Fernando Calmon

Coluna Fernando Calmon – Dia do motorista: assistências e comandos podem gerar distrações

Coluna Fernando Calmon nº 1.261 — 25/7/23

Dia do motorista: assistências e comandos podem gerar distrações

 

Criado por decreto-lei federal nº 63.461 em 21 de outubro de 1968, o Dia do Motorista em 25 de julho tem origem na religião católica porque também é o Dia de São Cristóvão, protetor de motoristas e viajantes. Soluções modernas ajudam a evitar que o motorista se acidente e suas consequências.

Por isso a questão de segurança de trânsito é motivo de grande preocupação e pesquisas contínuas em todo o mundo. Estudos recentes chamam a atenção para duas tecnologias bastante úteis: automação veicular e comandos acessados por tela. Ambos oferecidos por vários fabricantes, mas precisam de atenções específicas.

Nos EUA o Instituto das Seguradoras para Segurança em Estradas (IIHS, na sigla em inglês) apresentou um relatório apontando que muitos motoristas usam automação parcial (Nível 2,5, na escala até 5) em seus veículos como se fossem totalmente autônomos, apesar dos avisos automáticos sobre a necessidade de retomar o controle de volante e pedais.

A pesquisa estudou as soluções da Cadillac, Nissan e Tesla, além de entrevistar 600 proprietários (cerca de 200 de cada marca). Eles afirmaram que aproveitavam para comer e enviar mensagens de texto. De forma geral os sistemas não levam os motoristas a permanecerem engajados ou impedem desvios de atenção.

Estes assistentes já são oferecidos em vários modelos também no Brasil: controle de velocidade de cruzeiro adaptativo e centralização na faixa de rolagem. Nenhum dos sistemas atuais é projetado para substituir um motorista humano ou tirar seu foco da estrada. Testes de pista e colisões no mundo real forneceram evidências de potencialmente causar acidentes.

Cerca de 40% dos usuários relataram que seus sistemas foram desligados em algum momento enquanto dirigiam e não eram reativados. Alguns desses motoristas confundiram a suspensão temporária do recurso com o procedimento de bloqueio. Porém, muitos falharam em responder aos avisos se estavam prestando atenção na estrada ou violaram repetidamente os parâmetros para acionar o bloqueio.

“Esses resultados de usuários frequentes de três sistemas diferentes de automação parcial mais uma vez mostram a necessidade de proteções robustas e multifacetadas”, disse Alexandra Mueller, cientista de pesquisa do IIHS e principal autora do estudo.

“Muitos relataram experiências em que tiveram de assumir repentinamente a direção porque a automação executou algo inesperado. E, às vezes, enquanto estavam fazendo o que não deveriam, como comer ou ler mensagens pelo celular”, ela explica.

Embora uma parte dos motoristas que receberam lembretes de atenção tenha dito que os alertas eram um pouco irritantes, a grande maioria disse que os considerava úteis e os faziam sentir-se mais seguros usando a tecnologia, desde que o objetivo do recurso fosse explicado a eles com clareza na hora da compra.

“A ampla aceitação de lembretes de atenção e bloqueios do sistema sugere não apenas que reúnem o potencial de tornar mais seguro o uso da automação parcial, como também podem ser implementados para ajudar a combater a distração do motorista em geral”, concluiu Mueller.

Na Alemanha também há preocupações

Um outro estudo, dessa vez encomendado pela Associação da Seguradoras Alemãs, colocou atenção nas Interfaces Homem-Máquina (HMI, em inglês). O nome parece complicado, mas se trata das telas táteis que processam comandos de múltiplas funções como ajustes do ar-condicionado, modos de tração, sintonia e volume de som, mapas de navegação e vários outros. A tendência é digitalizar o máximo possível, inclusive pela facilidade de atualização dos softwares.

No entanto, não é possível usar o HMI sem desviar o olhar da estrada, ao contrário de alavancas e interruptores. Se os comandos estiverem embutidos no menu ou exigirem muitas mudanças como rolar a tela, o motorista terá de desviar o olhar do percurso por um tempo preocupantemente longo. Isso representa riscos potenciais para a segurança viária.

A distração e a desatenção são consideradas entre as principais causas de acidentes de trânsito. Atualmente não há regulamentos ou práticas que definam como projetar interfaces cada vez mais complexas que distraiam os motoristas o mínimo possível de suas tarefas de dirigir.

Pesquisas e números de fora da Alemanha também apontam que se trata de um problema generalizado e implica maior possibilidade de acidentes.

Alguns fabricantes já detectaram como resolver em parte essa disfunção. Adicionaram um simplório botão para diminuir ou aumentar o volume de som do sistema multimídia. Quando várias funções estão embutidas na estrutura do menu e só podem ser acessadas através de numerosos passos intermediários, é preciso desviar os olhos da estrada por mais tempo.

A simplificação também se recomenda quanto à execução das tarefas. Ações intuitivas, como ligar o limpador de para-brisa ou acionar indicadores de direção, devem continuar comandável apenas por controles físicos e diretos.

Todavia, o controle por voz pode contribuir significativamente para diminuir a distração. Para alcançar isso, no entanto, o sistema deve ser intuitivo e operável diretamente. Se forem propensos a erros e exigirem muitas correções ou repetições, esta solução pode revelar-se altamente perturbadora.

F-150 Lariat é enorme, mas boa de guiar

O preço, claro, está muito longe de convidativo – R$ 479.990. Porém, tem público certo entre os endinheirados do agronegócio. Trata-se de um mercado bem limitado, em torno de 10.000 unidades por ano, porém bastante rentável para os fabricantes.

Chegou para dividir as atenções com a Ram Rebel que custa apenas R$ 10.000 a menos (2% de diferença). O estilo da versão de entrada Lariat da picape pesada da Ford é, digamos, mais esportivo com rodas e grade pintadas de preto.

