Calmon — Nissan acompanha Renault e aumenta aposta no País

Coluna Fernando Calmon nº 1.276 — 7/11/23

Nissan acompanha Renault e aumenta aposta no País

Pela primeira vez o presidente mundial da Nissan, Makoto Uchida, visita o Brasil e veio com o bolso cheio. Anunciou investimento de até R$ 2,8 bilhões na fábrica de Resende (RJ), ou seja, R$ 1,5 bilhão a mais que o previsto. O executivo japonês incluiu a produção de dois novos modelos, ambos SUVs, sem esconder que o primeiro deles será a nova geração do compacto Kicks. Este modelo está mesmo próximo ao fim de seu ciclo normal de vida e será substituído logo no início de 2025.

Ainda em 2025 deve chegar também o segundo produto, contudo Uchida não o revelou. A possibilidade recai sobre o já muito especulado SUV subcompacto Juke, cuja nova geração está prevista justamente para aquele ano na Europa. É um modelo de linhas audaciosas que chamam atenção por onde passa, mas poderá sofrer modificações para a região Américas.

O investimento inclui um novo motor turbo para os dois modelos em Resende (RJ), sem informações adicionais. Mas, tudo indica que será o mesmo motor turbo flex de 1-litro, três-cilindros que a Renault, sócia na aliança franco-nipônica, produzirá em São José dos Pinhais (PR).

A marca francesa já anunciou a produção no Brasil do SUV Kardian e uma futura picape. A construção monobloco será partilhada com a Nissan, embora a empresa japonesa faça algumas modificações no novo Kicks. Outro investimento recente foi a transferência de São Paulo para São José dos Pinhais (PR) do seu centro de projetos e estilo para América Latina. As instalações foram ampliadas e integradas às três outras semelhantes da Renault no mundo.

Outubro: bom mês para as vendas, puxadas pelas locadoras

Crescimento de 10,2% frente a setembro último e de 20,4% em relação a outubro do ano passado apontam para um ano de 2023 que começou lento, teve uma breve recuperação com o corte provisório de impostos em meados do ano, uma pequena retração em setembro e deve fechar 2023 com avanço de 6% sobre 2022.

No acumulado de janeiro a outubro, as vendas de veículos leves e pesados cresceram 9,7%, mas segundo a Anfavea a base comparativa ao final de 2023 deve recuar, pois os dois últimos meses do ano passado foram de resultados bem acima da média.

De janeiro a outubro deste ano foram comercializados 1,847 milhão de veículos leves e pesados. As vendas diretas (a maior parte para locadoras) responderam por 51% do total. Os estoques em concessionárias e nas fábricas totalizaram 36 dias, um a menos que em setembro. A média de vendas diárias em outubro foi de 10,4 mil unidades, perdendo apenas para as 10,7 mil unidades de julho.

Produção nos 10 primeiros meses do ano (o que realmente garante os empregos) diminuiu 0,6% e alcançou 1,951 milhão de unidades, números modestos pela combinação de dois fatores: aumento de importações e queda nas exportações.

As vendas de veículos elétricos subiram 30% em outubro em comparação a setembro e acumularam 10.069 unidades nos 10 primeiros meses de 2023. Entretanto, estes representaram apenas 0,6% do total comercializado no ano contra 2,6% de gasolina, 3,3% de híbridos, 10% de diesel e 83,5% de motores flex.

Veto parcial ao Marco de Garantias inibe queda de juros

A evolução que se esperava com o novo Marco Legal de Garantias acabou praticamente eliminada. A lei foi aprovada no Congresso, porém recebeu veto do presidente da República no ponto essencial: retomada do bem financiado e não pago por meio de processo extrajudicial. Hoje, faz-se necessário iniciar todo um longo procedimento na Justiça e muitas vezes o veículo deixa de ser recuperado ou, quando acontece, já está deteriorado.

No cenário atual apenas 20% do total de unidades financiadas em inadimplência (mais de 90 dias de atraso das prestações) voltam para os credores. “Quem mais sofre, com esse veto, são os consumidores que enfrentam restrições na aprovação de fichas cadastrais”, alertou José Andretta Jr., presidente da Fenabrave.

Outro reflexo dessa falta de visão é anular a tendência natural de diminuir as taxas de juros do Crédito Direto ao Consumidor, caso fosse possível tornar mais ágil a retomada do bem. Isso não aconteceria em curto prazo, mas a experiência internacional mostra que este objetivo foi alcançado.

O Congresso ainda pode derrubar o veto presidencial, no entanto depende de negociações políticas.

Com preço ainda alto, Kona é um bom elétrico

Importado pela Grupo Caoa, o Hyundai Kona está defasado em relação ao novo modelo disponível no exterior. O preço também não ajuda – R$ 219.990 – apesar de ter recebido um corte de R$ 70.000, depois que as marcas chinesas passaram a oferecer aqui modelos elétricos a preços que, na Europa, geraram reações e ameaça de sobretaxas.

Este crossover, no entanto, é bem agradável de dirigir. Seus 4.205 mm de comprimento permitem achar vagas para estacionar sem dificuldade. Os 2.600 mm de entre-eixos garantem bom espaço para pernas, contudo passageiros mais altos atrás roçam a cabeça no teto. Volante é igual ao do HB20 e central multimídia de 10,25 pol., a mesma do Creta. Espaço para bagagem deveria ser maior do que os 332 litros.

Acelerações são razoáveis, mas com potência de apenas 136 cv não chegam a emocionar: 0 a 100 km/h em 9,9 s. A regeneração em desacelerações e frenagens tem ajuste automático e também manual por aletas atrás do volante. O fabricante optou por uma bateria de menor capacidade (39,2 kW·h) para diminuir a massa do carro e conseguir – artificialmente – recarga mais rápida (47 minutos em carregador de 50 kW). Entretanto, essa escolha limita o alcance médio a apenas 252 km (padrão Inmetro).

Q3 especial antecipa os 30 anos da Audi no Brasil

Os planos para 2024, quando a Audi comemora 30 anos do início da produção na fábrica de São José dos Pinhais (PR), incluem a icônica camioneta RS6 Avant, no primeiro semestre e o elétrico Q6 e-tron, no segundo semestre. A empresa, porém, antecipou agora em novembro as séries especiais Anniversary Edition comemorativas dos dois produtos que saem da fábrica paranaense em regime de montagem SKD: Q3 e Q3 Sportback.

Serão apenas 50 unidades de cada versão com preços, respectivamente, de R$ 372.990 e R$ 392.990.

A parte mecânica não mudou (gasolina; 2-L turbo; 231 cv; 34,7 kgf·m) e tração integral quattro sob demanda. Externamente caracteriza-se pela pintura de toda a carroceria na mesma cor, mas reservando o preto brilhante para as carcaças dos espelhos retrovisores e moldura da grade do radiador. Os iniciados em Audi percebem as sutilezas.

Em um roteiro de 460 km (São Paulo-São Bento do Sapucaí, ida e volta) o Q3 confirmou suas qualidades dinâmicas tanto na estrada quanto em trechos off-road, sempre entregando respostas rápidas do acelerador e do câmbio automático epicíclico de oito marchas. Em estradas de terra é preciso lembrar dos pneus de perfil baixo 40, mais vulneráveis a pedras e buracos. O Q3 acelera de 0 a 100 km/h em 7 s.

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Coluna Fernando Calmon — Motoristas ainda não se sentem à vontade com automação ao dirigir

Coluna Fernando Calmon nº 1.273 — 17/10/23

Motoristas ainda não se sentem à vontade com automação ao dirigir

O alerta vem de uma grande pesquisa recente feita nos EUA pela J. D. Power. Na realidade, quem está ao volante nem sempre consegue dominar o significado exato de cada um dos Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista (ADAS, na sigla em inglês) e, portanto, não tira proveito destes recursos em sua totalidade ou sentem algum grau de insegurança no seu funcionamento.

De fato, constatou-se que os consumidores estão atrasados ​​na compreensão e preparação para níveis superiores de automação. Ou, por outra visão, a indústria automobilística está se adiantando ao oferecer muitos recursos, alguns até bem caros, sem que os clientes finais tenham absorvido o modo certo de entendê-los e operá-los. São muitas as siglas que descrevem até com palavras pomposas o que, de fato, oferecem.

Motoristas receptivos ao aprendizado são de gerações mais novas. A pesquisa apontou as fontes de informação: manual do proprietário (32%), pesquisa on-line (27%) e explicação na concessionária (26%). O restante procura se informar por conta própria e interação com o ADAS.

O resumo do sentimento de muito dos entrevistados aparece nessa declaração: “Não estou pronto para confiar minha vida a um veículo totalmente automatizado. Preciso de tempo para confiar nas capacidades do sistema.”

