Coluna Fernando Calmon

Coluna Fernando Calmon – O que esperar das vendas neste segundo semestre

Coluna Fernando Calmon nº 1.263 — 8/8/23

O que esperar das vendas neste segundo semestre

O trânsito de interessados e compradores nos salões de exposições das concessionárias agora em julho, atraídos pelos descontos limitados a veículos de até R$ 120.000 oferecidos pelo Governo Federal e que se esgotaram em apenas um mês, tende a ser crescente no segundo semestre pelo que ficou demonstrado na primeira semana de agosto.

Nos primeiros sete dias deste mês a Anfavea apontou uma subida nas vendas de veículos leves e pesados de 23% em relação ao mesmo período de 2022. Trata-se de um número muito bom porque caminhões e ônibus puxaram para baixo a estatística em razão do aumento médio de preços de 20% como reflexo das novas exigências de emissões para os motores Diesel nas unidades fabricadas em 2023.

Isso não significa que o ritmo será mantido nesta e nas próximas semanas. Um fator positivo é a redução paulatina dos estoques nas fábricas e concessionárias de 33 dias em maio para 26 dias em julho. Por outro lado, ainda não está claro se as vendas estimuladas, inclusive por descontos que quase todas as marcas adicionaram ao incentivo governamental, tratou-se apenas de antecipação de compras.

A associação dos fabricantes acredita que o mercado deve fechar 2023 com crescimento na faixa entre 5% e 7% em contraste com a estimativa de 3% anunciada em janeiro. Porém, os números só serão revisados ao final do terceiro semestre deste ano, segundo indicou Márcio Leite, presidente da entidade.

O início da redução da taxa Selic por parte do Banco Central é um bom sinal. Contudo, para manter a inflação sob controle a queda terá que seguir uma trajetória gradual e em doses homeopáticas. Deve-se refletir com mais intensidade apenas em 2024. O Programa de Aceleração do Crescimento, do Governo Federal, também pode ajudar, todavia não há confiança irrestrita nos resultados.

Fator mais importante para recuperação do mercado pode ocorrer quando for aprovado pelo Congresso – acredita-se ainda neste trimestre – o novo Marco de Garantias para empréstimos em geral. A exemplo de vários outros países, o objetivo é acelerar a retomada de bens de quem se tornou inadimplente nos financiamentos, sem necessidade de judicializar o processo.

A tendência será uma redução importante dos juros do Crédito Direto ao Consumidor. Isso tornará mais baixas as prestações de quem paga em dia e aumentará a concessão dentro desta modalidade. Hoje apenas 30% dos veículos são financiados e para as vendas crescerem com vigor o patamar teria de voltar a atingir 70%.

Entretanto, isso não ocorrerá da noite para o dia. Será um procedimento gradual e possivelmente longo.

911 Turbo S Cabriolet vale cada real de R$ 1.845.000

Modelos conversíveis são muito raros de ver nas ruas e estradas brasileiras, mas este se trata de um carro especial. A começar pela combinação de cor cinza da carroceria, interior de couro claro de alta qualidade e capota de lona marrom da unidade avaliada. Não se pode afirmar que o isolamento acústico é igual ao Turbo S cupê, mas a vedação de alto nível nada deixa a desejar.

O ronco inconfundível do motor 6-cilindros horizontais opostos três a três, 650 cv e 81,6 kgf.m, está ali para relembrar que o modelo lançado no Salão de Frankfurt de 1963 (completa 60 anos em 2023 e a marca Porsche 75 anos) permanece mais vivo do que nunca.

Claro, desde então perdeu o motor arrefecido a ar que no primeiro 911 era um 2-litros aspirado de apenas 130 cv/17,8 kgf·m e agora dispõe de um 3,7-litros turbo de arrefecimento a água de mesma configuração. Só que potência e torque hoje são cerca de cinco vezes maiores. Aceleração de 0 a 100 km/h evoluiu de 9,1 s para apenas 2,9 s e a velocidade máxima de 210 km/h para 320 km/h.

Esta versão do Porsche 911 Turbo S manteve a configuração 4×4 priorizando a tração traseira, o câmbio automatizado de duas embreagens, oito marchas e a regulagem pneumática de altura da suspensão dianteira para limitar raspar em desníveis. A posição de guiar com o volante em posição quase vertical mantém a tradição da marca, assim como a chave de partida acionada pela mão esquerda.

O conjunto mostra equilíbrio em curvas impressionante, mesmo com o motor atrás do eixo traseiro. As rodas têm 20 pol. de diâmetro na frente e 21 pol. atrás (pneus 255/35, na dianteira e 315/30, na traseira). Chama ainda mais atenção a potência e precisão de freios com discos carbocerâmicos, além de pinças de 10 pistões (!) na frente e 4 pistões atrás.

Com opcionais o preço sobe para mais de R$ 2 milhões.

Evolução dos pneus cada vez mais surpreendente

Quando o Ford modelo T foi lançado em outubro de 1908 usava rodas de 21 pol. de diâmetro e pneus bem estreitos de 4,5 pol. O tempo passou, as rodas diminuíram bastante de diâmetro (Morris Mini-Minor, por exemplo, apenas 10 pol.) e agora a escalada é inversa.