A lista de equipamentos impressiona como faróis de LED, seis airbags, quadro de instrumentos digital e sistema de áudio de alto padrão (Bang & Olufsen). Deslocar-se em ruas exige atenção e achar uma vaga para quase 6 metros de comprimento por mais de 2 de largura não é fácil (melhor rebater os retrovisores). Com quase 2 metros de altura não entra em qualquer garagem, mas dá para ir aos shoppings, embora possa invadir os limites demarcados para estacionar.

Chama mais atenção a posição de dirigir semelhante a picapes de porte médio. Há boa visibilidade e as suspensões são duras, embora menos do que se espera. Também exige cuidado adicional no trânsito urbano. O seu habitat é mesmo o uso no campo com sua tração 4×4 por demanda e em estradas (neste caso, imbatíveis 1.170 km de alcance com 136 litros no tanque).

Para isso o motor V-8 (gasolina) de 405 cv e 56,7 kgf.m entrega alto desempenho, além da elasticidade que só um câmbio automático de 10 marchas proporciona. Acelera de 0 a 100 km/h em 7,1 s mesmo com seus 2.740 kg em ordem de marcha.

Nos EUA, a F-150 lidera há 46 anos o mercado de picapes.

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Coluna Fernando Calmon — Audi, Toyota, GWM e BYD são destaques no Festival Interlagos

Coluna Fernando Calmon nº 1.260 — 18/7/23


Audi, Toyota, GWM e BYD são destaques no Festival Interlagos

Salões de automóveis estão sendo repensados ao redor do mundo. Alguns vão desaparecer ou então mudar de foco ao combinar exposição estática mais modesta com programa de avaliações abertas ao público, clientes e convidados das marcas.

Neste cenário o II Festival Interlagos, organizado pela publicação FullPower de 20 a 23 deste mês, se consolida. Além dos testes pagos no autódromo em asfalto e terra (mais de 10.000 previstos), os expositores podiam ter concessionárias no local para vendas.

Foto Gerson Borini/AE

Foi palco de lançamentos e prévias aproveitados basicamente por importadores. Teve até episódio de “espionagem” aberta, comum em salões de automóveis no exterior anos atrás, quando chineses estudavam minuciosamente os produtos ocidentais. Aqui notei uma moça de traços orientais muito interessada nos detalhes do Ora 03, da GWM. Seria alguém da BYD?

A Ford apresentou o inteiramente novo Territory com dimensões e porta-malas maiores em apresentação estática, sem mostrar o interior (estreia neste trimestre). Peugeot anunciou corte de R$ 50.000 no elétrico e-2008 até 6 de agosto (R$ 209.990). A GM indicou a chegada em meados de 2024 de um SUV elétrico com a grife RS.

Entre as principais atrações, três eram carros elétricos.

Audi e-tron GT quattro

Faz 30 anos que o inesquecível Ayrton Senna implantou a Audi no Brasil, operação assumida pela marca alemã em 2005. Nos últimos quatro anos foram lançados 40 modelos, incluídas versões.

O e-Tron GT é um sedã elétrico grande que chama atenção pelas linhas harmoniosas, os 2.889 mm de entre-eixos e os 1.413 mm de altura. Há um motor elétrico em cada eixo, gerenciados pela tração quattro com duas marchas.

A potência combinada é de 476 cv, mas chega a 530 cv com alimentação adicional temporária (overboost) e torque total de 65,3 kgf.m. Isso garante empolgante aceleração de 0 a 100 km/h em 4,1 considerando um automóvel de 2.276 kg.

Sistema elétrico de 800 V (origem Porsche, do mesmo grupo) e capacidade da bateria de 93,4 kWh permitem alcance médio de 308 km (padrão Inmetro). A recarga pode ser feita pelos dois lados do carro em até meia hora (0 a 80%) com carregador super-rápido de 150 kW.

Ao volante a posição é perfeita com o banco baixo, porém sem prejuízo da visão à frente. O óculo traseiro limita um pouco a retrovisão, contudo câmeras de alta definição de 360° tornam fácil qualquer manobra.

O teto de vidro ajuda na atmosfera a bordo e o sistema de áudio é de primeira linha (Bang & Olufsen). Andar rápido em Interlagos exige concentração, porém sem cansaço e confiança na potência de frenagem.

Preço (fora opcionais): R$ 699.990 e a partir de 1º de agosto, R$ 769.990.

Toyota GR Corolla

O primeiro lote de 44 unidades chegou ao mercado no começo deste mês. O hatch GR Corolla é um pouco mais discreto que seu concorrente direto Civic Type R e sua vistosa asa traseira. O modelo da Toyota igualmente recebeu um cuidadoso estudo aerodinâmico, em que todas as passagens de ar pela carroceria são funcionais. Outra diferença para o rival é a tração integral ajustável por um botão no console em três modos de distribuição entre as rodas dianteiras e traseiras: 60:40, 30:70 e 50:50.

O sistema 4×4 acrescenta massa ao conjunto e, apesar de distância entre-eixos 95 mm menor que o Civic, o GR (sigla de Gazoo Racing, braço de competição da Toyota) ainda pesa 34 kg a mais mesmo com a versão Circuit Edition dispondo de teto em compósito de fibra de carbono.

O modelo manteve o motor de três cilindros e 1,6 litro turbo que entrega 306 cv e 37,7 kgf.m (Type R 297 cv e 42,8 kgf.m). A Toyota informa aceleração de 0 a 100 km/h em 5,5 s: desempenho de alto nível e praticamente igual ao modelo concorrente conforme indicado pela Honda em outros mercados.

Ao acelerar em Interlagos logo se destacam três das qualidades do GR: o ronco encorpado na medida certa por meio das três saídas centrais de escapamento (nada a ver com fato de ter três cilindros), a precisão dos engates e curso da alavanca do câmbio manual de seis marchas e a possibilidade de mudar a distribuição de tração entre os eixos dianteiro e traseiro que altera de maneira desafiadora o comportamento do carro nos diferentes tipos de curvas do circuito paulistano.