Segundo Bryan Reimer, cientista pesquisador do Centro de Transporte e Logística do instituto tecnológico MIT, alguns dos recursos altamente automatizados permanecem em fase de evolução e teste. Há problemas e limitações sendo encontrados – e corrigidos.

Para ele, “quanto mais cedo os consumidores reconhecerem que podem aproveitar hoje uma série de funcionalidades ADAS para ajudar o seu comportamento ao volante, mantendo ao mesmo tempo a responsabilidade ao guiar, rapidamente se chegará a um futuro em que daremos prioridade a escolhas de mobilidade segura, convenientes e sustentáveis proporcionadas por veículos altamente automatizados.”

Então, se você se considera um ser um pouco inferior por não compreender bem o funcionamento de algumas destas soluções, não se preocupe. Com o tempo a confiança aumentará e estará integrada a todo o ecossistema de segurança ativa que tem muito a oferecer.

Mustang Mach-E acelera de verdade e como poucos

Primeiro modelo elétrico a bateria importado pela Ford, o Mustang Mach-E exibe alguns superlativos. O mais atraente é a aceleração de 0 a 100 km/ em apenas 3,7 s, apesar de sua massa em ordem de marcha de nada menos que 2.281 kg. Seus dois motores (um em cada eixo) entregam 487 cv e 87,7 kgf·m, com tração naturalmente integral. E, curiosamente, cada cv “custa” quase exatos R$ 1.000, totalizando R$ 486.000 para a versão única GT Performance.

Suas linhas são típicas de um crossover, mais precisamente um SUV cupê, com referências claras ao Mustang de motor a combustão como indicam o capô longo e o desenho das lanternas traseiras. Também chama atenção a ausência de maçanetas convencionais: basta apertar um botão para acessar o interior. Este se destaca pelo espaço interno (entre-eixos de confortáveis 2.984 mm), quadro de instrumentos de 10,2 pol., tela multimídia vertical de 15,3 pol. (com botão para controle de volume), seis portas USB tipos A e C, sistema premium de som (B&O) e freio de estacionamento eletromecânico com função de autoimobilização nas paradas.

Outros destaques são teto solar de grandes dimensões com revestimento termorreflexivo, nove airbags (um deles o providencial entre os bancos dianteiros para evitar que um ocupante lesione o que está ao lado num colisão lateral), quatro modos de condução e dois porta-malas (traseiro de 402 litros e o dianteiro de 140 litros, este lavável e drenável), rodas de 20 pol. com pneus 245/45 R 20, freios Brembo, amortecedores com variação de carga magnética, quatro modos de condução, perfeita distribuição de massa (50% em cada eixo) e vão livre do solo de 200 mm.

A bateria de 91 kW·h permite o alcance médio de 379 km no padrão Inmetro. Tempo de recarga entre 11 e 14 horas.

Japão e Coreia do Sul vão devagar com os elétricos

Outro dia recebi uma informação de uma empresa entusiasmada com a participação de carros elétricos no mercado brasileiro: “mais que tendência já é uma realidade”. Fico pensando sobre percepção elástica da realidade. Apesar de com frequência abordar este assunto, além de seguir de perto os lançamentos e avaliações ao volante, deve-se reconhecer que ainda falta muito para a tendência se transformar em vendas.

Razões são sobejamente conhecidas: preço muito alto que começa a cair com as ofertas de marcas chinesas, alcance limitado fora dos perímetros urbanos, tempos de recarga longos e uma rede incipiente de eletropostos. Também jogam contra o poder aquisitivo limitado dos brasileiros e a extensão territorial do País por exigir ampliação dos atuais e estimados 3.000 locais de recarregamento de baterias para no mínimo 80.000.

Por todos os motivos citados não chega a ser exatamente uma surpresa que a participação de modelos 100% elétricos no País representem apenas 0,6% das vendas de automóveis e veículos comerciais leves até o mês passado.

Porém, em nações de alto poder aquisitivo com ampla oferta de modelos de todos tipos e plenas condições de implantar uma malha de recarga por terem extensão territorial minúscula em comparação ao Brasil, essa participação poderia ser muito maior. Para ter certeza, solicitei à consultoria JATO Dynamics informações sobre Japão e Coreia do Sul.

No fundo, não me surpreendi pelos dados coletados de vendas entre janeiro e agosto deste ano. No Japão apenas 2,2% dos veículos leves eram 100% elétricos a bateria e outros 5,3% tinham tração elétrica, mas com motor a combustão como extensor de alcance. Modelos 100% a combustão representavam 51% e híbridos 41,5%. Números semelhantes na Coreia do Sul: apenas 7% eram elétricos, 67% a combustão e 26% híbridos.

Em proporção os percentuais frente ao Brasil podem ser até 10 vezes maiores, porém ainda muito distantes do cenário na China onde um quarto das vendas são de elétricos por razões estratégicas e forte suporte financeiro governamental.

Aliás, não canso de repetir sobre os elétricos: rumo certo, ritmo incerto.

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Coluna Fernando Calmon — Nova fábrica da BYD acirra concorrência entre marcas chinesas

Coluna Fernando Calmon nº 1.272 — 10/10/23

Nova fábrica da BYD acirra concorrência entre marcas chinesas

Finalmente saiu o acordo entre Governo da Bahia e BYD que também envolveu a fábrica desativada da Ford em Camaçari. Na reta final, o Estado recebeu os prédios, com as ampliações feitas pela filial da americana, por R$ 220 milhões e repassou-os para a marca chinesa em forma de arrendamento.

Por sua vez a empresa chinesa precisará equipar todo o complexo para produzir carros híbridos flex plugáveis (Song Plus, na foto acima) e elétricos (Dolphin e Yuan Plus), caminhões leves e chassis de ônibus (ambos elétricos) e uma unidade de processamento de lítio e ferro fosfato (metais usados em baterias) para exportação.

Os R$ 3 bilhões que a BYD investirá na Bahia, incluindo um centro de pesquisa e desenvolvimento também na região metropolitana de Salvador, são o mesmo montante já anunciado pela conterrânea GWM em Iracemápolis (SP), na fábrica em preparação adquirida da Mercedes-Benz do Brasil. E, pouco mais de um mês atrás, a CAOA-Chery também revelou o desembolso de R$ 3 bilhões para aumentar a produção do Tiggo 5x de motor a combustão. Mas, nada adiantou sobre produzir híbridos em Anápolis (GO), hoje importados da China.

Que número mágico será este de R$ 3 bilhões (US$ 600 milhões)?

A BYD garantiu que a fábrica é a primeira desse porte fora do país de origem e capaz de produzir até 150.000 unidades por ano, embora não revelasse quando esse volume seria atingido. Inicialmente vai gerar 5.000 empregos diretos e indiretos. A fabricação começará entre o final de 2024 e o começo de 2025, porém faltou anunciar um cronograma de lançamentos e o índice de conteúdo local.

O governo baiano pretende isentar do IPVA modelos produzidos no Estado com preço até R$ 300.000 (Song Plus, hoje importado, custa R$ 229.800 com o desconto recente de R$ 40.000).

Já a GWM, enquanto se prepara para iniciar produção em maio de 2024, estuda priorizar o SUV Haval H6 híbrido flex como seu primeiro produto e só depois a picape híbrida flex Poer. Decisão depende dos termos do programa Mobilidade Verde e Inovação a ser anunciado pelo Governo Federal (com mais um atraso, no final deste mês), conforme adiantou o site Automotive Business.

Assim, as escaramuças entre marcas chinesas no Brasil mal começaram.

Marco de garantias deve diminuir juros de financiamentos

O Congresso Nacional aprovou e segue para sanção presidencial a nova lei do marco legal de garantias de empréstimos. Tornará mais fácil a execução extrajudicial e vai agilizar a recuperação de bens móveis (automóveis, motos e caminhões) de pessoas físicas e jurídicas inadimplentes. A principal consequência será a tendência de queda nas taxas de juros, além de maior oferta de crédito. Também será possível que um imóvel sirva de garantia para mais de um empréstimo. Porém, este será um movimento de adaptação e não ocorrerá em curto prazo.

Em 2023 o mercado automobilístico está crescendo mais do que as projeções iniciais. Segundo a Anfavea, as vendas devem aumentar 6% sobre 2022, enquanto em janeiro deste ano a previsão era de 3%. Fechamento deste ano deve chegar a 2,2 milhões de unidades (veículos leves e pesados). Ainda assim os estoques nas fábricas e concessionárias subiram de 37 para 40 dias, ainda dentro da normalidade, de acordo com a entidade.

Vendas de veículos 100% elétricos subiram para 1% do total em setembro como reflexo do bom desempenho do Dolphin. Porém, no acumulado dos nove meses deste ano a participação caiu de 0,6% para 0,5%, indicando que o hatch chinês tirou vendas de outros modelos, enquanto o mercado específico até recuou.