Rodas de 22 pol. de diâmetro estão nos supercarros e no SUV Aston Martin DBX707, por exemplo, há opção de 23 pol. No mercado de acessórios são encontradas rodas de 24 pol. e até mais.

A Pirelli já testa pneus para 500 km/h, embora ainda sem previsão de equipar um automóvel. A evolução dos pneus tem avançado bastante, confirma Roberto Falkenstein, consultor de Tecnologias Inovativas para a América Latina, da marca italiana.

“Hoje existem pneus de construção sem emenda projetados para supercarros. Há ainda os chamados run flat bem mais seguros não apenas para altas velocidades, mas igualmente para automóveis comuns, pois continuam a rodar mesmo furados e com aviso luminoso para o motorista. Também avançam em materiais (garrafas pet recicladas e óleo de soja) na sua construção, além de borracha obtida em plantação no deserto.

“A tecnologia Cyber Tyre é outra grande conquista. O sensor do pneu coleta e transmite dados vitais para a unidade de controle eletrônico do carro e depois para o motorista. E está no horizonte a comunicação via rede 5G que fará conexão com outros veículos para antecipar problemas como poças d’água e buracos no caminho”, indica o engenheiro.

 

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Coluna Fernando Calmon – Ofensiva da Stellantis inclui três híbridos flex e um elétrico

Coluna Fernando Calmon nº 1.262 — 1/8/23

Ofensiva da Stellantis inclui três híbridos flex e um elétrico

Os rumores acabaram de se transformar em confirmação. A Stellantis fez uma escolha racional e adequada dentro de um processo que reflete a realidade do País. Decidiu adotar a hibridização com motores flex gasolina/etanol em três níveis de projeto e preço, guardando para a etapa final o modelo 100% elétrico. O desenvolvimento foi feito no País.

Tudo planejado para levar em conta o poder aquisitivo do comprador, a oferta de etanol que terá de crescer e considerando o tempo e o capital necessários para construir a infraestrutura de recarga de elétricos puros em um país de dimensões continentais.

Os três primeiros produtos a empresa chama de Bio-Hybrid, Bio-Hybrid e-DCT e Bio-Hybrid Plug-in. As plataformas físicas, obviamente sem nenhuma carroceria, foram expostas no Tech Center em Betim, MG. São previstas de início para Fiat e Jeep, embora a Stellantis não tenha informado em que marcas e modelos devem estrear.

A primeira opção substitui o motor de partida e o alternador. Vai operar com a bateria convencional de chumbo-ácido e outra de íons de lítio (menos de 1 kWh), ambas de 12 volts.

O recurso liga-desliga o motor terá operação silenciosa (semelhante ao apresentado nos Audi A4 e A5, no ano passado) e possivelmente também poderá desligar o motor abaixo de 20 km/h para economizar combustível. O acréscimo de potência será de 3 kW (4 cv), difícil de perceber no dia a dia, mas não elevará tanto o preço de venda.

Antonio Filosa, presidente da Stellantis para América do Sul, adiantou apenas que haverá dois lançamentos ao longo de 2024. Acredita-se que poderão estrear no Fiat Pulse e no Jeep Renegade.

Quanto à e-DCT deve-se aplicar aos modelos com câmbio automatizado de duas embreagens. Neste caso haverá um segundo motor elétrico de 16 kW (22 cv) totalizando 19 kW (26 cv), mas trabalhará com arquitetura elétrica de 48 V e bateria de íons de lítio de 1 kWh de capacidade.

Esse sistema, mais caro, é um híbrido verdadeiro e não o chamado híbrido “leve” da primeira opção. Deve ser reservado para o Fiat Fastback, o Jeep Renegade de topo e o Jeep Compass em 2025.

O passo mais ousado dos Bio-hybrids é o híbrido flex plugável com arquitetura elétrica de 380 V, bateria de íons de lítio de 12 kWh e cujo motor elétrico adicionará 44 kW (60 cv) ao trem de força.

A Stellantis também manteve sob sigilo a potência e o torque combinados do motor a combustão e elétrico, bem como o alcance só no modo elétrico e o alcance total. Possivelmente estará reservado ao SUV Jeep Commander. Espera-se que chegue ao mercado no final de 2025.

Também sem marcar um prazo para lançamento, a Stellantis já trabalha no quarto projeto: um modelo 100% elétrico (BEV), embora deva utilizar inicialmente arquitetura monobloco derivada de motor a combustão. É o primeiro fabricante a confirmar oficialmente esse projeto.

Sistema elétrico de 400 V, motor com potência a partir de 90 kW (122 cv) e a capacidade da bateria iniciando em 45 kWh. Só deve ficar pronto, dentro de um cronograma previsível, em 2026.

Filosa lembrou ainda o objetivo estratégico do conglomerado franco-ítalo-germano-americano para 2030. Mix de vendas de elétricos atingiria 100% na Europa, 50% nos EUA e 20% no Brasil.

Em estudo recente a consultoria brasileira Bright estimou em 8% a participação de elétricos no mercado em 2030, o que parece mais perto da realidade, salvo se o preço das baterias caírem muito.

