A McLaren revelou na semana passada o MCL-HY, o carro que competirá na classe Hypercar, categoria mais importante do Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC) e nas 24 Horas de Le Mans em 2027. A base do bólido é a versão exclusiva para pistas, o MCL-HY GTR, atualmente oferecido a clientes VIP da marca.
O carro revelado será desenvolvido ao longo deste ano. Ele foi apresentado com uma pintura inspirada no McLaren M6A – o carro que Bruce McLaren sonhava em levar para as 24 Horas de Le Mans como M6GT.
O retorno da McLaren à categoria principal em Le Mans também marca o início de um desafio para conquistar novamente a Tríplice Coroa do automobilismo, que engloba a vitória no Grande Prêmio de Mônaco, nas 500 Milhas de Indianápolis e nas 24 Horas de Le Mans.
Construído com materiais muito leves, o MCL-HY terá um motor V6 biturbo, combinado com um sistema híbrido MGU, que entrega até 707 cavalos (520 kW) no eixo traseiro motriz.
A edição de 2025 do Rolex 6 Horas de São Paulo foi marcada por mais uma festa dentro e fora da pista no Autódromo de Interlagos, mas também por acontecimentos inéditos na história do FIA WEC (World Endurance Championship). A quinta edição da etapa brasileira consagrou pela primeira vez o Cadillac V-Series R como um vencedor na história do campeonato – e com dobradinha.
Coube ao trio do #12 (Alex Lynn, Norman Nato, Will Stevens) conquistar a vitória à frente do trio do #38 (Earl Bamber, Sebastien Bourdais, Jenson Button). O que recupera uma antiga e interessante escrita da etapa brasileira: é a terceira vez em cinco corridas que uma marca conquista sua primeira vitória no campeonato em Interlagos, após a Toyota em 2012 e a Porsche em 2014. E ainda, com uma vitória da Audi em 2013 e uma segunda da Toyota em 2024, a Cadillac é a quarta montadora diferente a vencer no Brasil.
Apesar da pole do Cadillac #12, a missão não foi fácil. O carro teve uma infração na pressão de pneus ainda na primeira metade da prova, teve de cumprir um drive-through, mas mesmo assim se recuperou e já era líder antes mesmo das três horas de prova.
Coube ao Porsche #5 (Michael Christensen, Julien Andlauer), que sonhou com mais após tomar a ponta da corrida na primeira volta da prova, na curva do Laranjinha, fechar o pódio – muito perto do #38, brigando pelo segundo posto no final. O Porsche #6 (Kevin Estre, Laurens Vanthoor) terminou em quarto, logo atrás. Em boa apresentação, o BMW #20 (Sheldon van der Linde, Rene Rast e Marco Wittmann) passou nos últimos dez minutos de prova o Peugeot #94 (Loic Duval, Malthe Jakobsen) e fechou o top-5.
Líder da temporada, o Ferrari #51 (Antonio Giovinazzi, Alessandro Pier Guidi, James Calado) fez corrida de recuperação até o 10º lugar, porém foi punido com um drive-through no fim da prova após colocar o Porsche #99 para fora da pista no fim da reta oposta e não marcou pontos pela primeira vez no ano. Apesar disso, segue na frente.
Pódio de Barrichello
O trio da Akkodis ASP Team #87 conquistou a primeira vitória do Lexus RC F na classe LMGT3 no FIA WEC. Depois de largar em segundo, o time dominou a prova e foi tão mais veloz que o resto que, mesmo com um drive-through, conseguiu manter a liderança e ficou com o primeiro lugar.
A maior emoção do dia veio nos instantes finais da corrida. Após um pit stop a poucos minutos do fim, o trio feminino da Iron Dames no Porsche 911 #85 (Celia Martin, Rahel Frey, Michelle Gatting) voltou à pista em segundo lugar com os pneus usados, enquanto Eduardo Barrichello no Aston Matin #10 (Eduardo Barrichello, Anthony McIntosh, Valentin Hasse-Clot) se recuperou de uma rodada de seu carro (com Anthony McIntosh) no início da prova e era o quinto colocado.