Números de produção deste ano foram revisados de mais 2,2% para 0% de crescimento frente a 2002, em razão da forte queda de 12,7% das exportações.

Híbrido plugável Grand Cherokee 4xe chega no fim do mês

A quinta geração do Jeep Grand Cherokee, disponível no final do mês em curso, vem em versão única topo de gama por R$ 570.000. O preço é alto, apesar de imposto de importação menor como híbrido plugável. O lote inicial é de 150 unidades. Com distância entre eixos de 2.964 mm oferece ótimo espaço interno e ainda há um grande porta-malas de 580 litros.

Tem tração 4×4 com reduzida real para todas oito marchas do câmbio automático, sem bloqueio físico do diferencial central, mas com gerenciamento feito pelo próprio veículo. Motor principal é um 2-litros turbo de quatro cilindros e há mais dois, elétricos. Potência combinada de 380 cv e torque combinado de 65 kgf·m parecem muito, mas deve-se levar em conta sua massa de 2.466 kg. Ainda assim, o Grand Cherokee é rápido para seu porte, com aceleração de 0 a 100 km/h em 6,3 s.

Avaliação foi feita apenas em trecho urbano, mas os ângulos de off-road são típicos da marca com naturais limitações da proposta de um SUV que não é raiz. Há sistema de assistência de segurança completo: ponto cego, frenagem autônoma, assistente de faixa, tráfego traseiro transversal, câmaras 360° e frontal off-road, sensores de estacionamento traseiro e dianteiro, além de freio de autoimobilização no para e anda do trânsito.

O carro é bem silencioso (tem vidros acústicos e cancelamento sonoro de ruído) e head-up display de 10 pol. também muito bom. Usando regeneração máxima, o consumo de gasolina foi de 15,3 km/l. Não atingiu os 19,3 km/l indicados no padrão Inmetro. Mas com um tanque de 72 L de capacidade ninguém vai reclamar do alcance.

Accord híbrido destaca as vantagens de um sedã grande

De volta ao mercado, mesmo enfrentando a forte concorrência de SUVs, a 11ª geração do Accord ficou mais discreta com poucos frisos cromados e continua a ser opção válida. Chamam atenção no sedã a queda suave do teto, dianteira com faróis colocados em posição clássica sem invencionices e traseira coerente, ao mesmo tempo que garante ótima sinalização.

Seus 2.830 mm de entre-eixos garantem conforto e permitem até cruzar as pernas no banco traseiro sem contorcionismo. Porta-malas de 576 L (padrão VDA) é tão grande quanto o do Grand Cherokee. Destoa apenas a falta de um par de dobradiças pantográficas com molas a gás na tampa do porta-malas no lugar das prosaicas conhecidas como “pescoço de ganso”.

No interior chamam atenção a qualidade dos materiais de acabamento, os bancos dianteiros elétricos redesenhados e mais confortáveis, as saídas do ar-condicionado com uma malha metálica na largura do painel, a volta da alavanca de câmbio tradicional (ao contrário do Civic), o projetor de dados no para-brisa de 6 pol. e os botões físicos para controle de volume e temperatura interna, mais seguros de operar com o carro em movimento.

Conjunto motriz é o mesmo do Civic híbrido com um motor a combustão de 2 litros, 146 cv ciclo Atkinson, e dois elétricos sendo um para recarregar a pequena bateria de 1,05 kW·h e outro de 184 cv (mais 3 cv que o sedã menor). A Honda não revela a potência combinada, mas no site americano a informação existe: 207 cv. Aceleração também não é informada. Consumo padrão Inmetro: 17,8 km/l (cidade) e 16,1 km (estrada).

Durante a viagem de teste para primeiras impressões, além do silêncio nos trechos urbanos, destacou-se o comportamento em curvas e em especial a tendência menor de subesterço quando mais exigido.

30º Congresso SAE Brasil focou no tema da mobilidade

De alto nível técnico e prestigiado por representantes da indústria, academia e governo, as três décadas de realização do Congresso SAE Brasil foram comemoradas com grande sucesso ao longo dos dois dias de debates e dezenas de trabalhos apresentados com foco nas opções de transporte por terra e ar.

A temática desta edição realizada em São Paulo (SP) teve o lema: “Movidos pela inovação: somos a próxima geração da mobilidade”. Destacou-se o assunto recorrente em que o País sobressai em relação ao mundo graças à bioenergia como principal fonte para a transição segura e bem planejada para a eletromobilidade.

O professor Gonçalo Pereira, da Unicamp, enfatizou que o etanol terá um papel preponderante por meio de veículos híbridos flex e pode ser obtido não apenas da cana-de-açúcar. Citou o agave do qual os mexicanos fazem a tequila e no sertão nordestino é usado para produzir sisal. Segundo ele, a planta é até mais produtiva que a cana para obter etanol.

 

 

 

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Coluna Fernando Calmon – Mobilidade Verde traz desafios e exige cautela ao propor ações

Coluna Fernando Calmon nº 1.269 — 19/9/23

Mobilidade Verde traz desafios e exige cautela ao propor ações

Até o final deste mês o Governo Federal anunciará a segunda fase do programa Rota 2030 que estabelece incentivos para desenvolvimento local de novas tecnologias para diminuir o consumo de combustíveis de origem fóssil e também de biocombustíveis como o etanol. Uma das decisões será o critério muito mais válido de calcular o gasto energético pelo critério do poço-à-roda do que apenas do motor-à-roda.

O programa também mudará de nome e passará a se chamar Mobilidade Verde. Os rumores dão conta de que há intenção de acelerar o processo de aditivação de biodiesel ao diesel não renovável. E também o aumento de 27% para 30% do teor de etanol anidro na gasolina.

As duas premissas (a confirmar) precisam de estudos mais profundos. No caso do biodiesel há forte oposição da indústria sobre os percentuais que podem chegar a 15%, mas deveria se limitar a 10%. Quanto ao etanol também seria necessário pesquisar no caso de motores mais antigos com injeção indireta ou direta de combustível, hoje na maioria da frota circulante.

Quando fiz a mediação no mês passado de um dos debates (O Futuro da Mobilidade Sustentável) no 30º Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, enderecei uma pergunta direta sobre esse assunto ao diretor do departamento de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Marlon Arraes. Ele esclareceu que testes em laboratório e em campo deverão comprovar que essas aditivações não trarão prejuízos aos motores ou à sua manutenção.

Outra decisão que seria anunciada pelo ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços é a taxação (hoje zerada) de 35%, ao longo de três anos, do Imposto de Importação (I.I.) de carros elétricos. Se o Brasil deseja que exista produção local desses veículos, não há o menor sentido de retirar o gravame de veículos importados. Até por questão de isonomia com automóveis de motor a combustão.

Este é um ponto que traz discussões e envolve suspeitas de subsídios ocultos dos produtos chineses exportados para todo o mundo. A União Europeia acaba de acusar de dumping (venda a preços subsidiados) a indústria de veículos elétricos da China e estuda uma taxação extra de 10% a 15%.

Marcas chinesas – GWM e BYD – acenam para fabricação (ou mesmo simples montagem) de elétricos no Brasil. Se o I.I. é zero, fica mais rentável simplesmente importar.

A ver se rumores vão se confirmar e os desdobramentos destas decisões.

BMW apresenta M2 como modelo raiz

Um posicionamento muito claro do fabricante alemão foi confirmado por declarações do executivo responsável pelo desenvolvimento técnico da marca, Frank Weber, ao site australiano Carsales que controla o congênere Webmotors no Brasil.

Ao contrário de outras marcas, a BMW faz questão de pontuar: “Não anunciaremos nenhuma data de término de motores a combustão, pois é impossível fazer mudanças estruturais, industriais e culturais necessárias para a produção apenas de veículos 100% elétricos até 2030. Eles coexistirão pelo próximos 10 a 15 anos.”

Trata-se de uma posição corajosa em contraste com outras marcas que escolheram se precipitar. Uma prova do caminho escolhido é a vinda do México (isento de imposto de importação recíproco entre os países) do visceral M2. O modelo é um cupê de dimensões menores que o Série 3 e se caracteriza pela grade frontal diferente da tradicional da marca, além de soluções atraentes como as “bolhas” nos para-lamas traseiros e as inusitadas quatro saídas de escapamento para um motor de seis cilindros em linha, 3-L, biturbo, 460 cv e 56 kgf·m.

O interior apresenta o alto padrão de acabamento da marca, além do arrojado conjunto de tela curva: 12,3 pol. no quadro de instrumentos e 14,9 pol. na central multimídia. Os dois bancos traseiros, previsivelmente, têm pouco espaço para as pernas, porém o porta-malas é razoável (390 litros).