A fabricante também desenvolveu um motor 100% a etanol e estuda lançá-lo, se houver demanda por parte de empresas que adotem políticas de governança sócio-ambiental (ESG, na sigla em inglês).

Hoje só a Toyota vende híbridos flex no Brasil (Corolla e Corolla Cross), mas com tecnologia importada do Japão.

Julho foi o melhor mês de vendas este ano

Como já se esperava, julho refletiu as vendas efetuadas em junho, mas que não houve tempo de completar o emplacamento. Foi um reflexo direto do programa de descontos patrocinados pelo Governo Federal que se esgotaram em apenas um mês.

A comercialização de veículos leves e pesados em julho, segundo os números da Fenabrave, atingiu o volume de 225.603 unidades e o total acumulado em 2023, 1.223.885 unidades. O crescimento em relação a 2022 foi de 19,04% e 11,28%, respetivamente.

O presidente da entidade, José Andreta Jr., ainda não revisou a previsão de empate com o ano passado em termos de vendas. Mas continua a trabalhar em um plano mais sustentável que independa de picos de comercialização que durem pouco tempo. Para ele é necessário mecanismos de crédito que permitam ao consumidor readquirir poder de compra.

“Estamos finalizando esse estudo e esperamos apresentá-lo ao Governo em breve”, concluiu Andreta Jr.

Seres, nova marca chinesa, estreia com produtos elétricos

O mercado de modelos elétricos no Brasil ainda não chegou a 1% no Brasil, porém concorrentes não faltam. Uma das explicações tem a ver com a isenção do pesado imposto de importação de 35%, além de outros incentivos em nível estadual e estadual e até municipal, caso da isenção do rodízio em São Paulo (SP).

Mais recentemente graças à valorização de 10% do real frente ao dólar os preços também caíram. Isso explica, em parte, a onda atual de descontos nos importados e ofertas de lançamento atraentes.

Fato é que a Seres, a marca mais jovem no mercado que foi fundada nos EUA em 2016 e depois se mudou para a China onde se aliou com a gigante de telecomunicações Huawei, desembarca aqui com produtos modernos e em parceria com dois grupos nacionais Bel Energy (São Paulo) e Holding M2 (Brasília). O primeiro produto é o SUV Seres 3, de porte do Compass e Corolla Cross.

Com desenho atual, porém de estilo mais comportado, tem motor de 120 kW (163 cv) e 300 Nm (30,6 kgf.m). A tração é traseira, o que pode agradar em termos de dirigibilidade (ainda não foi possível a avaliação dinâmica), mas o porta-malas se limita a apenas 318 litros. Acabamento é bom, porém só aceita conexão com Apple CarPlay. Recursos de segurança são os de praxe.

A comercialização será feita sem concessionárias e oficinas independentes nomeadas cuidarão da manutenção. Os representantes de venda vão criar salões de exposição em locais estratégicos. O preço definitivo é de R$ 240.000. A linha será rapidamente ampliada com outro elétrico, o Seres 5, e os híbridos M5 EVR e M7 EVR, além do híbrido plugável E5.

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Coluna Fernando Calmon — Audi, Toyota, GWM e BYD são destaques no Festival Interlagos

Coluna Fernando Calmon nº 1.260 — 18/7/23


Audi, Toyota, GWM e BYD são destaques no Festival Interlagos

Salões de automóveis estão sendo repensados ao redor do mundo. Alguns vão desaparecer ou então mudar de foco ao combinar exposição estática mais modesta com programa de avaliações abertas ao público, clientes e convidados das marcas.

Neste cenário o II Festival Interlagos, organizado pela publicação FullPower de 20 a 23 deste mês, se consolida. Além dos testes pagos no autódromo em asfalto e terra (mais de 10.000 previstos), os expositores podiam ter concessionárias no local para vendas.

Foto Gerson Borini/AE

Foi palco de lançamentos e prévias aproveitados basicamente por importadores. Teve até episódio de “espionagem” aberta, comum em salões de automóveis no exterior anos atrás, quando chineses estudavam minuciosamente os produtos ocidentais. Aqui notei uma moça de traços orientais muito interessada nos detalhes do Ora 03, da GWM. Seria alguém da BYD?

A Ford apresentou o inteiramente novo Territory com dimensões e porta-malas maiores em apresentação estática, sem mostrar o interior (estreia neste trimestre). Peugeot anunciou corte de R$ 50.000 no elétrico e-2008 até 6 de agosto (R$ 209.990). A GM indicou a chegada em meados de 2024 de um SUV elétrico com a grife RS.

Entre as principais atrações, três eram carros elétricos.

Audi e-tron GT quattro

Faz 30 anos que o inesquecível Ayrton Senna implantou a Audi no Brasil, operação assumida pela marca alemã em 2005. Nos últimos quatro anos foram lançados 40 modelos, incluídas versões.

O e-Tron GT é um sedã elétrico grande que chama atenção pelas linhas harmoniosas, os 2.889 mm de entre-eixos e os 1.413 mm de altura. Há um motor elétrico em cada eixo, gerenciados pela tração quattro com duas marchas.

