Ministério Público do Trabalho

Pirelli Pneus é condenada e hospital Mário Gatti recebe R$ 4,5 milhões

A Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar de Campinas vai investir R$ 4,5 milhões na modernização de equipamentos e ampliação do atendimento na área de ortopedia. O recurso foi transferido ontem (29) pelo TRT – Tribunal Regional do Trabalho e é oriundo de um acordo homologado pelo tribunal entre a Pirelli Pneus e o MPT – Ministério Público do Trabalho.

O investimento ocorrerá na contratação de profissionais e na modernização do parque tecnológico existente nos hospitais da Rede para que os procedimentos sejam realizados com maior qualificação e agilidade, diminuindo, ainda, o tempo de internações hospitalares.

O prefeito Dário Saadi afirmou que o recurso vem se somar ao esforço que está sendo feito para reduzir a fila de espera por cirurgias.

Ele observou também que não há na rede, conveniada e não conveniada, oferta de cirurgias ortopédicas de média e alta complexidade para a Prefeitura contratar. “Temos de 20% a 25% de pacientes da região com traumas que chegam na porta do Mário Gatti. Os casos são operados com a urgência que precisam, mas os casos mais leves esperam mais”, afirmou.

O presidente do TRT-15, Samuel Hugo Lima, afirmou que a transferência dos recursos trará impacto positivo na qualidade de vida dos cidadãos. “A modernização dos equipamentos, mais cirurgias e reabilitação irão garantir que mais pacientes possam retomar as atividades. Isso reflete a importância de utilizar os recursos oriundos dos processos para promover o bem-estar coletivo e proporcionar melhorias significativas nos serviços de saúde”, afirmou.

“A epidemia de acidentes de trânsito aumenta muito a demanda por cirurgias ortopédicas. Mas há também pressão por procedimentos de alta complexidade, onde os pacientes precisam de próteses. São pessoas com mais idade e com doenças complexas”, afirmou o presidente da Rede Mário Gatti, Sergio Bisogni.

O Hospital Ouro Verde obteve a habilitação provisória para realizar cirurgias ortopédicas de alta complexidade, o que ajudará a desafogar o sistema. “Estamos trabalhando para conseguir a habilitação para alta complexidade para todo tipo de cirurgia. O Ouro Verde tem infraestrutura, equipes, unidade de terapia intensiva, centro cirúrgico”, afirmou.

Na ação, que tramitou po 9 anos, a Pirelli  Pneus foi condenada  pelo MPT – Ministério Público do Trabalho  “por  falta de segurança nas linhas de produção de pneus na fábrica da empresa em Campinas e subnotificação de caos de doenças ocupacionais”.

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Polícia resgata mais duas pessoas de trabalho análogo à escravidão

A Polícia Civil encontrou, em uma empresa de reciclagem de plástico, em Guarulhos (SP) dois homens vítimas de trabalho análogo à escravidão. Eles foram encontrados por acaso, ontem (5), durante uma investigação de caso de furto.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, a perícia foi acionada e a corporação fez encaminhamentos para apurar o crime e localizar o proprietário do imóvel.

O chefe da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conaete), Luciano Aragão, disse que a fiscalização, dentro dos parâmetros ideais, faz toda a diferença no resgate das vítimas. Após tomar conhecimento do caso, as autoridades abriram inquérito para apurar os fatos, assegurar a responsabilização pelo crime e a devida reparação às vítimas.

“Às vezes, encontramos vítimas por coincidência e temos que trabalhar, posteriormente, na garantia dos direitos das vítimas”, disse o coordenador.

Interior de São Paulo

Na última quarta-feira (4), o Ministério Público do Trabalho noticiou outro caso em que o empregador praticava trabalho escravo. A vítima era trabalhador rural do município de Itapirapuã Paulista (SP), na região do Vale do Ribeira. A Polícia Rodoviária Federal também participou da ação deresgate, que também contou com o apoio de dois policiais civis.

A vítima, que tem mais de 50 anos de idade, trabalhava em uma pequena roça de cultivo de milho e feijão há cerca de dez anos e morava em um paiol feito de madeira, onde era obrigado a armazenar agrotóxicos e máquinas e abrigar galinhas e que era cercado por porcos.

O homem não dispunha de estrutura básica para atender suas necessidades, tendo que utilizar o banheiro da casa onde vivia seu empregador, que jamais pagou remuneração durante todo o  tempo, nem o liberou para ter férias.

A vítima trabalhava sem registro em carteira assinada e sem documentos pessoais. A equipe que foi ao encontro do trabalhador destacou que ele se mostrou “visivelmente com medo do empregador” e relatou que sofria agressões físicas por parte dele, que o forçava a continuar trabalhando.