Apesar dos 1.725 kg de massa total, o M2 atrai pelo alto desempenho: 0 a 100 km/h, em 4,1 s com câmbio automático epicíclico de oito marchas. Câmbio manual existe no exterior, mas não será oferecido aqui. Há duas versões: Coupé por R$ 617.950 e Coupé Track com bancos dianteiros tipo concha por R$ 667.950.

208 com motor 1-L turbo pode aposentar o 1,6-L

O estilo é reconhecido de longe e sempre representou um ponto de grande destaque da marca francesa. No entanto, ficava devendo em termos de desempenho frente aos concorrentes que migraram rapidamente para motores com turbocompressor. Com a formação da Stellantis, em janeiro de 2021, o cenário mudou. E o Peugeot 208 acabou recebendo primeiro o motor tricilindro 1-L turbo do novo Grupo, antes mesmo do hatch Fiat Argo.

Este é o motor flex de 1.000 cm3 mais potente com etanol ou gasolina entre os produzidos atualmente no Brasil: 130 cv (E)/125 cv (G) e 20,4 kgf·m (para ambos os combustíveis e neste caso o valor é igual ao motor da VW de mesma cilindrada, cuja vantagem está em rotações mais baixas – 2.000 rpm contra 4.250 rpm).

No entanto, o câmbio automático CVT de sete marchas no uso cotidiano garante a elasticidade que falta ao motor aspirado de 1,6 L, ainda oferecido pelo fabricante francês, mas que pode ser aposentado.

A Peugeot oferece três versões com o novo motor e preços entre R$ 99.990 e R$ 114.990. A mais cara inclui rodas de liga leve de 17 pol. e teto solar (opcional na versão de R$ 100.000), além de seis airbags (dois do tipo cortina) e outros itens de segurança em um pacote de série que inclui alerta de colisão frontal com frenagem automática de emergência e detecção de pedestre, entre outros.

Na viagem de avaliação o conjunto mecânico entregou o que faltava em termos de desempenho com resposta imediata ao acelerador e registro de 0 a 100 km/g em 9 s (E) e 9,2 s (G).

O volante hexagonal é único com base e topo achatados que, em princípio, parece estranho, mas não fica difícil de se adaptar e permite visão completa do quadro de instrumentos por cima dele. O acabamento interno é bom, comportamento em curvas perfeito e freios com potência adequada.

O 208 deve receber em 2024 as modificações já feitas no homônimo francês. Já o 2008 passará a ser fabricado na Argentina. 

Semana Nacional do Trânsito: 18 a 25 de setembro

Pelo 26º ano consecutivo se comemora essa campanha prevista no Código de Trânsito Brasileiro que conta, entre os principais impulsionadores, a ONG Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV).

“Faça o bem, não importa a quem” é a linha mestra do movimento em 2023, que pretende induzir uma maior conscientização entre motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres com o objetivo de diminuir o número de 94 mortos diárias em média no trânsito urbano e rodoviário.

No site https://www.onsv.org.br/semana-nacional-transito/campanhas é possível, mediante um cadastro simples, baixar gratuitamente peças de divulgação para todas as mídias incluindo desde banners até posts e spots para rádio e vídeo.

Entre os seis posts que cobrem todo universo da segurança viária destacam-se: “Leve sua calma para ruas e rodovias” e “Os pequenos só estão seguros, nos equipamentos de segurança”.

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Coluna Fernando Calmon — Carros básicos enfrentam problemas para sobreviver

Coluna Fernando Calmon nº 1.268 —12/9/23

Carros básicos enfrentam problemas para sobreviver

 

Desde os anos 1990 era fácil avaliar o percentual reservado a cada segmento quando um carro novo chegava ao mercado: 30% de versão básica, 50% na intermediária e apenas 20% para a versão mais cara da linha. Esses percentuais foram se alterando com o tempo e passaram para outra distribuição, consolidada a partir de escassez de semicondutores durante a pandemia de covid-19.

Agora apenas 10% são básicos, 40% a 50% intermediários e 50% a 40% de topo. Na realidade os 10% de entrada são para frotistas e locadoras. Esse cenário já não pode ser explicado pela falta de componentes. Há uma razão mais evidente. Os apertos nas legislações de segurança e emissões estão inviabilizando as chamadas versões de entrada e até a oferta de modelos mais em conta.

No mercado brasileiro só há duas opções de subcompactos no chamado segmento A: Fiat Mobi e Renault Kwid, por cerca de R$ 70.000. Várias linhas de produtos de maior porte simplesmente suprimiram a versão básica. Fenômeno agravado pelo avanço dos SUVs e crossovers, modelos mais caros e rentáveis para as marcas.

Na Europa, estudo recente da consultoria LMC Automotive mostrou a mesma tendência. O relatório assinado por Sammy Chan indica: “Estamos vendo uma queda acentuada no número de modelos de entrada à venda, pois os fabricantes vêm optando por não produzir carros pequenos que dão retornos financeiros menores”.

Até mesmo os SUVs que dominam o mercado europeu sofrem. Os modelos intermediários e de maior porte deixam uma margem de lucro bem melhor, o que não acontece com SUVs e crossovers compactos. E o crescimento dos VEB (Veículos Elétricos a Bateria) agrava esse cenário.

Um modelo do segmento A deixa pouco espaço para uma bateria maior. O alcance hoje já é menor que o ideal para a maioria dos usuários, agravado pelos efeitos do clima frio. Serve bem para dirigir na cidade e em viagens curtas. Porém desencoraja compradores que precisam de um carro pequeno para cobrir todos os tipos de uso, incluindo viagens ocasionais de longa distância com bagagem pesada.

O consultor conclui que sempre haverá demanda por modelos básicos. No entanto, pode não atrair os fabricantes para redesenvolver esse segmento, se a lucratividade não for atraente.

Por coincidência ou não o presidente da BMW, Oliver Zipse, afirmou no recém-encerrado Salão de Munique: “O segmento de automóveis básicos desaparecerá ou não será feito pelos fabricantes europeus”.

Civic Type R: caso sério de pura emoção

Não é sempre que se pode desfrutar de uma semana inteira com um automóvel tão desafiador quanto prazeroso ao volante. Embora o conservadorismo exagerado da Honda continue reinante e lá do distante Japão tenha feito um corte de 7% na potência original do motor turbo 2-litros de 320 cv para 297 cv (torque inalterado de 42,8 kgf·m), ainda sobra bastante o que apreciar neste Civic. Aqui a marca não revela o desempenho na aceleração de 0 a 100 km/h, mas na Europa informa 5,8 s.

Arranquei de 0 a 105 km/h (para compensar eventual erro no velocímetro) em 6 s, a melhor de três tentativas. A sensação é incrível e basta puxar a alavanca uma única vez de primeira para segunda marcha. Um engate seco e preciso, a exemplo das quatro outras marchas que se sucedem. O ronco instigante do motor está no nível correto ajudado por alto-falantes, como se fosse necessário. O volante forrado de camurça preta e ótima sensação tátil contrasta com o vermelho do banco concha que garante firmeza lateral e dureza aceitável para a proposta do modelo. Atrás o espaço é para dois passageiros.

Não há dificuldade em manter o hatch de tração apenas dianteira na trajetória correta mesmo em curvas no limite de aderência. Para isso a seleção do modo +R é a mais indicada: sacrifica o conforto de rodagem por uma boa causa. E nas reduções do câmbio manual de seis marchas (uma ode aos saudosistas) surge a providencial aceleração interina para que a operação seja livre de trancos.

As alterações não se restringem às suspensões como uma do tipo multibraço atrás. As rodas de 19 pol. foram especialmente projetadas com borda invertida que exigiram pneus específicos Michelin Pilot Sport 4S 265/30 ZR19. É um conjunto compatível à proposta do carro e deve-se aceitar a natural aspereza, além do cuidado em evitar buracos. De qualquer forma a Honda preferiu sacrificar o volume do porta-malas e colocar um estepe convencional.

Nada foi deixado de lado no Type R. Da aerodinâmica refinada com uma vistosa e eficiente asa traseira (sem atrapalhar um milímetro da retrovisão) aos freios a disco Brembo de quatro pistões na frente e dois atrás, além do diferencial autobloqueante.

O preço é um previsível estraga-prazer: R$ 429.990 e incluído o pacote compulsório Traffic Alert o tíquete sobe para R$ 434.900.

Concorrentes da Ranger ficaram para trás 

De fato, o novo produto da Ford abriu espaço no disputado e altamente rentável mercado das picapes médias de cabine dupla. Esse segmento floresceu juntamente com o agronegócio brasileiro, mas também atrai admiradores em grandes e médias cidades e usuários de SUVs de maior porte.