A potência combinada é de 476 cv, mas chega a 530 cv com alimentação adicional temporária (overboost) e torque total de 65,3 kgf.m. Isso garante empolgante aceleração de 0 a 100 km/h em 4,1 considerando um automóvel de 2.276 kg.

Sistema elétrico de 800 V (origem Porsche, do mesmo grupo) e capacidade da bateria de 93,4 kWh permitem alcance médio de 308 km (padrão Inmetro). A recarga pode ser feita pelos dois lados do carro em até meia hora (0 a 80%) com carregador super-rápido de 150 kW.

Ao volante a posição é perfeita com o banco baixo, porém sem prejuízo da visão à frente. O óculo traseiro limita um pouco a retrovisão, contudo câmeras de alta definição de 360° tornam fácil qualquer manobra.

O teto de vidro ajuda na atmosfera a bordo e o sistema de áudio é de primeira linha (Bang & Olufsen). Andar rápido em Interlagos exige concentração, porém sem cansaço e confiança na potência de frenagem.

Preço (fora opcionais): R$ 699.990 e a partir de 1º de agosto, R$ 769.990.

Toyota GR Corolla

O primeiro lote de 44 unidades chegou ao mercado no começo deste mês. O hatch GR Corolla é um pouco mais discreto que seu concorrente direto Civic Type R e sua vistosa asa traseira. O modelo da Toyota igualmente recebeu um cuidadoso estudo aerodinâmico, em que todas as passagens de ar pela carroceria são funcionais. Outra diferença para o rival é a tração integral ajustável por um botão no console em três modos de distribuição entre as rodas dianteiras e traseiras: 60:40, 30:70 e 50:50.

O sistema 4×4 acrescenta massa ao conjunto e, apesar de distância entre-eixos 95 mm menor que o Civic, o GR (sigla de Gazoo Racing, braço de competição da Toyota) ainda pesa 34 kg a mais mesmo com a versão Circuit Edition dispondo de teto em compósito de fibra de carbono.

O modelo manteve o motor de três cilindros e 1,6 litro turbo que entrega 306 cv e 37,7 kgf.m (Type R 297 cv e 42,8 kgf.m). A Toyota informa aceleração de 0 a 100 km/h em 5,5 s: desempenho de alto nível e praticamente igual ao modelo concorrente conforme indicado pela Honda em outros mercados.

Ao acelerar em Interlagos logo se destacam três das qualidades do GR: o ronco encorpado na medida certa por meio das três saídas centrais de escapamento (nada a ver com fato de ter três cilindros), a precisão dos engates e curso da alavanca do câmbio manual de seis marchas e a possibilidade de mudar a distribuição de tração entre os eixos dianteiro e traseiro que altera de maneira desafiadora o comportamento do carro nos diferentes tipos de curvas do circuito paulistano.

A marca japonesa limitou a 99 unidades a cota total do seu hatch “quente” para o mercado brasileiro, embora a procura seja bem maior. Os preços: R$ 416.990 (Core) e R$ 461.990 (Circuit Edition).

GWM Ora 03

O hatch surpreende por suas linhas diferenciadas e atraentes com destaque para os para-lamas dianteiros com protuberâncias verticais que remetem ao Fusca. É o primeiro modelo 100% elétrico da GWM, importado da China, mas ainda sem previsão de produção local. Houve apenas exposição estática.

Lançamento oficial previsto para 26 de agosto e entregas em outubro. Interessante a estratégia de oferecer o mesmo motor (171 cv e 25,5 kgf.m) e a possibilidade de optar por bateria de 48 kWh ou 64 kWh (esta proporciona maior alcance, porém custa mais).

No Festival foi anunciada pré-reserva – R$ 9.000 de sinal – pelo banco digital Mercado Pago. Os preços estão estimados entre R$ 150.000 e R$ 200.000 e entregas a partir de outubro. O porte do Ora 03 é um pouco menor que o BYD Dolphin: comprimento, 4.254 mm; entre-eixos, 2.650 mm; largura, 1.825 mm; altura, 1.605 mm e vão livre do solo, 135 mm.

O acabamento interno apresenta materiais de primeira linha e cores contrastantes. Há uma tela contínua que abriga o quadro de instrumentos e os recursos multimídia. O banco elétrico do motorista recua automaticamente ao se abrir a porta para facilitar o acesso e retorna depois à posição prévia ajustada. Apresentação em Interlagos foi estática.

BYD Seal

O sedã-cupê de quatro portas importado da China está previsto para chegar no último trimestre do ano e impressiona por linhas fluidas. Sem dúvida é o mais bonito da marca e a estimativa de preço, não anunciada oficialmente, deve situar-se na faixa de R$ 350.000 se tiver tração apenas nas rodas traseiras.

O sedã grande Han já a venda aqui custa R$ 540.000, mas com tração 4×4, um motor em cada eixo, potência de 517 cv e 71 kgf.m (números combinados). A ficha técnica do Seal distribuída na Europa indica entre-eixos 2.920 mm; comprimento 4.800 mm; largura 1.875 mm; altura 1.460 mm. Ou seja, mesma distância entre-eixos do Han, porém um pouco mais estreito, baixo e curto.

