Coluna Fernando Calmon

Coluna Fernando Calmon — Elétricos começam a baquear em mercados no exterior

Coluna Fernando Calmon nº 1.282 — 19/12/23

Elétricos começam a baquear em mercados no exterior

É certo que a China continua como o maior mercado de carros 100% elétricos do mundo graças aos subsídios explícitos e implícitos, além das imposições por parte do governo ditatorial. Em alguns dos grandes conglomerados urbanos chineses só se pode obter uma licença ou placas para circular se for elétrico e, eventualmente, híbrido plugável.

No continente europeu os países também oferecem bônus atraentes para quem decide adquirir um VEB (Veículo Elétrico a Bateria). As vendas vinham subindo rapidamente, mas nos últimos meses o ritmo arrefeceu.

No Reino Unido, os 24.359 VEB comercializados em novembro último representaram uma queda de 17,1% em relação ao registrado um ano antes. A participação de mercado caiu de 20,6% em 2022 para 15,6% no mês passado, de acordo com números da SMMT (sigla em inglês para Associação de Fabricantes e Concessionárias de Veículos). Algumas projeções apontam para uma recuperação em 2024, mas não há realmente certeza.

Por outro lado na Alemanha, maior mercado do continente, a VW foi a primeira a sentir uma diminuição de procura por modelos elétricos. Análises iniciais atribuíram a queda a uma inadequação dos produtos.

No entanto, a Audi anunciou agora que irá adiar o lançamento de novos elétricos em resposta à diminuição do interesse dos compradores devido aos preços elevados em relação aos carros com motor de combustão interna (MCI). Em declaração ao site Automotive News Europe, o executivo-chefe da marca alemã, Gernot Dölner, admitiu que pretende reduzir a produção para evitar pátios cheios.

Já a BMW negou peremptoriamente que deixaria de investir em MCI. O presidente da empresa, Oliver Zipse, falou da sua aversão à proibição destes motores por parte União Europeia, em 2035. Alegou que isso colocaria os fabricantes de automóveis europeus numa guerra de preços com os produtos chineses.

Os novos registros de veículos elétricos ainda crescem a um bom ritmo nos EUA, mas limitados ao mercado de marcas de luxo. Porém, segundo dados da consultoria Experian, nos segmentos de altas vendas não conseguem avançar sobre modelos a gasolina e híbridos.

Uma surpresa, agora, veio do polêmico Elon Musk, o homem mais rico do planeta, dono da Tesla e de outros grandes negócios inclusive aeroespaciais. Ele afirmou que os alertas sobre mudanças climáticas são exagerados em curto prazo, embora repetisse que se considerava um ambientalista. Segundo o sul-africano naturalizado americano e canadense, maior produtor de carros elétricos do mundo, “petróleo e gás não podem ser demonizados”.

Difícil é saber exatamente o que ele considera “curto prazo”.

Ranger Raptor tem proposta marcantemente superior

A superespecialização chegou às picapes e a Ranger Raptor é o melhor exemplo. Importada da Tailândia, ocupa um nicho muito específico de mercado, inclusive por seu preço para bem poucos: R$ 446.800.

Em um primeiro contato no campo de provas da Ford, em Tatuí (SP), logo se destacou pela aceleração vigorosa e o ronco que ecoa do motor. Estabilidade muito boa, apesar dos pneus de perfil alto (285/70R17 A/T General Grabber) indicados para uso fora de estrada. Há molas helicoidais na traseira, além de maiores bitolas e cursos das suspensões dianteira e traseira. Os amortecedores são ativos da marca Fox.

Motor é um V-6, 3-L, gasolina, biturbo, 397 cv e 59,5 kgf·m. O câmbio automático epicíclico de 10 marchas ganhou desenvolvimento específico para a linha Raptor. Desempenho declarado de 0 a 100 km/h em 5,8 s, bem além de qualquer picape. Velocidade máxima é limitada eletronicamente em 180 km/h. O modo esportivo é selecionável no console.

Nos trechos fora de estrada demonstrou aptidão acima da média, em baixa e alta velocidade. Além do controle de tração bem calibrado, há cinco modos de terreno: escorregadio, lama, areia, pedregulho e baja. Neste último, para alto desempenho, o controle de estabilidade é desabilitado e aceita entrada de curvas no modo pêndulo típicas de ralis. O botão “R” no volante (modo Raptor) permite personalização para cada um dos itens separadamente: amortecedores, direção e escapamento.

Capacidade de vau (transpor alagados) é de até 850 mm, 50 mm a mais do que as outras versões da Ranger. Ângulos: de entrada, 32°; de saída, 27° e central, 24°. A facilidade com que as suspensões absorverem saltos reais é impressionante, com ótimo trabalho dos amortecedores ativos.

Tudo isso sem esquecer do bom comportamento em ambiente urbano e rodoviário, simuláveis também no campo de provas.

Melhorou segurança ativa da Hilux SRX Plus

Apesar de manter uma posição confortável na liderança entre picapes médias tradicionais – aquelas com carroceria sobre chassi de longarinas, também conhecido como chassi tipo escada – a Hilux apresentava algumas deficiências quando submetida a exigências rigorosas. Embora sem tanta repercussão no Brasil não se deu tão bem quando testada no exterior, no famoso Teste do Alce, em que chegou a retirar rodas do chão quando provocada a fazer desvio brusco de trajetória. Modelos de outras marcas passaram sem problemas.

As mudanças incluem alargamento das bitolas em 155 mm na traseira e 140 mm na dianteira com novo posicionamento de amortecedores e molas na dianteira; amortecedores traseiros externos ao chassi; barra antirrolagem também no eixo traseiro; aumento do vão livre em 20 mm o que melhorou ângulos de ataque e saída; freios a disco ventilado no eixo traseiro.

Esteticamente a SRX Plus ganhou extensões maiores de para-lamas (em razão do aumento das bitolas) e uma barra entre caçamba e cabine com formato aerodinâmico para diminuir ruído. Motorização Diesel não mudou (2,8 L, 16 V,  204 cv, 50,9 kgf·m), nem o câmbio automático de seis marchas e o bloqueio eletromecânico do diferencial traseiro.

Pacote ADAS (sigla em inglês para Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista) inclui, entre outros, alertas de mudança de faixa e de pré-colisão, assistentes de partida em subida e de descida e controle de cruzeiro adaptativo.

Em um primeiro contato com a picape destaques para menos ruído a bordo e suspensões ligeiramente melhores em termos de conforto de marcha. Preço: R$ 334.890.

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*A todos os leitores(as) feliz Natal e um ano de 2024 turbinado. É tempo de dar uma parada e volto ao volante na segunda semana de janeiro.

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Coluna Fernando Calmon — Nissan acompanha Renault e aumenta aposta no País

Coluna Fernando Calmon nº 1.276 — 7/11/23

Nissan acompanha Renault e aumenta aposta no País

Pela primeira vez o presidente mundial da Nissan, Makoto Uchida, visita o Brasil e veio com o bolso cheio. Anunciou investimento de até R$ 2,8 bilhões na fábrica de Resende (RJ), ou seja, R$ 1,5 bilhão a mais que o previsto. O executivo japonês incluiu a produção de dois novos modelos, ambos SUVs, sem esconder que o primeiro deles será a nova geração do compacto Kicks. Este modelo está mesmo próximo ao fim de seu ciclo normal de vida e será substituído logo no início de 2025.

Ainda em 2025 deve chegar também o segundo produto, contudo Uchida não o revelou. A possibilidade recai sobre o já muito especulado SUV subcompacto Juke, cuja nova geração está prevista justamente para aquele ano na Europa. É um modelo de linhas audaciosas que chamam atenção por onde passa, mas poderá sofrer modificações para a região Américas.

O investimento inclui um novo motor turbo para os dois modelos em Resende (RJ), sem informações adicionais. Mas, tudo indica que será o mesmo motor turbo flex de 1-litro, três-cilindros que a Renault, sócia na aliança franco-nipônica, produzirá em São José dos Pinhais (PR).

A marca francesa já anunciou a produção no Brasil do SUV Kardian e uma futura picape. A construção monobloco será partilhada com a Nissan, embora a empresa japonesa faça algumas modificações no novo Kicks. Outro investimento recente foi a transferência de São Paulo para São José dos Pinhais (PR) do seu centro de projetos e estilo para América Latina. As instalações foram ampliadas e integradas às três outras semelhantes da Renault no mundo.

Outubro: bom mês para as vendas, puxadas pelas locadoras

Crescimento de 10,2% frente a setembro último e de 20,4% em relação a outubro do ano passado apontam para um ano de 2023 que começou lento, teve uma breve recuperação com o corte provisório de impostos em meados do ano, uma pequena retração em setembro e deve fechar 2023 com avanço de 6% sobre 2022.

