Fernando Calmon

Coluna Fernando Calmon – WR-V acirra concorrência e oferece garantia de seis anos

Coluna Fernando Calmon nº 1.374 — 21/10/2025

 

Honda WR-V acirra concorrência e oferece garantia de seis anos

O relançamento do WR-V, no Brasil ausente desde 2022, abriu uma nova frente para a Honda no altamente disputado segmento de SUVs compactos. A estratégia da marca japonesa levou em conta sua própria oferta atual no mercado (HR-V, com motor turbo e mais caro) e de outros concorrentes entre estes o líder T-Cross e o Creta.

Novo SUV, antes derivado do Fit e agora do City sedã, aposta em estilo com linha de cintura e capô altos, além de dimensões bem próximas aos rivais: comprimento, 4.320 mm; entre-eixos, 2.650 mm; largura, 1.790 mm e altura, 1.650 mm. Porta-malas de 458 L (23% maior que o do T-Cross, mas apenas 8% em relação ao Creta). Também dispensou o modismo de barras longitudinais no teto. Há faróis e lanternas de LED, além de assinatura luminosa na traseira.

A fim de manter preço competitivo, motor é de aspiração natural e, portanto, algo limitado para acelerações e retomadas: 126 cv (E/G); 15,8 kgf·m (E)/15,5 kgf·m (G). Câmbio automático CVT de sete marchas inclui estratégia de redução automática nas frenagens e em descidas para produzir freio-motor, mas sem modos de condução para desempenho e economia. Consumo padrão Inmetro, em km/l: cidade, 8,2 (E)/12 (G); estrada, 8,9 (E)/12,8 (G). Tanque de combustível tem apenas 44 L, o que limita o alcance frente aos principais concorrentes (mais de 50 L).

Por enquanto, houve apenas um contato estático com o carro. No interior destacam-se posição ao volante e bom espaço atrás para as pernas dos ocupantes. Quadro de instrumentos é o mesmo do HR-V e tela multimídia de 10 pol. com espelhamento sem fio de Android Auto e Apple CarPlay. Para recarregar o celular só está disponível entrada USB-A bem mais lenta que a USB-C. Para o banco traseiro há uma pouco útil tomada de 12 V no extremo do console. Ao menos dispõe de saídas de ar climatizado para passageiros de trás.

Em termos de segurança o novo SUV não decepciona: seis airbags e cinco recursos adicionais com destaque para frenagem autônoma de emergência e assistente de permanência em faixa de rolamento. Versão de topo EXL inclui sensores de estacionamento traseiro e dianteiro.

Preços: R$ 144.900 a 149.900. Garantia total de seis anos inédita no segmento.

Chrysler entra para o clube das marcas centenárias

Nem todas as 26 marcas que nasceram há pelo menos 100 anos produziram ininterruptamente. Houve crises financeiras, fabricação suspensa, mudanças de propriedade ou acionistas e muitas fusões. Por fim há os grandes conglomerados como a Stellantis que reúne 15 marcas (se incluídas a Fiat Profissional que produz basicamente furgões e Opel/Vauxhall marcas gêmeas na Alemanha e Inglaterra, respectivamente). Ou mesmo a VW que agrega 12 marcas, sendo três de caminhões e uma de motocicleta.

A Chrysler foi fundada por Walter P. Chrysler em 6 de junho de 1925 e, portanto, acaba de entrar neste clube. A companhia passou por bons momentos ao adquirir Jeep, Plymouth, Dodge, Desoto e criou a Ram. Depois fundiu-se com a Fiat, na FCA, e agora faz parte da Stellantis. Também enfrentou grandes dificuldades financeiras e esteve em recuperação judicial mais de uma vez.

Contudo, passou para a história por inciativas audaciosas: primeiro carro de produção projetado em túnel de vento, o Airflow, de 1934; automóveis revolucionários movidos por turbina a gás nas décadas de 1950 e 1960, com testes públicos, mas que não chegaram a ser vendidos; lançamento dos primeiros minivans modernos, Dodge Caravan e Plymouth Voyager, em 1983, uma alternativa às tradicionais station wagons e o carro esporte Dodge Viper (motor V-10 de 8 L), em 1992.

Eis relação completa do clube das centenárias e o ano de fundação: Vauxhall (1857); Peugeot (1882); Skoda (1895); Buick (1899); Fiat (1899); Opel (1899); Renault (1899); Cadillac (1902); Ford (1903); Lancia (1906); Rolls-Royce (1906); Daihatsu (1907); Audi (1909); Bugatti (1909); Suzuki (1909); Alfa Romeo (1910); Morgan (1910); Chevrolet (1911); Aston Martin (1913); Dodge (1914); BMW (1916); Mitsubishi (1917); Bentley (1919); Mazda (1920); Citroën (1920) e Chrysler (1925).

Câmeras começam a ser produzidas no Brasil pela ZF

À medida que diminuem as mortes de ocupantes dentro dos veículos, as taxas de mortalidade para aqueles que estão fora dos veículos continuam a aumentar. A proteção dos pedestres está se tornando uma prioridade global de segurança devido a esse padrão recíproco. Em razão do crescimento urbano, a evolução da mobilidade e o impulso regulatório, a indústria está repensando a forma como os veículos interagem com o ambiente. Para isso as câmeras são fundamentais. E o Brasil entrou nesta rota em razão da nacionalização que a ZF acabou de anunciar.

Foram investidos R$ 35 milhões em Limeira (SP) para dois tipos de câmeras também chamadas de sensores ópticos de alta precisão, essenciais à condução assistida e à frenagem autônoma emergência para evitar atropelamentos e colisões. O primeiro modelo permite ângulo de visão de 32°, pesa apenas150 gramas, detecta veículos a 150 m de distância e pedestres a 70 m. Em julho do próximo ano, começa a produção de outra câmera com ângulo de visão de 100° e monitora veículos até 170 m de distância. A empresa anunciou que poderá fabricar 900.000 unidades por ano.

Estas câmeras fazem parte do ADAS, sigla em inglês para Sistema Avançado de Assistência ao Motorista. Segundo estudos recentes a combinação de câmeras, radares e lidares (feixes de lasers para medir distâncias com altíssima precisão) já salvaram milhares de vidas em todos os mercados em especial onde a frota circulante é moderna. A produção em alta escala permite os preços caírem e há tendência de continuarem a diminuir.

Kona: visual futurista demais e ótimo consumo

É preciso entender que a Hyundai precisava mesmo se destacar de outros SUVs médio-compactos já no mercado. Exagerou um pouco no desenho, inclusive na colocação em posição baixa dos faróis e lanternas traseiras vulneráveis em pequenas colisões. Mas o estilo do Kona híbrido pleno não chega a comprometer o conjunto e chama atenção ao ser visto de perfil pelo desenho elaborado das rodas de 18 pol. Mesmo que as colunas traseiras tenham área envidraçada diminuta. Versão avaliada foi a de topo Signature.

Dimensões bem próximas às do Corolla Cross: comprimento, 4.350 mm; entre-eixos, 2.660 mm; largura, 1.825 mm; altura, 1.580 mm. O porta-malas de 407 L fica devendo aos seus concorrentes. Motor de aspiração natural, gasolina, 1,5 L entrega 105 cv e 14,7 kgf·m, enquanto o elétrico, 44 cv e 17,3 kgf·m. Valores combinados: 141 cv e 27 kgf·m. Para uma massa em ordem de marcha de 1.525 kg fica longe de empolgar, embora ainda dentro do aceitável. No uso urbano apenas com motorista e um acompanhante até que foi bem. Contudo, se quatro pessoas a bordo e bagagem precisarem viajar, exige mais atenção em ultrapassagens nas rodovias de pista única.

Há um ponto de destaque: consumo de combustível. Em cidade é possível passar dos 18 km/l e na estrada entre 15 e 16 km/l. Assim, o tanque de 38 L permite viajar entre São Paulo e Rio de Janeiro sem abastecer. Bom o comportamento em curvas, mesmo tendo suspensão calibrada mais para o conforto de marcha.

O interior impressiona pelo quadro de instrumentos e a tela multimídia integrados, ambos de 12,3 pol. Meio estranha a posição do seletor de marchas na coluna de direção, mas como se usa poucas vezes não atrapalha tanto. Banco do motorista oferece boa sustentação lateral e firmeza correta. Quem viaja atrás dispõe de bom espaço para pernas, ombros e cabeça, mais adequado a dois adultos e uma criança.

Preço: R$ 234.990.

­____________________________

 Ressalva: Na coluna da semana passada, Taos foi citado por ter o maior porta-malas do seu segmento. Contudo, pouco dias depois, Boreal o desbancou: 5% a mais.

www.fernandocalmon.com.br

 

Coluna Fernando Calmon – WR-V acirra concorrência e oferece garantia de seis anos Read More »

Coluna Fernando Calmon – Pela primeira vez, Brasil importa mais da China do que da Argentina

Coluna Fernando Calmon nº 1.368 — 9/9/2025

Pela primeira vez, Brasil importa mais da China do que da Argentina

Esse aumento de importação refere-se ao mês passado e deve ser revertido nos próximos meses. Argentina é o maior cliente das exportações brasileiras, enquanto obviamente o Brasil nada exporta em veículos para a China. No entanto, o cenário mudará com a produção no País da GWM, BYD e GM (em novembro, no Ceará, com a Comexport que iniciará a montagem do chinês Spark, onde já se fabricou o SUV Troller). A fabricação de modelos chineses no Brasil começa no regime SKD, veículos semidesmontados e praticamente sem conteúdo nacional, porém este crescerá de forma paulatina.

Enquanto isso, o mercado de veículos novos continua sinalizando crescimento menor do que o previsto no início do ano. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, atribuiu às taxas de juros altas que impactam nas prestações dos financiamentos. Nos oito primeiros meses deste ano emplacaram-se 1,668 milhão de unidades de veículos leves e pesados resultado apenas 2,8% acima deste mesmo período do ano passado.

