Opinião

Coluna Fernando Calmon — Redução nos impostos ajuda, mas faltam soluções de médio prazo

Coluna Fernando Calmon nº 1.253 — 30/5/23

Redução nos impostos ajuda, mas faltam soluções de médio prazo

O plano anunciado pelo Governo Federal para aliviar a carga tributária sobre automóveis de até R$ 120.000 teve forte viés político e mostrou uma lamentável descoordenação ao não detalhar de imediato por quanto tempo será válida (ora se fala em quatro meses, ora em um ano).

Também não se resolveu a questão de financiamento. O mercado que estava em ritmo razoável, parou quase completamente. Já comentei aqui não ser possível recriar a categoria de “carro popular” nos tempos atuais, considerando as exigências de emissões e segurança.

Modelos “pelados” de 1993 custariam hoje R$ 80.000 só com a atualização monetária.

Há uma categoria de automóveis baratos no Japão, o verdadeiro carro de entrada, chamado de key-jidosha (carro leve ou simples, em japonês). Foi criada em 1949 com motor de apenas 360 cm³ de cilindrada numa época em que o país se recuperava da II Guerra Mundial.

De acordo com a Wikipedia, foram feitas quatro atualizações, a última em 2014: cilindrada de 660 cm³, comprimento de apenas 3.450 mm (Fiat 147 tinha 3.620 mm), no entanto reduzindo as vantagens fiscais. Nenhuma chance de replicar algo semelhante aqui.

Note que o problema atual de baixas vendas da indústria automobilística é mundial, ainda um reflexo da pandemia da covid-19. Por outro lado, o Brasil tem a maior taxação média do mundo para automóveis.

Então o corte de impostos anunciado entre 1,5% e 10,79% (do mais caro ao mais barato) funcionará como estímulo, porém o reflexo maior nas vendas deverá ocorrer se for oferecido financiamento a juros menores.

Há informações desencontradas ou especulativas a exemplo de autorização de uso parcial do FGTS, embora isso exija mudar a lei (por Medida Provisória) que estabelece sua utilização apenas para aquisição de imóveis.

Logo após o anúncio precipitado do corte de impostos, faltando pormenores, houve opiniões estapafúrdias repercutidas pela imprensa. Uma delas indicava ser “absurdo dar estímulos a carros com motor a combustão em um governo com discurso ecológico”.

Falta coerência porque carros elétricos já têm um polpudo incentivo de 35% sob forma de isenção do imposto de importação, e também desconto de IPI e IPVA (este em alguns Estados).

Houve economista que discorreu ser preciso “forçar a exportação” e para tanto advertiu que “elevados elementos de conteúdo nacional reduzem a qualidade”. E ainda citou a Embraer “que não tem requerimento de conteúdo nacional e por isso que seu avião é bom”. Sem comentários.

Por enquanto, supondo-se o desconto provisório máximo aplicável aos dois modelos subcompactos (Fiat Mobi e Renault Kwid) que partem do preço sugerido atual de R$ 69.000, poderia cair para algo em torno de R$ 61.000.

Com uma outra simplificação cosmética e um aperto na margem dos fabricantes talvez possa ser vendido à vista por R$ 59.990 (simbolicamente abaixo de R$ 60.000).

Claro que ajuda, mas terá que haver financiamento atraente (prazos e juros). Não se sabe ainda nem de onde virá a compensação da perda de receita, talvez criando novo imposto (ainda não aprovado) sobre apostas esportivas pela internet.

Na outra ponta, a de R$ 120.000, quem sabe surja alguma versão específica para se enquadrar no desconto mínimo, mas não por apenas quatro meses.

Quanto isso garantirá de aumento de vendas este ano é algo difícil de prever. Nos outros programas de descontos provisórios com IPI zerado criou-se, de fato, demanda basicamente concentrada em antecipação de compras. Algo do tipo “compre antes que acabe a oferta”.

Sem uma estratégia que passe obrigatoriamente pela reforma tributária decente e diminuição efetiva do custo Brasil, a volta aos quase quatro milhões de unidades em 2030, entre veículos leves e pesados, comercializadas em 2012 (o dobro do que se vende hoje), pode se transformar em “Sonho de uma noite de verão”, da comédia de William Shakespeare.

