Autismo

Crianças com autismo têm atendimento inédito em Campinas

O diagnóstico e a assistência às crianças com espectro do transtorno autista em Campinas serão aprimorados com a inauguração do Centro Especializado em Reabilitação (CER) Jorge Rafful Kanawaty. A estrutura em Sousas garante uma abordagem inédita ao oferecer avaliação de crianças com alteração do desenvolvimento cognitivo e reabilitação com uma série de intervenções.

“O diagnóstico do autismo é uma demanda grande na cidade e este centro está preparado para atender as crianças com autismo ou outros atrasos no desenvolvimento intelectual”, explicou o prefeito Dário Saadi. A inauguração da unidade foi na semana passada.

O imóvel do antigo Centro de Referência em Reabilitação (CRR) passou por ampla reforma, com investimento de R$ 1,2 milhão, o que permitiu à Secretaria de Saúde implementar um novo modelo de assistência e ampliar serviços.

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Centro Especializado em Reabilitação é inaugurado em Sousas

Foi inaugurado na manhã de hoje (27) o CER – Centro Especializado em Reabilitação Jorge Rafful Kanawaty no distrito de Sousas. O imóvel do antigo Centro de Referência em Reabilitação passou por uma reforma, o que permitiu a saúde implementar um novo modelo de assistência e ampliar o serviço.

Antes, a unidade realizava somente reabilitação física para crianças e adultos. Agora, também passa a executar a avaliação de crianças com alterações do desenvolvimento cognitivo e ofertar a reabilitação cognitiva para este público-alvo. Dentro desta reabilitação será feita intervenção com crianças com autismo.

“As crianças com autismo ou crianças com outros atrasos no desenvolvimento intelectual mereciam um centro especializado como este. Uma demanda grande é sobre o diagnóstico de autismo. E este centro está preparado para fazer este diagnóstico”, disse Dário Saadi, prefeito de Campinas.

“Este centro de referência sempre foi dedicado ao atendimento de pessoas com deficiência física, temporária ou permanente. E agora estamos dando um passo muito importante no município que é a reabilitação intelectual e infantojuvenil. Estamos emprenhados em fazer isso com muita qualidade, capacitando equipe, reorganizando o espaço para caber a clientela e os atendimentos necessários”, disse a coordenadora do Centro Especializado em Reabilitação, Raquel Hokama.

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Justiça no Rio condena Unimed a reintegrar criança com autismo

A Justiça do Rio condenou a Unimed do estado, a Unimed Federação Estadual das Cooperativas Médicas e a Supermed Administradora de Benefícios a fazer a reintegração imediata ao plano de saúde, nas mesmas condições anteriormente contratadas, de um menino de 11 anos de idade, com deficiência de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mesmo com todas as mensalidades quitadas, a operadora comunicou o cancelamento de forma unilateral do plano, acarretando a suspensão do tratamento médico da criança.  A decisão deverá ser cumprida no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária no valor de R$ 1 mil.

A desembargadora Regina Lúcia Passos, da 5ª Câmara de Direito Privado, relatora do processo, ressalva que a tutela poderá ser cumprida no mesmo prazo, com inserção de plano equivalente, com as mesmas coberturas e valor das mensalidades, desde que sejam conveniados os estabelecimentos atualmente frequentados pelo autor em tratamento multidisciplinar.

A magistrada reformou decisão anterior do juízo da 2ª Vara Cível de Cabo Frio, que tinha indeferido a tutela provisória de urgência. O menino busca se manter vinculado ao plano de saúde até conseguir nova contratação, garantindo a continuidade do seu tratamento médico por métodos específicos e por equipe multidisciplinar composta por psicólogo, nutricionista, fonoaudiólogo e outros.

Na decisão, a desembargadora Regina Passos disse que “é inadmissível que a operadora do plano de saúde, a quem o poder público autorizou a lidar com a saúde da população, venha a frustrar as expectativas de continuidade de atendimento ao conveniado sem critérios mínimos. Saliente-se que, não há risco de dano irreparável para as rés. Isso porque o pedido do autor é de prestação do serviço, mediante a remuneração que fixada pela parte ré, ou seja, as mensalidades dos planos de saúde estavam em dia e continuarão a ser pagas. Portanto, nem sequer prejuízo patrimonial se impunha à agravada”. A magistrada acrescentou: “Há manifesto risco de dano irreparável ao autor, que possui transtorno do espectro autista em grau severo e com necessidade de tratamento contínuo, que pode ser interrompido, se prevalecer o cancelamento desmotivado da operadora, sem indicação de serviço equivalente”.