No acumulado de janeiro a outubro, as vendas de veículos leves e pesados cresceram 9,7%, mas segundo a Anfavea a base comparativa ao final de 2023 deve recuar, pois os dois últimos meses do ano passado foram de resultados bem acima da média.

De janeiro a outubro deste ano foram comercializados 1,847 milhão de veículos leves e pesados. As vendas diretas (a maior parte para locadoras) responderam por 51% do total. Os estoques em concessionárias e nas fábricas totalizaram 36 dias, um a menos que em setembro. A média de vendas diárias em outubro foi de 10,4 mil unidades, perdendo apenas para as 10,7 mil unidades de julho.

Produção nos 10 primeiros meses do ano (o que realmente garante os empregos) diminuiu 0,6% e alcançou 1,951 milhão de unidades, números modestos pela combinação de dois fatores: aumento de importações e queda nas exportações.

As vendas de veículos elétricos subiram 30% em outubro em comparação a setembro e acumularam 10.069 unidades nos 10 primeiros meses de 2023. Entretanto, estes representaram apenas 0,6% do total comercializado no ano contra 2,6% de gasolina, 3,3% de híbridos, 10% de diesel e 83,5% de motores flex.

Veto parcial ao Marco de Garantias inibe queda de juros

A evolução que se esperava com o novo Marco Legal de Garantias acabou praticamente eliminada. A lei foi aprovada no Congresso, porém recebeu veto do presidente da República no ponto essencial: retomada do bem financiado e não pago por meio de processo extrajudicial. Hoje, faz-se necessário iniciar todo um longo procedimento na Justiça e muitas vezes o veículo deixa de ser recuperado ou, quando acontece, já está deteriorado.

No cenário atual apenas 20% do total de unidades financiadas em inadimplência (mais de 90 dias de atraso das prestações) voltam para os credores. “Quem mais sofre, com esse veto, são os consumidores que enfrentam restrições na aprovação de fichas cadastrais”, alertou José Andretta Jr., presidente da Fenabrave.

Outro reflexo dessa falta de visão é anular a tendência natural de diminuir as taxas de juros do Crédito Direto ao Consumidor, caso fosse possível tornar mais ágil a retomada do bem. Isso não aconteceria em curto prazo, mas a experiência internacional mostra que este objetivo foi alcançado.

O Congresso ainda pode derrubar o veto presidencial, no entanto depende de negociações políticas.

Com preço ainda alto, Kona é um bom elétrico

Importado pela Grupo Caoa, o Hyundai Kona está defasado em relação ao novo modelo disponível no exterior. O preço também não ajuda – R$ 219.990 – apesar de ter recebido um corte de R$ 70.000, depois que as marcas chinesas passaram a oferecer aqui modelos elétricos a preços que, na Europa, geraram reações e ameaça de sobretaxas.

Este crossover, no entanto, é bem agradável de dirigir. Seus 4.205 mm de comprimento permitem achar vagas para estacionar sem dificuldade. Os 2.600 mm de entre-eixos garantem bom espaço para pernas, contudo passageiros mais altos atrás roçam a cabeça no teto. Volante é igual ao do HB20 e central multimídia de 10,25 pol., a mesma do Creta. Espaço para bagagem deveria ser maior do que os 332 litros.

Acelerações são razoáveis, mas com potência de apenas 136 cv não chegam a emocionar: 0 a 100 km/h em 9,9 s. A regeneração em desacelerações e frenagens tem ajuste automático e também manual por aletas atrás do volante. O fabricante optou por uma bateria de menor capacidade (39,2 kW·h) para diminuir a massa do carro e conseguir – artificialmente – recarga mais rápida (47 minutos em carregador de 50 kW). Entretanto, essa escolha limita o alcance médio a apenas 252 km (padrão Inmetro).

Q3 especial antecipa os 30 anos da Audi no Brasil

Os planos para 2024, quando a Audi comemora 30 anos do início da produção na fábrica de São José dos Pinhais (PR), incluem a icônica camioneta RS6 Avant, no primeiro semestre e o elétrico Q6 e-tron, no segundo semestre. A empresa, porém, antecipou agora em novembro as séries especiais Anniversary Edition comemorativas dos dois produtos que saem da fábrica paranaense em regime de montagem SKD: Q3 e Q3 Sportback.

Serão apenas 50 unidades de cada versão com preços, respectivamente, de R$ 372.990 e R$ 392.990.

A parte mecânica não mudou (gasolina; 2-L turbo; 231 cv; 34,7 kgf·m) e tração integral quattro sob demanda. Externamente caracteriza-se pela pintura de toda a carroceria na mesma cor, mas reservando o preto brilhante para as carcaças dos espelhos retrovisores e moldura da grade do radiador. Os iniciados em Audi percebem as sutilezas.

Em um roteiro de 460 km (São Paulo-São Bento do Sapucaí, ida e volta) o Q3 confirmou suas qualidades dinâmicas tanto na estrada quanto em trechos off-road, sempre entregando respostas rápidas do acelerador e do câmbio automático epicíclico de oito marchas. Em estradas de terra é preciso lembrar dos pneus de perfil baixo 40, mais vulneráveis a pedras e buracos. O Q3 acelera de 0 a 100 km/h em 7 s.

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Coluna Fernando Calmon – Volta do seguro obrigatório não pode ser mais adiada

Coluna Fernando Calmon nº 1.275 — 31/10/23

 

Volta do seguro obrigatório não pode ser mais adiada

Faltam apenas 60 dias para o Governo Federal regulamentar e autorizar a volta da cobrança do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), criado em 1974. O assunto é espinhoso depois que a Seguradora Líder, um consórcio de empresas do setor, decidiu se autodissolver em 2020.

Tudo começou com a diminuição gradual do preço do chamado seguro obrigatório (prêmio, no jargão próprio) que caiu de R$ 105,65 em 2016 para simbólicos R$ 5,21 em 2020, no caso de automóveis.

Entre 2021 e 2023 o prêmio foi zerado para automóveis e uma solução precisa ser encontrada até 31 de dezembro próximo. Sempre se deve lembrar que o chamado Seguro Obrigatório, além de sua função de indenizar vítimas de acidentes de trânsito, impede o licenciamento a cada ano, caso deixe de ser pago pelo proprietário do veículo.

Trata-se de um seguro de grande importância social e econômica por amparar vítimas de acidentes de trânsito, em especial pedestres, independentemente de culpa. Os valores indenizatórios estão congelados há 17 anos e, por consequência, hoje são quase desprezíveis: R$ 13.500 em caso de óbito ou invalidez permanente e R$ 2.700 para despesas médicas e hospitalares.

Atualmente o sistema é gerido pela Caixa Econômica Federal, mas em 31 de dezembro próximo algo precisa acontecer para que o DPVAT (ou outro nome) continue a vigorar de 2024 em diante. Em audiência pública no último dia 17 na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), a matéria foi debatida.

O assunto está afeto ao Ministério da Fazenda. Patrícia Menezes, diretora jurídica do Centro de Defesa das Vítimas do Trânsito, foi enfática, de acordo com a Agência Câmara de Notícias: “Fomos convidados para dar sugestões. Cadê o fundo? O valor? Nós não sabemos quanto tem, onde tem. Precisamos de transparência, ter a real noção para que seja feita, de maneira urgente, a manutenção do seguro DPVAT.”

Somente a atualização pelos 40 salários mínimos, válidos em 2007, as indenizações acima subiriam para R$ 52,8 mil e R$ 10.560,00, respectivamente. Prepare-se porque o valor do novo prêmio deve arder no seu bolso.

Dirigibilidade: fator que diferencia o Honda ZR-V

Colocado estrategicamente em termos de porte entre o HR-V e o futuro CR-V (chega em janeiro próximo), a Honda aposta que o ZR-V vindo do México, sem imposto de importação, reúne potencial de vender 1.000 unidades por mês. O preço em versão única Touring de R$ 214.500 o torna menos competitivo frente a concorrentes diretos não híbridos como Compass, Corolla Cross, Taos e Tiggo 8, porém todos os itens de segurança, conforto e comodidade são de série.

Visto ao vivo é mais atraente do que em foto ou vídeo, em particular caimento do teto, capô longo e conjuntos ópticos dianteiro e traseiro. Por dentro, surpreende a ótima posição ao volante típica de hatches e sedãs, fugindo da mesmice dos SUVs. Do Civic herdou as saídas do ar-condicionado do tipo colmeia elegantes e eficientes, sem deixar de lado as saídas pelo assoalho para passageiros do banco traseiro. Há oito porta-objetos e até local para laptop.