Maverick Hybrid surpreende pelo baixo consumo de combustível

Primeira picape híbrida no mercado brasileiro destaca-se até frente às concorrentes a diesel mesmo usando gasolina. Mas há diferenças de origem: a estreante vem do México sem imposto de importação (II) e a segunda dos EUA (35% de II). A Maverick Lariat Hybrid tem o exatamente o mesmo preço da Maverick Lariat FX4: R$ 244.890.

O novo modelo conta com tração apenas dianteira e motor a gasolina 2,5 litros de aspiração natural, 165 cv e 21,5 kgfm, além do elétrico de 128 cv e 23,9 kgf.m. A Ford informa potência combinada de 194 cv, porém a exemplo de Toyota e Honda não indica o torque combinado pela impossibilidade de medi-lo em soluções híbridas. O câmbio é automático e-CVT.

A Maverick Hybrid, de fato, perde na clássica aceleração de 0 a 100 km/h em relação à FX4 de tração 4×4 com números vistosos de 253 cv e 38,7 kgf.m. Entretanto, no dia a dia em trânsito urbano, mostrou agilidade graças à ajuda do torque instantâneo do motor elétrico.

Impressiona na Hybrid o silêncio a bordo e o baixo nível de vibração. Numa jornada longa motorista e passageiros chegam mais descansados, principalmente se comparada às picapes a diesel. O motor elétrico exige uma bateria de apenas 1,1 kWh e responde pela grande economia de gasolina.

Na homologação oficial do Inmetro há vantagem sensível no ciclo urbano: 15,7 km/litro contra apenas 8,8 km/litro da Maverick convencional; em estrada a diferença é menor: 13,6 km/l e 11,1 km/l. No mundo real os números são melhores.

Durante a avaliação alcançou 19,1 km/l (cidade) e 16,5 km/l (estrada), porém com modo Eco acionado.

No interior a tela multimídia poderia ser maior que 8 pol. Materiais de acabamento têm aspecto um pouco espartano porque, afinal, se trata de um produto voltado ao mercado americano de massa.

Um recurso interessante de segurança: ao abrir a porta do motorista a posição “P” no câmbio é acionada automaticamente.

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Coluna do Secco – Ampliar o conhecimento da imprensa automobilística, desafio dos engenheiros

Ampliar o conhecimento da imprensa automobilística,
desafio dos engenheiros


Ao longo de minha carreira um dos grandes benefícios que sempre valorizei e procurei aproveitar e disseminar foi o da ampliação do conhecimento. Para sermos verdadeiramente especializados em algum segmento, é necessário estar sempre aprendendo, descobrindo coisas novas e se reciclando. 

Uma das coisas que mais valorizei foi o meu relacionamento com profissionais que tinham mais domínio do que eu, aqueles profundos conhecedores de mecânica, física, da história do automobilismo e muito mais.

Entre esses experts destaco os engenheiros automotivos. Tive a oportunidade de me relacionar de maneira estreita com vários que literalmente ampliaram o meu conhecimento e me tornaram um profissional melhor, pois pude escrever sobre cada tema com um pouco mais de propriedade.

Entre esses profissionais destaco hoje o engenheiro Carlos Meccia, que durante 40 anos não somente ajudou a melhorar os automóveis como também disseminou seus conhecimentos e vivência para muitos dos jornalistas especializados que já militaram e ainda militam no setor.


No ano de 1996, a Ford iria promover a inauguração das modernas instalações da fábrica de São Bernardo do Campo para produzir o automóvel Fiesta e que seria equipado com o novo motor Zetec Rocam, nas versões 1.0 e 1.6, produzido na fábrica de Taubaté.

Além de um novo carro, a engenharia da Ford tinha de realçar as virtudes do novo motor, de oito válvulas num momento em que a moda eram os motores de 16 válvulas com teórica maior modernidade.

Eu, como gerente de comunicações da empresa, fui o responsável pelo estabelecimento de um plano de divulgação da fábrica, do novo automóvel e também dos novos motores que, teoricamente, já nasciam, para quem acredita em boatos e não tem conhecimento, com tecnologia superada.

Em meu plano, de uma forma inédita, recomendava um programa diferente dos tradicionais, com pequenos grupos de jornalistas e para ser cumprido em dois dias de trabalho. Assim a transmissão das informações das áreas da empresa envolvidas no projeto do novo automóvel seria melhor assimilada e debatida.