A associação ainda não mudou a estimativa de aumento de 5% nas vendas de 2025 frente a 2024. Historicamente o segundo semestre costuma ser mais positivo que o primeiro. O mercado de caminhões já engatou a marcha à ré, contudo o programa Carro Sustentável tem apresentado bons resultados: os seis modelos habilitados de cinco marcas cresceram 26% em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, são carros que deixam baixa margem aos fabricantes e tendem a perder um pouco de fôlego nas vendas. Aquele programa se encerra no final de 2026, quando começa a reforma tributária e o IPI será extinto.

Participação de mercado nos primeiros oito meses deste ano de automóveis e comercias leves: gasolina, 4,6%; híbridos, 4%; híbridos plugáveis, 3,5%; elétricos, 2,9%; diesel, 10,2% e flex, 74,8%. Chama atenção a baixa taxa de aceitação de elétricos que terminaram o ano passado com 2,5% de penetração e este ano subiram para apenas 2,9%, mesmo com imposto de importação como subsídio direto. Espera-se uma melhora, quando avançar a sua produção nacional.

Linha 2026 chega para Citroën e Peugeot

Novidade é a versão XTR para o C3 e o Aircross. Têm um apelo levemente aventureiro e, de acordo com o fabricante, chegam mais robustos. Os pneus de uso misto são Pirelli Scorpion de 15 e 17 pol., respectivamente, para os dois modelos. Ambos receberam filetes verdes nas laterais. Em relação com a natureza a costura dos bancos que também é verde.

O C3 XTR manteve o motor atual 1-L Firefly de três cilindros sem alterações: 75 cv (E)/71 cv (G); 10,7 kgf·m (E) e 9,8 kgf·m (G). Preço: R$ 88.990. Em avaliação inicial, no Rio de Janeiro (RJ), pouco se notou em relação aos pneus, mas um detalhe foi reformulado: a posição dos acionadores dos vidros traseiros, no console central, e que agora também ficam na porta do motorista.

Aircross XTR está disponível apenas na versão de 7 lugares (R$ 129.990). Motor 1-L turbo de três cilindros manteve 130 cv (E)/125 cv (G) e 20,4 kgf·m (E/G). Câmbio automático CVT, sete marchas. No percurso de teste, por ser maior e mais pesado, inclina mais em curvas e assim um pouco menos dinamicamente confortável.

O Basalt estreia a versão Dark Edition com acabamentos escurecidos e detalhes em vermelho no defletor e na costura dos bancos. Motor é o mesmo do Aircross e o preço R$ 114.990.

Novidade nos Peugeot 208 GT T200 Hybrid e 2008 GT T200 Hybrid (mesmo motor do Citroën) é o sistema híbrido básico (semi-híbrido) que estreou nos Fiat Pulse e Fastback em novembro de 2024. Há redução de até 10% no consumo de combustível no ciclo urbano e até 8% a menos em emissões. Trata-se de um alternador/motor de arranque de 3 kW (4 cv), que alimenta a bateria comum de chumbo-ácido e a bateria de íon de lítio de 11 A·h do sistema híbrido básico. Motor é desligado em paradas e religado automaticamente de forma suave e silenciosa. O sistema só não entra em funcionamento se o ar-condicionado estiver em processo de climatizar a cabine.

Em ambos os modelos há novos faróis de LED e DRL verticais, além de grades específicas.

Preços: 208, de 91.990 a 126.990 e 2008, de 133.390 a 162.990.

Golf GTI só por encomenda para março 2026

Volkswagen montou uma estratégia diferente para comercializar a versão mais potente do Golf, depois de seis anos de ausência do modelo. O GTI Experience Club vai abrigar os compradores que terão de ser ex-proprietários de versões GTS, GLI e GTI ou já possuam qualquer outra marca de modelos esportivos do grupo alemão. Os futuros proprietários devem dar uma entrada de 10%, a partir de agora, e as entregas serão em março de 2026. O GTI de oitava geração e meia (com pequenas alterações) custa R$ 430.000 com o clássico estofamento xadrez e R$ 445.000 com estofamento em couro especial, além de bancos dianteiros com resfriamento e aquecimento.

Essa versão será oferecida com as devidas modificações para estradas e ruas do País. Pelo menos de início a Volkswagen pede direito de recompra, quando o proprietário for vendê-lo. Motor 2-L entrega 245 cv e 37,7 kgf·m. O GR Corolla, também importado, custa entre R$ 416.990 (versão Core) e R$ 461.880 (versão Circuit). Diferença de potência é grande, 304 cv, mas o torque exatamente igual 37,7 kgf·m e a tração 4×4. O japonês tem câmbio manual de seis marchas, enquanto o alemão dispõe de um automatizado de sete marchas e dupla embreagem. Outro japonês é o Civic Type R: 297 cv, 42,8 kgf·m, também com câmbio manual de seis marchas, R$ 434.900.

Primeiro contato com o Golf GTI foi muito breve, na pista do aeroporto de São Joaquim da Barra (SP). Mas a essência esportiva do modelo está presente, além da robustez do conjunto que sempre o marcou. Posição ao volante muito boa e o banco bem firme sem causar desconforto. A tela multimídia de 12,9 pol. tem ótima definição, apoio perfeito para o pé esquerdo e alavanca seletora de câmbio do tipo joystick, além de carregador de celular por indução. Motor apresenta ronco discreto e respostas imediatas, embora inferior aos dois concorrentes orientais. Aceleração 0 a 100 km/h em 6,1 s.

Picape média Poer da GWM estreia com bom preço

Objetivo é tornar-se alternativa viável dentro de um dos segmentos mais disputados do mercado. Poer P30 estreia com motor 2,4 L, turbodiesel, 184 cv, 48,9 kgf·m, câmbio automático de nove marchas, além de tração configurável em 4×2, 4×4 High e 4×4 Low. A cabine tem central multimídia de 14,6 pol., câmeras 360° e bancos dianteiros climatizados. Destaque para condução semiautônoma nível 2+. Dimensões um pouco maiores que as da Toyota Hilux: comprimento, 5.416 mm; entre-eixos, 3.230 mm; largura, 2.107 mm; altura, 1.884 mm; vão livre do solo, 227 mm, caçamba, 1.135 L; massa em ordem de marcha, 2.050 kg.

Primeiras impressões da picape média chinesa foram em um percurso de aproximadamente 50 km nos arredores de São Francisco do Sul (RS). O teste off-road mesclou trechos de lama, subidas íngremes e passagens estreitas, o que exigiu robustez mecânica e recursos de tração eficientes.

No terreno mais difícil, surpreendeu pela facilidade em superar obstáculos. O motor entregou desempenho bom (embora abaixo de concorrentes com mais de 200 cv) desde baixas rotações e nível baixo de ruído. Com modos High e Low, o conjunto de tração 4×4 mostrou disposição em condições críticas. As suspensões filtraram bem os impactos, mesmo em situações de maior exigência.

O sistema de câmeras ajudou na visualização em espaços estreitos, enquanto os modos de condução facilitaram a adaptação da picape ao tipo de piso. Dentro da cabine com bom acabamento, o conforto não ficou em segundo plano, particularmente o isolamento acústico. No geral proporcionou uma experiência adaptada ao uso severo no Brasil e pronta para uma concorrência de mercado desabrida.
Preço: R$ 240.000 a R$ 260.000.
www.fernandocalmon.com.br

 

Coluna Fernando Calmon – Pela primeira vez, Brasil importa mais da China do que da Argentina Read More »

Coluna Fernando Calmon — GWM inaugura fábrica e integra fornecedores locais

Coluna Fernando Calmon nº 1.365 — 19/8/2025

GWM inaugura fábrica e integra fornecedores locais

A produção começa, como em toda fábrica, mais lenta. Todavia, a GWM (maior marca chinesa de autoveículos com capital 100% privado) apresenta planos bem estruturados de crescimento. Planeja aumentar sua capacidade produtiva atual de 50.000 unidades anuais em Iracemápolis (SP) para até 300.000 unidades. Assim poderá atender também a exportações dentro do Mercosul e México. A empresa investiu R$ 4 bilhões nesta primeira fase e terá 1.000 funcionários até o final do ano. Mas os planos incluem mais R$ 6 bilhões entre 2027 e 2032, além de dobrar o número de empregos diretos.

Primeiros modelos a deixarem as linhas de produção são o SUV híbrido médio Haval H6 com motor a gasolina, a picape média Poer P30 e o SUV de sete lugares H9, estes dois últimos com motores turbodiesel. Ao contrário da BYD que “inaugurou” sua fábrica em Camaçari (BA) sem produzir nada com conteúdo local até agora, a GWM inicia com soldagem manual, seguida por operações com 18 robôs e quatro estações automáticas de pintura. Há 18 fornecedores nacionais no momento entre eles Basf, Bosch, Continental, Dupont e Goodyear. No total, 110 firmas cadastraram-se com interesse em suprir componentes.

A GWM anunciou a construção de um Centro de Pesquisa & Desenvolvimento dentro do terreno da fábrica de Iracemápolis, construída pela Mercedes-Benz em 2016, fechada em 2020 e vendida em 2021. O foco será em tecnologia flex, sistemas híbridos e elétricos. Também desenvolverá projetos chineses para as condições de uso e rodagem no Brasil e América do Sul. O centro contará com mais de 60 técnicos e engenheiros, terá 4.000 m² de área construída e deverá abreviar o lançamento de novos produtos, além de aperfeiçoar os três modelos atuais.

A marca dá demonstrações de compromissos com o País e de querer crescer de forma contínua para gerar empregos.

Ainda mais esportivo, Mustang Dark Horse

Trata-se da versão mais próxima de um modelo de competição, cujo V-8, 5-litros, de aspiração natural entrega 507 cv, 57,8 kgf·m e calibração específica para o Brasil, inclusive de amortecedores e molas. Entre os pormenores escurecidos do Dark Horse estão para-choques, faróis, faixas no capô, carcaças dos retrovisores, rodas, pinças de freio, ponteiras duplas de escapamento e defletor traseiro funcional.

Na avaliação ao longo de 90 km, de São Paulo até Mogi Guaçu (SP), destaques para boa pegada do volante e a suspensão adaptativa no modo Normal que pouco prejudica o conforto de marcha. Naturalmente exige atenção em lombadas nem tão altas ou rampas de acesso a garagens. Resposta do acelerador bastante progressiva.