O console central tem desenho fora do convencional e agradável, bem como as laterais de portas. Tela multimídia de 9 pol. está bem posicionada com apoio para os dedos que facilita o manuseio com o carro em movimento. Pode recarregar até seis celulares: por indução e por cinco portas USB. Há bom espaço atrás também para pernas, cabeças e ombros, mas o porta-malas de 389 litros perde para os principais rivais.

Um ponto alto do ZR-V é o comportamento dinâmico, em retas e curvas. O motor de 2 L, gasolina, 161 cv e 19,1 kgf·m tem desempenho bastante razoável, consideradas as limitações do câmbio CVT de sete marchas. No trecho de avaliação entre São Paulo (SP) e São Roque (SP), os 1.446 kg de massa não atrapalharam ultrapassagens e os quatro freios a disco mostraram precisão e eficiência.

OICA escolheu o Brasil para seu encontro anual

Pela primeira vez a Oica (Organização Internacional de Fabricantes de Autoveículos, na sigla em francês) trouxe sua conferência anual para o Brasil. A reunião em São Paulo (SP), realizada pela Anfavea, contou com 14 dos 36 membros que formam a entidade sediada em Paris, França e fundada em 1919. Quase a totalidade dos 90 milhões de veículos leves e pesados em produção hoje no mundo é de responsabilidade dos filiados desta organização setorial.

O presidente da Oica, o americano John Bozzella, não se furtou em comentar os desafios que as marcas ocidentais enfrentam para acelerar a fabricação de veículos elétricos. Em declarações ao site Automotive Business ele admitiu que fabricantes do Ocidente reconhecem, hoje, problemas técnicos e financeiros superiores aos que se imaginavam inicialmente.

Segundo Bozzella, a situação econômica tanto na Europa quanto nos EUA com inflação e taxas de juros altas tornou os consumidores de veículos mais reticentes em abraçar uma transição que trouxe preços maiores e, inesperadamente, uma competição ferrenha vinda principalmente da China.

Fiat Sportback Abarth acerta na proposta esportiva

Desta vez, nada de mera maquiagem decorativa, rodas maiores, algumas faixas na carroceria e estamos conversados. O Sportback Abarth recebeu tratamento apurado de engenharia e esportividade. Ajudou o fato deste SUV dispensar barras de enfeite no teto e receber uma imperceptível, porém válida redução de 5 mm na altura de rodagem, além de um discreto defletor sobre a tampa do porta-malas.

Mais interessante ainda é que o motor flex 1,3 turbo manteve os mesmos números de potência – 185 cv (E)/180 cv (G) – e torque – 27,5 kgf·m – do Pulse Abarth de menores massa e dimensões, porém ainda assim acelera de 0 a 100 km/h em 7,6 s, exatamente o mesmo tempo. Se a comparação for com o Fastback de motor igual, a versão Abarth é meio segundo mais rápida.

Há uma série de pormenores incrementais que explicam: rodas mais leves, pneus de maior aderência, recalibração do sistema de injeção direta de combustível, uso da tecla “Poison” no raio direito do volante e escapamento duplo bilateral. Durante a avaliação no Autódromo Capuava, em Indaiatuba (SP), transmite a sensação de que se pode acelerar mais a cada volta. A direção é um pouco mais rápida com ótimo resultado (relação 14,5:1 contra 15:1), mediante braços de direção mais curtos, pois caixa em si não mudou.

Apesar dos freios a tambor nas rodas traseiras, a proposta coerente indicaria discos, mas o preço subiria. Da mesma forma, ideal seriam seis airbags em vez dos quatro do projeto original. Esta versão de topo custa R$ 159.990,00.

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Coluna Fernando Calmon — Motoristas ainda não se sentem à vontade com automação ao dirigir

Coluna Fernando Calmon nº 1.273 — 17/10/23

Motoristas ainda não se sentem à vontade com automação ao dirigir

O alerta vem de uma grande pesquisa recente feita nos EUA pela J. D. Power. Na realidade, quem está ao volante nem sempre consegue dominar o significado exato de cada um dos Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista (ADAS, na sigla em inglês) e, portanto, não tira proveito destes recursos em sua totalidade ou sentem algum grau de insegurança no seu funcionamento.

De fato, constatou-se que os consumidores estão atrasados ​​na compreensão e preparação para níveis superiores de automação. Ou, por outra visão, a indústria automobilística está se adiantando ao oferecer muitos recursos, alguns até bem caros, sem que os clientes finais tenham absorvido o modo certo de entendê-los e operá-los. São muitas as siglas que descrevem até com palavras pomposas o que, de fato, oferecem.

Motoristas receptivos ao aprendizado são de gerações mais novas. A pesquisa apontou as fontes de informação: manual do proprietário (32%), pesquisa on-line (27%) e explicação na concessionária (26%). O restante procura se informar por conta própria e interação com o ADAS.

O resumo do sentimento de muito dos entrevistados aparece nessa declaração: “Não estou pronto para confiar minha vida a um veículo totalmente automatizado. Preciso de tempo para confiar nas capacidades do sistema.”

Segundo Bryan Reimer, cientista pesquisador do Centro de Transporte e Logística do instituto tecnológico MIT, alguns dos recursos altamente automatizados permanecem em fase de evolução e teste. Há problemas e limitações sendo encontrados – e corrigidos.

Para ele, “quanto mais cedo os consumidores reconhecerem que podem aproveitar hoje uma série de funcionalidades ADAS para ajudar o seu comportamento ao volante, mantendo ao mesmo tempo a responsabilidade ao guiar, rapidamente se chegará a um futuro em que daremos prioridade a escolhas de mobilidade segura, convenientes e sustentáveis proporcionadas por veículos altamente automatizados.”

Então, se você se considera um ser um pouco inferior por não compreender bem o funcionamento de algumas destas soluções, não se preocupe. Com o tempo a confiança aumentará e estará integrada a todo o ecossistema de segurança ativa que tem muito a oferecer.

Mustang Mach-E acelera de verdade e como poucos

Primeiro modelo elétrico a bateria importado pela Ford, o Mustang Mach-E exibe alguns superlativos. O mais atraente é a aceleração de 0 a 100 km/ em apenas 3,7 s, apesar de sua massa em ordem de marcha de nada menos que 2.281 kg. Seus dois motores (um em cada eixo) entregam 487 cv e 87,7 kgf·m, com tração naturalmente integral. E, curiosamente, cada cv “custa” quase exatos R$ 1.000, totalizando R$ 486.000 para a versão única GT Performance.

Suas linhas são típicas de um crossover, mais precisamente um SUV cupê, com referências claras ao Mustang de motor a combustão como indicam o capô longo e o desenho das lanternas traseiras. Também chama atenção a ausência de maçanetas convencionais: basta apertar um botão para acessar o interior. Este se destaca pelo espaço interno (entre-eixos de confortáveis 2.984 mm), quadro de instrumentos de 10,2 pol., tela multimídia vertical de 15,3 pol. (com botão para controle de volume), seis portas USB tipos A e C, sistema premium de som (B&O) e freio de estacionamento eletromecânico com função de autoimobilização nas paradas.

Outros destaques são teto solar de grandes dimensões com revestimento termorreflexivo, nove airbags (um deles o providencial entre os bancos dianteiros para evitar que um ocupante lesione o que está ao lado num colisão lateral), quatro modos de condução e dois porta-malas (traseiro de 402 litros e o dianteiro de 140 litros, este lavável e drenável), rodas de 20 pol. com pneus 245/45 R 20, freios Brembo, amortecedores com variação de carga magnética, quatro modos de condução, perfeita distribuição de massa (50% em cada eixo) e vão livre do solo de 200 mm.

A bateria de 91 kW·h permite o alcance médio de 379 km no padrão Inmetro. Tempo de recarga entre 11 e 14 horas.

Japão e Coreia do Sul vão devagar com os elétricos

Outro dia recebi uma informação de uma empresa entusiasmada com a participação de carros elétricos no mercado brasileiro: “mais que tendência já é uma realidade”. Fico pensando sobre percepção elástica da realidade. Apesar de com frequência abordar este assunto, além de seguir de perto os lançamentos e avaliações ao volante, deve-se reconhecer que ainda falta muito para a tendência se transformar em vendas.

Razões são sobejamente conhecidas: preço muito alto que começa a cair com as ofertas de marcas chinesas, alcance limitado fora dos perímetros urbanos, tempos de recarga longos e uma rede incipiente de eletropostos. Também jogam contra o poder aquisitivo limitado dos brasileiros e a extensão territorial do País por exigir ampliação dos atuais e estimados 3.000 locais de recarregamento de baterias para no mínimo 80.000.