Ele passou pelo Lexus #78 (Arnold Robin, Yuichi Nakayama, Finn Gehrsitz) e abriu caça na briga pelo pódio, entre a Iron Dames e o Corvette #81 (Rui Andrade, Charlie Eastwood, Tom van Rumpuy) da TF Sport. O trio do carro americano conseguiu passar pelo trio feminino na saída da junção enquanto Barrichello era cerca de meio segundo mais veloz por volta que os dois concorrentes.
O brasileiro chegou nos últimos momentos da corrida ao Porsche das Damas de Ferro em condição de ataque e realizou uma belíssima manobra, fazendo o traçado mais veloz na descida do lago, saindo por fora e deixando a dinamarquesa Michelle Gatting para trás no laranjinha a dois minutos do final. A ultrapassagem para o terceiro posto fez o público ir ao delírio nas arquibancadas em Interlagos, com Dudu garantindo seu primeiro pódio no FIA WEC em sua quinta participação, e após conquistar sua primeira pole no último sábado. Barrichello ainda foi eleito o piloto do dia pelos fãs.
“Foi muito legal. Estou muito agradecido a toda a torcida. Tenho muito orgulho de ser brasileiro, e tenho muita gratidão por todo o suporte que tive aqui. Foi uma loucura: eu tinha de confiar nos engenheiros e eles tinham de confiar em mim. Eu não podia forçar tanto para não desgastar os pneus rapidamente. Pudemos gerenciar tudo e as coisas funcionaram da maneira que planejamos”, descreveu Barrichello.
O quarto lugar ficou com a Iron Dames, e o top-5 foi fechado pelo trio do #78 da Akkodis ASP Team. Outro ponto de interesse do Rolex 6 Horas de São Paulo foi o nove vezes campeão mundial de motociclismo Valentino Rossi, que terminou com seu BMW M4 #46 (Ahmad Al Harty, Valentino Rossi, Kelvin van der Linde) em décimo lugar.
O BMW M4 #31 de Augusto Farfus e Pedro Ebrahim (além do australiano Yasser Shahin) teve uma corrida complicada, com problemas a partir do meio da prova após Farfus ter recuperado terreno em seu primeiro stint. O trio fechou a prova na 12ª posição.
Resultado final na classe Hypercar
#12 Cadillac Hertz Team JOTA (Alex Lynn, Norman Nato, Will Stevens) em 6h00min19s732 (242 voltas)
#38 Cadillac Hertz Team JOTA (Earl Bamber, Sebastien Bourdais, Jenson Button), a 57s016
#5 Porsche Penske Motorsport (Michael Christensen, Julien Andlauer), a 58s882
#6 Porsche Penske Motorsport (Kevin Estre, Laurens Vanthoor), a 1 volta
#20 BMW M Team WRT (Sheldon van der Linde, Rene Rast e Marco Wittmann), a 1 volta
#94 Peugeot TotalEnergies (Loic Duval, Malthe Jakobsen), a 2 voltas
#93 Peugeot TotalEnergies (Paul di Resta, Mikkel Jensen), a 2 voltas
#83 AF Corse (Robert Kubica, Yifei Ye, Phil Hanson), a 2 voltas
#36 Alpine Endurance Team (Jules Gounon, Ferdinand Habsburg, Mick Schumacher), a 2 voltas
#51 Ferrari AF Corse (Antonio Giovinazzi, Alessandro Pier Guidi, James Calado), a 3 voltas
#7 Toyota Gazoo Racing (Mike Conway, Kamui Kobayashi, Nyck de Vries), a 3 voltas
#009 Aston Martin Thor Team (Alex Riberas, Marco Sorensen), a 3 voltas
#50 Ferrari AF Corse (Antonio Fuoco, Miguel Molina, Nicklas Nielsen), a 3 voltas
#8 Toyota Gazoo Racing (Brendon Hartley, Ryo Hirakawa), a 3 voltas
#007 Aston Martin Thor Team (Tom Gamble, Harry Tincknell), a 4 voltas
#15 BMW M Team WRT (Kevin Magnussen, Raffaelle Marciello, Dries Vanthoor), a 20 voltas