Duas voltas no autódromo de Interlagos mostraram aceleração muito forte, freios potentes e atitude em curvas típica de um tração-integral. O banco com assento e encosto firmes lembra a escola alemã voltada para viagens em estrada menos cansativas. Porém, a enorme tela multimídia rotacional de 15,6 pol. não deixa dúvida da origem do carro.

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Coluna Fernando Calmon — Plano de incentivos fiscais ficou bem abaixo das expectativas

Coluna Fernando Calmon nº 1.259 — 11/7/23

Plano de incentivos fiscais ficou bem abaixo das expectativas

Os números de vendas em junho último e ao final do primeiro semestre (ler abaixo as estatísticas) demonstram que só vontade de acertar não é suficiente para dar um suporte crível ao mercado de veículos.

Para começar, houve uma falha de comunicação ao se insinuar a volta do “carro popular”. Comentei anteriormente que esse tipo de veículo não tinha a menor chance de ser recriado em razão de inexistirem as condições técnicas e de mercado dos anos de 1990.

Apesar de o programa federal reservar os maiores descontos aos subcompactos por sua economia de combustível, os melhores resultados ficaram com as picapes pequenas (+ 53%) e os hatches compactos (+ 20%). Subcompactos e SUVs compactos subiram apenas 5% e 11%, respectivamente.

O programa criado por Medida Provisória (MP) incluiu automóveis e comerciais leves, além de caminhões e ônibus. Dessa forma dois terços dos incentivos ficaram para segunda categoria cujos preços são muito maiores. Depois houve um reforço para a primeira categoria e ainda assim em apenas 30 dias os recursos para os estímulos se esgotaram.

Em razão da natural demora no estudo da MP houve grande retração nas vendas e acúmulo de estoques nos pátios dos fabricantes, o que obrigou a paralisação de várias linhas de montagem.

A lição que fica: é contraproducente anunciar um programa de duração tão curta, embora necessário. Afinal, com a taxação sobre veículos leves mais severa do mundo qualquer alívio compensa. Porém, por apenas um mês, perturba mais do que ajuda.

O Governo Federal já descartou outra revisão, mantendo apenas os incentivos para veículos pesados que devem durar no máximo mais três meses e sem nenhum reforço.

Neste mês de julho ainda haverá bons números a registrar porque cerca de 79.000 unidades vendidas deixaram de ser emplacadas em junho pelo acúmulo de serviços nos Detrans.

Mas tanto a Anfavea quanto a Fenabrave mantiveram as modestas previsões de crescimento em 2023 (entre 2% e zero, respectivamente, anunciadas em janeiro deste ano).

Agora as expectativas se voltam ao início de redução cadenciada da taxa básica de juros pelo Banco Central, em agosto. Haverá mais três reuniões até o fim do ano. O mercado de veículos continua altamente sensível aos custos dos financiamentos.

No entanto, o máximo que se pode desejar hoje é um feliz 2024.

Vencedores em 16 categorias no primeiro semestre do ano

Com as vendas de junho impulsionadas pelo curto programa de incentivos fiscais do Governo Federal houve reflexos no acumulado do primeiro semestre. O crescimento foi de 10% de veículos leves e pesados em relação ao mesmo período de 2022.

A normalização na produção levou o Onix de volta à liderança entre os hatches compactos. Mas o melhor desempenho foi do Polo que em apenas um ano passou de 1% para 19% no segmento graças à versão de entrada Track, deslocando o HB20 da segunda para a terceira colocação.

O Corolla chegou a uma participação recorde no histórico de classificação desta coluna desde o seu início em 1999: 81% entre 12 concorrentes. Mas também se destacaram os BMW Série 3/4 com 71% de nove concorrentes. A chegada da picape Montana afetou a ex-recordista de participação entre todos os segmentos: Strada já alcançou quase 80%, porém enfrentou um mergulho para “apenas” 57%, embora ainda lidere com folga.

Houve mais três vencedores no primeiro semestre deste ano frente ao resultado de 2022. Panamera superou o Taycan (numa “briga” em família entre os sedãs grandes da marca Porsche); Cayenne deixou para trás os BMW X5/X6; Tracker caiu para o terceiro lugar, entregando a liderança para o T-Cross que penou para superar o Creta: 13,5% de participação contra 13% do rival sul-coreano.

Criei agora mais duas categorias para acompanhar a evolução das novas tecnologias: híbridos e elétricos. Estas representam apenas 5,6% e 0,6%, respectivamente, das vendas totais de modelos leves. Corolla Cross e XC40, respectivamente, lideraram no primeiro semestre do ano.

Ranking da coluna tem critérios próprios e técnicos com classificação por silhuetas. Referência principal é distância entre eixos, além de outros parâmetros. Sedãs de topo (baixo volume) e monovolumes (oferta reduzida) ficam de fora. Base de pesquisa é o Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam). Citados apenas os modelos mais representativos (mínimo de dois) e de maior importância dentro do segmento. Compilação de Paulo Garbossa, da consultoria ADK.

Hatch subcompacto: Mobi, 53%; Kwid, 46%. Kwid avançou.

Hatch compacto: Onix, 22%; Polo, 19%; HB20/X, 17%; Argo, 16%; Yaris, 5,9% ; 208, 5,8%; C3, 5,7%; City, 3%; Sandero/Stepway, 2%. Volta a liderar o Onix.