Em uma das ocasiões, durante uma briga entre a vítima e o irmão do empregador, o proprietário da terra desferiu um golpe com facão no antebraço esquerdo da vítima.

O trabalhador cumpria suas funções e, em troca, ganhava apenas comida e moradia. Nesse caso, as autoridades entenderam que a exploração e o trabalho análogo à escravidão, portanto, se caracterizam pelas condições degradantes de trabalho, pela jornada exaustiva e pelo trabalho forçado.

O empregador alegou que não tem condições financeiras para indenizar o resgatado. O ministério deve acionar a Justiça para fazer valer os direitos da vítima, que foi levada à casa de sua mãe.

Operação Resgate III

No início do mês passado, o Ministério do Trabalho e Emprego realizou a Operação Resgate III, anunciada como a maior de combate a trabalho análogo à escravidão e de tráfico de pessoas da história do país.

Ao todo, mais de 500 pessoas foram resgatadas, sendo 54 delas no estado de São Paulo, que enfrenta atualmente casos parecidos em oficinas de costura. O Estado ficou em terceiro lugar em relação ao número de resgates, atrás de Minas Gerais (204) e Goiás (126).

Na última terça-feira (3), 49 trabalhadores foram recuperados de condições de trabalho análogo à escravidão, em Santa Bárbara de Goiás,. enquanto exerciam a atividade de extração de palha de milho para produção de cigarros. (Agência Brasil)

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Ifood assina compromisso com MPF após tentar desmobilizar entregadores

A empresa de entrega de comida Ifood assinou um compromisso com o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) em que se compromete a promover ações em favor dos direitos trabalhistas e do respeito ao direito de informação da população.

O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado na última sexta-feira (7), ocorre em decorrência de reportagem da Agência Pública que revelou que o Ifood contratou as agências de publicidade Benjamim Comunicação e a Promove Serviços de Propaganda e Comunicação (Social QI) para desmobilizar movimento dos entregadores. Os profissionais reivindicavam melhores condições de trabalho. As agências também assinaram o TAC.

De acordo com a reportagem, as agências contratadas criaram perfis falsos e se passavam por entregadores do Ifood para questionar nas redes sociais as reivindicações dos trabalhadores.

Obrigações

O TAC prevê obrigações do iFood para assegurar a liberdade sindical e os direitos de greve e de negociação coletiva dos entregadores. “Esses direitos são fundamentais, sendo parâmetros mínimos, previstos na Constituição Federal e em tratados internacionais de direitos humanos, para que os trabalhadores tenham meios de promover a sua organização, fomentar a solidariedade entre os membros do grupo e expressar adequadamente a voz coletiva de seus integrantes”, destaca o procurador do Trabalho Renan Kalil.

O iFood deverá ainda financiar pesquisas e projetos, no valor de R$ 6 milhões, que analisem as relações de trabalho com entregadores, o mercado publicitário e de marketing digital, e a responsabilidade social dos controladores de plataformas.

“Para que tenham seu direito à informação respeitado, os cidadãos precisam saber se é uma empresa que está postando determinado conteúdo na Internet, em qual contexto e para qual finalidade. Isso é especialmente importante para que eles possam formar livremente sua opinião sobre assuntos de relevância pública e, a partir disso, exercer outro direito fundamental: a liberdade de expressão, que deve ser isenta de interferências indevidas ou ocultas”, destacou o procurador da República Yuri Corrêa da Luz.

Segundo o TAC, o iFood ficará proibido de divulgar, pelos próximos seis meses, anúncios, propagandas e campanhas publicitárias sobre supostas medidas adotadas pela empresa para promoção de direitos fundamentais e trabalhistas.

“O objetivo é impedir a publicação, no curto prazo, de informações que possam se mostrar inverídicas ou imprecisas sobre a postura da empresa em relação às demandas de interesse social como as que foram alvo de investigação”, disse o MPF em nota.

O Ifood informou que cumprirá os termos do TAC. “Celebramos o acordo porque as obrigações assumidas pelo iFood no TAC estão alinhadas com nossos valores e princípios, em especial a promoção de um ambiente de maior transparência nas redes sociais, o respeito ao direito de manifestação e de associação dos entregadores e o investimento em pesquisas que colaborem com o desenvolvimento sustentável do país”, disse, em nota, o diretor jurídico da empresa, Lucas Pittioni.

O Ifood destacou, em nota enviada pela assessoria de imprensa, “que não cometeu qualquer uma das condutas investigadas”.

As agências de publicidade Benjamim Comunicação e a Promove Serviços de Propaganda e Comunicação (Social QI) foram procuradas, mas ainda não se manifestaram. (Agência Brasil)

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