#35 Alpine Endurance Team (Paul-Loup Chatin, Ferdinand Habsburg, Chales Milesi), a 42 voltas
Resultado final na classe LMGT3
#87 Akkodis ASP Team (José María López, Clemens Schmid, Razvan Umbrarescu) em 6h00min54s573 (216 voltas)
#81 TF Sport (Rui Andrade, Charlie Eastwood, Tom van Rumpuy), a 37s716
#10 Racing Spirit of Léman (Eduardo Barrichello, Anthony McIntosh, Valentin Hasse-Clot), a 42s565
#85 Iron Dames (Celia Martin, Rahel Frey, Michelle Gatting), a 44s026
#78 Akkodis ASP Team (Arnold Robin, Yuichi Nakayama, Finn Gehrsitz), a 47s715
#92 Manthey 1st Phorm (Ryan Hardwick, Riccardo Pera, Richard Lietz), a 1 volta
#33 TF Sport (Daniel Juncadella, Jonny Edgar, Ben Keating), a 1 volta
#59 United Autosports (James Cottingham, Gregoire Saucy, Sebastien Baud), a 1 volta
#95 United Autosports (Sean Gelael, Darren Leung, Marino Sato), a 1 volta
#46 Team WRT (Ahmad Al Harty, Valentino Rossi, Kelvin van der Linde), a 1 volta
#54 Vista AF Corse (Francesco Castellacci, Thomas Flohr, Davide Rigon), a 1 volta
#31 The Bend Team WRT (Augusto Farfus, Yasser Shahin, Pedro Ebrahim), a 1 volta
#21 Vista AF Corse (François Heriau, Simon Mann, Alessio Rovera), a 1 volta
#27 Heart of Racing Team (Mattia Drudi, Ian James, Zacharie Robichon), a 2 voltas
#60 Iron Lynx (Andrey Gilbert, Lorcan Hanafin, Fran Rueda), a 2 voltas
Não completaram
#61 Iron Lynx (Lin Hodenius, Maxime Martin, Martin Berry)
#77 Proton Competition (Bernardo Sousa, Ben Tuck, Ben Barker)
#88 Proton Competition (Stefano Gattuso, Giammarco Levorato, Dennis Olsen)
Ao mesmo tempo em que reúne montadoras icônicas como Ferrari, Porsche, Lamborghini, BMW e Aston Martin, o Campeonato Mundial de Endurance tem outra característica bastante importante e que o torna singular no universo do automobilismo: a alta representatividade em seu grid, com pilotos oriundos dos cinco continentes. A Rolex 6 Horas de São Paulo reúne um contingente diverso, com bandeiras de 29 países diferentes neste fim de semana em Interlagos.
Palco do FIA WEC nesta quinta etapa da temporada 2024, depois de dez anos sem receber a competição, o Brasil estará na pista com dois pilotos na classe LMGT3: o curitibano Augusto Farfus, que corre pelo Team WRT com a BMW M4 LMGT3 #31; e o carioca Nicolas Costa, competidor da United Autosports a bordo da McLaren 720S Evo LMGT3 #59.
A América do Sul terá outros dois pilotos no grid em Interlagos. José María ‘Pechito’ López, vencedor das 24 Horas de Le Mans e campeão do FIA WEC em 2021 com a Toyota Gazoo Racing, volta ao volante do Lexus RC F LMGT3 #87 da Akkodis ASP Team, enquanto o chileno Nicolás Pino, de somente 19 anos, faz sua temporada de estreia no Mundial de Endurance como piloto da United Autosports a bordo da McLaren 720S Evo #95.O continente americano traz ainda dois pilotos canadenses — Antonio Serravalle, da Isotta Fraschini, na classe Hypercar, e Zacharie Robichon, da Proton Competition, na LMGT3. São três norte-americanos: Ian James, da Heart of Racing Team; Simon Mann, da Vista AF Corse; e Ryan Hardwick, da Proton Competition e companheiro de equipe de Robichon. Por fim, Aliaksandr Malykhin (Manthey Pure Rxcing, classe LMGT3) corre com a bandeira de São Cristóvão e Nevis e licença do país insular caribenho.