Primeiro reflexo está na superioridade da Ranger não apenas em estilo e acabamento interno, mas em equipamentos como a grande tela multimídia vertical de 12,4 pol. e o potente motor V-6 diesel de 250 cv/61 kgf·m. A começar pelo assento do banco do motorista mais baixo que melhora a postura ao volante. Nível de ruído interno e vibrações evoluiu bastante e há o indispensável freio eletromecânico de autoimobilização, além do sistema desliga-liga o motor no para e anda do trânsito. Quem senta no banco traseiro tem acomodação melhor para as pernas.

A versão de topo avaliada Limited surpreende pelo inédito (em picapes) revestimento macio nas portas dianteiras. Há conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay e recarga do celular por indução. Quadro de instrumentos eletrônico de 12 pol. traz todas as informações pertinentes ao uso dentro e fora de estrada, inclusive leitura das placas de trânsito de proibido ultrapassar. Senti falta de regulagem de altura do cinto de segurança.

Aceleração do motor é vigorosa e a caixa automática de 10 marchas colabora tanto para o desempenho quanto para as respostas instantâneas do acelerador. Freios e direção também se destacam na grande evolução da picape. Ótimo o acerto das suspensões: menos trepidação e inclinação nas curvas que reflete o oportuno reposicionamento dos amortecedores traseiros, agora externos às longarinas do chassi.

Pontos altos no uso fora de estrada: acionamento do modo 4×4 de forma automática sem necessidade de um diferencial central, controle de descida (HDC) com representação gráfica e calibração corretas, seletor de terrenos que funciona muito bem em especial no modo escorregadio e inclusão de um clinômetro visível no quadro de instrumentos e na tela central.

Especialistas em fora de estrada com quem conversei preferem borboletas atrás do volante para controle sequencial das trocas de marchas, além de botões dedicados para o HDC e bloqueio do diferencial traseiro, agora efetuados apenas pela tela central, mesmo tendo uma tecla de atalho no console para abrir a configuração off-road.

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Coluna Fernando Calmon — Territory agora oferece mais por preço menor

Coluna Fernando Calmon nº 1.266 — 29/8/23

 

Territory agora oferece mais por preço menor

Desde 1965 quando lançou o Bronco nos EUA como ano-modelo 1966 a Ford acumulou experiência no segmento de SUVs. Aqui foi responsável pelo primeiro utilitário esporte compacto, o EcoSport em 2003, que ficou sem concorrentes diretos até 2011 quando o Renault Duster estreou.

Encerrada a produção do EcoSport no Brasil, começou a importar o Territory do seu parceiro da China JMC, mas o produto apresentava limitações. Essa nova geração mostra uma evolução bem marcante a começar pelo estilo. Chama atenção a carroceria mais larga e alta do que a do Jeep Compass e pouco menor que o Commander de sete lugares. Porém a distância entre eixos (2.720 mm) cresceu apenas 10 mm.

Ainda assim quem viaja atrás ganhou espaço e assoalho plano. Os bancos dianteiros elétricos são confortáveis e ventilados, com 10 regulagens para o motorista e 4 para o passageiro.

Há duas telas geminadas de 12,3 pol. para quadro de instrumentos e sistema multimídia com carregador por indução e conexões Android Auto e Apple CarPlay sem fio, além de quatro portas USB. Todo o interior tem acabamento e materiais muito bons. Porta-malas agora com 448 litros (100 a mais).

Há um convincente pacote de segurança que inclui câmera 360°, sensores de obstáculos traseiro e dianteiro, frenagem autônoma de emergência (porém sem detectar pedestre e bicicleta), entre outros.

Motor 1,5 L turbo a gasolina ganhou vida – 169 cv e 25,5 kgf·m – e na viagem de avaliação foi rápido nas ultrapassagens, facilitadas pelo novo câmbio automatizado com duas embreagens banhadas a óleo e sete marchas. Em uso urbano tem o indispensável freio eletrônico de imobilização e ótima dirigibilidade.

O preço ficou menor: R$ 209.990 (R$ 10.000 a menos que o Territory anterior). Também é mais barato que Jeep Compass e VW Taos.

Elétrico BMW i7 60 alia grande conforto e desempenho

Novo modelo de topo da marca alemã é recheado de superlativos. A começar, dessa vez, por quem senta no banco traseiro que dispõe de uma inédita tela de 31 pol. que se desloca do teto, com resolução 8K, além de 36 alto-falantes e 1.865 W de potência sonora.

O passageiro do lado direito do banco conta com a função “primeira classe”: pode esticar as pernas à vontade com avanço elétrico do banco do passageiro dianteiro. Pacote de streaming de 20 GB/mês por um ano, com conexão 5G, é da Amazon Fire TV.

Todas as portas têm abertura elétrica que pode ser completa ou parcial, se os ocupantes preferirem. Quem está ao volante também conta com alto nível de tecnologia e duas telas conjugadas de 12,3 e 14,9 pol.

As dimensões do i7 impressionam: 5.390 mm de comprimento, 1.950 mm de largura e entre-eixos de 3.210 mm. Porta-malas segue o tom com volume de 500 litros. O sedã tem sistema de estacionamento totalmente automático.

Também oferece direção autônoma de Nível 3: o motorista não precisa tocar no volante, mas deve supervisionar o tráfego. O que porém só se aplica a algumas regiões da Alemanha, EUA e Japão.

Essa versão elétrica do sedã BMW de topo Série 7 conta com um motor em cada eixo, potência total de 544 cv e torque imediato de 77 kgf·m. A bateria de 101,7 kW·h permite até 479 km de alcance, ciclo Inmetro. Apesar de massa total de 2.595 kg, acelera de 0 a 100 km/h em impressionantes 4,5 s.

Preço é tão superlativo quanto o carro: R$ 1.282.950. Este ano a marca alemã pretende dobrar as vendas de modelos híbridos e elétricos.

Queda nos juros de financiamento, segundo o BC

Em julho o Banco Central informou que os juros para financiamento de carros novos (CDC) caíram para 26,1% ao ano. Isso ainda sem os reflexos da redução da taxa básica Selic em agosto e pode indicar uma tendência de redução mais acelerada nos próximos meses.

As concessionárias de veículos estão ansiosas para que a normalização chegue o quanto antes. Na semana passada o 31º Congresso & Expo Fenabrave, realizado no São Paulo Expo, atingiu os objetivos com sucesso.

Ao fazer um balanço do evento o presidente da entidade, José Maurício Andreta Jr, ressaltou a importância do mercado de carros usados que se reflete no comércio de veículos novos.

“Ideal seria dinamizar o Renave – Registro Nacional de Veículos em Estoque. Aplicado também aos usados garantiria mais segurança às transações. Bancos e financeiras estão sofrendo com a inadimplência e isso pesa muito na formação das taxas de financiamento”, concluiu.

Novo visual e equipamentos na Saveiro 2024

São 41 anos de mercado – a mais longeva picape compacta – e 1,6 milhão de unidades vendidas. A Saveiro 2024 continua com quatro versões e o mesmo motor EA-211 flex de 1,6 L, 116 cv (E)/106 cv (G) e 16,1 kgf·m/15,4 kgf·m, além do câmbio manual de seis marchas.

No entanto, a revitalização de suas linhas chega no momento em que as picapes chamam mais atenção de compradores como modelo da moda nas versões de quatro portas e cabine dupla.

Capô mais alto, grade de linhas marcantes, para-choque de aspecto mais robusto e reposicionamento dos faróis de neblina, além de retoques nas lanternas traseiras e para-choque completam o visual. A versão de topo Extreme recebeu novas rodas de liga leve de 15 pol. e desenho de belo visual.

No entanto, câmbio automático e motor turbo continuam de fora das mudanças mecânicas que lhe dariam mais competitividade. Devem surgir somente quando sua arquitetura for a mesma do Polo, ainda sem previsão.

A impressão de alta robustez se confirmou tanto no asfalto quanto na terra com caçamba vazia e também lastreada com sacos de areia em viagem de testes de mais de 200 quilômetros. Os preços vão de R$ 95.770 a R$ 114.850.

GWM confirma elétrico Ora 03 por R$ 150.000

Nada de preço com os enganosos decimais quebrados. A GWM confirmou R$ 150.000 para o Ora 03, na versão Skin e R$ 184.000, na GT para os hatches elétricos de entrada da marca. Haverá ainda uma série especial Skin Copacabana (200 unidades) pelos mesmos R$ 150.000 e com opcional de teto solar por exatos R$ 10.000. Ambos estão em pré-venda, porém as entregas só no final de novembro ou começo de dezembro próximos.

A principal diferença da versão GT, que tem o mesmo desempenho apesar da sigla inadequada, é uma bateria de maior capacidade: 48 kW·h na Skin e 63 kW·h, respectivamente.