Em três voltas no autódromo Velocitta, para testar o modo Pista, impressionaram muito bem as reações e a precisão do volante. Controle de estabilidade permissivo na medida certa, inclusive um bem leve sobresterço adequado para situações de exigência severa em curvas. Não traz sensação de “adernar” e sim próxima a de um carro de competição.

O câmbio automático de 10 marchas com borboletas para trocas manuais têm uma função bem interessante: ao manter a haste apertada as marchas reduzem-se automaticamente até atingir a rotação ideal. O escapamento permite sonoridade ímpar e empolgante acima de 5.000 rpm. Aceleração de 0 a 100 km/h é a esperada para esse tipo de cupê: 3,7 s.

Preço: R$ 649.000.

Commander 2026: alterações visuais e preço menor

São atualizados grade, para-choque, assinatura de LEDs no conjunto ótico dianteiro e rodas de 18 e 19 pol. Na traseira, lanternas interligadas têm agora iluminação contínua de LEDs. Para as versões de topo, Overland e Blackhawk, a alavanca do câmbio automático de nove marchas foi substituída por seletor rotativo no console. Uma câmera 360° facilita manobras e é bastante útil no uso fora de estrada em trilhas mais difíceis. Entre-eixos de 2.793 mm garante espaço interno muito bom. Destaque também para o porta-malas de 223 L (sete lugares) até 661 L (cinco lugares).

Versões de cinco e de sete lugares, dos três motores, mantidos sem alterações. Destaque para o Hurricane 2-L turbo, gasolina, 272 cv, 40,8 kgf·m, capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 7 s, na versão de topo Blackhawk. Há também o 1,3 L, turbo flex, 176 cv, 27,5 kgf·m, câmbio automático de seis marchas, tração 4×2 e o Multijet turbodiesel 2,2-L, 200 cv e 45,9 kgf·m, câmbio automático de nove marchas e tração 4×4.

Avaliação dinâmica em Mendoza, Argentina foi feita com os motores Multijet e Hurricane. Versão diesel oferece uma arrancada vigorosa, porém de reação contida em rotações médias e altas. Já o motor a gasolina, apesar de um pouco menos de ímpeto inicial, impõe sua maior potência logo que a velocidade aumenta, às custas do consumo de combustível obviamente maior. Trecho de terra com muitos aclives, declives e obstáculos mais radicais foram vencidos sem grande dificuldade.

Preços: R$ 220.990 a R$ 324.990 (reduzidos em até R$ 19 mil).

Ram Dakota sofistica segmento de picapes médias

Com lançamento previsto para o início do ano que vem, a Dakota recupera o nome usado de 1998 a 2001 pela Dodge. O projeto é o mesmo da Titano (por sua vez baseada na picape monobloco Changan Hunter chinesa), porém bem mais sofisticado no visual e equipamentos. Na prévia em São Paulo (SP) do show car, o interior não pôde ser visto. Externamente impressiona pela extensa linha de LEDs de uma extremidade à outra que se integra aos faróis, além de uma entrada de ar no capô com três pontos de luz laranja. Não podia faltar um guincho elétrico.

Para se diferenciar da Titano, recebeu alguns vincos na carroceria. Faziam parte da picape exibida kit de suspensão elevada, pneus todo-terreno de 33 pol. de diâmetros e rodas de 18 pol. com beadlock (travas de talão), recurso para evitar o destalonamento dos pneus em condições de baixa pressão necessárias no uso extremo fora de estrada. Chama atenção também o estepe aparente em posição inclinada na caçamba junto ao arco de proteção que inclui luzes de LED. Na traseira, lanternas e para-choque são novos.

Trem de força é o mesmo 2,2 L, turbodiesel de 200 cv e 45,9 kgfm, combinado ao câmbio automático de oito marchas e à tração integral (4WD). Dakota de série não receberá todos os equipamentos da unidade exibida.

SIMEA 2025 debateu temas de alta relevância

Em sua 32ª edição, o Simea (Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva), promovido pela AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva) focou nos pontos mais relevantes para o futuro da indústria automobilística no Brasil e no mundo. Os avanços do País são notáveis desde a criação do Proconve há 39 anos quanto a emissões veiculares. Um automóvel em 1986 poluía o equivalente a 136 veículos atuais, embora poucos se lembrem disso. Há novas fases previstas para 2030, contudo sem avançar na direção de inspeção veicular e renovação de frota (em especial de veículos pesados) será muito difícil garantir ar mais limpo.

Relembrou-se o grave problema de infraestrutura no Brasil: 65% de cargas transportadas por rodovias, das quais apenas 12% pavimentadas. Gera desperdício de 1,18 bilhão de litros de combustível e emissões adicionais de 3,13 milhões de toneladas de CO₂ por ano.

Hibridização, eletrificação, direção automatizada e experiência digital do usuário guiarão o desenvolvimento nos próximos anos. Pilares dessa transformação: comunicação móvel, computação em nuvem, novas tecnologias de software, inteligência artificial, engenharia de dados e semicondutores de alta desempenho para integrar o veículo ao ambiente externo. Até 2030, o mercado automobilístico mundial de eletrônica e software deve movimentar US$ 462 bilhões. O País tem que se inserir nesse contexto.

Houve consenso sobre o papel estratégico dos biocombustíveis. Eletrificação combinada ao etanol oferece rota competitiva de redução de emissões de CO2 dentro do conceito correto do “poço” à roda.www.fernandocalmon.com.br

 

Coluna Fernando Calmon — GWM inaugura fábrica e integra fornecedores locais Read More »

Coluna Fernando Calmon — Embate entre Anfavea e BYD é resolvido

Coluna Fernando Calmon nº 1.362 — 29/7/2025

 

Embate entre Anfavea e BYD resolvido, afinal, pelo governo

O desentendimento entre fabricantes associados à Anfavea e a BYD mostrou que o mercado brasileiro tem relevância e desperta choques de interesse. Em termos de produção a OICA (Organização Internacionais dos Fabricantes de Autoveículos) apontou o Brasil como sétimo maior produtor mundial em 2024, com 2.549.595 automóveis e veículos comerciais. Na classificação por tamanho do mercado o País aparece em sexto (atrás de China, EUA, Japão, Índia e Alemanha): 2.634.904 unidades.

Portanto, não se devem estranhar os manifestos que pontuaram os dias anteriores à reunião do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), em 30 de julho. Anfavea começou por relembrar que o setor automobilístico gera 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos e representa um dos pilares da economia nacional. Teve impacto ainda maior a carta enviada ao presidente da República pelos presidentes de quatro fabricantes: Ciro Possobom, Volkswagen; Emanuele Cappellano, Stellantis; Evandro Maggio, Toyota e Santiago Chamorro, General Motors.

“A possível aprovação de incentivos à importação de veículos semidesmontados (SKD) ou desmontados (CKD) impacta a competitividade da produção local e reduz o valor agregado nacional, além de ameaçar empregos, inovação e a engenharia brasileira.”

BYD respondeu com a deselegância de sempre: “Porque se os dinossauros estão gritando, é sinal de que o meteoro está funcionando”. A empresa deve entender bem de dinossauros porque em pleno Século XXI foi flagrada com empregados trazidos da China e tratados com métodos análogos à escravidão, conforme o Ministério Público do Trabalho da Bahia.

A Gecex-Camex acabou por deliberar uma solução intermediária, mas se não atendeu totalmente o pleito da Anfavea, chegou perto. Quanto à BYD, ela terá que se limitar a uma cota (US$ 463 milhões/R$ 2,55 bilhões), até janeiro de 2026, de isenção do Imposto de Importação para CKD e SKD. Híbridos e elétricos CKD passam a recolher imposto de importação de 35% a partir de janeiro de 2027, não mais em julho de 2028. Portanto, 18 meses antes.

Incertezas sobre alternativas de propulsão

A Stellantis anunciou que desistiu do hidrogênio (H2) em substituição ao diesel em furgões de carga de porte grande e médio na Europa, como já acontecido com a Renault. As justificativas são óbvias: preço elevado, rede de abastecimento mínima, custos altos de desenvolvimento e desempenho baixo. Além disso, o H2 majoritariamente obtido de fontes fósseis não resolve a necessidade de desenvolver alternativas viáveis ao petróleo.

Honda descontinuou o Clarity a hidrogênio em 2022, porém tem planos para 2027. Resta o sedã Toyota Mirai elétrico abastecido a hidrogênio, lançado em 2012. Comenta-se que o modelo talvez seja discretamente abandonado, em algum momento. A pilha a hidrogênio (fuel cell, em inglês) em alternativa à bateria dos elétricos enfrenta previsões duvidosas, apesar de BMW, Hyundai e a própria Toyota não terem desistido.

Mesmo veículos 100% elétricos ainda se sujeitam a incógnitas. A Ferrari, por exemplo, deve lançar seu primeiro modelo desse tipo em 2026. Já programava outra opção em 2028, todavia adiou frente às incertezas. Um relatório recente da agência BloombergNEF destaca que elétricos de alcance estendido (com motor-gerador a gasolina para recarregar a bateria), conhecidos pela sigla em inglês EREV, apresentam alta taxa de crescimento impulsionadas pelo gigantesco mercado chinês, principalmente em cidades afastadas dos grandes centros urbanos.

No entanto BYD e GWM rechaçam a solução EREV. Ambas declaram que não desenvolverão soluções desse tipo, preferindo focar em elétricos e híbridos plenos ou plugáveis na estratégia de transição. Contudo a Academia Chinesa de Engenharia tem outra visão para 2030: EREV e híbridos plugáveis representariam 55% do mercado interno, elétricos convencionais, 45% e carros com motor a combustão, só 15%.

Neste cenário chama atenção a japonesa Mazda. Bateu recorde de vendas nos EUA apenas oferecendo automóveis e SUVs com MCI. Abraçou a I.A. em seus projetos e ainda vai decidir, aparentemente sem pressa, quando partirá para o primeiro elétrico. Toyota e Honda também acabam de desenvolver motores a combustão mais eficientes que os atuais.

Já o chanceler (presidente, na prática) alemão Friedrich Merz critica um projeto da União Europeia que obrigaria locadoras e grandes empresas a comprarem só modelos elétricos, a partir de 2030. Para ele contribuiria para destruir a importante indústria automobilística do bloco europeu.