Pilotos
O FIA WEC abrange também três competidores africanos: os sul-africanos Sheldon Van der Linde (BMW M Team WRT, na Hypercar) e o irmão, Kelvin Van der Linde (Akkodis ASP Team), além do angolano Rui Andrade (TF Sport), os dois últimos inscritos na LMGT3.
Nação de enorme tradição no automobilismo, o Japão terá cinco pilotos em Interlagos, com destaque para Kamui Kobayashi e Ryo Hirakawa, campeões do FIA WEC com a Toyota Gazoo Racing na classe Hypercar. A China é representada pelo jovem Yifei Ye, que compõe o trio da AF Corse com a Ferrari 499P da principal categoria do campeonato.
A Ásia ainda tem no grid Ahmad Al Harthy, de Omã, no Oriente Médio. O piloto é um dos companheiros de equipe de Valentino Rossi na BMW M4 LMGT3 #46. O outro carro da equipe belga, que tem Augusto Farfus como um dos competidores, traz mais um asiático: Sean Gelael, da Indonésia. E Carl Wattana Bennett, piloto da Isotta Fraschini, tem dupla nacionalidade: norte-americano de nascimento, o competidor defende a bandeira tailandesa no FIA WEC, enquanto Robert Shwartzman estampa o pavilhão de Israel na Ferrari 499P #83 da AF Corse na Hypercar.
A Oceania é bem representada no grid da Rolex 6 Horas de São Paulo. A Nova Zelândia tem os campeões mundiais Earl Bamber (Cadillac Racing) e Brendon Hartley (Toyota Gazoo Racing), enquanto a Austrália acelera com Matt Campbell (Porsche Penske Motorsport) e Yasser Shahin (Manthey EMA), um dos líderes do campeonato na LMGT3.
O maior contingente
Berço do automobilismo e também do FIA WEC, a Europa é o continente que reúne o maior número de pilotos e também de países neste fim de semana da Rolex 6 Horas de São Paulo.
Estarão alinhadas em Interlagos as bandeiras de Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Grã-Bretanha, Países Baixos, Irlanda, Itália, Noruega, Polônia e Suíça.
A França é o país com maior representatividade no Campeonato Mundial de Endurance. Em São Paulo, 18 gauleses vão correr pela vitória. Outra nação com muitos pilotos em ação é a Itália, com 13, enquanto a Grã-Bretanha terá 12 competidores na pista.
Programação
Sexta-feira, 12 de julho
10h45 – Treino Livre 1 (90 minutos)
13h45 – Entrevista coletiva oficial FIA WEC
15h15 – Treino Livre 2 (90 minutos)
17h00 – Pit Walk
Sábado, 13 de julho
10h30 – Treino Livre 3 (60 minutos)
12h00 – Pit Walk
12h05 – Sessão de autógrafos
14h30 – Classificação GT3
14h50 – Hyperpole GT3
15h10 – Classificação Hypercar
15h30 – Hyperpole Hypercar
16h00 – Entrevista coletiva pós-classificação FIA WEC
Domingo, 14 de julho 08h40 – Pit Walk
08h45 – Sessão de autógrafos
08h55 – Desfile de Ferrari
09h20 – Desfile de Porsche
09h45 – Desfile dos pilotos FIA WEC
11h30 – Rolex 6 Horas de São Paulo – largada
18h25 – Entrevista coletiva pós-corrida
Os fãs de automobilismo que ultimamente foram agraciados com vários filmes de automobilismo, como Ford X Ferrari, terão um excelente motivo para irem ao cinema a partir de hoje (22). É que começa a ser exibido nos cinemas de todo o Brasil a história do comendador Enzo Ferrari.