A marca japonesa limitou a 99 unidades a cota total do seu hatch “quente” para o mercado brasileiro, embora a procura seja bem maior. Os preços: R$ 416.990 (Core) e R$ 461.990 (Circuit Edition).

GWM Ora 03

O hatch surpreende por suas linhas diferenciadas e atraentes com destaque para os para-lamas dianteiros com protuberâncias verticais que remetem ao Fusca. É o primeiro modelo 100% elétrico da GWM, importado da China, mas ainda sem previsão de produção local. Houve apenas exposição estática.

Lançamento oficial previsto para 26 de agosto e entregas em outubro. Interessante a estratégia de oferecer o mesmo motor (171 cv e 25,5 kgf.m) e a possibilidade de optar por bateria de 48 kWh ou 64 kWh (esta proporciona maior alcance, porém custa mais).

No Festival foi anunciada pré-reserva – R$ 9.000 de sinal – pelo banco digital Mercado Pago. Os preços estão estimados entre R$ 150.000 e R$ 200.000 e entregas a partir de outubro. O porte do Ora 03 é um pouco menor que o BYD Dolphin: comprimento, 4.254 mm; entre-eixos, 2.650 mm; largura, 1.825 mm; altura, 1.605 mm e vão livre do solo, 135 mm.

O acabamento interno apresenta materiais de primeira linha e cores contrastantes. Há uma tela contínua que abriga o quadro de instrumentos e os recursos multimídia. O banco elétrico do motorista recua automaticamente ao se abrir a porta para facilitar o acesso e retorna depois à posição prévia ajustada. Apresentação em Interlagos foi estática.

BYD Seal

O sedã-cupê de quatro portas importado da China está previsto para chegar no último trimestre do ano e impressiona por linhas fluidas. Sem dúvida é o mais bonito da marca e a estimativa de preço, não anunciada oficialmente, deve situar-se na faixa de R$ 350.000 se tiver tração apenas nas rodas traseiras.

O sedã grande Han já a venda aqui custa R$ 540.000, mas com tração 4×4, um motor em cada eixo, potência de 517 cv e 71 kgf.m (números combinados). A ficha técnica do Seal distribuída na Europa indica entre-eixos 2.920 mm; comprimento 4.800 mm; largura 1.875 mm; altura 1.460 mm. Ou seja, mesma distância entre-eixos do Han, porém um pouco mais estreito, baixo e curto.

Duas voltas no autódromo de Interlagos mostraram aceleração muito forte, freios potentes e atitude em curvas típica de um tração-integral. O banco com assento e encosto firmes lembra a escola alemã voltada para viagens em estrada menos cansativas. Porém, a enorme tela multimídia rotacional de 15,6 pol. não deixa dúvida da origem do carro.

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Coluna Fernando Calmon — Passado, presente e futuro em 70 anos da VW no Brasil

Coluna Fernando Calmon nº 1.258 — 4/7/23

Passado, presente e futuro em 70 anos da VW no Brasil

Ao comemorar sete décadas de atuação no Brasil a VW relembrou o início modestíssimo, em 23 de março de 1953. Apenas 12 funcionários montavam carros importados da Alemanha num galpão na rua do Manifesto, bairro paulistano do Ipiranga.

Em quatro anos produziram apenas 2.268 Fuscas e 552 Kombis. A fábrica em São Bernardo do Campo (SP) que iria se tornar a maior do Brasil em um só terreno, começou a produzir a Kombi com 50% de índice de localização em 2 de setembro de 1957. Foi a primeira instalação fabril da marca fora do país de origem.

Em 3 de janeiro de 1959 o Fusca começou a ser produzido à margem da Via Anchieta. Até 1986 foram 3,1 milhões de unidades, o que nenhum modelo no País havia alcançado até então.

Depois, mais três unidades: Taubaté (SP), em 14 de janeiro de 1976; São Carlos (SP) exclusiva para motores, em 12 de outubro de 1996 e São José dos Pinhais (PR), em 18 de janeiro de 1999. Até maio passado a VW produziu 25 milhões de unidades, das quais vendeu internamente 21 milhões e exportou 4 milhões.

Foram 34 modelos em quatro décadas, em ordem cronológica: Kombi; Fusca, VW 1600, Variant, VW 1600 TL, SP 1/SP 2, Brasília, Passat, Variant II, Gol, Voyage, Parati, Saveiro, Santana, Quantum, Apollo, Logus, Pointer, Golf (nacional), Polo, Polo Sedã, Fox, CrossFox, SpaceFox, up!, Saveiro Cabine Dupla, cross up!, Jetta (por breve tempo), Polo II, Virtus, T‑Cross, Golf GTE (importado), Nivus e Taos. Serão lançados 15 produtos (incluindo versões de modelos existentes, híbridos flex e elétricos) até 2025, dos quais sete já estão nas ruas.

A marca foi uma das primeiras a ter engenharia própria no Brasil, seguida pelo centro de desenvolvimento, pesquisa e design (1965), além de laboratórios de segurança veicular (1971), de emissões (1977), de realidade virtual e aumentada (2018). O presente está ligado ao Way to Zero Center (Centro Rumo ao Zero de emissões), inaugurado ano passado e focado em tecnologias de baixa emissão de CO2 como híbridos flex e plugáveis e mais para frente, elétricos.

O futuro começou a se delinear agora. Na festa dos 70 anos no Ginásio do Ibirapuera, na capital paulista, apresentou os elétricos SUV ID.4 e monovolume ID. Buzz inspirado no furgão Kombi original. Serão comercializados ainda neste trimestre apenas por meio de assinaturas e preços a anunciar.

A VW, na Alemanha, traçou uma meta de aumentar as vendas em 40% no Brasil até 2027. Já a penetração total de mercado dos veículos elétricos a bateria (VEB) aqui foi estimada pela matriz em cerca de 4% em 2033, o que me pareceu previsão cautelosa, mas realista. No entanto, a filial brasileira pretende crescer aqui mais rápido do que o mercado no segmento de VEB.