Sedã compacto: Onix Plus, 38%; Cronos, 20%; HB20S, 10,5%; Virtus, 10,3%; City, 7%; Yaris, 6%; Versa, 4%; Logan, 1%; Ampliada a vantagem do líder.

Sedã médio-compacto: Corolla, 81%; Sentra, 8%; Jetta, 3%. Corolla avançou ainda mais.

Sedã médio-grande: BMW Série 3/4, 74%; Mercedes Classe C, 8%; Audi A5/S5/RS5, 7%. Líder incontestável.

Sedã grande: Panamera, 39%; Taycan, 32%; Han, 12%. Panamera de volta à liderança.

Esportivo: Mustang, 50%; BMW M3/M4, 40%; Challenger, 5%. Mustang manteve posição.

Esporte: 911, 57%; 718 Boxster/Cayman, 20%; F-Type, 6%. Inabalável o 911.

SUV compacto: T-Cross, 13,5%; Creta, 13%; Tracker, 12%; Renegade, 9,4%; Kicks, 9,3%; Pulse, 9,1%; Nivus, 8,8%; HR-V, 8,7%; Fastback, 7%; Duster, 5%; Tiggo 5x, 2%. Briga intensa pela liderança.

SUV médio-compacto: Compass, 46%; Corolla Cross, 32%; Taos, 10%. Compass firme.

SUV médio-grande: Commander, 29%, SW4, 19%; Tiggo 8, 10%. Líder com folga menor.

SUV grande: Cayenne, 23%; BMW X5/X6, 14%; XC90, 13%. Cayennne recupera liderança.

Picape pequena: Strada, 57%; Saveiro, 21%; Montana, 16%. Strada, líder, encolhe um pouco.

Picape média (carga 1.000 kg): Toro, 30%; Hilux, 25%; S10, 16%. Liderança mantida da Toro.

Híbridos: Corolla Cross, 19%; Corolla, 12%; Tiggo 5x, 8%.

Elétricos: XC40, 28%; Yuan Plus, 13%; C40, 9%.

 

 

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Coluna Fernando Calmon — Passado, presente e futuro em 70 anos da VW no Brasil

Coluna Fernando Calmon nº 1.258 — 4/7/23

Passado, presente e futuro em 70 anos da VW no Brasil

Ao comemorar sete décadas de atuação no Brasil a VW relembrou o início modestíssimo, em 23 de março de 1953. Apenas 12 funcionários montavam carros importados da Alemanha num galpão na rua do Manifesto, bairro paulistano do Ipiranga.

Em quatro anos produziram apenas 2.268 Fuscas e 552 Kombis. A fábrica em São Bernardo do Campo (SP) que iria se tornar a maior do Brasil em um só terreno, começou a produzir a Kombi com 50% de índice de localização em 2 de setembro de 1957. Foi a primeira instalação fabril da marca fora do país de origem.

Em 3 de janeiro de 1959 o Fusca começou a ser produzido à margem da Via Anchieta. Até 1986 foram 3,1 milhões de unidades, o que nenhum modelo no País havia alcançado até então.

Depois, mais três unidades: Taubaté (SP), em 14 de janeiro de 1976; São Carlos (SP) exclusiva para motores, em 12 de outubro de 1996 e São José dos Pinhais (PR), em 18 de janeiro de 1999. Até maio passado a VW produziu 25 milhões de unidades, das quais vendeu internamente 21 milhões e exportou 4 milhões.

Foram 34 modelos em quatro décadas, em ordem cronológica: Kombi; Fusca, VW 1600, Variant, VW 1600 TL, SP 1/SP 2, Brasília, Passat, Variant II, Gol, Voyage, Parati, Saveiro, Santana, Quantum, Apollo, Logus, Pointer, Golf (nacional), Polo, Polo Sedã, Fox, CrossFox, SpaceFox, up!, Saveiro Cabine Dupla, cross up!, Jetta (por breve tempo), Polo II, Virtus, T‑Cross, Golf GTE (importado), Nivus e Taos. Serão lançados 15 produtos (incluindo versões de modelos existentes, híbridos flex e elétricos) até 2025, dos quais sete já estão nas ruas.

A marca foi uma das primeiras a ter engenharia própria no Brasil, seguida pelo centro de desenvolvimento, pesquisa e design (1965), além de laboratórios de segurança veicular (1971), de emissões (1977), de realidade virtual e aumentada (2018). O presente está ligado ao Way to Zero Center (Centro Rumo ao Zero de emissões), inaugurado ano passado e focado em tecnologias de baixa emissão de CO2 como híbridos flex e plugáveis e mais para frente, elétricos.

O futuro começou a se delinear agora. Na festa dos 70 anos no Ginásio do Ibirapuera, na capital paulista, apresentou os elétricos SUV ID.4 e monovolume ID. Buzz inspirado no furgão Kombi original. Serão comercializados ainda neste trimestre apenas por meio de assinaturas e preços a anunciar.