A criança fez adesão a um plano coletivo, contratado pela federação estudantil à administradora de benefícios Supermed e operado pela Unimed Rio. Foi comunicada da sua exclusão por meio de e-mail enviado pela administradora do benefício. No comunicado, a administradora informou que somente garantia a portabilidade, caso a criança contratasse outro plano de saúde.

Segundo o relatório na ação, “a criança foi exposta à interrupção dos tratamentos em curso, pois como se vê, embora tenha mencionado a portabilidade como uma garantia legal, as rés não ofereceram um plano equivalente, para adesão, pelo consumidor. Por isso, o vulnerável ajuizou a ação e requereu tutela antecipada, para que tivesse continuidade de seu tratamento médico, até conseguir uma nova contratação”.

A desembargadora esclarece que “se uma operadora de grande porte e uma administradora de benefícios, focada em planos de saúde, não encontraram contrato similar, ao qual o consumidor pudesse aderir, decerto que o vulnerável não teria facilidade em encontrar o referido serviço para contratar. Dessa forma, a criança deixaria de ter plano de saúde, depois de anos pagando continuamente pelo serviço, cujo preço embute o benefício da continuidade. Certamente muitos usuários passam determinados meses sem fazer nenhum uso do plano de saúde, mas continuam pagando as mensalidades, porque a continuidade, ainda que sob a forma de disponibilidade, é uma característica do mencionado. Se o consumidor paga, mesmo quando não usa o serviço, a operadora não pode, desmotivadamente, quando lhe convém, abandonar o consumidor à própria sorte, durante tratamento relevante”.

Para a magistrada Regina Lúcia Passos “conclui-se que estão presentes os requisitos autorizadores para concessão da medida, como a probabilidade do direito e o perigo de dano, decorrente da não prestação adequada dos serviços indispensáveis para o regular prosseguimento do tratamento da saúde do autor, por se tratar de pretensão que envolve o direito à vida e à saúde; paralelamente, não existe perigo de dano inverso para a parte agravada”.

A desembargadora esclarece ainda que “o indeferimento da tutela merece reparo urgente, tendo em vista a necessidade de conferir continuidade às orientações médicas, para melhora da condição atual do paciente. Afinal, a demora poderá acarretar prejuízos irreversíveis, não apenas de estagnação do estado atual, mas de regressão dos resultados já obtidos”, disse Regina Passos.

Senado

No dia 4 deste mês, entidades de defesa do consumidor, de pessoas com deficiência, com autismo, entre outros grupos, denunciaram, no Senado, suspensões unilaterais de planos de saúde. Nos últimos meses, têm crescido reclamações de usuários sobre cancelamentos unilaterais, que deixam as pessoas sem acesso à assistência médica privada. (Agência Brasil)

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Evento reúne especialistas para debate sobre autismo no Iguatemi

Dois dos maiores especialistas em autismo do Brasil estarão em Campinas hoje (01.04) para participar do evento “Autismo, Protagonismo e Comunidade”, no Teatro Oficina do Estudante, no shopping Iguatemi. Promovido pelo Instituto SER – Senso Educação Reintegrada, o encontro marca a abertura do Abril Azul, mês dedicado à conscientização sobre o autismo em todo o Brasil.

O evento tem como objetivo debater o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e ampliar o conhecimento da população em torno do tema. Ele é aberto a todos os interessados, mas tem como foco central os profissionais da área de saúde (médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos, terapeutas e psicólogos), além de educadores, famílias de uma forma geral e demais interessados.

Aída Teresa dos Santos Brito e Lucelmo Lacerda de Brito, os palestrantes, são conhecidos pela qualificação de alto nível e pela atuação destacada na área de TEA no Brasil, e até fora do país, nos últimos 20 anos. Eles dirigem o Grupo Luna ABA, composto por profissionais nas áreas da Psicologia, Educação, Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia e Análise do Comportamento Aplicada

Abril Azul

O Abril Azul foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de conscientizar a população sobre o TEA, envolver as comunidades, dar mais visibilidade e ajudar na busca de uma sociedade mais consciente, com menos preconceito e mais inclusão. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o mundo possui cerca de 70 milhões de pessoas autistas.

O que é o TEA

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a maneira como uma pessoa se comunica, interage socialmente e processa informações. Tem uma ampla gama de sintomas e níveis, daí o termo “espectro”. Algumas pessoas podem ter dificuldades significativas na comunicação e interação social, enquanto outras podem ter habilidades bem desenvolvidas em áreas específicas. É uma condição permanente, mas com intervenção precoce e apoio adequado, indivíduos podem levar vidas plenas e produtivas.

Quais os tipos de autismo?

Criado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) para padronizar os critérios diagnósticos das desordens que afetam a mente e as emoções, o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) define que o autismo é classificado por níveis (ou graus) entre 1 e 3 e que mostram a necessidade de suporte do paciente.