BYD faz aposta de peso no mercado brasileiro

 

Depois de algum mistério alimentado por vários meses, a BYD confirmou investimento de R$ 3 bilhões no município baiano de Camaçari. Os planos contemplam a produção de automóveis híbridos, numa primeira fase, e depois elétricos a bateria (data em aberto). A capacidade inicial será de 150.000 unidades ao ano (fala-se em 30.000 apenas, no primeiro ano). As primeiras unidades deixarão a linha de montagem até o final de 2024. Índice de localização deverá ser muito baixo: pouco mais do que uma operação CKD, a partir de veículos desmontados.

Persiste, no entanto, a dúvida se a BYD comprará ou não a fábrica que pertence à Ford, onde produziram-se EcoSport e Ka até janeiro de 2021. Desde o início das tratativas comentei que o acordo não tinha sido fechado e o cenário continua o mesmo. A matriz da Ford, nos EUA, é que tomará a decisão e isso implica, possivelmente, um jogo com nuances de geopolítica.

A marca chinesa, claro, tem a opção de construir novas instalações no mesmo município a partir de um greenfield (terreno desocupado). O cronograma ficaria apertado, mas podemos lembrar que a Honda construiu a fábrica de Itirapina (SP) em um ano com capacidade nominal de 120.000 unidades/ano em dois turnos. Para facilitar, o governo da Bahia cedeu o porto marítimo de Aratu, também já usado pela Ford.

Os planos do mais novo fabricante a se instalar no Brasil incluem produção de chassis para ônibus e caminhões elétricos. E ainda uma unidade para processamento de lítio e ferro fosfato, matéria-prima para baterias que atenderá o mercado externo. Nada adiantou sobre produção local de baterias.

 

Vendas em junho reagiram graças aos incentivos fiscais

 

Para o presidente da Fenabrave, José Andreta Jr, o programa de incentivos fiscais (R$ 500 milhões) da MP 1.175, que vigorou em junho e agora estendido, foi um sucesso e possibilitou às concessionárias reduzir seus estoques. “Fez bater os corações” com os clientes voltando aos salões de exposição, ele disse. Apesar dos estoques nas fábricas ainda estarem elevados, as vendas de automóveis e comerciais leves de 179.691 unidades no mês passado, representou aumento de 8% em relação a maio deste ano.

Quanto ao acumulado do primeiro semestre houve aumento de 9,76% em relação ao do ano passado. Se considerados também caminhões e ônibus o avanço sobre 2022 recua um pouco para 8,76%. Andreta também acredita que o mercado deve se manter aquecido em julho. Segundo ele, o mês pode ter quebra de recorde com o adicional de R$ 300 milhões em incentivos para automóveis de até R$ 120.000, além da liberação para compras por parte das locadoras.

Mesmo assim, a entidade mantém posição cautelosa e continua com previsão de resultados semelhantes ao do ano passado, no balanço final de 2023. Por isso não alterou as previsões feitas em janeiro deste ano. Andreta Jr não vê a elevada taxa de juros atual como um entrave forte às vendas, mas sim a redução do poder de compra dos clientes.

Para se ter um balanço mais exato, em minha opinião, é preciso ver o ritmo de queda dos juros a partir de agosto. Para manter a inflação sob controle ou pelo mesmo comportada, o Governo Federal precisa se sustentar dentro dos princípios de responsabilidade fiscal e esquecer de vez que “gasto é vida” sem controle.

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Coluna Fernando Calmon – Estilo e motor V6 tornam nova Ranger muito mais competitiva

Coluna Fernando Calmon  — 27/6/23

Estilo e motor V-6 tornam nova Ranger muito mais competitiva

 

A picape média, com o parrudo chassi tradicional tipo escada, foi lançada no Brasil em 1994. Este ano, até o mês passado, a Ranger ocupava a quarta colocação em vendas no segmento Diesel dos 1.000 kg de capacidade de carga atrás da Toro (de carroceria monobloco), Hilux e S10. No mundo, entretanto, é a segunda mais vendida apenas atrás da Hilux.

Evolução técnica, estilo, equipamentos, mecânica e até preço certamente vão levar o produto da Ford a subir nesta escala. De fato, um modelo tão atual em um segmento que demora em média 10 a 12 anos para receber atualizações mais profundas, reúne as condições para isso.

A começar pelo pesado investimento feito na fábrica argentina de General Pacheco. Lá foram desembolsados US$ 660 milhões (R$ 3,2 bilhões) em modernização e digitalização.

Embora reestilizar uma picape seja missão mais desafiadora do que um automóvel, o resultado pode se considerar muito bom.

Desde a frente com os faróis de LED e a grade imponente, passando pela lateral com estribo e um degrau de acesso à caçamba junto ao para-choque, além de novas lanternas traseiras. Houve ganho de 50 mm na distância entre eixos e largura, além de 36 mm na altura. O chassi foi reforçado.

Interior todo novo destaca-se pela acústica melhorada, tela vertical multimídia de 12 pol., acesso sem fio para Android Auto e Apple CarPlay e carregamento do celular por indução em um nicho de proteção.

Espaço no banco traseiro para joelhos e ombros também melhorou. Atualização dos aplicativos de bordo é feita pelo ar (OTA, em inglês), exclusividade no segmento.

Motor é um V-6 turbodiesel 3-litros, 250 cv e 61,2 kgf.m (até agora só a Amarok tinha um V-6) e câmbio automático de 10 marchas. Durante a primeira avaliação da picape, impressionou pela suavidade rara em motores Diesel.

Apesar de acelerar com vigor, sua massa de 2.357 kg é 223 kg maior que a rival da VW e, portanto, perde na aceleração de 0 a 100 km/h (9,2 s contra 7,4 s). Também se destacaram em trechos fora de estrada os seis modos de condução e a câmera frontal para monitorar o terreno à frente das rodas.