Por todos os motivos citados não chega a ser exatamente uma surpresa que a participação de modelos 100% elétricos no País representem apenas 0,6% das vendas de automóveis e veículos comerciais leves até o mês passado.

Porém, em nações de alto poder aquisitivo com ampla oferta de modelos de todos tipos e plenas condições de implantar uma malha de recarga por terem extensão territorial minúscula em comparação ao Brasil, essa participação poderia ser muito maior. Para ter certeza, solicitei à consultoria JATO Dynamics informações sobre Japão e Coreia do Sul.

No fundo, não me surpreendi pelos dados coletados de vendas entre janeiro e agosto deste ano. No Japão apenas 2,2% dos veículos leves eram 100% elétricos a bateria e outros 5,3% tinham tração elétrica, mas com motor a combustão como extensor de alcance. Modelos 100% a combustão representavam 51% e híbridos 41,5%. Números semelhantes na Coreia do Sul: apenas 7% eram elétricos, 67% a combustão e 26% híbridos.

Em proporção os percentuais frente ao Brasil podem ser até 10 vezes maiores, porém ainda muito distantes do cenário na China onde um quarto das vendas são de elétricos por razões estratégicas e forte suporte financeiro governamental.

Aliás, não canso de repetir sobre os elétricos: rumo certo, ritmo incerto.

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Coluna Fernando Calmon  — Primeiro-ministro inglês quer frear expansão do limite de 30 km/h

Coluna Fernando Calmon nº 1.271 — 3/10/23

Primeiro-ministro inglês quer frear expansão do limite de 30 km/h

 

A Grã-Bretanha tem grande tradição na difusão do automóvel como meio de transporte, mas no começo de sua história o cenário era completamente oposto. Foi lá que surgiu, em 1862, a Lei da Bandeira Vermelha.

Os primeiros arremedos de veículos autopropelidos só podiam ser circulares precedidos de um homem a pé com a sinalização da bandeira (algumas fontes dizem que também soprando uma corneta). Isso não mudou nem a partir de 1886 com o primeiro carro, um triciclo, patenteado por Karl Benz na Alemanha. A lei citada só foi revogada em 1896.

Chegando a 2023, avançando em todo o Reino Unido a introdução de zonas onde o limite de velocidade é de 20 milhas/hora (32 km/h). Isso ocorre em bairros de baixo tráfego, mas de forma excessiva. Por isso, o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, defendeu um freio para a expansão desenfreada dessas zonas em clara abertura para conquistar votos de eleitores.

Segundo a revista Autocar, o Automóvel Clube Real (RAC, na sigla em inglês) defendeu o limite de 32 km/h onde este é mais necessário. Porém, ressalvou que a implantação generalizada pode prolongar desnecessariamente os tempos de viagem, desacelerar o tráfego e até aumentar os congestionamentos.

Estas medidas anticarros, de fato, vêm-se expandindo de forma irracional. Por exemplo em São Paulo, onde o limite de 50 km/h está praticamente em toda a cidade, salvo as vias expressas marginais (90 km/h).

Mesmo nas avenidas o limite anterior de 70 km/h foi revogado. Nos municípios vizinhos a velocidade permitida nas avenidas é de 60 km/he nem por isso há mais acidentes.

No entanto, os motoristas paulistanos (e de outras procedências) foram surpreendidos por zonas de 40 km/h que surgem do nada e sinalizadas por placas que podem passar despercebidas. Será que quem cuida do trânsito no País poderia seguir os ingleses e adotar medidas mais racionais e menos exageradas?

Fenabrave revisão para cima as vendas em 2023

Os bons resultados de vendas no mês de setembro nos segmentos de veículos leves e pesados ​​levaram a Fenabrave a revisão para cima suas variações para o fechamento deste ano: crescimento de 5,6% sobre os números de 2022.

No início do ano a federação das consultorias se mostraram cautelosas e estimativas de crescimento zero em 2023. Em razão de menos dias úteis em setembro antes de agosto, as vendas chegaram a cair 4,8%, mas a média diária cresceu para 9.372 unidades, um bom resultado.

De acordo com José Andreta Jr, presidente da Fenabrave, este ano deve fechar com cerca de 2,2 milhões de unidades comercializadas. O único segmento a se retroceder será o de caminhões em função do aumento de preços nos novos motores Diesel, agora menos poluentes.

A entidade sugeriu ao Governo Federal que um corte nos impostos não teria reflexo na arrecadação tributária, pois o mercado é bastante sensível a uma queda de preços e consequente avanço no marketing, como demonstrado em meados deste ano.

A Bright Consulting também melhorou a sua projeção para 2023. A consultoria foca somente em automóveis e comerciais leves, tendo revisado para cima seus números: de 2,069 milhões de unidades para 2,125 milhões. Para o chefe executivo da empresa, Paulo Cardamone, o ritmo de emplacamentos não deverá atrasar nos próximos meses.

Outra referência positiva é no mercado de veículos usados. Segundo a Fenauto, o volume comercializado nos nove primeiros meses deste ano cresceu 8,8% em ocorrência ao mesmo período de 2022.

Metas para fabricação de energia elétrica não serão alcançadas

 Já faz tempo que defende uma previsão cautelosa sobre o avanço global dos carros elétricos. Não há dúvida de que o boato está certo, porém o ritmo é incerto. Uma pesquisa mundial que acaba de ser revelada pela Automotive Manufacturing Solutions e pela ABB Robotics apontou: metas obrigatórias de abandono total da produção de veículos com motores a combustão, a partir de 2035, não são viáveis.

Foram ouvidos cerca de 600 entrevistados ao redor do mundo entre fabricantes de veículos e de componentes, empresas de engenharia de ponta e especialistas em vários níveis de gerenciamento.

Quase 60% dos entrevistados destacaram as maiores dificuldades: investimentos muito altos para a transição, deficiência de materiais primários, organização da cadeia de suprimentos para baterias, infraestrutura de recarga a ampliar e capacidade insuficiente da rede elétrica em muitas das instalações atuais.

Muitos dos que responderam também chamaram a atenção para o elevado preço dos veículos elétricos e a necessidade de aumentar ainda mais capilaridade e potência dos carregadores públicos ou privados.

Deve-se notar que outras dificuldades ainda estão por serem resolvidas em alta escala, como desmonte e reciclagem das baterias, além de programação da chamada segunda vida. Fora tudo isso, dois terços da energia elétrica gerada hoje no mundo resultam de fontes fósseis que emitem CO 2 responsável pela temperatura do planeta.

 Sinal verde para BYD: Ford entrega fábrica ao governo baiano

Nos próximos dias o presidente mundial da BYD, Wang Chuanfu, chegará a Salvador (BA) para sacramentar o grupo das instalações da Ford em Camaçari (BA). A marca do oval azul concluiu agora em 4 de outubro o acerto de contas com o governo da Bahia. No fundo, como havia comentado antes, a geopolítica influenciou essas negociações que se arrastaram desde 2022. Outra fábrica da empresa americana, na Europa, não foi vendida à BYD.

A marca chinesa continua a ampliar sua oferta no Brasil. Na segunda quinzena deste mês começam as entregas do Dolphin Plus que se diferenciam da versão já lançada baseada em um novo motor elétrico de 204 cv e 31,6 kgf·m, além do teto pintado de preto, novas rodas de 17 pol. e teto solar panorâmico. Com toda essa potência o hatch é bem mais rápido com aceleração de 0 a 100 km/h em 7 s (o modelo básico em 10,9 s).

O escopo do padrão WLTP foi apenas esclarecido, mas o que vale mesmo é a homologação pelo Inmetro ainda não divulgada. O preço de R$ 179.880 é cerca de 20% maior do que a versão de entrada.

A empresa considera simples “boato” a intenção do Governo Federal de começar a cobrar imposto de importação (II), provavelmente em três etapas anuais, sobre elétricos e híbridos plugáveis. O mais estranho é que importar com alíquota zero, em geral, fica mais barato do que produzir localmente. Ainda assim a BYD é a favor de manter o estímulo atual à importação.

A produção em Camaçari traz no último trimestre de 2024 sem informação sobre qual modelo. Tudo indica o Dolphin, mas também poderá ser o Seagull, subcompacto que chega importado no primeiro trimestre do próximo ano por preço estimado entre R$ 110.000 e R$ 130.000.