Geely estreia elétrico EX5 de pegada futurista

A Geely Auto, dona da Volvo, Polestar, Lotus e Zeekr (entre outras), segue estratégia típica de marcas chinesas: SUV elétrico de porte médio e preços competitivos para as duas versões: EX5 Pro, R$ 205.800 e EX5 Max, R$ 225.800. Marca está de volta ao Brasil depois de nove anos, agora em parceria com a Renault e outro patamar tecnológico.

Seu estilo é discreto na traseira e visto de frente faz falta um pouco de audácia. As rodas de 18 ou 19 pol. têm desenho atraente. Dimensões próximas às de SUVs grandes: comprimento, 4.615 mm; entre-eixos, 2.750 mm; largura, 1.901 mm; altura, 1.670 mm. Porta-malas de 461 L, dentro da média do segmento; massa em ordem de marcha compatível com outros elétricos: 1.715 (Pro) e 1.765 kg (Max).

No interior, destaque para a grande tela multimídia de 15,4 pol. com conexão AppleCarPlay (AndroidAuto, só mais adiante). Versão de topo inclui projeção de dados no para-brisa (13,8 pol.), encostos dos bancos dianteiros podem inclinar completamente para trás e incluem massagem, ventilação, aquecimento e memória. O encosto bipartido do banco traseiro também é reclinável

Tração apenas na dianteira, motor com 218 cv e 32,6 kgf·m. Aceleração de 0 a 100 km/h em 7,1 s (Max) e 6,9 s (Pro, 50 kg mais leve). Bateria LFP de 60,2 kW·h suporta recarga rápida e pode fornecer energia para eletrodomésticos, outros veículos ou funcionar como gerador portátil. Alcance, padrão Inmetro (mais rigoroso para não surpreender ninguém), de 413 km (Pro) e 349 km (Max).

Em primeiro contato, de São Paulo ao Autódromo Capuava em Indaiatuba (SP), destacaram-se espaço interno, atmosfera a bordo e respostas imediatas e silêncio de rodagem (típicos de elétricos). Há quatro níveis de regeneração de energia. Suspensão oferece bom equilíbrio entre conforto e estabilidade, além de freios bem dimensionados.

EX5 vem com seis airbags e traz pacote de segurança ativa completo: alerta de colisão, assistente de faixa, controle de cruzeiro adaptativo e câmeras 360º, entre outros (13, no total).

Avaliação dinâmica: BMW M235 xDrive

Após apresentação estática nos boxes de Interlagos, a BMW levou para a pista de testes da Goodyear, em Americana (SP), para uma breve avaliação o sedã-cupê de quatro portas M235 xDrive. Não se trata de ambiente ideal: autódromo ou autoestradas e subida/descida de serras. Mas havia trechos de asfalto seco e molhado artificialmente.

No segundo caso, foi possível avaliar o comportamento em condições específicas no limiar da tração. O controle de tração do sistema XDrive funcionou muito bem. Manteve o carro no skid pad (círculo de derrapagem na pista molhada) sem sair do traçado, uma característica que só a eletrônica de bordo é capaz de garantir. Contudo, sempre há um limite e assim não dispensa atenção ao volante e ao acelerador para evitar abusos na utilização cotidiana.

O carro é bem projetado, agrada quem aprecia dirigir de forma esportiva (quando possível), acelera forte, freia impecavelmente e demonstra comportamento muito seguro em curvas. Tem motor transversal, de quatro cilindros, turbo, 2-L, 317 cv e 40,8 kgf·m, câmbio robotizado de sete marchas e dupla embreagem. Tração é integral e acelera de 0 a 100 km/h em apenas 4,9 s. Diferencia-se pelas quatro saídas de escapamento e um defletor bem pronunciado na tampa do porta-malas.

Preço: R$ 479.950,00
______________________________

www.fernandocalmon.com.br

Coluna Fernando Calmon — Embate entre Anfavea e BYD é resolvido Read More »

Coluna Fernando Calmon — Primeiro semestre apontou novos líderes de segmentos

Coluna Fernando Calmon nº 1.361 — 22/7/2025

 

Primeiro semestre apontou novos líderes de segmentos

Apesar de o mercado de automóveis, SUVs e comerciais leves ter crescido apenas 5% em relação aos primeiros seis meses do ano passado, a concorrência continuou acirrada no primeiro semestre entre 16 segmentos (incluídos os dois subsegmentos de híbridos e elétricos que ainda representam pouco, mas merecem atenção).

Enquanto a maioria dos modelos continuou a confirmar uma posição tranquila, deve-se ressaltar que também houve mudanças e reconquistas. Um exemplo é o Corolla Cross que voltou a comandar os SUVs médio-compactos e até abriu uma boa vantagem de 5 pontos percentuais sobre o Compass. Quanto aos SUVs médio-grandes o modelo chinês GWM H6 assumiu a ponta do segmento à frente do Toyota SW4. E o Cayenne recuperou sua liderança nos SUVs grandes.

Entre as picapes médias (capacidade de carga de 1.000 kg), a Toro sustentou sua posição à frente da Hilux por uma diferença pueril de 184 unidades. Até o final do ano a Toyota talvez recupere a liderança sobre o único modelo do segmento a utilizar construção monobloco. Outra disputa apertada: H6 e Pulse, embora o SUV da Fiat seja um híbrido básico (semi-híbrido) e o modelo chinês um híbrido pleno e mais caro.

Ranking da coluna tem critérios próprios e técnicos com classificação por silhuetas em 16 categorias. Referência principal é distância entre eixos, além de outros parâmetros. Sedãs de topo (baixo volume) e monovolumes (poucas opções) ficam de fora. Base de pesquisa é o Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam). Citados apenas os modelos mais representativos dentro dos segmentos. Compilação de Paulo Garbossa, da consultoria ADK.

Hatch subcompacto: Mobi, 45%; Kwid, 36%; Dolphin Mini, 18%. Sem ameaça ao líder.

Hatch compacto: Polo, 29%; Argo, 23%; HB20, 19%; Onix, 18%; City, 3,8%, C3, 3,2%; 208, 2,1%; Yaris, 1,8%. Polo aumentou vantagem.

Sedã compacto: Onix Plus, 25%; Virtus, 20%; HB20S, 17,4%; Cronos, 17%; City, 10%; Versa, 6%; Yaris, 5%. Onix Plus ainda firme.

Sedã médio-compacto: Corolla, 57%; King, 22%; Sentra, 9%. Corolla cedeu 11 p.p.

Sedã médio-grande: BMW Série 3/4, 65%; Mercedes Classe C, 21%; Accord, 4%. Sem resistência aos BMW.

Sedã grande: Seal, 77%; Panamera, 12%; Série 5, 5%. Seal elétrico tranquilo.

Esportivo: Mustang, 58%; BMW M2, 22%; Challenger, 8%. Mustang mantém.

Esporte: 911, 47%; 718 Boxster/Cayman, 37%; Corvette, 4%. Domínio Porsche fácil.

SUV compacto: T-Cross, 15%; HR-V, 10,5%; Creta, 10,3%; Tracker, 9%; Fastback, 8%; Kicks, 7,6%; Nivus, 7,4%; Renegade, 6,8%; Pulse, 6,7%; Kardian, 3,4%. T-Cross avançou.

SUV médio-compacto: Corolla Cross, 30%; Compass, 25%; Tiggo 7, 13%. Corolla Cross volta a liderar.

SUV médio-grande: H6, 24%; SW4, 16%; Tiggo 8, 14%. H6 novo líder.

SUV grande: Cayenne, 21%; BMW X5/X6, 19%; XC90, 12%. Cayenne reconquista.

Picape pequena: Strada, 58%; Saveiro, 27%; Montana, 9%. Líder continua muito firme.

Picape média (carga 1.000 kg): Toro, 21,2 %; Hilux, 21%; Ranger, 15%. Toro por um fio.

Híbridos: H6, 15%; Pulse, 14%; Song Pro, 13%. Liderança ameaçada.

Elétricos: Dolphin Mini, 42%; Dolphin, 20%; EX30, 10%. BYD domina neste nicho.

Toyota acelera: dois lançamentos ainda em 2025

Maior fabricante de veículos do mundo, a Toyota não costuma antecipar o que vai lançar no Brasil. Evandro Maggio, presidente da subsidiária, tem uma visão mais aberta. Já para agosto confirmou a nova versão de entrada do Corolla, o GLI híbrido, com preço menor, porém descarta ser um carro despojado. A fabricante preferiu escolher a opção menos cara e não a intermediária XEi como estratégia de atrair mais compradores para quem ainda tem dúvidas sobre as vantagens de um híbrido.

Mais importante é a estreia em outubro do aguardado Yaris Cross, já à venda no Chile, e que está em início de produção na fábrica de Sorocaba (SP). Suas dimensões são próximas às do T-Cross, líder entre os SUVs compactos. O grande apelo do novo produto está no acréscimo de um híbrido flex pleno com evidentes vantagens.

O Yaris Cross híbrido deverá ter potência combinada de 115 cv. Entretanto, o torque combinado tecnicamente não pode ser medido e nem somado (12,5 kgf·m no motor flex e 14,4 kgf·m no elétrico). O porta-malas de 471 L, na versão convencional ou 446 L, na híbrida (a confirmar se pelo padrão correto VDA) é um dos destaques do novo SUV. Contudo a distância entre eixos de 2.620 mm é 31 mm menor que o modelo da VW, o que deixa o concorrente com um pouco mais de espaço para ocupantes do banco traseiro.

Todavia, o aspecto novidade conta a favor da marca japonesa. E mais ainda os números de consumo e alcance, mesmo com um tanque de apenas 36 litros. Segundo o site Carros na Web, o novo SUV híbrido compacto deverá receber homologação Inmetro de 13 km/l (E) e 19 km/l (G), em cidade e 11 km/l (E) e 16 km/l (G), em estrada. Quanto ao alcance pode chegar a 468 km (E) e até surpreendentes 684 km (G), na cidade; na estrada, 396 km (E) e 576 km (G).