Consumo fica entre 7,5 e 11,8 km/l (cidade/estrada) no padrão Inmetro. Os preços, bem situados no segmento, vão de R$ 289.990 a R$ 339.990 (XLT e Limited). Não será difícil brigar pela liderança com ajuda das versões mais em conta (XL e XLS) que chegarão em agosto próximo, a partir de estimados R$ 250.000.

Seminário Electric Days discute opções para o Brasil

Organizado pela Motorsport Network Brasil em São Paulo (SP), durante dois dias, o seminário debateu além do “se” e focou no “como” a onda de eletrificação poderá chegar ao Brasil nos próximos anos.

Márcio Leite, presidente da Anfavea, garantiu que a opção do consumidor será sempre respeitada e atendida, qualquer que seja a sua escolha entre híbridos flex, híbridos plugáveis ou totalmente elétricos.

“O cliente da indústria molda o futuro em um país de dimensões continentais como o nosso. Os quase 40 milhões de automóveis flex em circulação hoje no Brasil utilizando etanol em mistura com a gasolina ou puro equivalem a uma frota de oito milhões de elétricos quanto às emissões totais de CO2. Entretanto, o País terá que investir R$ 14 bilhões até 2035 para instalar a infraestrutura de carregamento de baterias”, informou.

Para Rogélio Golfarb, vice-presidente da Ford América do Sul, o Brasil precisa definir logo uma política nacional para eletromobilidade. “Isso ainda não aconteceu e precisa ser acelerado para evitar que sejamos apenas coadjuvantes, em vez de protagonistas nesse campo”, esclareceu.

A Toyota, representada pela diretora de comunicação e sustentabilidade Viviane Mansi, prefere acreditar na transição prudente oferecida pelos híbridos. “Os desafios são enormes. A Agência Internacional de Energia previu que em 2030 só dois terços da demanda mundial por lítio para as baterias será atendida sem dificuldade. E cada nova mina leva de quatro a dez anos para ficar pronta”, afirmou.

Oswaldo Ramos, diretor comercial da GWM, ressaltou que no Brasil o futuro é eclético, não somente elétrico. A marca chinesa vê como boa solução um híbrido plugável com bateria de alta capacidade e longo alcance, produto mais adequado às distâncias do País.

Para Carlos Henrique Ferreira, diretor de comunicação da Renault, a descarbonização no País exige estratégia holística. Confirmou que em setembro o Megane E-Tech chegará ao mercado. O novo motor elétrico entrega 220 cv e 30,6 kgf.m.

Competitividade do novo Versa 2024 aumentou bastante

Desta vez a Nissan tem o produto adequado entre os sedãs compactos que representam 12% do mercado brasileiro. Chega do México, portanto sem imposto de importação.

A carroceria toda nova apresenta visual mais agradável que a geração anterior com destaque para a parte dianteira. Todas as dimensões são as mesmas.

Manteve o perfil de teto “flutuante” e visual da parte traseira menos inspirado, além de um simples defletor na tampa do porta-malas classificado pela marca de forma equivocada como aerofólio. Volume do porta-malas é amplo: 482 litros (padrão VDA).

Interior apresenta aspecto muito melhor. Inclui bancos em “couro sintético” na versão de topo e especialmente confortáveis (tecnologia Gravidade Zero). Tela multimídia de 8 pol. é a mesma do Kicks na versão mais cara. Inclui carregador de bateria do celular sem fio, mas exige fio para espelhar os dois sistemas de navegação dos telefones. Há quatro portas USB (três do tipo C e uma do tipo A). Uma novidade é a localização do botão de partida do motor de fácil acesso no console central. São, agora, 18 porta-objetos.

A marca japonesa incluiu um ótimo pacote de assistência ao motorista na versão de topo Exclusive com destaque para a câmera de visão 360 graus e radar de alerta de colisão frontal (à exceção de pedestres e bicicletas). Motor flex de 1,6 L não mudou: 113 cv/15,3 kgf.m (E) e 110 cv/15,2 kgf.m (G). Câmbio é sempre automático CVT.

Preços das três versões: R$ 105.190, R$ 114.290 e R$ 126.590.

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Coluna Fernando Calmon  — Programa de incentivos fica muito aquém do esperado

Coluna Fernando Calmon

Programa de incentivos fica muito aquém do esperado

Na semana passada citei Shakespeare no final da coluna, mas agora terei de apelar para uma fábula de Esopo: A montanha pariu um rato. Não se trata de desmerecer o esforço do Governo Federal e muito menos achar que a iniciativa dispensa méritos. O problema é tão somente a falta de uma visão ampla da indústria automobilística e menos politizada, o que levou ao açodamento da iniciativa.

Brasil, Rio de Janeiro, RJ. 12/11/2008. Veículos no terminal portuário de cargas do Rio de Janeiro. No mês de outubro de 2008, o mercado de carros novos caiu 11% em relação ao mês anterior, desencadeando uma onda de anúncios de férias coletivas e redução de produção nas fábricas. – Crédito:FÁBIO MOTTA/AGÊNCIA ESTADO/AE/Codigo imagem:33682

Ao contrário do que aconteceu em 2012 e 2013, quando a isenção total do IPI levou a uma disparada inédita nas vendas atingindo quase quatro milhões de unidades de veículos leves e pesados em cada um daqueles anos, a atual Medida Provisória do Setor Automotivo começou de forma atabalhoada ao esquecer dos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal de 4 de maio de 2000. Incentivo em qualquer nível tem que ser compensado por uma fonte de receita.

Escolheu-se a reoneração fiscal antecipada do preço do diesel. Assim, se conseguiu o total de R$ 1,5 bilhão e esse montante será dividido: um terço para veículos leves e dois terços para os pesados (caminhões e ônibus). Dessa forma, as previsões otimistas indicam que o estímulo vai durar apenas um mês, ou pouco além, quando a verba se esgota.