Minha proposta previa um programa absolutamente técnico com informações de todas as caraterísticas do novo automóvel, com antecipação de seis meses do lançamento oficial, para que a imprensa especializada fosse corretamente informada sobre o que a Ford preparava para o mercado.

Ou seja, o programa, em lugar do costumeiro segredo, demonstrava confiança nos profissionais de imprensa com uma inédita apresentação antecipada.

Inicialmente, a proposta foi rejeitada pela preocupação dos diretores em anunciar um novo veículo antes de seu tempo. Mas por sorte, o responsável pelo programa integral era o gerente de marketing da empresa, Rogélio Golfarb que, hoje, é o vice-presidente da Ford na América do Sul.

Além de aprovar o programa, convenceu os diretores e me recomendou algumas mudanças estéticas no programa para melhor compreensão dos diretores. Ou seja, sugeriu dar um colorido ao programa.

Com a aprovação da diretoria, minha responsabilidade aumentou e, alguns dias depois, o Rogélio o apresentou de forma solene, ao vice-presidente mundial da Ford, que visitara o Brasil que também gostou, mas para garantir o seu rigoroso cumprimento, encarregou o presidente da Ford Brasil, Ivan Fonseca e Silva, para garantir a rigorosa realização das ações propostas.

O programa incluiu um teste comparativo com automóveis das mesmas categorias e capacidades cúbicas do motor do mercado brasileiro com os quais os jornalistas puderam fazer uma comparação que os entusiasmou com o superior desempenho do Fiesta nas duas versões de motor 1.0 e 1.6, pelos superiores níveis de torque e potência.

 

O novo motor da Ford demonstrou ser superior aos de carros concorrentes pela modernidade de concepção e pela resposta mais efetiva por possuir torque em rotações mais baixas e, também, pelo menor consumo de combustível por reagir com baixo nível de rotação do motor, enquanto os propulsores de 16 válvulas exigem maior rotação para as saídas em semáforos e após passar por lombadas. 

Um dos objetivos do programa foi contar com a contribuição dos jornalistas sobre o desempenho global do automóvel e também do motor e receber sugestões de possíveis pontos que permitissem correções com tempo para serem corrigidas antes que fosse para o mercado. 

Foi uma ação inédito no mercado brasileiro e que reconheceu a importância dos jornalistas que conhecem todos os carros pelas avaliações que realizam da maioria dos modelos existentes no País. 

Carlos Meccia foi designado pelo diretor de engenharia, Luc de Ferran, como o profissional responsável pelo programa de test-drive, que envolveu a apresentação de todas as informações técnicas do automóvel, características gerais envolvendo motor, câmbio, suspensão, sistema de freios, nível de conforto, segurança, economia e autonomia. 

O conhecimento e a disposição de Carlos Meccia para fornecer as informações entusiasmaram os jornalistas especializados a ponto de José Roberto Nasser, um dos mais rigorosos profissionais de Imprensa do País, sugerir que Meccia passasse a publicar temas automobilísticos no site Auto Entusiastas, que reúne os mais experientes profissionais dessa importante atividade automobilística. 

Com a sugestão de Nasser, por um longo período, Carlos Meccia prestou outra contribuição para o setor automobilístico com a produção superior a 150 histórias que envolvem automóveis que ainda podem ser curtidas no site Auto Entusiastas, na coluna Artigos, verdadeiras aulas para quem aprecia automóveis. 

Engenheiro mecânico formado na Faculdade de Engenharia Industrial em 1970, Carlos Meccia trabalhou no Departamento de Engenharia da Ford brasileira e sempre se mostrou como exemplo de profissional com os atributos de humildade, conhecimento e seriedade.

Sem pose, exageros pessoais e exibições, ele transmitia as informações e o seu conhecimento com simplicidade e sempre entusiasmado.

https://soundcloud.com/user-645576547/centro-de-ampliar-o-conhecimento-da-imprensa-automobilistica-desafio-dos-engenheiros

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Os desafios da inclusão social e diversidade na saúde pública

Por Ademir Medina

 A temática de inclusão e diversidade nas organizações em geral tornou-se necessária e uma grande pauta de discussão. Nunca se falou tanto sobre a prática. Mas abordar o assunto é, inicialmente, garantir a compreensão das diferenças e a busca pela equidade e justiça social.