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Coluna Fernando Calmon — Salão do Automóvel volta ao Anhembi já em 2024

Coluna Fernando Calmon nº 1.270 —26/9/23
Salão do Automóvel volta ao Anhembi já em 2024

Ainda não há anúncio oficial, mas o retorno Salão do Automóvel à área central da capital paulista já no próximo ano é praticamente certo. Esse é o mais tradicional evento do setor automobilístico cuja primeira edição foi em novembro de 1960, no Centro de Convenções do Parque Ibirapuera. A indústria havia começado a produzir em setembro de 1956 com o microcarro Romi-Isetta, seguido dois meses depois pela camioneta DKW-Vemag Universal. O primeiro salão durou 16 dias e contou com apenas 11 expositores, mas atraiu 400.000 visitantes.

No início foi anual e a partir de 1962 tornou-se bienal. Em 1970 mudou para o Parque Anhembi em local muito mais amplo, mas não climatizado. Em 2016 trocou de endereço para o São Paulo Expo em local com eficiente climatização. A última exposição foi em 2018 com 29 marcas e 742.000 visitantes.

Sofreu depois dois cancelamentos: 2020, em razão da epidemia da covid-19 e 2022, quando os expositores se queixaram de gastos elevados. Também se falou em desinteresse do público, fenômeno que vem ocorrendo em outros salões.

Mas o cenário mudou. A inspiração agora é o Salão de Detroit que se reinventou ao oferecer testes de veículos para o público, sem abandonar a exposição estática. RX, tradicional organizadora, vai optar pela volta às origens graças às obras de ampliação e modernização do Centro de Exposição Distrito Anhembi que recebe um investimento de R$ 1,5 bilhão. A área de exposição será climatizada e haverá espaço para testes onde já existe o Sambódromo.

Tudo se encaminha para a 31ª edição, em novembro do próximo ano.

Novo Megane E-Tech, agora um crossover elétrico médio

Logo à primeira vista chama atenção por linhas atraentes, uma dianteira que mostra personalidade, a pintura do teto no estilo “flutuante” e uma parte traseira mais convencional com a tampa do porta-malas um pouco afastada do para-choque. Suas dimensões e volumes são típicas de um hatch com altura de suspensão elevada (170 mm de vão livre do solo). Distância entre-eixos é ligeiramente menor (2.685 mm) do que outro hatch (2.700 mm) também elétrico, o Dolphin. O porta-malas do Megane (agora sem acento no primeiro “e”) é muito bom: 440 litros.

A Renault o apresenta como SUV, mas sua altura (1.505 mm) não condiz com essa classificação. O Compass, um típico SUV por exemplo, tem 1.625 mm de altura e seus ângulos de entrada, central e de saída são melhores. Materiais de acabamento interno de boa qualidade, inclusive o uso de camurça Alcantara. Boa tela multimídia de 12,3 pol.

Os bancos dianteiros não têm ajustes elétricos. Há um espaçoso console central pois a alavanca de seleção de marchas foi deslocada para a coluna de direção e o botão do freio eletromecânico de imobilização passou para o lado esquerdo inferior do painel. Espelho retrovisor interno tem câmera traseira acoplada e se torna uma tela de visão ampliada.

Potência de 220 cv e 30,6 kgf·m garantem desempenho muito bom, apesar dos 1.680 kg de massa em ordem de marcha. Acelera de 0 a 100 km/h em 7,4 s. Alcance médio padrão Inmetro de 337 km. No quadro de instrumentos aparece sempre em destaque o alcance restante e com precisão: apenas alguns segundos em aceleração máxima em trecho da Rodovia dos Imigrantes e a indicação caiu 6 km. O carro está sempre na mão e bons freios completam o acerto do conjunto.

Gostei do perfeito sistema de alerta aos pedestres em três versões: Neutro, Puro e Expressivo.

O primeiro lote é de 200 unidades ao preço único de R$ 279.990.

Quanto ao Brasil a Renault confirmou a apresentação em 25 de outubro próximo do seu novo SUV compacto Kardian (lançamento mundial) com motor turbo flex de 1 L já fabricado em São José dos Pinhais (PR). Vai estrear a nova plataforma CMF-B da marca francesa e substituirá o Captur.

Evento #ABX23 bateu recorde de participantes

Mais de 3.800 pessoas no São Paulo Expo, 180 palestrantes e mediadores, oito trilhas de conteúdo sem interferências em razão de sistemas de áudio individuais sem fio marcaram o sucesso do evento Automotive Business Experience 2023 organizado pela tradicional plataforma digital que inclui site informativo na internet, produção de relatórios e seminários.

Este ano o destaque, entre diversos assuntos debatidos, foi o ritmo que a eletrificação tomará no Brasil nos próximos anos. Interessante que não houve consenso. Sérgio Habib, da JAC, acredita na dificuldade de veículos 100% elétricos conquistarem muito mais que 1% do mercado de automóveis. Para ele veículos comerciais urbanos têm mais chances de crescer porque não há preocupação com a capilaridade de recarga e de alcance para entregas e transporte público.

Já Henrique Antunes, da BYD, defendeu que os preços de automóveis elétricos caindo os consumidores vão migrar. José Augusto Brandimarti, do grupo que importa produtos da também chinesa Seres, viu com preocupação as taxas de importação sobre elétricos que o Governo Federal deve anunciar em breve.

Elétricos pagarão imposto de importação

Esse assunto continuou tendo desdobramentos. A GWM que comprou instalações de uma fábrica no Brasil e começará a produzir em maio do próximo ano é a favor de que o imposto de importação para elétrico volte a ser cobrado, porém em etapas. Pelo que se sabe esta será mesmo a estratégia governamental.

O presidente da Anfavea, Márcio Leite, reafirmou que a indústria brasileira vai produzir carros elétricos e também aproveitará as vantagens do etanol como combustível verde em modelos híbridos flex. Ele não comentou sobre como será essa divisão e nem a velocidade da mudança. No entanto, a entidade defende uma cota com imposto de importação zerado para as empresas já com presença industrial no Brasil ou que venham a se instalar.

No exterior a Grã-Bretanha adiou por cinco anos – de 2030 para 2035 – a proibição da venda de veículos com motores térmicos. Alinhou-se assim aos países da União Europeia em relação à data fatal para que só automóveis novos puramente elétricos possam ser comercializados.

Entretanto, chamou atenção a declaração do primeiro-ministro Rishi Sunak de que “o ideal é as pessoas migrarem por vontade própria e não serem obrigadas a fazê-lo”.

 

 

 

 

 

 

 

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Coluna Fernando Calmon – Mobilidade Verde traz desafios e exige cautela ao propor ações

Coluna Fernando Calmon nº 1.269 — 19/9/23

Mobilidade Verde traz desafios e exige cautela ao propor ações

Até o final deste mês o Governo Federal anunciará a segunda fase do programa Rota 2030 que estabelece incentivos para desenvolvimento local de novas tecnologias para diminuir o consumo de combustíveis de origem fóssil e também de biocombustíveis como o etanol. Uma das decisões será o critério muito mais válido de calcular o gasto energético pelo critério do poço-à-roda do que apenas do motor-à-roda.

O programa também mudará de nome e passará a se chamar Mobilidade Verde. Os rumores dão conta de que há intenção de acelerar o processo de aditivação de biodiesel ao diesel não renovável. E também o aumento de 27% para 30% do teor de etanol anidro na gasolina.

As duas premissas (a confirmar) precisam de estudos mais profundos. No caso do biodiesel há forte oposição da indústria sobre os percentuais que podem chegar a 15%, mas deveria se limitar a 10%. Quanto ao etanol também seria necessário pesquisar no caso de motores mais antigos com injeção indireta ou direta de combustível, hoje na maioria da frota circulante.

Quando fiz a mediação no mês passado de um dos debates (O Futuro da Mobilidade Sustentável) no 30º Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, enderecei uma pergunta direta sobre esse assunto ao diretor do departamento de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Marlon Arraes. Ele esclareceu que testes em laboratório e em campo deverão comprovar que essas aditivações não trarão prejuízos aos motores ou à sua manutenção.

Outra decisão que seria anunciada pelo ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços é a taxação (hoje zerada) de 35%, ao longo de três anos, do Imposto de Importação (I.I.) de carros elétricos. Se o Brasil deseja que exista produção local desses veículos, não há o menor sentido de retirar o gravame de veículos importados. Até por questão de isonomia com automóveis de motor a combustão.

Este é um ponto que traz discussões e envolve suspeitas de subsídios ocultos dos produtos chineses exportados para todo o mundo. A União Europeia acaba de acusar de dumping (venda a preços subsidiados) a indústria de veículos elétricos da China e estuda uma taxação extra de 10% a 15%.