A VW, na Alemanha, traçou uma meta de aumentar as vendas em 40% no Brasil até 2027. Já a penetração total de mercado dos veículos elétricos a bateria (VEB) aqui foi estimada pela matriz em cerca de 4% em 2033, o que me pareceu previsão cautelosa, mas realista. No entanto, a filial brasileira pretende crescer aqui mais rápido do que o mercado no segmento de VEB.

BYD faz aposta de peso no mercado brasileiro

 

Depois de algum mistério alimentado por vários meses, a BYD confirmou investimento de R$ 3 bilhões no município baiano de Camaçari. Os planos contemplam a produção de automóveis híbridos, numa primeira fase, e depois elétricos a bateria (data em aberto). A capacidade inicial será de 150.000 unidades ao ano (fala-se em 30.000 apenas, no primeiro ano). As primeiras unidades deixarão a linha de montagem até o final de 2024. Índice de localização deverá ser muito baixo: pouco mais do que uma operação CKD, a partir de veículos desmontados.

Persiste, no entanto, a dúvida se a BYD comprará ou não a fábrica que pertence à Ford, onde produziram-se EcoSport e Ka até janeiro de 2021. Desde o início das tratativas comentei que o acordo não tinha sido fechado e o cenário continua o mesmo. A matriz da Ford, nos EUA, é que tomará a decisão e isso implica, possivelmente, um jogo com nuances de geopolítica.

A marca chinesa, claro, tem a opção de construir novas instalações no mesmo município a partir de um greenfield (terreno desocupado). O cronograma ficaria apertado, mas podemos lembrar que a Honda construiu a fábrica de Itirapina (SP) em um ano com capacidade nominal de 120.000 unidades/ano em dois turnos. Para facilitar, o governo da Bahia cedeu o porto marítimo de Aratu, também já usado pela Ford.

Os planos do mais novo fabricante a se instalar no Brasil incluem produção de chassis para ônibus e caminhões elétricos. E ainda uma unidade para processamento de lítio e ferro fosfato, matéria-prima para baterias que atenderá o mercado externo. Nada adiantou sobre produção local de baterias.

 

Vendas em junho reagiram graças aos incentivos fiscais

 

Para o presidente da Fenabrave, José Andreta Jr, o programa de incentivos fiscais (R$ 500 milhões) da MP 1.175, que vigorou em junho e agora estendido, foi um sucesso e possibilitou às concessionárias reduzir seus estoques. “Fez bater os corações” com os clientes voltando aos salões de exposição, ele disse. Apesar dos estoques nas fábricas ainda estarem elevados, as vendas de automóveis e comerciais leves de 179.691 unidades no mês passado, representou aumento de 8% em relação a maio deste ano.

Quanto ao acumulado do primeiro semestre houve aumento de 9,76% em relação ao do ano passado. Se considerados também caminhões e ônibus o avanço sobre 2022 recua um pouco para 8,76%. Andreta também acredita que o mercado deve se manter aquecido em julho. Segundo ele, o mês pode ter quebra de recorde com o adicional de R$ 300 milhões em incentivos para automóveis de até R$ 120.000, além da liberação para compras por parte das locadoras.

Mesmo assim, a entidade mantém posição cautelosa e continua com previsão de resultados semelhantes ao do ano passado, no balanço final de 2023. Por isso não alterou as previsões feitas em janeiro deste ano. Andreta Jr não vê a elevada taxa de juros atual como um entrave forte às vendas, mas sim a redução do poder de compra dos clientes.

Para se ter um balanço mais exato, em minha opinião, é preciso ver o ritmo de queda dos juros a partir de agosto. Para manter a inflação sob controle ou pelo mesmo comportada, o Governo Federal precisa se sustentar dentro dos princípios de responsabilidade fiscal e esquecer de vez que “gasto é vida” sem controle.

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Coluna Fernando Calmon – Ram Rampage sobe o nível entre picapes médias nacionais

Coluna Fernando Calmon nº 1.256 — 20/6/23

Ram Rampage sobe o nível entre picapes médias nacionais

Como uma picape média pode ser projetada aqui a partir de outra já existente, mas com DNA próprio e ao mesmo tempo garantir relação preço-benefício competitivo? A resposta está na nova Ram Rampage (traduzido do inglês como alvoroço ou fúria) e suas qualidades intrínsecas tanto de projeto quanto de robustez.

Dá até para rir de alguns economistas acostumados a oferecer pitacos sobre o “atraso” de modelos desenvolvidos no Brasil e que usam peças de qualidade inferior.

Apesar de as quatro versões da Rampage estarem bem equipadas, em nível superior à maioria das picapes nacionais e importadas, não significa que vá disputar o segmento premium.

Atente-se a essa confusão: toda marca premium é cara, mas nem toda marca de preço elevado e repleta de equipamentos se enquadra no segmento premium.

Este é formado por produtos com inconfundível e longa tradição histórica de luxo, conforto, qualidade, exclusividade e alto desempenho.

A base monobloco da nova picape é a mesma da Fiat Toro e dos Jeep Renegade, Compass e Commander. As duas picapes têm distância entre-eixos quase igual (2.994 e 2.990 mm, respectivamente), mas o novo modelo é mais comprido, largo e alto.