Diante deste cenário, é importante analisar de que forma as pessoas percebem as práticas de diversidade nas organizações em que trabalham. Como gestor de uma Organização Social de Saúde (OSS), que investe em ações de prevenção e promoção à saúde, ao abordar uma temática tão relevante como esta, reafirmo nosso compromisso de que a saúde constitui um direito social básico para as condições de cidadania da população brasileira e que, para que ela aconteça, é primordial pensar em um modelo baseado em um ecossistema que contemple a inclusão e a diversidade.

Acredito que o assunto ainda é bastante recente nas organizações de saúde. Quando abordado, é implementado com um foco pontual, distante do método necessário, e quase sempre voltado, quase que exclusivamente, às minorias, o que, por si só, surge como uma grande barreira ao desenvolvimento da saúde, tanto dos pacientes como dos colaboradores, que priorize a sua integralidade.

Tenho procurado, insistentemente, integrar as redes ou sistemas de atenção à saúde (RAS) no cuidado prestado à pessoa com deficiência, à mulher e à população negra e LGBTQIAPN+. Atualmente, o CEJAM, por meio de seu ecossistema de saúde, tem um trabalho bastante qualificado de atenção à saúde a estes usuários, desde a casa das pessoas até o hospital.

Com isso, espera-se maior qualificação das práticas assistenciais dos serviços da RAS, além de maior envolvimento dos profissionais na pauta de inclusão e diversidade.

Importante ressaltar que, quando falamos em diversidade, não estamos falando apenas de gênero e sexualidade, mas de território, raça/cor e condições sociais, que também afetam a chegada das pessoas aos serviços de saúde. O que se espera, de fato, é a redução da vulnerabilidade e o fortalecimento das práticas de promoção e prevenção, sem distinção de singularidades e especificidades.

O cuidado humanizado multidisciplinar é a principal demanda da população de uma forma geral. Tratando-se de CEJAM, os serviços oferecidos têm a premissa de mudar a vida das pessoas com um atendimento integral, ou seja, contemplando tanto as esferas biomédicas, clínicas e farmacológicas quanto as sociais, subjetivas e culturais.

Precisamos nos provocar a entender a nossa responsabilidade, que vai além da oferta do cuidado à saúde. É provocar o sistema de saúde e criar condições para termos uma sociedade com mais equidade, que passa obrigatoriamente pela inclusão e diversidade. E a educação é ponto central nesta discussão, tendo a saúde como importante aliada.

Finalizo deixando aqui a reflexão de que preservar os direitos humanos é essencial para garantirmos que sejam cumpridos todos os princípios do SUS (Sistema Único de Saúde). Promover estratégias que garantam acessibilidade, equidade e integralidade é crucial à saúde e vida das pessoas e ao fortalecimento de ações de diversidade e inclusão.

Ademir Medina é CEO do CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”)

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Como se proteger dos famosos golpes do WhatsApp?

Por Marina Pupo Nogueira

Quando pensamos que a Lei Geral de Proteção de Dados é mais uma lei para nos atrapalhar, esquecemos de como ela se relaciona com situações concretas do nosso dia a dia.

Quem não conhece alguém que já enfrentou o famoso golpe do WhatsApp, seja fazendo um depósito a favor de terceiros ou pagando um boleto falso?

Isso só ocorre porque houve algum vazamento de dados, seja da operadora de telefonia, seja por meio do aplicativo de mensagens, rede social ou por meio de algum banco de dados físico ou digital.

Foi essa “falha” que permitiu que o fraudador tivesse acesso aos seus dados pessoais, tais como: celular, nome, fotos, relações pessoais.

Portanto, a lei existe para isso: proteger sua privacidade, que é um direito fundamental de status constitucional.

Nem preciso dizer o quanto é importante que empresas se adequem à LGPD e que as pessoas físicas se protejam de violações a sua privacidade, sendo o “golpe por whatsapp” um exemplo corriqueiro do que pode acontecer com todos nós.

Abaixo compartilho 9 dicas, que praticamos aqui no escritório, e que podem te ajudar a se proteger de golpes:

  • Ative a verificação em duas etapas e tenha um e-mail para redefinir senhas, ou seja, não use o número do seu celular para isso;
  • Jamais compartilhe seu PIN de acesso;
  • Coloque uma senha para entrar no aplicativo e não apenas no celular;
  • Seja desconfiado e preste atenção em mensagens que não costuma receber ou links enviados por desconhecidos;
  • Mantenha sua foto de perfil aparente apenas para contatos;
  • Não salve em sua agenda a indicação de parentesco nos contatos, como mãe, tio etc. Coloque apenas o nome;
  • Não indique nas redes sociais quem são seus parentes;
  • Apague de seu histórico de mensagens documentos pessoais e boletos recebidos e enviados;
  • Sempre verifique os dados do boleto e se você está pagando ao credor correto.