Marcas chinesas – GWM e BYD – acenam para fabricação (ou mesmo simples montagem) de elétricos no Brasil. Se o I.I. é zero, fica mais rentável simplesmente importar.

A ver se rumores vão se confirmar e os desdobramentos destas decisões.

BMW apresenta M2 como modelo raiz

Um posicionamento muito claro do fabricante alemão foi confirmado por declarações do executivo responsável pelo desenvolvimento técnico da marca, Frank Weber, ao site australiano Carsales que controla o congênere Webmotors no Brasil.

Ao contrário de outras marcas, a BMW faz questão de pontuar: “Não anunciaremos nenhuma data de término de motores a combustão, pois é impossível fazer mudanças estruturais, industriais e culturais necessárias para a produção apenas de veículos 100% elétricos até 2030. Eles coexistirão pelo próximos 10 a 15 anos.”

Trata-se de uma posição corajosa em contraste com outras marcas que escolheram se precipitar. Uma prova do caminho escolhido é a vinda do México (isento de imposto de importação recíproco entre os países) do visceral M2. O modelo é um cupê de dimensões menores que o Série 3 e se caracteriza pela grade frontal diferente da tradicional da marca, além de soluções atraentes como as “bolhas” nos para-lamas traseiros e as inusitadas quatro saídas de escapamento para um motor de seis cilindros em linha, 3-L, biturbo, 460 cv e 56 kgf·m.

O interior apresenta o alto padrão de acabamento da marca, além do arrojado conjunto de tela curva: 12,3 pol. no quadro de instrumentos e 14,9 pol. na central multimídia. Os dois bancos traseiros, previsivelmente, têm pouco espaço para as pernas, porém o porta-malas é razoável (390 litros).

Apesar dos 1.725 kg de massa total, o M2 atrai pelo alto desempenho: 0 a 100 km/h, em 4,1 s com câmbio automático epicíclico de oito marchas. Câmbio manual existe no exterior, mas não será oferecido aqui. Há duas versões: Coupé por R$ 617.950 e Coupé Track com bancos dianteiros tipo concha por R$ 667.950.

208 com motor 1-L turbo pode aposentar o 1,6-L

O estilo é reconhecido de longe e sempre representou um ponto de grande destaque da marca francesa. No entanto, ficava devendo em termos de desempenho frente aos concorrentes que migraram rapidamente para motores com turbocompressor. Com a formação da Stellantis, em janeiro de 2021, o cenário mudou. E o Peugeot 208 acabou recebendo primeiro o motor tricilindro 1-L turbo do novo Grupo, antes mesmo do hatch Fiat Argo.

Este é o motor flex de 1.000 cm3 mais potente com etanol ou gasolina entre os produzidos atualmente no Brasil: 130 cv (E)/125 cv (G) e 20,4 kgf·m (para ambos os combustíveis e neste caso o valor é igual ao motor da VW de mesma cilindrada, cuja vantagem está em rotações mais baixas – 2.000 rpm contra 4.250 rpm).

No entanto, o câmbio automático CVT de sete marchas no uso cotidiano garante a elasticidade que falta ao motor aspirado de 1,6 L, ainda oferecido pelo fabricante francês, mas que pode ser aposentado.

A Peugeot oferece três versões com o novo motor e preços entre R$ 99.990 e R$ 114.990. A mais cara inclui rodas de liga leve de 17 pol. e teto solar (opcional na versão de R$ 100.000), além de seis airbags (dois do tipo cortina) e outros itens de segurança em um pacote de série que inclui alerta de colisão frontal com frenagem automática de emergência e detecção de pedestre, entre outros.

Na viagem de avaliação o conjunto mecânico entregou o que faltava em termos de desempenho com resposta imediata ao acelerador e registro de 0 a 100 km/g em 9 s (E) e 9,2 s (G).

O volante hexagonal é único com base e topo achatados que, em princípio, parece estranho, mas não fica difícil de se adaptar e permite visão completa do quadro de instrumentos por cima dele. O acabamento interno é bom, comportamento em curvas perfeito e freios com potência adequada.

O 208 deve receber em 2024 as modificações já feitas no homônimo francês. Já o 2008 passará a ser fabricado na Argentina. 

Semana Nacional do Trânsito: 18 a 25 de setembro

Pelo 26º ano consecutivo se comemora essa campanha prevista no Código de Trânsito Brasileiro que conta, entre os principais impulsionadores, a ONG Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV).

“Faça o bem, não importa a quem” é a linha mestra do movimento em 2023, que pretende induzir uma maior conscientização entre motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres com o objetivo de diminuir o número de 94 mortos diárias em média no trânsito urbano e rodoviário.

No site https://www.onsv.org.br/semana-nacional-transito/campanhas é possível, mediante um cadastro simples, baixar gratuitamente peças de divulgação para todas as mídias incluindo desde banners até posts e spots para rádio e vídeo.

Entre os seis posts que cobrem todo universo da segurança viária destacam-se: “Leve sua calma para ruas e rodovias” e “Os pequenos só estão seguros, nos equipamentos de segurança”.

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Coluna Fernando Calmon – Salão de Munique expõe avanço de marcas chinesas na Europa

Coluna Fernando Calmon nº 1.267 — 5/9/23

Salão de Munique expõe avanço de marcas chinesas na Europa

 

A indústria europeia de veículos terá que fazer um grande esforço financeiro e técnico para enfrentar o avanço de marcas chinesas que conseguem preços bastante competitivos na fabricação de veículos elétricos (VE) e baterias. É o que se pode deduzir sobre o Salão de Munique (5 a 10 de setembro), que sucedeu ao gigantismo de Frankfurt. Agora aposta em fórmula de exposição mista, usando as praças da cidade e um centro de exposição de dimensões menores.

Cerca de 40% dos estandes foram ocupados por marcas sediadas na Ásia. Os fabricantes tradicionais estão de certa forma encurralados pois não podem “virar a chave” sem enfrentar outros problemas. Luca de Meo, presidente do Grupo Renault, afirmou à agência Reuters que “temos de diminuir a diferença de custos em relação aos chineses, que começaram com veículos elétricos anos antes”. O novo VE R5, em 2025, caminha para isso, acrescentou.

As principais novidades do Salão concentraram-se em VEs. A começar pela BMW que apresentou uma visão ainda genérica do futuro Série 3, focando no avanço de 30% em alcance e recarga da bateria. Modelos a combustão e elétricos coexistirão. A Mercedes destacou a próxima geração do CLA com as DRL inspiradas na estrela de três pontas da marca. O Tesla 3 recebeu leve reestilização frontal e aumento de preço de US$ 2.500 (R$ 12.500).

Inspirada na mística versão GTI do Golf (foto de abertura da coluna), a VW apresentou o modelo-conceito ID. GTI que só chegará ao mercado daqui a quatro anos. Trata-se de um VE com referências explícitas ao estilo original, ao contrário do que tem sido a regra atual.

Entre as chinesas, destaque para a nova marca AVTR nascida de colaboração entre a Changan e a Huawei (gigante das redes de telecomunicação). O modelo batizado com número 12 tem 5 metros de comprimento e versões com um e dois motores elétricos.

Dos carros convencionais duas peruas (camionetas) chamam atenção por seu estilo arrebatador: Passat Variant e Classe E All Terrain.

Sexta geração do Cayenne também é híbrida

Desde seu lançamento, em 2002, o Cayenne representou a primeira diversificação de uma marca premium para os SUVs. O movimento não foi bem compreendido, inicialmente, mas as vendas provaram o contrário: 60% a mais que o previsto. O acerto deu início à era de SUVs de alto desempenho, influenciando outras marcas de carros puramente esporte. Também evoluiu para adicionar a carroceria SUV cupê.

Agora estreia no Brasil a sexta geração com algo a mais do que simples reestilização e pré-venda de versões híbridas que chegarão no primeiro semestre de 2024. A Porsche investiu também em aperfeiçoar os faróis de LED HD-Matrix de mais de 32.000 pixels por farol e seis possibilidades de fachos. Há nada menos de oito desenhos de rodas com até 22 pol. de diâmetro e pneus de maior diâmetro externo. Chamam atenção os para-lamas dianteiros mais elevados e ligeiramente arqueados.

Logo ao sentar no SUV destacam-se novo volante, quadro de instrumentos totalmente digital (como sempre conta-giros no centro), saídas de ar condicionado sem aletas, alavanca seletora do câmbio no lado direito do painel de fácil acesso e três telas: 12,6 pol. (instrumentos), 12,3 pol. (multimídia) e 10,6 pol. (para o passageiro). Tem pareamento Android Auto e Apple CarPlay sem fio e recarga de celular por indução (até 15 W) com refrigeração.