O alcance ainda não foi homologado pelo Inmetro, mas deverá ser 30% maior que o Skin. Potência de 171 cv, 25,5 kgf·m de torque e aceleração de 0 a 100 km/h em 8,2 s, bem mais rápido que o BYD Dolphin de dimensões maiores e apenas 95 cv, 18,3 kgf·m e 10,9 s, respectivamente, com preço de R$ 149.800. Ainda não foi possível avaliar o desempenho no dia a dia do compacto da GWM.

O Ora 03 mostra um estilo mais jovial que seu rival direto e destaca-se pelo pacote de segurança passiva e ativa. Foi muito bem avaliado pelo Euro NCAP e é o primeiro compacto com airbag central entre os dois bancos dianteiros.

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Ressalva: O preço do Fiat 500e avaliado na coluna anterior foi reduzido para R$ 214.990 em junho, embora o site da marca informasse R$ 224.990 na semana passada. Agora está atualizado.

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Coluna Fernando Calmon — As muitas opções do Brasil para ajudar a descarbonizar o planeta

Coluna Fernando Calmon nº 1.265 — 22/8/ 23

As muitas opções do Brasil para ajudar a descarbonizar o planeta

Esse tema foi muito bem debatido na 30ª edição do Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva (Simea), realizado na semana passada em São Paulo (SP) com o recorde de 900 inscritos. “O Brasil e o futuro sustentável da mobilidade” foi o escopo dos 60 trabalhos técnicos apresentados ao longo de dois dias, além dos dois painéis com 23 palestrantes e moderadores.

O presidente do Simea, Gastón Perez, foi enfático ao afirmar que enquanto outros países têm apenas uma carta na mão para combater os efeitos do gás carbônico (CO2), principal responsável pela elevação da temperatura média da Terra e as consequentes mudanças climáticas, o Brasil conta com o equivalente a várias outras cartas. Ele citou algumas como motor flex com etanol, biodiesel, biogás e a energia elétrica gerada por fontes limpas o que torna viável a produção de hidrogênio verde. Este é considerado o combustível definitivo e o mais adequado com que o planeta poderá contar nas próximas décadas.

O próprio etanol pode ser ponto de partida para pelo menos uma década à frente gerar, por meio de pilha eletroquímica a hidrogênio no veículo, a eletricidade para o motor elétrico deste, tendo como subproduto apenas água. Essa é uma tecnologia inicialmente ainda bem cara, mas que já está sendo estudada pela Universidade de São Paulo.

Não se trata da única opção para obter hidrogênio. A eletrólise da água é outro ponto de partida, mas exige grande quantidade de energia que não poderá vir de fontes fósseis como petróleo e gás. Energia eólica e solar, além da hidráulica em que o País já investe há décadas por meio de represas, são as soluções adequadas.

Como se abordou no Simea, em curto prazo será fundamental regular um mercado de créditos de carbono, prestes a se tornar realidade. Finalmente o motorista veria reverter para o seu bolso a contribuição ao clima do planeta, escolhendo o combustível na hora de abastecer seu veículo com motor a combustão. Já existe tecnologia para isso. Falta só a vontade política. Assim o País conseguirá uma transição viável e inteligente para a mobilidade sustentável que muitos almejam.

Ainda faltam acertos sobre operação BYD na Bahia


Esta é uma novela que já passou por vários capítulos, mas a fabricante chinesa BYD não dá nenhuma indicação de que vá recuar do investimento anunciado de R$ 3 bilhões no estado nordestino. Houve notícias equivocadas sobre a sua compra da unidade industrial de Camaçari (BA) que produziu modelos da Ford de 2002 a 2021.

Por fim, houve um acordo de “reversão da propriedade da fábrica de Camaçari para o Estado da Bahia”. A fábrica só tem as edificações, pois todo o maquinário foi retirado. A empresa americana espera ser indenizada pelas expansões com a fábrica de motores e câmbios que não estava no projeto inicial.

Fala-se em algo entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, mas a avaliação virá de uma instituição financeira do porte da Caixa Econômica Federal. Os passos seguintes são a BYD se entender com o governo baiano, aceitar o valor e assumir as instalações fabris.

Não se sabe quando as partes envolvidas vão bater o martelo. Existe ainda uma briga política sobre a extensão do regime de incentivos federais para o Nordeste e Centro-Oeste que terminaria em 2025, mas que pode se estender até 2032.

A marca chinesa mantém sua previsão de no último trimestre de 2024 ter o primeiro modelo nacional. Como há décadas não existe mais exigência de conteúdo local mínimo, é factível. A produção começará com o híbrido plugável Song Plus que será equipado com motor flex, mas terá uma bateria de apenas 8,3 kW·h. O segundo produto ainda está em definição, porém tudo indica que a escolha do fabricante recairá sobre o elétrico Dolphin.

Fiat 500e tem vendas discretas, mas mantém o charme

Desde seu lançamento em 2021 por R$ 239.990 o elétrico que substituiu o icônico Fiat 500 teve seu preço reduzido para os atuais R$ 224.990 em razão da valorização do real frente ao dólar. Ainda assim o subcompacto 500e não deslanchou em vendas (393 unidades até agora) e se mantém como um modelo de nicho, embora tenha fãs incondicionais.

Com apenas 3.632 mm de comprimento é fácil de estacionar, porém um entre-eixos limitado a 2.322 mm traz desconforto no banco traseiro para adultos com mais de 1,75 m de altura. O porta-malas comporta apenas 185 litros mesmo sem o estepe, pois utiliza pneus do tipo runflat. Ao se rebater totalmente o banco traseiro o volume aumenta para surpreendentes 550 litros.

Seu alcance médio cidade/estrada é de 227 km, pelo padrão Inmetro. O Fiat 500e, como todo elétrico, destaca-se pela agilidade no para e anda do tráfego urbano, conforme avaliei. E ainda entrega duas características interessantes.

Uma é tocar acordes da música do filme franco-italiano “Amarcord” (1973, de Federico Fellini) quando atinge 21 km/h para avisar sobre sua presença para pedestres e ciclistas. Quem está dentro do carro também ouve. Isso só acontece uma vez após o primeiro uso do dia (para repetir precisa desligar e religar a energização do motor). O silvo de advertência presencial, obrigatório na Europa, é discreto e não incomoda os ocupantes do carro.

Outra função é o modo de condução sherpa (há outros dois, normal e range) para estender ao máximo seu alcance: limita velocidade a 80 km/h e desliga o ar-condicionado sem alterar muito a capacidade de acelerar.

Resposta de Inteligência Artificial (IA): “Sherpa é um termo técnico que se refere a um grupo étnico que vive nas montanhas do Nepal e conhecido por serem excelentes guias em expedições de montanhismo.”

 

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Coluna Fernando Calmon — Smartphones podem ser grandes aliados para a segurança viária

Coluna Fernando Calmon nº 1.264 — 15/8/23

Smartphones podem ser grandes aliados para a segurança viária

Estudo feito nos EUA pelo Instituto das Seguradoras para Segurança Rodoviária (IIHS, na sigla em inglês) revelou que os telefones celulares podem perder a pecha de vilões para a segurança no trânsito e se tornar um aliado para evitar acidentes. No Brasil a multa para quem for flagrado dirigindo com o celular na mão é a mais alta na escala do Código de Trânsito Brasileiro. Ainda assim, mesmo com o sistema viva-voz os riscos não foram de todo eliminados.

Em artigo recente o cientista sênior de pesquisas do IIHS, Ian Reagan, alertou: “A distração tem causado acidentes desde que as pessoas começaram a dirigir. Nosso vício em telas aumentou o problema. Se o smartphone pudesse se tornar uma ferramenta para combater não apenas a distração, mas também o modo inseguro de dirigir seria uma reviravolta verdadeiramente notável.”

Apple e Google já oferecem opções para uma ótima defesa contra distrações: o recurso “não perturbe” para bloquear chamadas e notificações enquanto o motorista estiver dirigindo. Entretanto, as pesquisas do IIHS apontaram que apenas 20% dos motoristas habilitaram esse recurso.

Para estimular o seu uso, as versões mais recentes dos aplicativos permitem filtrar mensagens urgentes ou de contatos designados, além de adotar comandos por voz para algumas funções e pesquisas básicas na web.

Os smartphones também podem oferecer um recurso de segurança que a maioria dos veículos em circulação ainda não possui. Alguns aplicativos usam a câmera do telefone para prover um aviso de colisão frontal (FCW, em inglês) em veículos mais antigos ou não equipados com o FCW a bordo.

Supondo que funcionem razoavelmente bem, isso poderia ajudar a preencher uma lacuna desde já, até que a frenagem automática de emergência (AEB, em inglês) estivesse instalada na totalidade da frota circulante, o que vai demorar mais de duas décadas.

Outros desenvolvedores estão procurando usar a câmera do smartphone para monitorar o olhar do motorista ou a direção da cabeça e alertá-los quando sua atenção se desviar da estrada à frente por muito tempo.