Maggio confirmou que as obras de ampliação da fábrica de Sorocaba (SP) estarão concluídas no segundo semestre de 2026. A capacidade de produção crescerá para 275.000 unidades/ano. Já a unidade fabril de Indaiatuba (SP) será desativada. O executivo nada adiantou sobre interessados nesta fábrica inaugurada há quase 30 anos, apesar de especulações que alguma marca chinesa possa se candidatar à compra e providenciar as devidas reformas.

Dia do Motorista comemorado em 25 de julho

A data foi criada por decreto federal em 21 de outubro de 1968 para coincidir com o dia de São Cristóvão. O santo da igreja católica é considerado o protetor dos motoristas profissionais e amadores.

Uma prova de que essa homenagem ocorre também fora do Brasil, é a revista institucional da Porsche editada na Alemanha. Trata-se da Christoforus que em latim significa literalmente “que carrega Cristo”. Cristóvão era um homem forte que ajudou Cristo, ainda menino, a atravessar um rio. O menino revelou a ele ser Jesus e que carregava o mundo, tornando a travessia cada vez mais penosa.

Melhorar a segurança de trânsito tem importância ainda maior na semana em que se comemora o Dia do Motorista. Recentemente a Agência Câmara de Notícias informou que a Comissão de Viação e Transportes aprovou proposta para alterar o Código de Trânsito Brasileiro em um ponto importante. Muda de infração média para grave o ato de atirar de dentro de um veículo objetos ou substâncias em vias públicas.

Prevê multa em dobro quando houver potencial de provocar incêndios. Um exemplo é arremessar bituca de cigarro ainda acesa no acostamento com o risco de atingir a vegetação e dar causa a nuvens de fumaça. Arrastadas pelo vento, estas podem encobrir a visibilidade nas estradas e causar graves acidentes.

Não se espera celeridade na tramitação. A proposta será analisada ainda pelas comissões de Finanças e Tributação, de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para tornar-se lei, precisa de confirmação na Câmara e Senado.

Outra iniciativa da Câmara, agora neste mês, aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e com longa tramitação a enfrentar, permite e regulamenta pelo Código de Trânsito Brasileiro a circulação de carros autônomos nas vias públicas. Em algumas cidades americanas carros sem motorista já podem rodar. O Brasil ainda está muito distante de um trânsito convencional mais seguro. Pensar, desde já, em veículos que independem de alguém ao volante parece extremamente prematuro.
www.fernandocalmon.com.br

 

Coluna Fernando Calmon — Primeiro semestre apontou novos líderes de segmentos Read More »

Coluna Fernando Calmon — Kicks, totalmente renovado, estreia novo motor e câmbio

Coluna Fernando Calmon nº 1.356 — 17/6/2025

Kicks, totalmente renovado, estreia novo motor e câmbio

O Kicks mudou de patamar em direção aos SUVs médios e deixou a versão atual Kicks Play para enfrentar os compactos de menores dimensões. O maior impacto visual vem da nova frente com imponente grade de elementos horizontais, acabamento em preto brilhante e faróis de LED. A traseira também impressiona com lanternas horizontais interligadas.

As dimensões: comprimento, 4.365 mm; entre-eixos, 2.655 mm; largura, 1.800 mm; altura, 1.620 mm. A altura livre do solo é de 200 mm e porta-malas acomoda 470 litros e inclui fundo móvel com dois compartimentos de 25 litros. As rodas de liga leve têm 19 pol.

O motor é o mesmo que equipa o Renault Kardian, de três cilindros, turbo, 999 cm3, 12 válvulas, 125 cv (E)/120 cv G), 22,4 kgf·m (E)/20,4 kgf·m (G). Consumo, homologado pelo Inmetro, de 11,7 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada com gasolina e de 8,3 km/l e 9,9 km/l, respectivamente, com etanol. O câmbio é sempre automático, seis marchas, dupla embreagem e o seletor não utiliza alavanca e sim botões no console. Suspensão dianteira McPherson e a traseira por eixo de torção, como sempre foi.

Há quatro versões: Sense, Advance, Exclusive e Platinum. A de topo é bem completa com itens de segurança, conforto e comodidade. Inclui teto solar panorâmico com abertura elétrica, ar-condicionado digital, quadro de instrumentos digital de 12,3 pol., tela multimídia também de 12,3 pol. (maior que a média deste segmento), sistema de auxílio à condução semiautônomo, alerta de tráfego transversal traseiro, assistente de centralização em faixa, monitoramento de ponto cego com intervenção e sistema de som Bose com 10 alto-falantes, inclusive nos apoios de cabeça.

Em primeira avaliação na estrada, todos os recursos de apoio ao motorista funcionaram bem, em especial o de manutenção do veículo na faixa de rodagem. Nível de ruído na cabine é baixo, porém dá para sentir certa limitação de potência do motor para lidar com uma massa total de 1.366 kg. Mesmo ao apresentar respostas boas na maioria das situações, é preciso dedicar cautela em ultrapassagem mais críticas e caso o carro esteja carregado com ocupantes e bagagem. Todavia, sem chegar a causar sustos.

O novo Nissan chegará às lojas em 3 de julho, mas a pré-vendas já começou. Os preços: R$ 164.990 (Sense), 175.990 (Advance), R$ 182.490 (Exclusive) e R$ 199.000 (Platinum). As três primeiras versões, no entanto, têm valores especiais de lançamento, respectivamente R$ 159.990, R$ 167.990 e R$ 177.990. A de topo de linha oferece um plano especial de 18 vezes com taxa zero e bônus de R$ 5.000 na troca de um veículo usado.

Balanço positivo do Festival Interlagos 2025 Automóveis

Balanço da organização apontou 125,9 mil visitantes e 27 marcas expositoras das quais 19 apresentaram 24 novidades. Área de exposição de 110.000 m², no autódromo de Interlagos, incluiu os boxes, seus mezaninos e a pista do circuito. Foram organizados cerca de 25.000 testes, contando os dias separados para automóveis e motocicletas.

Principais novidades na ordem em que foram apresentadas:

GWM

Picape média Poer P30 e o SUV grande de luxo Haval H9. A produção em Iracemápolis (SP) começa em agosto. Ambos têm motorização exclusivamente diesel de 186 cv/48,9 kgf·m, tração 4×4 e câmbio automático de nove marchas.

Honda

Civic Advanced Hybrid, sedã médio importado, teve avanços em sistemas de assistência à condução e conectividade continua como única versão do modelo que já foi fabricado no Brasil. Além do City Hatchback Touring Sport, estreou o HR-V 2026.

RAM

Novo motor Cummins V-6 turbodiesel, 6,7 L, 436 cv e 149 kgf·m e câmbio automático de 8 marchas para picapes 2500 e 3500. Mudanças também na grade, faróis de LED, lanternas e para-choque. Vendas em setembro.

BMW

Reestilização do i4 M50 com dois motores elétricos e 544 cv, novo M2 mais potente com 480 cv e M3 personalizado.

MINI

Novos modelos da família JCW (John Cooper Works), incluindo o conversível. Em breve chega a versão elétrica do hatch com 238 cv.

Fiat

Lançou Pulse e Fastback Abarth 2026 com mudanças na grade, para-choque, rodas de 18 pol. escurecidas, teto solar panorâmico elétrico, bancos redesenhados e motor turbo flex, 1,3 L, até 185 cv e 27,5 kgf·m.

Omoda/Jaecoo

Apresentou versão híbrida do Omoda 5 e lançou o SUV maior Omoda 7.

BYD

Revelou sua outra marca, Yangwang, para o nicho de supercarros de luxo. U8 é um SUV focado no desempenho fora de estrada, elétrico de 1.200 cv, alcance de 1.000 km (pelo padrão chinês) e pode até flutuar na água. O superesportivo U9, além do visual arrojado, tem quatro motores elétricos que somam impressionantes 1.305 cv.

Volvo

Estreia do novo XC60 híbrido plugável com 462 cv, grade redesenhada, rodas de 19 até 22 pol., suspensão pneumática, tela multimídia maior de 11,2 pol., além da versão Polestar Engineered. Já o elétrico EX30, na versão Cross Country, tem dois motores, 428 cv e alcance de 328 km.

Ford

Reestilização do SUV médio Territory, fabricado na China, com redesenho total da dianteira, mais alinhado à identidade global da marca. Sem mudanças no motor a gasolina e no câmbio automático de sete marchas.

Hyundai

Novo Kona Hybrid destaca o consumo de 18 km/l na cidade.

GAC

Mais nova marca chinesa, com cinco modelos: Hyptec HT, Aion Y, Aion V, GS4 híbrido e sedã Aion ES. Exibiu o Hyptec SSR, superesportivo elétrico que acelera de 0 a 100 km/h em incríveis 1,9 s.

BMW X2 xDrive 20i atrai pelo estilo moderno

Versão cupê do SUV X1 (modelo mais vendido de toda a linha da BMW entre os produzidos aqui e importados), o X2 destaca-se também pela imponência. Em particular o desenho do teto com uma caída suave e elegante, sem exageros. Além do corte vertical na altura da tampa do porta-malas, há um defletor que não fica no teto e sim na base do vidro sem função aerodinâmica. O conjunto óptico traseiro tem luzes delgadas e o para-choque recebeu extremidades robustas (meio exageradas).

Rodas de 20 pol. apresentam desenho discreto. Na dianteira a grade da marca alemã foi bem alargada e se distancia do duplo-rim tradicional com todos os elementos pintados de preto. Faróis são full-LED adaptativos e há iluminação de contorno na grade. Dimensões coerentes ao segmento médio-compacto: comprimento 4.567 mm; entre-eixos 2.692 mm; largura, 1.845 mm; altura, 1.575 mm, porta-malas, 560 L. Suspensões: McPherson, dianteira; multibraço, traseira.

Teto solar panorâmico fixo traz ótima sensação de amplitude interna. Volante é o tradicional, sem segmento reto e espessura típica de carro alemão. Quadro de instrumentos (10,4 pol.) integra-se à tela multimídia de 10,7 pol. Regulagem do ar-condicionado na tela desvia o olhar do motorista, contudo comando de voz resolve. Além da conexão sem fio para AndroidAuto e AppleCarPlay, celular fixado verticalmente para carregar por indução é prático, mas o aparelho fica exposto nestes tempos de insegurança urbana. Há bom espaço para pernas, cabeça e ombros no banco traseiro para dois adultos e uma criança.