O que mais impressiona é a versão Turbo GT: V-8 biturbo, 4-litros, 659 cv e 86,7 kgf·m. Tanto na avaliação por estradas quanto no autódromo Velo Città (Mogi-Guaçu/SP) o desempenho empolga com aceleração de 0 a 100 km/h em 3,2 s. Há até um defletor de teto adaptativo, herança do Porsche 911. O Turbo GT, além do equilíbrio em curvas e freios tradicionalmente excelentes da marca, é o mais caro: R$ 1.385.000. Mas quem se contentar com o Cayenne S e “apenas” 474 cv/58,8 kgf·m, pagará R$ 850.000.

São duas as versões híbridas: E-Hybrid (470 cv e torque combinado de 63,7 kgf·m) por R$ 690.000 e a Turbo E-Hybrid (739 cv e torque combinado de 93,1 kgf·m), 0 a 100 km/h em 3,7 s, por R$ 1.135.00. Esta última tem desempenho menor pela diferença de massa (180 kg em razão da bateria) frente à versão Turbo GT.

Elétrico BYD Seal: espaçoso e preço atraente

Além do impacto positivo do modelo de entrada, Dolphin, a BYD deu outro choque no mercado com o sedã Seal por R$ 296.800. Linhas do sedã-cupê são atraentes (melhor ao vivo do que em fotos), destacando-se os conjuntos ópticos dianteiro (com filetes de LED) e traseiro. Há amplo espaço interno graças à distância entre eixos de 2.920 mm, principalmente para os passageiros do banco traseiro que se beneficiam ainda do assoalho plano. Para bagagem, porta-malas traseiro de 402 litros e dianteiro de 53.

O interior traz ótima atmosfera pelo teto solar panorâmico e materiais de boa qualidade. Quadro de instrumentos poderia ter resolução maior e contraste de cores. Tela do multimídia rotacional apresenta dimensões generosas (15,6 pol.). Ao volante, o banco é confortável com aquecimento e ventilação.

Desempenho é o ponto alto do Seal. Dois motores, um dianteiro e outro traseiro, totalizam 531 cv e 60,2 kgf·m. As respostas ao acelerar empolgam e a tração 4×4 sob demanda garante comportamento em curvas muito bom. Até dá para “esquecer” que sua massa total em ordem de marcha é de nada menos que 2.185 kg. O percurso de avaliação não tinha trechos muito sinuosos, porém provocado em curvas foi muito bem.

Desagradável é o sistema de manutenção em faixa muito intrusivo e que não pode ser desligado. Em piso irregular as suspensões mostram respostas adequadas. Porém, a distância mínima do solo de somente 120 mm faz o carro raspar com facilidade em lombadas e valetas. (Colaborou Luís Fernando Carqueijo).

Estoques aumentam. Bom para o consumidor

A indústria automobilística aumentou sua produção em agosto. As 227.000 unidades de veículos leves e pesados significaram crescimento de 24% sobre julho. Esse resultado elevou os estoques nas fábricas e concessionárias de 29 dias em julho (resultado do programa de incentivos tributários do Governo Federal, já encerrado para modelos leves) para 35 dias em agosto. Isso aponta no sentido de continuidade de promoções agora em setembro.

A valorização do real frente ao dólar também ajudou a reduzir preços de modelos importados e os aqui produzidos tendem a acompanhar. Uma recuperação maior depende de redução das taxas de juros que já se iniciou, mas não se sabe ainda em que ritmo. Em agosto a média diária de vendas foi de 9.000 unidades. E a expectativa da Anfavea para 2023 continua a mesma do início do ano: aumento na comercialização de 3% sobre 2022 para 2,168 milhões de unidades.

Em agosto, foram vendidas 1.167 unidades de modelos elétricos entre automóveis e comerciais leves: 0,6% do total. Em agosto de 2022 o percentual era de 0,5%, mas a partir deste mês deve subir com a escalada das marcas chinesas.

Grupo Gandini importou 450.000 veículos Kia em 30 anos

Operação começou modesta, em 1993, depois de José Carlos Gandini fundar a Kia Motors do Brasil no ano anterior e começar a implantar a rede de concessionárias. Inicialmente foram apenas 1.000 unidades do Besta para passageiros, Besta Furgão, picape Ceres e caminhão leve K3500.

Em 2009, passou a ser distribuidor da Kia também no Uruguai e ganhou a licença para fabricação no país vizinho do caminhão leve Bongo K2500. Ao completar este ano 450.000 unidades importadas da Coreia do Sul e do Uruguai, os modelos de passageiros mais vendidos foram: SUV compacto Sportage (106.000 unidades), sedã médio-compacto Cerato (71.000) e subcompacto Picanto (42.000).

José Luiz Gandini, filho do fundador e atual presidente do grupo, afirma que resiliência é o fator mais marcante para a trajetória da empresa em razão dos altos e baixos da economia brasileira.

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Coluna Fernando Calmon — As muitas opções do Brasil para ajudar a descarbonizar o planeta

Coluna Fernando Calmon nº 1.265 — 22/8/ 23

As muitas opções do Brasil para ajudar a descarbonizar o planeta

Esse tema foi muito bem debatido na 30ª edição do Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva (Simea), realizado na semana passada em São Paulo (SP) com o recorde de 900 inscritos. “O Brasil e o futuro sustentável da mobilidade” foi o escopo dos 60 trabalhos técnicos apresentados ao longo de dois dias, além dos dois painéis com 23 palestrantes e moderadores.

O presidente do Simea, Gastón Perez, foi enfático ao afirmar que enquanto outros países têm apenas uma carta na mão para combater os efeitos do gás carbônico (CO2), principal responsável pela elevação da temperatura média da Terra e as consequentes mudanças climáticas, o Brasil conta com o equivalente a várias outras cartas. Ele citou algumas como motor flex com etanol, biodiesel, biogás e a energia elétrica gerada por fontes limpas o que torna viável a produção de hidrogênio verde. Este é considerado o combustível definitivo e o mais adequado com que o planeta poderá contar nas próximas décadas.

O próprio etanol pode ser ponto de partida para pelo menos uma década à frente gerar, por meio de pilha eletroquímica a hidrogênio no veículo, a eletricidade para o motor elétrico deste, tendo como subproduto apenas água. Essa é uma tecnologia inicialmente ainda bem cara, mas que já está sendo estudada pela Universidade de São Paulo.

Não se trata da única opção para obter hidrogênio. A eletrólise da água é outro ponto de partida, mas exige grande quantidade de energia que não poderá vir de fontes fósseis como petróleo e gás. Energia eólica e solar, além da hidráulica em que o País já investe há décadas por meio de represas, são as soluções adequadas.

Como se abordou no Simea, em curto prazo será fundamental regular um mercado de créditos de carbono, prestes a se tornar realidade. Finalmente o motorista veria reverter para o seu bolso a contribuição ao clima do planeta, escolhendo o combustível na hora de abastecer seu veículo com motor a combustão. Já existe tecnologia para isso. Falta só a vontade política. Assim o País conseguirá uma transição viável e inteligente para a mobilidade sustentável que muitos almejam.

Ainda faltam acertos sobre operação BYD na Bahia


Esta é uma novela que já passou por vários capítulos, mas a fabricante chinesa BYD não dá nenhuma indicação de que vá recuar do investimento anunciado de R$ 3 bilhões no estado nordestino. Houve notícias equivocadas sobre a sua compra da unidade industrial de Camaçari (BA) que produziu modelos da Ford de 2002 a 2021.

Por fim, houve um acordo de “reversão da propriedade da fábrica de Camaçari para o Estado da Bahia”. A fábrica só tem as edificações, pois todo o maquinário foi retirado. A empresa americana espera ser indenizada pelas expansões com a fábrica de motores e câmbios que não estava no projeto inicial.

Fala-se em algo entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, mas a avaliação virá de uma instituição financeira do porte da Caixa Econômica Federal. Os passos seguintes são a BYD se entender com o governo baiano, aceitar o valor e assumir as instalações fabris.

Não se sabe quando as partes envolvidas vão bater o martelo. Existe ainda uma briga política sobre a extensão do regime de incentivos federais para o Nordeste e Centro-Oeste que terminaria em 2025, mas que pode se estender até 2032.

A marca chinesa mantém sua previsão de no último trimestre de 2024 ter o primeiro modelo nacional. Como há décadas não existe mais exigência de conteúdo local mínimo, é factível. A produção começará com o híbrido plugável Song Plus que será equipado com motor flex, mas terá uma bateria de apenas 8,3 kW·h. O segundo produto ainda está em definição, porém tudo indica que a escolha do fabricante recairá sobre o elétrico Dolphin.