O filme que revela a vida pessoal de Enzo Ferrari, em 1957, e reproduz cenas de corridas da época, entre elas a Mille Miglia. Uma das provas mais importantes do automobilismo internacional, a italiana Mille Miglia era válida pelo Campeonato Mundial de Carros Esporte, precursor do atual Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC), que terá sua etapa brasileira, a Rolex 6 Horas de Interlagos, no dia 14 de julho, inclusive com a presença da equipe Ferrari.
Realizada em um percurso de 1.500 km pelas estradas entre Roma e Brescia, a Mille Miglia contava com a participação das principais equipes e pilotos da época.
“Ferrari” tem direção de Michael Mann e Adam Driver no papel de Enzo Ferrari. O elenco conta também com Penélope Cruz no papel de Laura Ferrari, Shailene Woodley como Lina Lardi, o brasileiro Gabriel Leone, que interpreta o piloto Alfonso de Portago, em seu primeiro longa internacional, além de Sarah Gadon, Jack O’ Connell, Patrick Dempsey e Daniela Piperno.
O trailer de “Ferrari” pode ser visto https: //www.youtube.com/watch?v=7jTVI2EmcJo.
A temporada do Campeonato Mundial de Endurance (WEC) chega à sua parte final. A próxima etapa, as 6 Horas de Fuji, será a penúltima corrida de 2023. E, na terra do sol nascente, André Negrão chega animado na tentativa de um bom resultado a fim de terminar o ano em alta. A corrida terá largada às 23h deste sábado, no horário de Brasília.
Foram eles em 2017 (2º) e 2018-19 (3º), ambos na categoria LMP2, da qual foi campeão; e no ano passado (3º), na Hypercar, denominação da divisão principal, da qual é o atual vice-campeão mundial. Atualmente, aguardando o término do novo carro da Alpine para retornar à Hypercar, Negrão disputa a LMP2.
Curvas desafiadoras
“É sempre bom correr em uma pista que te traz boas recordações, onde você foi bem-sucedido. Fuji é um lugar especial para mim”, iniciou Negrão, que terá a seu lado no Alpine #35 o mexicano Memo Rojas e o britânico Olli Caldwell. “Estou otimista para esta prova após a melhora de desempenho dos nossos carros demonstrada em Monza, na corrida anterior. Temos que confirmar esse avanço na parte técnica com um bom resultado em Fuji. A temporada não começou da maneira que gostaríamos, então nossa meta agora é terminar o ano com resultados positivos”, completou.
Confira os horários (de Brasília) no final de semana:
Com quatro novas etapas, uma delas em Interlagos, o WEC – Campeonato Mundial de Endurance anunciou a expansão do calendário de 2024.
A prova na capital paulista será a quinta da temporada, no dia 14 de julho. Com sete corridas em 2023, a competição contará com oito no ano que vem.
“A etapa de Interlagos será uma corrida de seis horas de duração e está garantida pelos próximos cinco anos”, disse o piloto brasileiro André Negrão, atual vice-campeão mundial pela equipe francesa Alpine.
“Eu já tinha perdido a esperança de um dia correr no Brasil. Mas agora estou super emocionado e feliz”, desabafou.
O WEC volta ao Brasil dez anos depois de ter visitado Interlagos pela última vez. O campeonato correu no traçado paulista em 2012, 2013 e 2014.
O anúncio aconteceu nesta hoje, às vésperas da edição que comemora o centenário das 24 Horas de Le Mans, principal prova de resistência do mundo, que terá largada neste sábado.
A famosa corrida francesa contará com cinco brasileiros no grid: André Negrão e Pietro Fittipaldi na categoria LMP2, Felipe Nasr e Pipo Derani na Hypercar e Daniel Serra na LMGTE-Am.
Transmissão ao vivo
A prova que marca o centenário das 24 Horas de Le Mans, criada em 1923, terá uma cobertura grande e inédita para o Brasil. A exemplo das últimas etapas do Mundial de Endurance, que já vinham sendo exibidas pelo YouTube gratuitamente, a corrida francesa também irá ao ar da mesma maneira, desta vez pelo BandSports.