Motor longitudinal, gasolina, 4 cilindros, turbo, 2-L, 204 cv e 30,6 kgf·m. Câmbio automatizado de dupla embreagem, sete marchas e tração integral automática. Dirigibilidade é destaque de todo BMW e o X2 mantém a regra, inclusive pelo muito conveniente diâmetro mínimo de giro (11,3 m). Durante avaliação por uma semana em uso urbano e rodoviário, a massa em ordem de marcha de 1.695 kg limitou aceleração de 0 a 100 km/h a 7,3 s. Fica dentro da média de uma marca premium, mas não é seu maior destaque.

Preço: R$ 406.950.

Coluna Fernando Calmon — Kicks, totalmente renovado, estreia novo motor e câmbio Read More »

Coluna Fernando Calmon – Vendas no varejo não vão tão bem como se esperava

Coluna Fernando Calmon nº 1.355 — 10/6/2025

Vendas no varejo não vão tão bem como se esperava

Há sete meses pela frente até o encerramento do ano e o cenário pode melhorar, mas surge alguma preocupação com o curto prazo. Ainda se desconhece como o anunciado e ainda em discussão aumento do IOF pode repercutir nas vendas de veículos leves e pesados. Juros de financiamento são afetados também pelo nível de inadimplência que, por enquanto, não preocupa muito, porém acende uma tênue luz amarela. Em maio, além de discreta elevação, prestações em atraso superior a 90 dias atingiram o maior percentual (5%, pessoa física) desde fevereiro de 2024.

Venderam-se em maio 225,7 mil veículos: 8,1% a mais que abril. A média diária de vendas subiu 3%. No acumulado desde janeiro as vendas totais (varejo e atacado) atingiram 986,1 mil unidades, elevação de 6,1%, quase o mesmo percentual de 6,3% previsto pela Anfavea para 2025. Há um aspecto que chamou a atenção do novo presidente da entidade, Igor Calvet: “Emplacamentos de veículos importados subiram 19,1% nos primeiros cinco meses do ano, enquanto os de produção nacional apenas 3,4%. As 189,8 mil unidades vendidas até maio equivalem à produção anual de algumas das fábricas aqui instaladas.”

Os importados representaram 19,2% das vendas totais no mercado brasileiro nos primeiros cinco meses. Ainda não se comparam aos 31% que os veículos vindos do exterior já ocuparam em 2011, pois na época grande parte vinha da Argentina para onde também segue a maioria das exportações brasileiras em um balanço superavitário para o País. Mudanças nos impostos encolheram as importações nos anos seguintes.

Argentina representou 24% do crescimento de veículos importados e China 27%, quando comparados janeiro a maio de 2024 e o mesmo período de 2025. Com a inauguração nas próximas semanas de instalações de duas marcas chinesas (BYD e GWM) o cenário vai se alterar, mas o conteúdo de componentes nacionais será pífio por prazo indeterminado. De qualquer forma, sempre é melhor do que importação de veículos prontos que geram empregos apenas no comércio e não na indústria.

Por outro lado, as exportações de veículos brasileiros de janeiro a maio (213,5 mil unidades) cresceram 56,6 % em relação ao mesmo período de 2024 graças à grande recuperação do mercado argentino que tem apresentado altos e baixos constantes. Os dois países têm produção complementar.

Quanto à divisão do mercado de autos e comerciais leves por tipo de motorização, nos cinco primeiros meses, praticamente nada se alterou em comparação ao mesmo período de 2024: gasolina, 4,6%; elétrico, 2,6% (2,5%, em 2024); híbrido, 3,7%; híbrido plugável, 3,6%; diesel, 10,8% e flex, 74,7%.

Bronco Sport 2025 evolui e mantém preço

Importado do México sem o imposto respectivo de 35%, o SUV médio da Ford ganhou nova grade, protetor de aço no para-choque dianteiro, alargadores de para-lamas e frisos laterais; atrás, novo para-choque e defletor no teto. O interior também recebeu melhorias: novo quadro de instrumentos digital de 12,3 pol., central multimídia com tela ampliada para 13,2 pol. e conectividade sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, bancos de couro com ajustes elétricos e memória para o motorista, volante com aquecimento e alça de apoio no console.

O Bronco Sport evoluiu na capacidade fora-de-estrada. Agregou ao controlador automático de cruzeiro a condução com um só pedal em fora de estrada, dois novos modos de atuação (Off-Road e Rally), medidores de ângulos de inclinação em tempo real e câmera 360º. Motor 2-litros turbo, gasolina manteve 253 cv e 38,7 kgf·m (houve melhorias nas curvas de potência e torque). Câmbio é automático epicíclico de oito marchas e tração 4×4.

Em primeiras impressões ao volante da versão única de topo Badlands, entre São Paulo e Cabreúva (SP), destacaram-se as respostas mais imediatas ao acelerador que favoreceram ultrapassagens e boas retomadas, além da direção eletroassistida bem calibrada nos trechos rodoviários e urbanos.

Longe do asfalto, reforçou sua vocação aventureira: encarou lama, areia e terrenos acidentados sem titubear. Altura livre do solo (220 mm), ângulos de entrada (30°), saída (26,7°) e de transposição em rampa (20°), além da capacidade de imersão de até 600 mm, aliados aos pneus todo-terreno 225/65 R17 Pirelli Scorpion demonstraram sua disposição para desafios mais radicais. Preço sem alterações (pelo dólar um pouco mais baixo): R$ 260.000.
Série especial da RS 6 Avant GT já está nas ruas

Apenas 10 unidades da station wagon (perua, como muitos chamam ou camioneta, nome correto em português) destinaram-se ao Brasil e a Audi iniciou agora a entrega do lote ao preço unitário “sugestivo” de R$ 1.999.990. Nove unidades foram vendidas em menos de dois meses, de um total de 660 fabricadas para os mercados mundiais. Dos compradores, quatro moram no Estado de São Paulo (três na ca

Coluna Fernando Calmon – Vendas no varejo não vão tão bem como se esperava Read More »

Coluna Fernando Calmon — Frota brasileira de veículos continua a envelhecer

Coluna Fernando Calmon nº 1.351 — 13/5/2025

Frota brasileira de veículos continua a envelhecer
e sem melhora à vista

 

Sindipeças tem feito um trabalho bastante pormenorizado sobre a frota efetiva de veículos no Brasil. Como costumo comentar, os dados de veículos registrados oficialmente no País divulgados pela Senatran só têm certidão de nascimento, mas não de fim de vida. Pode ser até compreensível porque exigências burocráticas dificultam a baixa oficial do número do chassi. Também no fim da vida útil de qualquer veículo é difícil que o último proprietário tenha conhecimento ou enfrente a burocracia.

Em 2024, por exemplo, a frota oficial brasileira era de 123,97 milhões de unidades, um volume muito distante da realidade, embora incluam-se motocicletas, motonetas, ciclomotores, reboques e semirreboques, entre outros. Neste cenário o Sindipeças prepara todos anos seu próprio relatório de frota circulante por meio de critérios técnicos. Estes incluem taxa de sucateamento e estimativa de perda total de veículos em acidentes de trânsito, além de abandono em desmanches. O estudo norteia o volume de peças de reposição a serem fabricadas pelos mais de 500 associados de capital nacional e estrangeiro.

A soma de autoveículos e motocicletas em 2024 alcançou 62,1 milhões de unidades (48,1 milhões e 14 milhões, respectivamente), metade do que aponta a Senatran. Depois de um período de crescimento de apenas 0,8% ao ano entre 2016 e 2023, o aumento de 2023 para 2024 foi de 2,8%, sendo 2% para autoveículos e 5,7% para motos. Automóveis e motocicletas representaram 85,4% da frota total.

Chama mais atenção o envelhecimento da frota de autoveículos novos de 0 a 5 anos que encolheu de 38,5% para 22,3% entre 2015 e 2024. Em termos absolutos de 16,5 milhões para 10,7 milhões, recuo de 35,2%. Entre os veículos acima de 16 anos de uso, a representatividade subiu de 17,6% da frota em 2015 para 23,8% em 2024. Na média, a idade dos automóveis passou de 8 anos e 10 meses em 2015 para 11 anos e 2 meses no ano passado. Na mesma situação, as motos: em 2015, 85% tinham até 10 anos, caindo para 65% no ano passado.

Uma solução infalível seria um programa de reciclagem atrelado à renovação de frota e à Inspeção Técnica Veicular, esta hoje — pelo jeito, para sempre — no limbo. Trata-se de uma pauta impopular que nenhum político parece ter visão ou coragem de implantar com consequências graves para segurança de trânsito, poluição atmosférica e economia de combustível.

Brasil tem hoje 4,4 habitantes por veículo, ainda muito atrás da Argentina (2,6) e do México (2,4). Nada mudou.

Jeep terá série especial e confirma lançamento do Avenger

Depois de 10 anos e mais de 1,3 milhão de unidades produzidas na fábrica de Goiana (PE), a Jeep decidiu comemorar com uma edição especial de 1.010 unidades do SUV compacto que chegou a liderar este segmento. O Renegade teve participação decisiva nos 9,5% que a marca chegou a conquistar antes da avalanche de produtos de todos os portes, marcas e origens (nacionais e do exterior). SUVs representam, hoje, 54% de todas as vendas de veículos leves no Brasil.

A série especial do Renegade sairá por R$ 185.990 (mesmo valor do atual topo de linha). Será facilmente reconhecida pelos apliques no capô, para-lamas (inclusive alusão ao pioneiro modelo Willys, de 1953), na coluna traseira, novas rodas de 17 pol., bordados nos encostos dos bancos dianteiros e adesivos nas soleiras das portas. Faz parte do pacote kit de mochila e camiseta em alusão ao universo off-road e numeração da série em cada modelo.

Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis América do Sul, confirmou R$ 13 bilhões para modernização de instalações e novos produtos na fábrica pernambucana de 2025 a 2030, cerca de 45% do total que o grupo investirá no Brasil. Três modelos Jeep são produzidos lá e outros três importados, além de Fiat Toro e Ram Rampage. A notícia mais aguardada: confirmação que o Jeep Avenger será o quarto produto nacionalizado, flagrado com camuflagem em testes, já a partir de 2026.

Cappellano ainda não informou em que fábrica o novo modelo (deverá ocupar espaço abaixo do Renegade) será produzido. Provavelmente em Porto Real (RJ), a unidade com maior capacidade ociosa, onde já estão C3, Aircross e Basalt. Avenger utiliza a mesma plataforma CMP destes três.

Produção, primeiro quadrimestre: a maior em seis anos

Nível de empregos na indústria é sustentado em especial pela produção. Vendas dependem do maior ou o menor avanço dos importados e as exportações ficam sujeitas aos mercados fora do País. O presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet, apesar de destacar que as 811,2 mil unidades produzidas no primeiro quadrimestre foram o melhor resultado desde 2019, mantém a previsão de crescimento de 7,8% ao final de 2025 sobre 2024. A entidade também não alterou a estimativa de aumento das vendas internas, de 6,3% em relação ao ano passado, percentual marginalmente superior aos 5% previstos pela Fenabrave.

Hoje, há 109,5 mil funcionários nas fábricas de veículos leves e pesados: 7.500 postos de trabalho novos em um ano. Boa parte deste resultado animador (crescimento de 7,3%) deve-se ao aumento das exportações em 45%, puxadas pela reviravolta do mercado argentino que importou 151% a mais de produtos brasileiros.

Em contrapartida, Calvet demonstrou preocupação com o crescimento de 18,7% das importações de janeiro a abril, enquanto modelos nacionais só avançaram 0,2% no mesmo período. Chegaram 44.137 unidades da China, aumento de 28% em relação ao mesmo período do ano passado e que representaram 6% dos emplacamentos totais no primeiro quadrimestre.

Embora ele continue a cobrar do Governo Federal a volta das alíquotas históricas do imposto de importação (I.I.) para híbridos e elétricos, parece improvável que isso aconteça. Fato é que novas marcas chinesas continuam a chegar, embaladas por carga tributária (I.I.) bastante atraente, até julho de 2026, naqueles veículos específicos. Estreante GAC, no entanto, já anunciou produção no Brasil, em Catalão (GO), em provável parceria com a HPE (Mitsubishi), ainda sem confirmação. Pormenores, no próximo dia 23.

Apesar do falatório sobre a “realidade” de aceitação de carros 100% elétricos, as estatísticas confirmam outro fato no primeiro quadrimestre. Representam apenas 2,5% do mercado, exatamente o mesmo percentual de 2024. Para os demais: gasolina, 4,8%; híbridos, 3,7%; híbridos plugáveis, 3,7%; diesel, 11% e flex, 74,4%.

Apesar de juros altos, crescimento se mantém

Estas previsões foram confirmadas por Roger Corassa, vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen, e Arnaud Mourebrun, diretor de vendas e rede da Renault, durante o Fórum AutoData Perspectivas Automóveis 2025. As vendas financiadas pelo CDC (Crédito Direto ao Consumidor) são diretamente impactadas pela taxa de juros, em torno de 30% ao ano, um dos patamares mais altos até hoje. Ainda assim, 55% dos modelos novos comercializados utilizam o CDC, percentual ainda inferior à participação histórica nas vendas, em torno de 2/3.

Estratégia das duas marcas tem sido usar seus próprios bancos para subsidiar parte dos juros e manter o crescimento dos segmentos de automóveis e comerciais leves. Corassa espera vender em ritmo acima do mercado graças ao lançamento do SUV compacto Tera, no próximo dia 25, em São Paulo (SP). Mourebrun prevê comercialização alinhada ao aumento de vendas previsto pela Fenabrave, mantido até agora em 5% sobre 2024. Este percentual foi confirmado pelo presidente da federação, Arcélio Junior, também participante do Fórum, porém poderá revisar para cima sua previsão em meados do ano.

Coluna Fernando Calmon — Frota brasileira de veículos continua a envelhecer Read More »

Coluna Fernando Calmon — Estímulos para menor consumo de combustíveis finalmente aprovados

Coluna Fernando Calmon nº 1.347 — 15/4/2025

 

Estímulos para menor consumo de combustíveis finalmente aprovados

Após demora de 10 meses, o Governo Federal finalmente assinou a regulamentação do programa Mover — Mobilidade Verde e Inovação. Trata-se de iniciativa importante para incentivar economia de combustíveis que os proprietários de veículos poderão sentir de forma paulatina. O Mover destaca-se por introduzir o conceito mais abrangente de “fonte à roda”, ou seja, controlar emissões de CO2 desde a geração de energia (elétrica ou de fonte fóssil) aos gases que saem do escapamento nos motores de combustão interna (MCI).

A meta exige grandes investimentos. Em 2031 os carros ficarão em média 12% mais econômicos, se comparados aos números de 2022. Pode parecer pouco, mas avanços nos MCI são custosos e difíceis. Dependem não apenas de turbocompressores e sim de diferentes graus de hibridização. Sem incentivos para pesquisa e desenvolvimento, os preços dos veículos iriam subir de forma imprevisível.

Especificamente em relação ao CO2, haverá redução obrigatória de 50% em 2030 sobre as emissões medidas em 2011. Incluirá a “pegada” de carbono de veículos elétricos desde a mineração de metais para baterias aos processos de produção, conceitos até agora deixados em segundo plano de forma equivocada. Neste caso, o Brasil sai à frente.

O Mover foca também em reciclagem e descarte correto de materiais. Em 2030, veículos leves deverão ter de usar 80% de material reutilizável ou reciclável. Este percentual sobe para 85% em novos projetos de modelos iniciados naquele ano.

Aspecto dos mais importantes: maior rigor em segurança passiva (estrutural) e segurança ativa (frenagem automática de emergência, câmeras 360° e alerta de mudança de faixa, entre outros). Primeiro ano de exigência será 2027, quando novos requisitos serão anunciados para 2031. Tudo isso servirá de suporte à rotulagem veicular que indicará origem de peças, níveis de segurança e eficiência energética.

Regulamentação do Mover inclui relatórios dos fabricantes sobre compromissos atendidos e enviados ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para acompanhamento e fiscalização. A assinatura foi na cerimônia do início de produção do novo Kicks 2026, em Resende (RJ), previsto chegar ao mercado até junho.

Se tudo isso se implantará plenamente — o popular “sair do papel” — ninguém sabe. Contudo, é um alento saber que o Brasil, possivelmente, não ficará para trás em projetos tão abrangentes e necessários.

Calvet presidirá Anfavea com foco em grandes desafios

Fundada há 69 anos, a Anfavea reúne hoje 26 empresas associadas (inclui máquinas agrícolas e de construção) que representam cerca de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) Industrial do Brasil ou 4% do PIB total (atualmente, 3%). Nas últimas décadas, as cinco corporações mais antigas (agora quatro) ocuparam a presidência em regime de rodízio. Em 2023, a chegada de Igor Calvet ao cargo de diretor-executivo já sinalizava mudanças. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília, Calvet é mestre e doutorando em Ciências Políticas (assim, talhado ao cargo) e no dia 15 último assumiu a presidência da Anfavea.

Em entrevista exclusiva, atribuiu queda das vendas às mudanças do perfil econômico brasileiro. “É verdade que o mercado foi de 3,8 milhões de unidades em 2012 e de quase 2,8 milhões em 2019, anterior ao início da covid-19. Podemos voltar aos 2,8 milhões talvez já este ano, contudo os carros ficaram mais tecnológicos e caros, com consumo e emissões menores, renda média diminuiu, comprador mudou hábitos e exigências rumo a modelos de maior porte e preço”, ponderou.

Sobre o pleito da Anfavea de antecipar o escalonamento do imposto de importação de 35% sobre elétricos: “Não vejo viés de insegurança jurídica. Quando da regulamentação, ninguém imaginava a importação antecipada e predatória de cerca de 60.000 veículos elétricos e híbridos, como aconteceu em apenas 12 meses. O País não pode aceitar a pilhagem do seu mercado e dos empregos.”

Ele destaca investimentos já anunciados. “O conjunto de 26 empresas associadas planeja R$ 180 bilhões até 2030. O que preocupa demais é a sombra do imposto seletivo sobre automóveis, que outros países não têm e o consumidor é quem paga.” Calvet prevê que em 2040, veículos híbridos e elétricos representarão cerca 80% das vendas internas. Mas ainda tem dificuldade de apontar o percentual reservado aos elétricos.

Anfavea e RX confirmaram, no dia 16, o 31º Salão do Automóvel para 22 a 30 de novembro próximos, de volta ao Anhembi. Terá estandes padronizados, testes abertos aos visitantes e 16 marcas participantes até agora, com viés de expansão, inclusive de associados de importadores da Abeifa.

Espanha: acessório de apoio ao triângulo de segurança

Apesar de representar um dispositivo simples e de grande ajuda para a segurança de trânsito, os tempos modernos apontam para soluções mais eficientes e práticas do que o conhecido triângulo de sinalização de emergência. Fácil de usar e muito barato, sinaliza situações de risco de acidentes ou, simplesmente, panes que imobilizam o veículo por causas mecânicas e/ou elétricas. Porém, exige certo tempo até ser retirado do porta-malas e montado, além de sujeito a ventos mais fortes, inclusive o deslocamento de ar de veículos pesados.

Como complemento ao triângulo de pré-sinalização, a Espanha desenvolveu e tornou obrigatório o dispositivo eletrônico chamado V-16 que se tornará obrigatório em todo o país a partir de primeiro de janeiro próximo (ver foto). Fixado no teto, sinaliza pane ou acidente, tem luz forte e transmite, desde que acionada, a geolocalização do veículo para os órgãos de controle e segurança de trânsito.

A luz é alimentada por bateria que deve durar um mínimo de 18 meses de uso contínuo, resistir à poeira e pingos d’água. Veículos de outros países serão isentos de multas, se não usarem o V-16. 