Serão apenas 115.000 veículos leves, considerando a venda diária média dos últimos meses, segundo a Anfavea. As grandes dúvidas: o governo ampliará ou não o programa imaginado para até quatro meses e de onde sairão os recursos compensatórios.

A decisão de enquadrar caminhões e ônibus foi correta, embora desidratando bastante o montante disponível para automóveis e comerciais leves. Também ficou a esclarecer de que forma os veículos pesados com mais de 20 anos de uso serão retirados de circulação e levados para desmontagem/reciclagem.

Um aspecto positivo é haver sobra de automóveis zero-km. Os estoques deram um salto para cima na segunda quinzena de maio com a paralisia das vendas em razão dos compradores terem resolvido esperar pelos descontos.

Não há como a indústria diminuir a produção do dia para a noite. Mas um fenômeno interessante está ocorrendo. Quase todas as marcas anunciaram, às pressas, descontos além dos R$ 2.000 a R$ 8.000 (escalonados de cima para baixo) anunciados pelo Governo Federal.

Os dois modelos de menor preço que formam a categoria de entrada ou acesso ao mercado, por exemplo, ficaram cerca de R$ 10.000 mais em conta: Renault Kwid e Fiat Mobi. Volkswagen anunciou bônus de R$ 5.000, além do desconto “oficial”, e a chamada “taxa zero”. Stellantis igualmente foi rápida com as marcas Citroën, Jeep e Peugeot. Chevrolet, Caoa Chery e Hyundai também. É muito provável que todas as marcas elegíveis entrem nessa disputa pelo consumidor e o pobre ratinho.

Civic Type R investe no verdadeiro espírito Sport

Não há como deixar de se entusiasmar ao assumir o volante do Type R para algumas voltas rápidas no desafiante autódromo Velo Città, em Mogi-Guaçu (SP). Além da posição excelente para guiar, a alavanca de câmbio­­­­­­­­­­­­­­­ localizada corretamente e na altura certa, o hatch da Honda mantém a tradição da caixa manual de seis marchas com aceleração interina automática nas reduções (dispensa o punta-tacco, por exemplo).

Apesar da tração dianteira, o hatch contorna curvas com atitude perfeita e grande rapidez. Os freios a disco nas quatro rodas com pinças Brembo estão muito bem dimensionados. Como bônus o sistema de escapamento de ronco grave e um exclusivo arranjo de três saídas junto ao centro do para-choque.

Seu alto desempenho garantiu o recorde de volta para um carro de rua com tração dianteira no lendário circuito de Nürburgring, Alemanha. O motor é um quatro-cilindros turbo a gasolina, 2-litros, que originalmente entrega 329 cv e 42,8 kgf.m com gasolina premium europeia (98 octanas RON).

Aqui com gasolina comum a potência cai quase 10% para 297 cv, mantido o mesmo torque. A Honda nunca informa dados de desempenho no Brasil, mas na Europa estão em todas as fichas técnicas: 0 a 100 km/h em 5,4 s e velocidade máxima de 275 km/h.

O Type R é construído na versão liftback do Civic com a espaçosa distância entre eixos de 2.734 mm, banco traseiro para dois ocupantes e acabamento interior predominante em vermelho. No quadro de instrumentos, ao mudar para o modo +R, o conta-giros digital ganha uma escala horizontal (zona vermelha, 7.000 rpm), além de termômetros de água e óleo e medidor de força G entre outros, podendo ser reconfigurado no modo Individual.

Também é possível gerenciar o nível de resposta das suspensões ao escolher o modo Comfort ou Sport.

A Honda importará um lote único este ano, disponível em todas as concessionárias. Preços: R$ 429.900 e R$ 434.900 (com o pacote Traffic Alert). Por enquanto, a primeira versão não estará contemplada para as primeiras 100 unidades.

Caoa Chery tem versão mais em conta do Tiggo 5x

O nome Sport vem sendo usado ultimamente não para indicar motor mais potente e desempenho superior, mas uma simplificação acompanhada de preço menor. E foi assim que surgiu o Tiggo 5x Sport lançado pelo preço promocional de R$ 119.990, no limite superior de enquadramento do plano de desconto de impostos.

O preço, no momento, cai para R$ 117.990. Depois deverá subir para R$ 125.000, sem data prevista de acordo com o fabricante instalado em Anápolis (GO).

Itens externos escurecidos desta versão de entrada são a sua característica e uma pequena simplificação na grade do radiador. Há rodas novas de 17 pol. (antes de 18 pol.).

Os faróis são halógenos (no lugar de LEDs). No interior, manteve o banco do motorista com ajustes elétricos, mesmo visual da versão mais cara, revestimentos de ótimo aspecto, tela multimídia de 10,25 pol., alavanca do câmbio automático do tipo joystick, saídas de ar-condicionado para o banco traseiro e o hoje indispensável freio de estacionamento eletromecânico automático.

Para chegar ao preço mais atraente, saíram desta versão o teto solar panorâmico, ar-condicionado automático (agora, de uma zona), câmera de 360º (mantidos câmera de ré e sensor traseiro de estacionamento) e carregador de bateria de celular por indução.

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Coluna Fernando Calmon — Redução nos impostos ajuda, mas faltam soluções de médio prazo

Coluna Fernando Calmon nº 1.253 — 30/5/23

Redução nos impostos ajuda, mas faltam soluções de médio prazo

O plano anunciado pelo Governo Federal para aliviar a carga tributária sobre automóveis de até R$ 120.000 teve forte viés político e mostrou uma lamentável descoordenação ao não detalhar de imediato por quanto tempo será válida (ora se fala em quatro meses, ora em um ano).

Também não se resolveu a questão de financiamento. O mercado que estava em ritmo razoável, parou quase completamente. Já comentei aqui não ser possível recriar a categoria de “carro popular” nos tempos atuais, considerando as exigências de emissões e segurança.

Modelos “pelados” de 1993 custariam hoje R$ 80.000 só com a atualização monetária.