Isso transforma um dispositivo frequentemente responsável pela distração em uma proteção contra ela.

Strada ganha status e desempenho com motor turbo flex

O mercado brasileiro foi ao longo dos anos assistindo ao aumento de preferência por picapes. As grandes saíram de foco (agora voltando, porém com números tímidos e alto preço agravado pela importação). O segmento de picapes médias representou 9% de todos os tipos de modelos leves vendidos em 2022 e as picapes pequenas (Strada, Saveiro, Montana e Oroch), 7%. Juntas respondem por cerca de 17% das vendas no País, percentual quase igual ao mercado americano (18%).

Se existe uma trajetória invejável é da Strada, lançada em 1998. No ano passado, representou 76% do seu segmento. Nos últimos dois anos e agora em 2023 tornou-se o modelo mais vendido no País, um fato inédito aqui, mas que já ocorre nos EUA há 41 anos com a Série F, da Ford. Claro, isso se deve também à pulverização de modelos de automóveis e SUVs e merece ser relativizado.

Na linha 2024, a Strada recebeu modificações na dianteira: para-choque, grade, faróis de neblina com LED e um filete na parte inferior do para-choque. Há ainda novas rodas de liga leve nas versões mais caras. É a terceira picape compacta (depois de Oroch e Montana) a contar com motor turbo flex, o mesmo já utilizado no Fastback e Pulse, em breve no 208 e, tudo indica, no 2008 depois.

Conhecido como T200, manteve as especificações: três cilindros, 1 litro, 130 (E)/125 (G) cv e 20,4 kgf·m. Estão apenas nas versões topo de gama, Ultra e Ranch, com câmbio automático CVT, sete marchas. Hoje, 45% dos clientes da picape já não a utilizam como veículo comercial e estas novas versões devem aumentar o percentual.

O interior recebeu novos bancos de couro e painéis de porta. O volante é novo, traz borboletas de trocas de marcha (também pela alavanca de câmbio) e botão Sport nas versões com o novo motor. Foram feitas modificações pertinentes na direção de assistência elétrica, suspensão dianteira e pinças de freio (discos só na dianteira).

Em desempenho supera Saveiro e Montana, mas fica bem atrás da Oroch turbo flex (170 cv). A rival mais direta, da VW, com motor 1,6 L de aspiração natural agora perde na aceleração de 0 a 100 km/h (10 s contra 9,5 s) e até a Chevrolet (10,1 versus 9,5 s).

Preços são iguais nas versões Ultra e Ranch: R$ 132.990. Há ainda uma edição limitada a 1.025 unidades em comemoração aos 25 anos de lançamento da Strada por R$ 135.990.

Audi Q8 e-tron e Sportback chegam com maior alcance

Dois modelos SUV (Q8 e-tron Sportback, um SUV cupê) ampliam a linha de produtos elétricos da Audi. Além de estrear o novo logotipo bidimensional da marca dos quatro anéis entrelaçados em tonalidade fosca, chamam atenção um filete iluminado entre os faróis matriciais em LED, para-choques dianteiro e traseiro redesenhados e novas rodas. Na versão Launch Edition as rodas têm 22 pol. de diâmetro.

Os dois motores elétricos, um em cada eixo, entregam 408 cv e 67,7 kgf·m. O fabricante informa que o motor traseiro oferece maior eficiência energética. A tração integral é a conhecida quattro.

Frente à massa total de nada menos que 2.720 kg (!), ainda assim acelera de 0 a 100 km/h em 5,6 s. Os 2.928 mm de entre-eixos garantem amplo espaço para todos os passageiros. Há dois porta-malas, sendo que o traseiro tem volume de 528 litros (SUV) ou 569 litros (SUV cupê) e o dianteiro de 60 litros para ambos.

A nova bateria teve sua capacidade elevada em 20% graças às células com química avançada e entrega 114 kW·h. Com isso o alcance médio aumentou em 30% e pelo padrão Inmetro é de 342 km. O carro revelou-se extremamente silencioso em rápido contato ao volante, em trecho bem sinuoso de serra no Rio de Janeiro (RJ).

Os preços de lançamento vão de R$ 669.990 (SUV) a R$ 699.990 (SUV cupê), respectivamente, fora opcionais. As séries especiais Launch Edition custam R$ 681.990 e R$ 711.990, respectivamente.

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Coluna Fernando Calmon – O que esperar das vendas neste segundo semestre

Coluna Fernando Calmon nº 1.263 — 8/8/23

O que esperar das vendas neste segundo semestre

O trânsito de interessados e compradores nos salões de exposições das concessionárias agora em julho, atraídos pelos descontos limitados a veículos de até R$ 120.000 oferecidos pelo Governo Federal e que se esgotaram em apenas um mês, tende a ser crescente no segundo semestre pelo que ficou demonstrado na primeira semana de agosto.

Nos primeiros sete dias deste mês a Anfavea apontou uma subida nas vendas de veículos leves e pesados de 23% em relação ao mesmo período de 2022. Trata-se de um número muito bom porque caminhões e ônibus puxaram para baixo a estatística em razão do aumento médio de preços de 20% como reflexo das novas exigências de emissões para os motores Diesel nas unidades fabricadas em 2023.

Isso não significa que o ritmo será mantido nesta e nas próximas semanas. Um fator positivo é a redução paulatina dos estoques nas fábricas e concessionárias de 33 dias em maio para 26 dias em julho. Por outro lado, ainda não está claro se as vendas estimuladas, inclusive por descontos que quase todas as marcas adicionaram ao incentivo governamental, tratou-se apenas de antecipação de compras.

A associação dos fabricantes acredita que o mercado deve fechar 2023 com crescimento na faixa entre 5% e 7% em contraste com a estimativa de 3% anunciada em janeiro. Porém, os números só serão revisados ao final do terceiro semestre deste ano, segundo indicou Márcio Leite, presidente da entidade.

O início da redução da taxa Selic por parte do Banco Central é um bom sinal. Contudo, para manter a inflação sob controle a queda terá que seguir uma trajetória gradual e em doses homeopáticas. Deve-se refletir com mais intensidade apenas em 2024. O Programa de Aceleração do Crescimento, do Governo Federal, também pode ajudar, todavia não há confiança irrestrita nos resultados.

Fator mais importante para recuperação do mercado pode ocorrer quando for aprovado pelo Congresso – acredita-se ainda neste trimestre – o novo Marco de Garantias para empréstimos em geral. A exemplo de vários outros países, o objetivo é acelerar a retomada de bens de quem se tornou inadimplente nos financiamentos, sem necessidade de judicializar o processo.

A tendência será uma redução importante dos juros do Crédito Direto ao Consumidor. Isso tornará mais baixas as prestações de quem paga em dia e aumentará a concessão dentro desta modalidade. Hoje apenas 30% dos veículos são financiados e para as vendas crescerem com vigor o patamar teria de voltar a atingir 70%.

Entretanto, isso não ocorrerá da noite para o dia. Será um procedimento gradual e possivelmente longo.

911 Turbo S Cabriolet vale cada real de R$ 1.845.000

Modelos conversíveis são muito raros de ver nas ruas e estradas brasileiras, mas este se trata de um carro especial. A começar pela combinação de cor cinza da carroceria, interior de couro claro de alta qualidade e capota de lona marrom da unidade avaliada. Não se pode afirmar que o isolamento acústico é igual ao Turbo S cupê, mas a vedação de alto nível nada deixa a desejar.

O ronco inconfundível do motor 6-cilindros horizontais opostos três a três, 650 cv e 81,6 kgf.m, está ali para relembrar que o modelo lançado no Salão de Frankfurt de 1963 (completa 60 anos em 2023 e a marca Porsche 75 anos) permanece mais vivo do que nunca.

Claro, desde então perdeu o motor arrefecido a ar que no primeiro 911 era um 2-litros aspirado de apenas 130 cv/17,8 kgf·m e agora dispõe de um 3,7-litros turbo de arrefecimento a água de mesma configuração. Só que potência e torque hoje são cerca de cinco vezes maiores. Aceleração de 0 a 100 km/h evoluiu de 9,1 s para apenas 2,9 s e a velocidade máxima de 210 km/h para 320 km/h.

Esta versão do Porsche 911 Turbo S manteve a configuração 4×4 priorizando a tração traseira, o câmbio automatizado de duas embreagens, oito marchas e a regulagem pneumática de altura da suspensão dianteira para limitar raspar em desníveis. A posição de guiar com o volante em posição quase vertical mantém a tradição da marca, assim como a chave de partida acionada pela mão esquerda.