A caçamba, além do maior volume (980 litros), tem tampa única com destravamento elétrico e abertura amortecida. Além de todas as linhas nem lembrarem às da Toro, o teto ficou livre das indefectíveis barras longitudinais.

Há dois motores disponíveis, ambos importados e turbos: gasolina (272 cv/40,8 kgf.m) e diesel (170 cv/38,8 kgf.m). A tração é sempre 4×4 por demanda e reduzida só na primeira marcha. Capacidade de carga: de 750 a 1.015 kg.

O interior reserva espaço apenas razoável no banco traseiro. Na frente o banco do motorista conta com regulagem elétrica em 12 direções de série, sendo opcional para o passageiro.

Entre as quatro versões, de R$ 239.990 a R$ 269.990, a R/T Hurricane 4 oferece escapamento esportivo, altura de rodagem 10 mm menor e rodas de liga leve de 19 pol. para quem curte uma tocada exigente como no teste no autódromo de Interlagos.

Em uso fora de estrada das outras versões o controle de tração está bem calibrado, direção é precisa, há bons ângulos de entrada e saída. Porém, em condições adversas, tem leve tendência a “raspar” a frente ao transpor obstáculos mais difíceis.

Eficiência energética terá maior protagonismo agora

O mundo está profundamente engajado em novas tecnologias e apostas em diferentes recursos para controlar o efeito estufa, causador da elevação da temperatura da Terra devido ao gás carbônico (CO2) acumulado na troposfera que elevará o nível dos mares, além de tornar frequentes grandes desastres naturais.

Mas é importante frisar: a comunidade científica está atenta. Com este escopo, a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) organizou semana passada, em São Paulo (SP) o Simpósio de Eficiência Energética, Emissões e Combustíveis. Reuniu 200 participantes.

Rafael Mosquim, da Unicamp, defendeu que quanto mais se postergar o processo de descarbonização, maior será o desafio. “A tendência atual de veículos maiores e potentes (SUVs) eleva o consumo energético e compromete a eficiência média da frota”, alertou.

Para ele, a taxação sobre veículos deveria ser pela emissão de CO2 e menos por cilindrada. E concluiu: “Não existe bala de prata e sim um mix de soluções adaptável a cada país.”

O consultor e CEO da Consultoria Bright, Paulo Cardamone, ressaltou o Brasil como o primeiro país a adotar o critério correto de emissões do poço (ou do campo) à roda. E a transição caminha para uma combinação de soluções para a futuro. Pelos estudos da Bright, em 2030 os elétricos representarão 7% das vendas no Brasil e 35% no mundo.

Os debates foram moderados pelo engenheiro e consultor Ricardo Abreu. Ele chamou atenção para o fato de não existir regulação perfeita e sim aquela possível, sem fixar a tecnologia e sim os objetivos.

No balanço das opiniões a eficiência energética terá que permear todas as opções entre eletricidade, hidrogênio verde, biocombustíveis e até combustíveis fósseis por meio dos híbridos fechados e plugáveis.

Civic híbrido mostra um dos caminhos a seguir

De volta ao mercado, agora importado da Tailândia, o sedã médio japonês afastou-se um pouco da sua silhueta inconfundível. As lanternas traseiras de LED em formato que lembrava um “C” de Civic da geração anterior tornaram-se discretas.

O carro cresceu 35 mm na distância entre eixos (2.730 mm), mantendo largura e altura praticamente inalteradas. A motorização híbrida (única disponível) encareceu o modelo (R$ 244.990) mesmo com o imposto de importação para híbridos e elétricos estando zerado e isso, obviamente, limita o número de interessados.

A experiência ao volante surpreende tanto pelo silêncio a bordo quanto pelo desempenho. Ao colocar o seletor do modo de condução Conforto só o motor elétrico é acionado e no trânsito urbano entrega o mesmo conforto acústico de um carro elétrico. Se precisar de acelerações fortes, basta selecionar o modo Sport e o comportamento muda completamente.

Nesta condição o motor a combustão também recarrega a bateria pequena de apenas 1,05 kWh, mas o elétrico continua a responder sozinho pelas acelerações. O câmbio automático CVT tem pequenas variações de relações, que surgem com o modo de condução Sport.

Em estradas acima de 100 km/h o motor a combustão é o protagonista, na condição em que se destaca sua eficiência. Esta combinação virtuosa entre os dois tipos de motores entrega números de consumo de combustível (só gasolina) excelentes.

No uso em rodovias, 21,8 km/l e urbano, 18,2 km/l conforme indicado pelo computador de bordo. Os dados de desempenho na avaliação o colocam em patamar bem acima de seu principal concorrente direto, o Corolla Altis Premium Hybrid. Acelerou de 0 a 100 km/h em 7,3 s, ou seja, mais rápido até que o descontinuado Civic Si turbo.

O interior destaca-se por materiais de alta qualidade e um desenho criativo das saídas do ar-condicionado sem as tradicionais grelhas. Tela do sistema multimídia poderia ser maior do que 9 pol. e espelha celulares Apple sem fio, mas exige fio para o sistema Android.

Muito boa a posição de guiar, enquanto os bancos dianteiros aliam conforto e ótima sustentação lateral.

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