Há uma categoria de automóveis baratos no Japão, o verdadeiro carro de entrada, chamado de key-jidosha (carro leve ou simples, em japonês). Foi criada em 1949 com motor de apenas 360 cm³ de cilindrada numa época em que o país se recuperava da II Guerra Mundial.

De acordo com a Wikipedia, foram feitas quatro atualizações, a última em 2014: cilindrada de 660 cm³, comprimento de apenas 3.450 mm (Fiat 147 tinha 3.620 mm), no entanto reduzindo as vantagens fiscais. Nenhuma chance de replicar algo semelhante aqui.

Note que o problema atual de baixas vendas da indústria automobilística é mundial, ainda um reflexo da pandemia da covid-19. Por outro lado, o Brasil tem a maior taxação média do mundo para automóveis.

Então o corte de impostos anunciado entre 1,5% e 10,79% (do mais caro ao mais barato) funcionará como estímulo, porém o reflexo maior nas vendas deverá ocorrer se for oferecido financiamento a juros menores.

Há informações desencontradas ou especulativas a exemplo de autorização de uso parcial do FGTS, embora isso exija mudar a lei (por Medida Provisória) que estabelece sua utilização apenas para aquisição de imóveis.

Logo após o anúncio precipitado do corte de impostos, faltando pormenores, houve opiniões estapafúrdias repercutidas pela imprensa. Uma delas indicava ser “absurdo dar estímulos a carros com motor a combustão em um governo com discurso ecológico”.

Falta coerência porque carros elétricos já têm um polpudo incentivo de 35% sob forma de isenção do imposto de importação, e também desconto de IPI e IPVA (este em alguns Estados).

Houve economista que discorreu ser preciso “forçar a exportação” e para tanto advertiu que “elevados elementos de conteúdo nacional reduzem a qualidade”. E ainda citou a Embraer “que não tem requerimento de conteúdo nacional e por isso que seu avião é bom”. Sem comentários.

Por enquanto, supondo-se o desconto provisório máximo aplicável aos dois modelos subcompactos (Fiat Mobi e Renault Kwid) que partem do preço sugerido atual de R$ 69.000, poderia cair para algo em torno de R$ 61.000.

Com uma outra simplificação cosmética e um aperto na margem dos fabricantes talvez possa ser vendido à vista por R$ 59.990 (simbolicamente abaixo de R$ 60.000).

Claro que ajuda, mas terá que haver financiamento atraente (prazos e juros). Não se sabe ainda nem de onde virá a compensação da perda de receita, talvez criando novo imposto (ainda não aprovado) sobre apostas esportivas pela internet.

Na outra ponta, a de R$ 120.000, quem sabe surja alguma versão específica para se enquadrar no desconto mínimo, mas não por apenas quatro meses.

Quanto isso garantirá de aumento de vendas este ano é algo difícil de prever. Nos outros programas de descontos provisórios com IPI zerado criou-se, de fato, demanda basicamente concentrada em antecipação de compras. Algo do tipo “compre antes que acabe a oferta”.

Sem uma estratégia que passe obrigatoriamente pela reforma tributária decente e diminuição efetiva do custo Brasil, a volta aos quase quatro milhões de unidades em 2030, entre veículos leves e pesados, comercializadas em 2012 (o dobro do que se vende hoje), pode se transformar em “Sonho de uma noite de verão”, da comédia de William Shakespeare.

Maverick Hybrid surpreende pelo baixo consumo de combustível

Primeira picape híbrida no mercado brasileiro destaca-se até frente às concorrentes a diesel mesmo usando gasolina. Mas há diferenças de origem: a estreante vem do México sem imposto de importação (II) e a segunda dos EUA (35% de II). A Maverick Lariat Hybrid tem o exatamente o mesmo preço da Maverick Lariat FX4: R$ 244.890.

O novo modelo conta com tração apenas dianteira e motor a gasolina 2,5 litros de aspiração natural, 165 cv e 21,5 kgfm, além do elétrico de 128 cv e 23,9 kgf.m. A Ford informa potência combinada de 194 cv, porém a exemplo de Toyota e Honda não indica o torque combinado pela impossibilidade de medi-lo em soluções híbridas. O câmbio é automático e-CVT.

A Maverick Hybrid, de fato, perde na clássica aceleração de 0 a 100 km/h em relação à FX4 de tração 4×4 com números vistosos de 253 cv e 38,7 kgf.m. Entretanto, no dia a dia em trânsito urbano, mostrou agilidade graças à ajuda do torque instantâneo do motor elétrico.

Impressiona na Hybrid o silêncio a bordo e o baixo nível de vibração. Numa jornada longa motorista e passageiros chegam mais descansados, principalmente se comparada às picapes a diesel. O motor elétrico exige uma bateria de apenas 1,1 kWh e responde pela grande economia de gasolina.

Na homologação oficial do Inmetro há vantagem sensível no ciclo urbano: 15,7 km/litro contra apenas 8,8 km/litro da Maverick convencional; em estrada a diferença é menor: 13,6 km/l e 11,1 km/l. No mundo real os números são melhores.

Durante a avaliação alcançou 19,1 km/l (cidade) e 16,5 km/l (estrada), porém com modo Eco acionado.

No interior a tela multimídia poderia ser maior que 8 pol. Materiais de acabamento têm aspecto um pouco espartano porque, afinal, se trata de um produto voltado ao mercado americano de massa.

Um recurso interessante de segurança: ao abrir a porta do motorista a posição “P” no câmbio é acionada automaticamente.

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Coluna Fernando Calmon — Procura por metais para baterias gera problema aos carros elétricos

Coluna Fernando Calmon nº 1.252 — 23/5/23

Procura por metais para baterias gera
problema aos carros elétricos

Advertência vem da Universidade de Cornell, em Ithaca, no Estado de Nova York (EUA), uma das mais prestigiosas do país e fundada em 1865 (158 anos de tradição).

Um estudo coordenado por quatro pesquisadores analisou a necessidade de planejar com mais cuidado a implantação dos carros elétricos a bateria depois de conferir o cenário de mineração em 48 países, incluindo China, EUA e Índia.

