Crédito mais seletivo e vendas mais demoradas, corretores da região de Campinas passaram a buscar alternativas de renda além da comissão tradicional. Com financiamento mais caro e critérios de aprovação mais rigorosos, o ciclo de vendas no mercado imobiliário ficou mais longo. Para muitos profissionais, isso significa maior oscilação no fluxo de caixa, especialmente em períodos de menor atividade.
Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) indicam que o volume de financiamento com recursos da poupança recuou em 2025, refletindo o ambiente de juros elevados. Mesmo com expectativa de redução gradual da taxa básica ao longo de 2026, o repasse ao crédito imobiliário tende a ocorrer de forma lenta.
Diante desse cenário, parte dos corretores passou a avaliar fontes de renda recorrente que não dependam exclusivamente do fechamento de uma venda. Entre as alternativas está a oferta de seguros patrimoniais e residenciais como complemento à atividade imobiliária.
A Megasegur, corretora com atuação nacional fundada pela empresária mineira Ângela de Paula, estruturou um modelo de microfranquia voltado especificamente a corretores e imobiliárias. A proposta combina seguros e consórcios como forma de criar receita contínua e reduzir a dependência exclusiva da comissão.
Em 2025, considerando sua operação geral, a empresa comercializou mais de R$ 60 milhões em seguros e R$ 50 milhões em consórcios.

Para Ângela, o modelo funciona como ferramenta de equilíbrio financeiro. “Quando o fechamento das vendas demora mais, o profissional sente diretamente no caixa. Ter uma fonte complementar ajuda a reduzir essa oscilação e dá mais previsibilidade ao negócio”, afirma.
Em Vinhedo, o corretor Ricardo Toni Oelmann Filho avalia que a alternativa pode fazer sentido principalmente para quem já possui carteira ativa. “A base de relacionamento do corretor é um ativo importante. Mas não é renda automática. Como qualquer franquia, exige gestão e dedicação. Pode ser uma estratégia interessante, sobretudo nos períodos em que o mercado desacelera”, diz.
Mesmo com a perspectiva de redução gradual dos juros, o crédito tende a permanecer seletivo no curto prazo. Para parte dos profissionais da região de Campinas, alternativas que gerem receita recorrente deixam de ser apenas complemento e passam a integrar o planejamento financeiro em um setor historicamente dependente do fechamento das vendas.