Audi Q6 e-tron: elétrico com desempenho e estilo atraentes

Sentimento generalizado de que carro elétrico não precisa parecer elétrico, levou a Audi a trabalhar com sucesso no estilo do Q6 e-tron. Para-lamas abaulados, balanços dianteiro e traseiro curtos, grade marcante e traseira típica da marca completam este SUV cupê. Dimensões são típicas deste segmento e garantem espaço interno generoso: comprimento, 4.771 mm; entre-eixos, 2.889; largura, 1.939 mm; altura, 1.685 mm. Porta-malas volumoso: 526 L (mais 64 L na frente).

Chama atenção, logo ao sentar no banco do motorista, a imponente tela curva do multimídia de 14,5 pol. O passageiro ao lado dispõe de outra tela (10,9 pol.) cuja visão não é compartilhada com o motorista. Além do quase indispensável teto solar panorâmico, a pedaleira de aço inox dá o tom de acabamento superior. Pacote de segurança inclui nove airbags. Já o projetor de dados no para-brisa está disponível apenas no topo de linha Performance Black juntamente com rodas de 21 pol.

Disponibiliza dois motores, um para cada eixo, 194 cv/28 kgf·m, totalizando 387 cv e 54,5 kgf·m, tração integral sob demanda e acelera de 0 a 100 km/h em 5,9 s, exatamente o que se espera deste conjunto. E nada de zumbidos de alertas a pedestres que vazam para a cabine a exemplo de outros elétricos.

Comportamento em curvas de baixa, média e alta velocidades totalmente previsível, freios passam incondicional confiança porque sua massa, como todo modelo com essa motorização, chega a 2.350 kg em ordem de marcha. Ângulos de entrada (18°) e de saída (25,7°) de acordo com fora-de-estrada de até média dificuldade.

Bateria de 100 kW·h, potência de recarga de 270 kW (DC) e alcance médio de 411 km (padrão Inmetro). Tudo dentro do padrão médio atual.

Preço: R$ 529.990.

 

Coluna Fernando Calmon — Estímulos para menor consumo de combustíveis finalmente aprovados Read More »

Coluna Fernando Calmon — Anfavea aponta risco de investimento no País encolher

Coluna Fernando Calmon nº 1.346 — 8/4/2025

Anfavea aponta risco de investimento no País encolher

A possibilidade de o Brasil perder parte dos R$ 180 bilhões até o final da década, já anunciados pelo conjunto de 26 fabricantes associados à Anfavea, é real. Foi a enfática afirmação de Márcio Leite, que encerrará seu mandato à frente da entidade no final deste mês. Engana-se quem pensa em colocar a culpa exclusivamente na reviravolta que os EUA decidiram em sua política de comércio exterior que afetará dura e amplamente o comércio mundial, todavia ainda passível de complicadas negociações. O País, aliás, é um dos menos taxados.

O executivo focou em dificuldades internas que se arrastam sem solução: atraso de um ano na regulamentação do programa de incentivos Mover do atual Governo Federal; manutenção até 2026 do cronograma de subsídio à importação de veículos elétricos e híbridos (grande maioria dos países já os cortou por inanição financeira), além da insistência deste e historicamente de outros governos em manter automóveis sob taxação extra como produto nocivo à saúde e ao meio ambiente. Leite não falou, mas se sabe que esta “perseguição” existe há décadas, somente por arrecadar muito com pouco esforço. Governos adoram isso…

Há novo pleito de marcas chinesas, não citadas por Leite, que fabricantes já instalados discordam: reduzir imposto de importação para veículos desmontados (CKD, em inglês) ou semidesmontados (SKD). Obviamente, “superchineses” descobriram que o mal falado “custo Brasil” é bem maior do que supunham e vão muito além de ônus trabalhistas. Imagine então, em um carro completo (CBU). Cinco dias antes, Arcélio Santos Jr., presidente da Fenabrave, afirmara: “Tem espaço para todos, desde que com isonomia”.

Balanço do primeiro trimestre de 2025 manteve-se positivo, sobre igual período de 2024. Vendas, 7,2% (média diária, 7,5%); produção, 8,3%; exportações, 40,6% (graças à Argentina); importações, 25,1%. Das 37,2 unidades vendidas a mais em relação aos primeiros três meses de 2024, 22,6 mil vieram de fora do país, sobretudo Argentina e China.

VW: 17 lançamentos na América do Sul de 2025 a 2029

Serão R$ 20 bilhões a serem investidos (aumento de R$ 4 bilhões), novo valor anunciado agora e decidido antes das impactantes mudanças das taxas de importação de veículos pelos EUA, mas mantidos até 2029. A VW tem três fábricas no Brasil e uma na Argentina.

Além do Tera, SUV compacto para segmento de alto volume em que a marca ainda não tinha um modelo e chega ao mercado em maio, serão lançados este ano Nivus GTS, Golf GTI e Jetta GLI. Outro destaque, para 2027, é a nova geração da picape média Amarok, produzida na Argentina com novo chassi da chinesa SAIC, sócia da VW desde 1984. Diferente da atual picape (base Ranger), fabricada na África do Sul, será desenhada por José Carlos Pavone, chefe do Centro de Estilo América do Sul, em São Bernardo do Campo (SP). O Taos argentino será transferido para o México.

Na recém-encerrada ExpoLondrina 2025, a empresa apresentou duas novidades: retorno da versão Sense no Nivus e a estreia do T- Cross Extreme, topo de linha do SUV líder geral no País. Além da pintura em cinza fosco, pela primeira vez oferecida em um VW fabricado aqui ao custo extra de R$ 3.500, há novas rodas de liga leve, detalhes em laranja no para-choque dianteiro e pacote segurança opcional ADAS 2 por R$ 4.500.

A empresa decidiu expandir presença no agronegócio ao proporcionar, em Londrina (PR), a compra do Extreme por R$ 188.990 ou 1.529 sacas de soja, na cotação de dia 3 de abril último. Essa modalidade barter (escambo) já foi utilizada no Brasil em 2021 por Fiat e Toyota, mas só esta continua a oferecer.

Renault respalda retorno ao Brasil da Geely

A Renault avançou e tornou realidade, em menos de dois meses, um acordo com a chinesa Geely, que mantém o controle de outras marcas internacionais como Volvo, Polestar, Lotus, Zeekr, Riddara, Lynk & Co e Smart (total de 14). O anúncio não incluiu compromisso imediato de produção nas instalações industriais da marca francesa em São José dos Pinhais (PR), desde dezembro de 1998. A Geely já atuou como importadora de 2014 a 2018 sem a força que tem hoje.

Entretanto, Luiz Fernando Pedrucci, SVP e CEO da Renault América Latina, deixou claro que vai além de simplesmente importar. Fabricar no Paraná está no planejamento, sem pormenorizar. Talvez a partir de 2027, acenou. Como a Geely oferece também híbridos plugáveis, de início importados, deverá ser esta a escolha. Haverá, a partir de julho próximo, 23 concessionárias da marca em 19 cidades, todas administradas pela Rede Renault. Previsão de expansão para 105 pontos com cobertura de 50% do mercado nacional.

Selecionado para estrear em julho próximo, o elétrico Geely EX5 sobressai por linhas limpas e fluidas. Interior com bom acabamento, bancos dianteiros elétricos, grande tela de 15,4 pol. e volante em formato quadrangular. A unidade exibida na prévia em São Paulo (SP) incluía teto solar panorâmico. Este SUV de porte médio destaca-se pelo espaço interno muito bom. Dimensões: 2.750 mm de entre-eixos, 4.615 mm de comprimento, 1.901 mm de largura e 1.670 mm de altura.

Motor escolhido, mais potente da linha, entrega 217 cv de potência e 32,6 kgf·m de torque. Aceleração de 0 a 100 km/h, 6,9 s. Bateria de 60,2 kW·h com alcance ainda em processo de homologação no Inmetro. Preço não revelado, contudo já levará em conta o aumento do imposto de importação (I.I.) de 18% para 25%, no próprio mês de julho. I.I. subirá para 35% (sempre existiu no Brasil como alíquota única, menos para elétricos e híbridos), em julho de 2026.

Tank 300 PHEV coloca GWM em segmento estratégico

SUVs chamados de raiz podem apresentar vendas limitadas, porém têm poder de transferir prestígio para a marca. Essa foi a escolha da GWM e o Tank 300 alcança esse objetivo. Uma opção de SUV 4×4 com real aptidão fora-de-estrada para motoristas de perfil aventureiro, além de suprir uma lacuna em segmento sem muitas opções. Um desenvolvimento específico para o mercado brasileiro, onde a marca chinesa pretende ampliar sua rede de concessionária de 100 para 130 casas até o final de 2025.

Manteve o tradicional e robusto chassi tipo escada, sem esconder inspiração de estilo mais no Defender do que no Wrangler. Toque diferente no estilo: luzes de rodagem diurna dividem os faróis. Comprimento, 4.760 mm; entre-eixos, 2.750 mm; largura, 1.930 mm; altura, 1.903 mm; porta-malas, 400 litros; tanque, 70 litros. Conjunto motriz híbrido, quatro cilindros, gasolina, turbo, 2-L, potência combinada, 394 cv, torque combinado, 76,4 kgf·m.

Câmbio automático de nove marchas e caixa de transferência com opções de tração 4×2, 4×4 em gama alta e 4×4 em reduzida. Uso de tração 4×4 só no modo híbrido, mas no total são nove modos de condução. Bateria de 37,1 kW·h para alcance de até 106 de km (padrão Inmetro). Em DC (corrente direta), este híbrido plugável permite recarga de 30% a 80% em 24 min.

Em primeira avaliação, São Paulo a Brotas (SP), mostrou desempenho muito bom com pneus de uso misto. Apesar de elevada massa total de 2.630 kg, acelera de 0 a 100 km/h em 6,8 s. Também se destacou no fora-de-estrada: bons ângulos de entrada, central e saída; seletor eletrônico de tração atuou bem em todas as trocas e opções (2H, 4H e 4L). Dá para encarar boas aventuras off-road com conforto e segurança.

Preço: R$ 330.000 (até o final deste mês).

Coluna Fernando Calmon — Anfavea aponta risco de investimento no País encolher Read More »

Rolar para cima