A pesquisa centrou-se nos principais metais e minerais hoje em uso na fabricação de baterias: lítio, cobalto, níquel, manganês e platina. Em relação ao lítio, se 40% dos modelos leves à venda no mundo forem elétricos até 2050, a mineração por si só altamente poluente terá de crescer 2.909% em relação a 2020.

Na hipótese improvável de 100% de elétricos, aumento seria de 7.513%. Hoje não há minas suficientes para isso. Os números se repetem para os outros quatro metais com poucas variações.

Também clamou por prudência em relação aos veículos pesados cuja necessidade dos metais é muito maior. Entre as soluções estão a economia circular com foco na eficiência da reciclagem. Sugere ainda projetos alternativos para cátodos e ânodos das baterias, além das pilhas a hidrogênio verde.

Uma das alternativas vem sendo o sódio. A fabricante chinesa de baterias CATL acaba de anunciar que está pronta para industrializar a primeira bateria híbrida de sódio e lítio, porém não revelou pormenores como percentual de sódio utilizado, nem preço e outras características.

Lítio é metal altamente inflamável em estado líquido e a segurança aumentará com as baterias de estado sólido previstas para daqui a cinco anos.

Ram 1500 Limited: picape superlativa também no preço

Nova versão Limited da Ram 1500 é importada dos EUA com imposto alto como a rival direta F-150. Preço parte de R$ 529.990 e vai a R$ 539.990 na configuração Night Edition, que traz detalhes em preto brilhante em vez do acabamento cromado e rodas de liga leve de 22 pol.

Ela se diferencia pela suspensão ativa a ar com cinco configurações, tração 4×4 com reduzida, acabamento mais requintado e dois bancos traseiros com inclinação do encosto ajustável. Na cabine há duas telas de 12 pol.: uma para o quadro digital e outra para a central multimídia com AndroidAuto e Apple CarPlay sem fio, além de nove portas USB.

A caçamba tem tampa que pode ser aberta para baixo ou lateralmente e oferece volume total de 1.414 litros, incluindo dos compartimentos extras. Motor Hemi V-8, gasolina, 400 cv, 57 kgf.m e câmbio automático de oito marchas entregam aceleração de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos e velocidade máxima de 174 km/h.

O desempenho empolga com acelerações fortes e ronco encorpado. Com diferencial mais longo (3,21:1) o silêncio de rodagem destaca-se em especial na estrada.

Para explorar o uso fora de estrada a suspensão pneumática é bastante útil, já que possibilita dois vãos livres: 241 e 262 mm. E para facilitar acesso ao veículo pode ser abaixada para 159 mm.

Frota brasileira continua crescendo menos de 1% ao ano

O tradicional estudo do Sindipeças e Abipeças sobre a frota real circulante brasileira apontou que em 2022 havia 46,9 milhões de unidades em circulação entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, ante 46,6 milhões em 2021. O crescimento foi de apenas 0,6%. Motocicletas são 13 milhões.

A idade média da frota não para de envelhecer. Em 2010 era de oito anos e oito meses, enquanto no ano passado havia subido para 10 anos e sete meses. O que preocupa é: 56,5% da frota ter entre 6 e 15 anos de idade; 19,8%, 16 anos ou mais.

Significa que grande parcela não dispõe de avanços na segurança ativa/passiva e controle de gases poluentes. Estas ausências significam custos muito elevados para o País em termos humanos e materiais. Se as vendas de veículos novos não reagirem nos próximos anos, a tendência é de estagnação e crescimento da idade média da frota com graves implicações.

Esses números se diferenciam dos divulgados pelo Denatran (116 milhões de veículos, incluindo motos, motonetas, reboques e semirreboques para caminhões) baseados na frota registrada. Na realidade há milhões de veículos abandonados sem baixa nos registros, tornando mais difícil o planejamento no País.

ALTA RODA

Chevrolet Montana com dimensões externas praticamente iguais às da Oroch acertou na proposta de se colocar entre a Strada e a Toro. Esteticamente tem boa presença, mas a placa dianteira no meio da grade não é solução agradável.

A caçamba na versão Premier avaliada conta com capota marítima elétrica, além de ganchos de amarração bem localizados e tampa com abertura amortecida. No interior, motorista e passageiro dianteiro têm a impressão de estar a bordo do SUV Tracker.

No acabamento, embora simples, destaca-se a aplicação de tecido no painel e laterais dianteiras. Atrás, o banco apresenta limitações típicas de picapes apesar de boa distância entre eixos.

Motor turbo flex 1,2-litro (133 cv; 21,4 kgf.m; etanol) vai muito bem para a proposta de uma picape mais voltada ao uso urbano. Manobras são facilitadas pela câmera de ré com sensor de distância.

Juntamente com o câmbio automático garante também bom desempenho em estradas e nível de silêncio a bordo aceitável.

Bosch América Latina está pronta para ter e continuar desenvolvendo soluções elétricas e eletrônicas para qualquer rumo que o mercado de veículos tomar.

Seu presidente, o argentino Gastón Perez, disse em encontro na sua sede em Campinas (SP) que a empresa alemã é agnóstica no combate às emissões globais de gás carbônico (CO2) e cada país faz sua parte. “O Brasil tem uma solução imediata.

Podemos em três anos descarbonizar o País: basta produzir e incentivar mais o uso do etanol. Acho errada a discussão se será elétrico ou híbrido flex, até por ser uma tecnologia de transição. No longo prazo a solução está no hidrogênio”, afirmou.

Um setor que a Bosch incentivará muito é o desenvolvimento local de softwares. Entre 2030 e 2035, 50% do valor de um automóvel estará ligado a esse campo da ciência.

E desde já investe na capacitação técnica de estudantes entre 16 e 19 anos, em parceria com o Senai, tendo como meta a formação de pelo menos 1.000 novos profissionais para reforçar sua equipe atual.

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