Parecem medidas simples, mas podem fazer toda a diferença em termos de segurança e privacidade!

Marina Pupo Nogueira é advogada e sócia do escritório BPN Advogadas.

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Profissionais com conhecimento em ESG são procurados com urgência pelas empresas

Por Ivo Neves

Demandas ambientais urgentes, necessidade de uma sociedade mais justa e a importância de uma gestão mais estruturada nas empresas geram uma atenção maior ao termo ESG no mercado e convidam todos os profissionais a uma nova reflexão.

Definida em 2004, por uma ação da ONU chamada Pacto Global, a sigla em inglês ESG (environmental, social and governance) significa gestão ambiental, social e governança corporativa e trata de um conjunto de ações feitas por empresas comprometidas com a sustentabilidade.

Por aqui, muitas empresas já fazem parte dessa iniciativa, seguindo práticas ESG e trabalhando para cumprir com metas, tais como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) apresentados pela ONU.

Um exemplo complementar é o aumento de empresas no ISE B3, um índice da bolsa de valores brasileira que aponta companhias comprometidas com um avanço sustentável. Atualmente, 46 empresas estão listadas no índice, contra 40 em 2021.

Apesar do aumento de interesse das empresas e vagas para trabalhar em áreas ESG, existe uma escassez de profissionais qualificados desse setor.  Em uma busca por vagas com a palavra “Sustentabilidade”, o LinkedIn traz mais de 3 mil resultados.

Recentemente, a Salesforce, provedora de soluções de gestão de relacionamento com clientes (CRM), publicou o estudo global Sustainability Talent Gap Research, que analisa a lacuna existente entre a conscientização e o treinamento de colaboradores nas habilidades necessárias para assumir funções de sustentabilidade e ajudar suas respectivas empresas a cumprirem seus compromissos climáticos.

O estudo foi feito com executivos de sustentabilidade em 11 países – incluindo o Brasil – com 1.297 funcionários.

O resultado aponta uma enorme pressão das empresas em cumprir suas metas climáticas, que vêm de agências reguladoras, conselhos e de seus próprios funcionários. Apesar dessa cobrança, as organizações encaram uma grande escassez de talentos em sustentabilidade para cumprir seus cada vez mais ambiciosos compromissos climáticos.

Na pesquisa, 95% dos entrevistados acreditam que relatórios de sustentabilidade mais fáceis de entender ajudariam a criar confiança nos compromissos das companhias.

Segundo o estudo, a confiabilidade dos trabalhadores nas ações das empresas é baixa. Três em cada cinco respondentes afirmaram duvidar que suas empresas atinjam as metas em tempo e quatro em cada cinco têm ainda menos fé ao analisar sua confiança nos esforços de outras empresas.

Apesar disso, oito em cada dez trabalhadores globais querem ajudar sua companhia a operar de forma sustentável. Já três em cada cinco colaboradores afirmaram ansiar por incorporar temas sustentáveis a sua função atual.

O desconhecimento também aparece nas empresas como um fator relevante. Os funcionários normalmente possuem um conhecimento superficial do que realmente é “ESG”, deslocando seus entendimentos para questões ambientais e pouco para os temas “Social” e “Governança”.

O problema é ainda maior nos gestores e executivos, que buscam conhecer ou trabalhar nos temas de Sustentabilidade para assuntos vinculados apenas as suas de atuação, desconhecendo as interfaces e interrelações dos demais temas com as outras áreas da empresa.

Uma gestão qualificada e estratégica de Treinamento aparece como solução interna para a escassez de talentos no mercado de trabalho e gap de qualificação de profissionais.

Hoje, 67% dos trabalhadores gostariam de ter mais qualificações relacionadas à prática ESG e 94% deles dizem que o treinamento nessas habilidades ajudaria na construção de confiança nos compromissos de sustentabilidade das empresas.