Nível 1: leve – precisa de pouco apoio;
Nível 2: moderado – precisa de apoio moderado;
Nível 3: severo – precisa de muito apoio.

Já a CID-11, que é a décima primeira revisão da Classificação Internacional de Doenças, da Organização Mundial da Saúde (OMS), passou a seguir o DSM-5 ao unificar os quadros de autismo. Além disso, agora usa o termo Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) no lugar de Transtorno Global do Desenvolvimento, que era o utilizado na CID-10. A nova classificação engloba todos os diagnósticos anteriores, incluindo Autismo Infantil, Autismo Atípico, Síndrome de Asperger, Transtorno Desintegrativo da Infância e Transtorno com hipercinesia associado a Retardo Mental e a movimentos estereotipados. A única exceção é a Síndrome de Rett, que teve designado um outro código.

Diagnóstico

Para Cláudia Dubard, diretora do Instituto SER, o número de diagnósticos do TEA tem crescido devido ao maior conhecimento do assunto e também ao que os profissionais chamam de diagnóstico ampliado – que permite a identificação juntamente com o TDAH, por exemplo – o que não era possível em um passado recente.

Segundo ela, há dois critérios básicos para o diagnóstico. “Um deles é a dificuldade para se comunicar e para interagir socialmente. O outro tem a ver com comportamentos repetitivos ou restrições a determinados assuntos ou tarefas. Entre esses aspectos podemos citar a rigidez cognitiva, rotinas muito rigorosas ou seletividade alimentar”, disse.

Cláudia afirma que, segundo dados internacionais, uma a cada 36 crianças nascidas no planeta são portadoras de TEA. Vinte anos atrás era uma a cada 150. “O desafio que eu vejo atualmente é fazer o diagnóstico o mais cedo possível na criança e poder começar a terapia o quanto antes. Isso pode fazer a diferença no tratamento do TEA”, disse Cláudia.

Aumento nos casos

O desenvolvimento de novos recursos na área de saúde, aliado à maior facilidade de acesso à informação, estão entre os motivos do aumento no número de casos de TEA em todo o mundo. Veja, a seguir, os fatores que levam a esse aumento, segundo os especialistas:

Acesso à saúde – Atualmente, o acesso aos profissionais e aos serviços de saúde, de uma forma geral, tem sido muito mais fácil para uma grande parcela da população. Isso abre caminho para o diagnóstico, seja por meio de planos de saúde, seja pela rede pública.

Maior conscientização – Uma parte maior da população tem consciência do que é o TEA, o que facilita a busca pelo serviço de saúde quando se identifica um sintoma. Há cada vez mais casos de adultos que se descobrem autistas, muitos deles depois do diagnóstico de um filho.

Diagnóstico ampliado – Recentemente foi possível diagnosticar um mesmo paciente com TDAH (que é o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) e autismo de forma simultânea, sendo que o TDAH, em muitos casos, está associado ao autismo. Com isso, aumentou o número de diagnósticos de pessoas autistas. É comum identificar os dois transtornos juntos.

Acesso à informação – Com a grande quantidade de informações disponíveis sobre todos os assuntos e o tempo todo, as pessoas podem ter acesso a indicadores básicos de TEA que podem ajudar na busca por um profissional ou serviço de saúde para o diagnóstico.

Palestrantes

Aída Teresa dos Santos Brito é psicóloga, mestre e doutora em Educação pela Universidade Federal do Piauí (UFPI); psicóloga, psicopedagoga, pós-graduada nas áreas de Educação Especial e Inclusiva e Terapia Analítico Comportamental Infantil, com formação em TEACCH, PECS; pesquisadora de Comunicação Alternativa e Comportamento Verbal, analista integrante do Grupo Luna ABA; especializada em intervenção em ABA e planejamento inclusivo escolar.

Lucelmo Lacerda de Brito é pós-doutorando em Educação Especial pela UFSCar; doutor em Educação pela PUC-SP; psicopedagogo, analista integrante do Grupo Luna ABA, especializado em intervenção em ABA e planejamento inclusivo escolar. É professor do Ensino Fundamental e Superior; coordenador da pós-graduação em ABA Aplicada ao Autismo e Deficiência Intelectual do CBI of Miami e autor do livro: “Transtorno do Espectro Autista”.

Serviço
Autismo, Protagonismo e Comunidade
Local – Teatro Oficina do Estudante – shopping Iguatemi Campinas – Av. Iguatemi, 777 – Vila Brandina
Data – 01º/04/2024
Horário – 17h às 22h
Ingressos: R$ 120,00 – Onde comprar:
https://www.ingressodigital.com/evento/11238/Autismo_I_Protagonismo_e_Comunidade
Informações – (19) 3272-2520 ou WhatsApp (19) 99876-5580

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