Criada em 1923, as 24 Horas de Le Mans completam 100 anos este ano. Apesar de ser apenas a 91ª edição da famosa prova, realizada em trechos de estradas e de autódromo permanente, no Circuito de la Sarthe, a ocasião é também bastante especial dado o fato que o grid pela primeira vez em muitos anos estar em grande forma, com a entrada de diversas montadoras como Ferrari, Porsche, Peugeot e Cadillac se juntando à Toyota – que chega como a favorita para a edição deste ano.
Para 2024 há ainda a promessa da chegada à categoria Hypercar de nomes de peso como BMW, Alpine e Lamborghini, o que para muitos marca o início de uma nova “era de ouro” das corridas de longa duração – e em especial das 24 Horas de Le Mans.
“Com certeza é um grande momento estar mais uma vez no grid de Le Mans, e principalmente com tantos bons pilotos e bons carros”, disse o brasileiro André Negrão, piloto do Alpine #35, que disputa pela sétima vez a corrida, vencida por ele na categoria LMP2 em 2018 e 2019.
“Vamos buscar um bom resultado na LMP2 neste ano. Eu já venci duas vezes a prova por essa categoria. Mas, é claro, é uma prova de 24 horas. Tudo e sempre pode acontecer. E é por isso que você vê muitas equipes comemorando apenas o fato de ter terminado a corrida. Muita gente até chorando. É um grande esforço para todos, mas se você consegue chegar ao fim sempre se sente recompensado”, completou Negrão.
Resistência
Organizada pelo ACO (Automobile Club de l’Ouest), a primeira prova ocorreu em 26 e 27 de maio de 1923. Inicialmente, os organizadores queriam promover uma corrida que testasse a ainda incipiente tecnologia dos automóveis, com muitas pequenas fábricas espalhadas especialmente pela Europa.
O formato era diferente: o carro vencedor seria aquele que conseguisse cobrir a maior distância após três edições das 24 horas. Mas a ideia foi abandonada em 1928, com os vencedores de cada edição sendo reconhecidos como os ganhadores.
A prova não foi realizada em nove anos entre 1923 e 2023. Primeiro em 1936, devido a uma greve geral na França, e depois pela Segunda Guerra Mundial, entre 1940 e 1948, quando a pista também precisou ser reconstruída.
Era dourada
Com a retomada da prova em 1949, diversas montadoras passaram a se interessar pela competição. O ano marcou também a primeira vitória da Ferrari, com um modelo 166MM – carro que inspirou a canção “Red Barchetta”, da banda canadense Rush.
Em 1953, com a formação do Mundial de Protótipos, a prova ganhou um campeonato organizado que orbitava em torno dela – como acontece até hoje, nos últimos anos como Mundial de Endurance.
A edição de 1955 viu acontecer um grande susto: a maior tragédia da história do automobilismo. O francês Pierre Levegh bateu na reta principal. Seu carro foi parar em uma área de espectadores e matou 84 pessoas, o que motivou preocupações e melhorias de segurança e também o abandono das corridas por parte da Mercedes Benz e, um pouco mais tarde, a proibição de provas na Suíça.
Com o avanço dos carros, nos anos 1960 os modelos chegavam aos 320 km/h na reta Mulsanne – ainda sem chicanes, que foram apenas colocadas em 1990. Neste período, uma das grandes histórias do automobilismo se criou em Le Mans, quando a Ford derrotou a Ferrari na prova francesa em 1966 – episódio retratado no filme “Ford vs. Ferrari” (2019).
Para aumentar o peso dessa saga, a marca de Maranello – que ganhou de 1960 até 1965 – não vence as 24 Horas de Le Mans desde então. Neste período, a popularidade da prova aumentou, com edições chegando a ter mais de 300 mil espectadores.
Nos anos 1970, a famosa largada com os pilotos correndo até os carros foi abandonada em detrimento de mais segurança, primeiramente por uma largada parada (1970) e posteriormente em movimento (1971).
