Poucas pessoas se lembram que, a exclusiva empresa automotiva brasileira Miura, tentou fazer um modelo mais “popular”: o Kabrio. A marca gaúcha de veículos muito sofisticados e caros para a época, entre 1984 e 1985, produziu o Kabrio, um modelo conversível que seria o modelo de entrada da Miura. A estratégia não deu certo e, em dois anos, apenas 14 unidades foram construídas.

O Kabrio foi o último modelo da marca a usar a plataforma e o conjunto mecânico da Volkswagen Brasília.
O modelo  tinha o painel do Ford Escort XR3, pois era muito comum as fabricas nacionais desses esportivos, usarem peças de veículos de produção das grandes indústrias.

 Apesar de ter uma aparência de esportivo e ser muito leve (pesava 80 quilos), o motor 1,6 refrigerado a ar de 65 cavalos de potência e torque de 12kgfm, não ajudava e o desempenho era muito fraco.  O Kabrio acelerava de 0 a 100 quilômetros por hora em eternos 23 segundos e a velocidade máxima era de apenas 135 quilômetros por hora. Hoje, por exemplo, um Fiat Mobi acelera de 0 a 100 quilômetros por hora em 14,7 segundos. A transmissão era manual de quatro marchas.

 Os freios eram a disco na dianteira e tambor na traseira, direção mecânica e a suspensão dianteira era independente com barras de torção longitudinais com estabilizador. Já a suspensão traseira era independente com semi-eixos, barra de torção e estabilizador. Ou seja, a estabilidade estava longe de ser um esportivo.

 O conversível vinha com itens de luxo para aquela  época, como rádio com toca-fitas, vidros rayban e rodas de liga leve de 14 polegadas.
O modelo gaúcho queria rivalizar com o líder dos modelos esportivos, o Puma GTC, mas não foi para a frente e depois de um ano a sua produção foi cancelada.

Uma marca de sonho

Com a proibição das importações em 1976, o mercado nacional ficou órfão de veículos mais exclusivos. Daí surgiram dezenas de pequenas fabricas de modelos esportivos e exclusivos. Já havia a maior de todas, a Puma, mas apareceram belos produtos, como o Bianco, Adamo, Squalo e a Miura. Tinham design maravilhoso e desempenho sofrível.

 A marca gaúcha Miura era uma das mais sofisticadas, inovadoras e luxuosas de todas. Com recursos limitados, as marcas recorriam á fibra de vidro para suas carcaças, motor VW a ar e peças de modelos das grandes marcas. Mas com muita criatividade e competência, alguns modelos se destacaram mundialmente pelas belas linhas, acabamento luxuosos e de bom gosto e equipamentos avançados para a época.

 Fundada em Porto Alegre-RS em 1976, a fabricante surgiu do sonho dos sócios  Aldo Besson e Itamar Gobbi, que tinham uma auto capas, inovou a indústria nacional ao equipar seus modelos com telas, painéis digitais, computadores de bordo, controle remoto e até frigobar. Mas a maior novidade daqueles tempos, em 1987, a marca lançou o Miura X 8. Foi o primeiro automóvel nacional equipado com sintetizador de voz, recurso que “interagia por voz” com o motorista. As portas também abriam por controle remoto.

A produção da Miura terminou em 1992 com abertura do mercado e a autorização de importação de verdadeiros esportivos.

Primeiro Miura
Miura
Miura X8
Miura