O conjunto mostra equilíbrio em curvas impressionante, mesmo com o motor atrás do eixo traseiro. As rodas têm 20 pol. de diâmetro na frente e 21 pol. atrás (pneus 255/35, na dianteira e 315/30, na traseira). Chama ainda mais atenção a potência e precisão de freios com discos carbocerâmicos, além de pinças de 10 pistões (!) na frente e 4 pistões atrás.

Com opcionais o preço sobe para mais de R$ 2 milhões.

Evolução dos pneus cada vez mais surpreendente

Quando o Ford modelo T foi lançado em outubro de 1908 usava rodas de 21 pol. de diâmetro e pneus bem estreitos de 4,5 pol. O tempo passou, as rodas diminuíram bastante de diâmetro (Morris Mini-Minor, por exemplo, apenas 10 pol.) e agora a escalada é inversa.

Rodas de 22 pol. de diâmetro estão nos supercarros e no SUV Aston Martin DBX707, por exemplo, há opção de 23 pol. No mercado de acessórios são encontradas rodas de 24 pol. e até mais.

A Pirelli já testa pneus para 500 km/h, embora ainda sem previsão de equipar um automóvel. A evolução dos pneus tem avançado bastante, confirma Roberto Falkenstein, consultor de Tecnologias Inovativas para a América Latina, da marca italiana.

“Hoje existem pneus de construção sem emenda projetados para supercarros. Há ainda os chamados run flat bem mais seguros não apenas para altas velocidades, mas igualmente para automóveis comuns, pois continuam a rodar mesmo furados e com aviso luminoso para o motorista. Também avançam em materiais (garrafas pet recicladas e óleo de soja) na sua construção, além de borracha obtida em plantação no deserto.

“A tecnologia Cyber Tyre é outra grande conquista. O sensor do pneu coleta e transmite dados vitais para a unidade de controle eletrônico do carro e depois para o motorista. E está no horizonte a comunicação via rede 5G que fará conexão com outros veículos para antecipar problemas como poças d’água e buracos no caminho”, indica o engenheiro.

 

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Coluna Fernando Calmon – Ofensiva da Stellantis inclui três híbridos flex e um elétrico

Coluna Fernando Calmon nº 1.262 — 1/8/23

Ofensiva da Stellantis inclui três híbridos flex e um elétrico

Os rumores acabaram de se transformar em confirmação. A Stellantis fez uma escolha racional e adequada dentro de um processo que reflete a realidade do País. Decidiu adotar a hibridização com motores flex gasolina/etanol em três níveis de projeto e preço, guardando para a etapa final o modelo 100% elétrico. O desenvolvimento foi feito no País.

Tudo planejado para levar em conta o poder aquisitivo do comprador, a oferta de etanol que terá de crescer e considerando o tempo e o capital necessários para construir a infraestrutura de recarga de elétricos puros em um país de dimensões continentais.

Os três primeiros produtos a empresa chama de Bio-Hybrid, Bio-Hybrid e-DCT e Bio-Hybrid Plug-in. As plataformas físicas, obviamente sem nenhuma carroceria, foram expostas no Tech Center em Betim, MG. São previstas de início para Fiat e Jeep, embora a Stellantis não tenha informado em que marcas e modelos devem estrear.

A primeira opção substitui o motor de partida e o alternador. Vai operar com a bateria convencional de chumbo-ácido e outra de íons de lítio (menos de 1 kWh), ambas de 12 volts.

O recurso liga-desliga o motor terá operação silenciosa (semelhante ao apresentado nos Audi A4 e A5, no ano passado) e possivelmente também poderá desligar o motor abaixo de 20 km/h para economizar combustível. O acréscimo de potência será de 3 kW (4 cv), difícil de perceber no dia a dia, mas não elevará tanto o preço de venda.

Antonio Filosa, presidente da Stellantis para América do Sul, adiantou apenas que haverá dois lançamentos ao longo de 2024. Acredita-se que poderão estrear no Fiat Pulse e no Jeep Renegade.

Quanto à e-DCT deve-se aplicar aos modelos com câmbio automatizado de duas embreagens. Neste caso haverá um segundo motor elétrico de 16 kW (22 cv) totalizando 19 kW (26 cv), mas trabalhará com arquitetura elétrica de 48 V e bateria de íons de lítio de 1 kWh de capacidade.

Esse sistema, mais caro, é um híbrido verdadeiro e não o chamado híbrido “leve” da primeira opção. Deve ser reservado para o Fiat Fastback, o Jeep Renegade de topo e o Jeep Compass em 2025.

O passo mais ousado dos Bio-hybrids é o híbrido flex plugável com arquitetura elétrica de 380 V, bateria de íons de lítio de 12 kWh e cujo motor elétrico adicionará 44 kW (60 cv) ao trem de força.

A Stellantis também manteve sob sigilo a potência e o torque combinados do motor a combustão e elétrico, bem como o alcance só no modo elétrico e o alcance total. Possivelmente estará reservado ao SUV Jeep Commander. Espera-se que chegue ao mercado no final de 2025.

Também sem marcar um prazo para lançamento, a Stellantis já trabalha no quarto projeto: um modelo 100% elétrico (BEV), embora deva utilizar inicialmente arquitetura monobloco derivada de motor a combustão. É o primeiro fabricante a confirmar oficialmente esse projeto.

Sistema elétrico de 400 V, motor com potência a partir de 90 kW (122 cv) e a capacidade da bateria iniciando em 45 kWh. Só deve ficar pronto, dentro de um cronograma previsível, em 2026.

Filosa lembrou ainda o objetivo estratégico do conglomerado franco-ítalo-germano-americano para 2030. Mix de vendas de elétricos atingiria 100% na Europa, 50% nos EUA e 20% no Brasil.

Em estudo recente a consultoria brasileira Bright estimou em 8% a participação de elétricos no mercado em 2030, o que parece mais perto da realidade, salvo se o preço das baterias caírem muito.

A fabricante também desenvolveu um motor 100% a etanol e estuda lançá-lo, se houver demanda por parte de empresas que adotem políticas de governança sócio-ambiental (ESG, na sigla em inglês).

Hoje só a Toyota vende híbridos flex no Brasil (Corolla e Corolla Cross), mas com tecnologia importada do Japão.

Julho foi o melhor mês de vendas este ano

Como já se esperava, julho refletiu as vendas efetuadas em junho, mas que não houve tempo de completar o emplacamento. Foi um reflexo direto do programa de descontos patrocinados pelo Governo Federal que se esgotaram em apenas um mês.

A comercialização de veículos leves e pesados em julho, segundo os números da Fenabrave, atingiu o volume de 225.603 unidades e o total acumulado em 2023, 1.223.885 unidades. O crescimento em relação a 2022 foi de 19,04% e 11,28%, respetivamente.

O presidente da entidade, José Andreta Jr., ainda não revisou a previsão de empate com o ano passado em termos de vendas. Mas continua a trabalhar em um plano mais sustentável que independa de picos de comercialização que durem pouco tempo. Para ele é necessário mecanismos de crédito que permitam ao consumidor readquirir poder de compra.

“Estamos finalizando esse estudo e esperamos apresentá-lo ao Governo em breve”, concluiu Andreta Jr.

Seres, nova marca chinesa, estreia com produtos elétricos

O mercado de modelos elétricos no Brasil ainda não chegou a 1% no Brasil, porém concorrentes não faltam. Uma das explicações tem a ver com a isenção do pesado imposto de importação de 35%, além de outros incentivos em nível estadual e estadual e até municipal, caso da isenção do rodízio em São Paulo (SP).

Mais recentemente graças à valorização de 10% do real frente ao dólar os preços também caíram. Isso explica, em parte, a onda atual de descontos nos importados e ofertas de lançamento atraentes.

Fato é que a Seres, a marca mais jovem no mercado que foi fundada nos EUA em 2016 e depois se mudou para a China onde se aliou com a gigante de telecomunicações Huawei, desembarca aqui com produtos modernos e em parceria com dois grupos nacionais Bel Energy (São Paulo) e Holding M2 (Brasília). O primeiro produto é o SUV Seres 3, de porte do Compass e Corolla Cross.

Com desenho atual, porém de estilo mais comportado, tem motor de 120 kW (163 cv) e 300 Nm (30,6 kgf.m). A tração é traseira, o que pode agradar em termos de dirigibilidade (ainda não foi possível a avaliação dinâmica), mas o porta-malas se limita a apenas 318 litros. Acabamento é bom, porém só aceita conexão com Apple CarPlay. Recursos de segurança são os de praxe.

A comercialização será feita sem concessionárias e oficinas independentes nomeadas cuidarão da manutenção. Os representantes de venda vão criar salões de exposição em locais estratégicos. O preço definitivo é de R$ 240.000. A linha será rapidamente ampliada com outro elétrico, o Seres 5, e os híbridos M5 EVR e M7 EVR, além do híbrido plugável E5.

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