O segundo grande momento das 24 Horas de Le Mans veio nos anos 1980 com a criação do Grupo C – que uniu regulamentos de campeonatos pelo mundo. Nesta época, diversas montadoras levaram carros que até hoje são relembrados com carinho pelos fãs para a corrida francesa.
Entre as marcas estava a Porsche, que conseguiu a façanha de em 1983 fazer nove dos 10 primeiros colocados na prova e anotar a maior média de velocidade da história em uma volta em 1985, 251,815 km/h.
Outras fábricas que construíram seus nomes na corrida e fizeram modelos hoje considerados lendários são Jaguar, Mazda (primeira japonesa a vencer, em 1991), Toyota, Nissan, Mercedes por meio da equipe Sauber, e Peugeot (dona do recorde de velocidade da reta Mulsanne em 1988, 405 km/h).
Neste período, a FIA decidiu impor aos times do Grupo C, em 1992, que apenas carros com motores 3.5L e com arquitetura em V competissem no Mundial de Protótipos, igualando seu regulamento ao da Fórmula 1.
Os custos subiram excessivamente e, assim, as montadoras tiveram que fazer uma opção e iniciaram uma retirada do campeonato, que em 1993 foi cancelado devido à falta de participantes.
Criação
As 24 Horas de Le Mans ficaram sem um campeonato oficial entre 1993 e 2010. Em 2011 a prova contou para o Intercontinental Le Mans Cup, porém em 2012 um novo campeonato nasceu para contemplar a prova: o Mundial de Endurance, ou World Endurance Championship, que permanece até hoje.
Desde sua formação, o WEC possui entre três e quatro classes, englobando também carros de GT – s superesportivos vendidos ao público que se popularizaram na prova após o fim do Grupo C. Nesta fase, a Audi iniciou dominando (vencendo 13 edições entre 2000 e 2014) antes de sair do campeonato em 2016. Após isso, a Porsche conquistou as últimas três de suas 19 vitórias em Le Mans – recorde para uma montadora – antes de também sair no fim de 2017.
Já nos últimos cinco anos a Toyota – que amargou uma derrota na última volta em 2016 para a Porsche após uma falha mecânica – conquistou cinco vitórias seguidas. As duas primeiras com o espanhol Fernando Alonso, bicampeão de Fórmula 1, ao volante.
A marca japonesa chega como grande favorita em 2023, mas agora com nomes de peso a seu lado, como Ferrari, Porsche, Peugeot e Cadillac. Elas competem na categoria dos Hipercarros, criada em 2021 para substituir a antiga LMP1, a principal do grid.
Brasileiros
Até hoje, 35 pilotos brasileiros já participaram das 24 Horas de Le Mans. Porém, se por um lado nunca um deles chegou ao lugar mais alto do pódio na categoria geral, vários já estiveram no top 3 e quatro conseguiram vencer a corrida em classes intermediárias.
André Negrão e Daniel Serra, que estarão no grid da prova neste ano, foram os últimos a triunfar, em 2019. Negrão pela LMP2 – segunda categoria mais importante – e *Serra* pela LMGTE-Pro. As vitórias de ambos foram suas segundas na tradicional corrida francesa. André ganhou pela primeira vez em 2018 (LMP2), já Serra faturou pela primeira vez as 24 Horas em 2017 (LMGTE-Pro).
Além dos dois, Thomas Erdos – primeiro vencedor brasileiro em Le Mans – ganhou na classe LMP2 em 2005 e 2006, com Jaime Melo na GT2 em 2008 e 2009. Já em pódios gerais, o Brasil foi representado por seis nomes na história. O mais bem-sucedido e o único a repetir pódios é Lucas Di Grassi, terceiro em 2013 e 2016 e segundo em 2014. O primeiro pódio da história foi de José Carlos Pace em 1973, com o campeão do Mundial de Protótipos de 1987 – Raul Boesel – sendo segundo em 1991.
Já em 2008, foi a vez de Ricardo Zonta levar a bandeira do Brasil ao terceiro lugar do pódio. Em 2020, Bruno Senna foi o segundo e André Negrão em 2021 levou pela última vez o Brasil a um pódio geral, em terceiro.