Fiat 500e tem vendas discretas, mas mantém o charme

Desde seu lançamento em 2021 por R$ 239.990 o elétrico que substituiu o icônico Fiat 500 teve seu preço reduzido para os atuais R$ 224.990 em razão da valorização do real frente ao dólar. Ainda assim o subcompacto 500e não deslanchou em vendas (393 unidades até agora) e se mantém como um modelo de nicho, embora tenha fãs incondicionais.

Com apenas 3.632 mm de comprimento é fácil de estacionar, porém um entre-eixos limitado a 2.322 mm traz desconforto no banco traseiro para adultos com mais de 1,75 m de altura. O porta-malas comporta apenas 185 litros mesmo sem o estepe, pois utiliza pneus do tipo runflat. Ao se rebater totalmente o banco traseiro o volume aumenta para surpreendentes 550 litros.

Seu alcance médio cidade/estrada é de 227 km, pelo padrão Inmetro. O Fiat 500e, como todo elétrico, destaca-se pela agilidade no para e anda do tráfego urbano, conforme avaliei. E ainda entrega duas características interessantes.

Uma é tocar acordes da música do filme franco-italiano “Amarcord” (1973, de Federico Fellini) quando atinge 21 km/h para avisar sobre sua presença para pedestres e ciclistas. Quem está dentro do carro também ouve. Isso só acontece uma vez após o primeiro uso do dia (para repetir precisa desligar e religar a energização do motor). O silvo de advertência presencial, obrigatório na Europa, é discreto e não incomoda os ocupantes do carro.

Outra função é o modo de condução sherpa (há outros dois, normal e range) para estender ao máximo seu alcance: limita velocidade a 80 km/h e desliga o ar-condicionado sem alterar muito a capacidade de acelerar.

Resposta de Inteligência Artificial (IA): “Sherpa é um termo técnico que se refere a um grupo étnico que vive nas montanhas do Nepal e conhecido por serem excelentes guias em expedições de montanhismo.”

 

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Coluna Fernando Calmon — Smartphones podem ser grandes aliados para a segurança viária

Coluna Fernando Calmon nº 1.264 — 15/8/23

Smartphones podem ser grandes aliados para a segurança viária

Estudo feito nos EUA pelo Instituto das Seguradoras para Segurança Rodoviária (IIHS, na sigla em inglês) revelou que os telefones celulares podem perder a pecha de vilões para a segurança no trânsito e se tornar um aliado para evitar acidentes. No Brasil a multa para quem for flagrado dirigindo com o celular na mão é a mais alta na escala do Código de Trânsito Brasileiro. Ainda assim, mesmo com o sistema viva-voz os riscos não foram de todo eliminados.

Em artigo recente o cientista sênior de pesquisas do IIHS, Ian Reagan, alertou: “A distração tem causado acidentes desde que as pessoas começaram a dirigir. Nosso vício em telas aumentou o problema. Se o smartphone pudesse se tornar uma ferramenta para combater não apenas a distração, mas também o modo inseguro de dirigir seria uma reviravolta verdadeiramente notável.”

Apple e Google já oferecem opções para uma ótima defesa contra distrações: o recurso “não perturbe” para bloquear chamadas e notificações enquanto o motorista estiver dirigindo. Entretanto, as pesquisas do IIHS apontaram que apenas 20% dos motoristas habilitaram esse recurso.

Para estimular o seu uso, as versões mais recentes dos aplicativos permitem filtrar mensagens urgentes ou de contatos designados, além de adotar comandos por voz para algumas funções e pesquisas básicas na web.

Os smartphones também podem oferecer um recurso de segurança que a maioria dos veículos em circulação ainda não possui. Alguns aplicativos usam a câmera do telefone para prover um aviso de colisão frontal (FCW, em inglês) em veículos mais antigos ou não equipados com o FCW a bordo.

Supondo que funcionem razoavelmente bem, isso poderia ajudar a preencher uma lacuna desde já, até que a frenagem automática de emergência (AEB, em inglês) estivesse instalada na totalidade da frota circulante, o que vai demorar mais de duas décadas.

Outros desenvolvedores estão procurando usar a câmera do smartphone para monitorar o olhar do motorista ou a direção da cabeça e alertá-los quando sua atenção se desviar da estrada à frente por muito tempo.

Isso transforma um dispositivo frequentemente responsável pela distração em uma proteção contra ela.

Strada ganha status e desempenho com motor turbo flex

O mercado brasileiro foi ao longo dos anos assistindo ao aumento de preferência por picapes. As grandes saíram de foco (agora voltando, porém com números tímidos e alto preço agravado pela importação). O segmento de picapes médias representou 9% de todos os tipos de modelos leves vendidos em 2022 e as picapes pequenas (Strada, Saveiro, Montana e Oroch), 7%. Juntas respondem por cerca de 17% das vendas no País, percentual quase igual ao mercado americano (18%).

Se existe uma trajetória invejável é da Strada, lançada em 1998. No ano passado, representou 76% do seu segmento. Nos últimos dois anos e agora em 2023 tornou-se o modelo mais vendido no País, um fato inédito aqui, mas que já ocorre nos EUA há 41 anos com a Série F, da Ford. Claro, isso se deve também à pulverização de modelos de automóveis e SUVs e merece ser relativizado.

Na linha 2024, a Strada recebeu modificações na dianteira: para-choque, grade, faróis de neblina com LED e um filete na parte inferior do para-choque. Há ainda novas rodas de liga leve nas versões mais caras. É a terceira picape compacta (depois de Oroch e Montana) a contar com motor turbo flex, o mesmo já utilizado no Fastback e Pulse, em breve no 208 e, tudo indica, no 2008 depois.

Conhecido como T200, manteve as especificações: três cilindros, 1 litro, 130 (E)/125 (G) cv e 20,4 kgf·m. Estão apenas nas versões topo de gama, Ultra e Ranch, com câmbio automático CVT, sete marchas. Hoje, 45% dos clientes da picape já não a utilizam como veículo comercial e estas novas versões devem aumentar o percentual.

O interior recebeu novos bancos de couro e painéis de porta. O volante é novo, traz borboletas de trocas de marcha (também pela alavanca de câmbio) e botão Sport nas versões com o novo motor. Foram feitas modificações pertinentes na direção de assistência elétrica, suspensão dianteira e pinças de freio (discos só na dianteira).

Em desempenho supera Saveiro e Montana, mas fica bem atrás da Oroch turbo flex (170 cv). A rival mais direta, da VW, com motor 1,6 L de aspiração natural agora perde na aceleração de 0 a 100 km/h (10 s contra 9,5 s) e até a Chevrolet (10,1 versus 9,5 s).

Preços são iguais nas versões Ultra e Ranch: R$ 132.990. Há ainda uma edição limitada a 1.025 unidades em comemoração aos 25 anos de lançamento da Strada por R$ 135.990.

Audi Q8 e-tron e Sportback chegam com maior alcance

Dois modelos SUV (Q8 e-tron Sportback, um SUV cupê) ampliam a linha de produtos elétricos da Audi. Além de estrear o novo logotipo bidimensional da marca dos quatro anéis entrelaçados em tonalidade fosca, chamam atenção um filete iluminado entre os faróis matriciais em LED, para-choques dianteiro e traseiro redesenhados e novas rodas. Na versão Launch Edition as rodas têm 22 pol. de diâmetro.

Os dois motores elétricos, um em cada eixo, entregam 408 cv e 67,7 kgf·m. O fabricante informa que o motor traseiro oferece maior eficiência energética. A tração integral é a conhecida quattro.

Frente à massa total de nada menos que 2.720 kg (!), ainda assim acelera de 0 a 100 km/h em 5,6 s. Os 2.928 mm de entre-eixos garantem amplo espaço para todos os passageiros. Há dois porta-malas, sendo que o traseiro tem volume de 528 litros (SUV) ou 569 litros (SUV cupê) e o dianteiro de 60 litros para ambos.

A nova bateria teve sua capacidade elevada em 20% graças às células com química avançada e entrega 114 kW·h. Com isso o alcance médio aumentou em 30% e pelo padrão Inmetro é de 342 km. O carro revelou-se extremamente silencioso em rápido contato ao volante, em trecho bem sinuoso de serra no Rio de Janeiro (RJ).

Os preços de lançamento vão de R$ 669.990 (SUV) a R$ 699.990 (SUV cupê), respectivamente, fora opcionais. As séries especiais Launch Edition custam R$ 681.990 e R$ 711.990, respectivamente.

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