As empresas e os próprios trabalhadores podem, em seus projetos de desenvolvimento, estipular uma agenda de aprendizado no tema ESG. Além de possibilitar uma maior empregabilidade, potencializará sua participação em projetos de Sustentabilidade que suas futuras empresas o convidarão a participar.

Ivo Neves é especialista em ESG e Diretor da SG4, empresa especializada em sistemas de gestão e sustentabilidade.

 

 

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A primeira impressão é que fica, só que não!

Por Alessandra Cerri

Há um tempo conheci uma pessoa e tive uma impressão negativa dela, a julguei antipática e arrogante e por um bom tempo alimentei esse julgamento pré concebido. Por obra do destino nós começamos a fazer aula juntas e qual não foi a minha surpresa ao descobrir que essa mesma pessoa é totalmente diferente: é simpática, bondosa e muito agradável de se conviver. A grande pergunta que fica: quem ficou diferente ela ou eu? O que mudou?

Felizmente, a neurociência tem trazido cada vez mais respostas para nossas perguntas e tem nos mostrado algumas descobertas importantes que por vezes tem derrubado crenças que alimentamos, erroneamente, em nossa cultura. Dentre essas crenças ou ditados populares estão dois que estão relacionados a nossa história inicial. A de que “pau que nasce torto nunca se endireita” e “a primeira impressão é a que fica”.

Quanto ao primeiro, a neurociência comprovou por meio da neurogênese e da sinaptogênese (o nascimento de novos neurônios e novas redes neurais) que assim como o cérebro pode se moldar e criar novos caminhos as pessoas também podem mudar e evoluir, desde que estejam dispostas a isso.

E quanto ao ditado que se refere a impressão que temos das pessoas e eventos, a ciência também nos traz achados interessantes e importantes e é sobre essa nossa impressão inicial que iremos nos ater mais nesse texto, talvez porque ela seja a melhor resposta para a pergunta inicial.

Toda informação que chega ao nosso cérebro vem por meio dos nossos órgãos do sentido (audição, visão, olfato, paladar e propriocepção). Dentre esses, vale ressaltar que a visão é o que utilizamos de maneira mais forte e dependente.

Sobre isso, o neurobiologista Robert Sapolsky nos alerta que “em geral nossos olhos carregam um implícito poder de censura” e isso pode estar relacionado ao fato de que quando olhamos para pessoas ou algo buscamos informações em “nosso banco de memória” na tentativa de comparar o que estamos olhando com dados armazenados. No entanto, infelizmente, temos uma tendência para armazenar de maneira mais marcante memórias com aspectos negativos.

Além disso, nossa visão assim como os outros sentidos podem ser influenciados pelos aspectos emocionais que nos envolvem no momento que a informação está sendo captada. Isso acontece porque toda informação que chega ao cérebro pode seguir por dois caminhos distintos.

De uma maneira simplificada, a informação recebida pode ir para nossa amigdala cerebral, que é uma estrutura que participa diretamente do nosso sistema límbico (cuja principal função é a coordenação e manutenção de nossas emoções); ou pode ir para nossa região do córtex que está envolvida com nossa capacidade de racionalização, análise, questionamentos e tomadas de decisão.

Ou seja, se no momento que eu estou recebendo uma nova informação, conhecendo uma pessoa ou frequentando um lugar novo eu não estiver muito bem, estiver irritada, triste, estressada essa primeira informação pode ser associada com alguma lembrança ou algum modelo errado de comparação, eu acabo tendo uma distorção da realidade, simplesmente porque eu estou mais emocionalmente vulnerável e negativamente condicionada.

Segundo Sapolsky, toda informação tende a chegar primeiro em nossa amigdala cerebral uma estrutura que por ser muito emocional, normalmente, tem como característica a avaliação imprecisa e distorcida da realidade, ou seja quando tomamos as informações de maneira impulsiva corremos o risco de assumi-las de maneira deturpadas o que pode alterar nosso julgamento.

Mais que isso, esse cientista assim como o neurologista Leandro Telles comentam que as áreas cerebrais envolvidas no estresse, na ansiedade e na depressão são as mesmas envolvidas na dor e estão diretamente relacionadas ao nosso sistema límbico. Em função disso, pessoas afetadas por essas síndromes tendem a ter uma percepção maior de dor e “fazem escolhas espantosamente ruins afogadas em suas emoções”.

Assim sendo, para impedir que atitudes impulsivas nos façam tomar decisões e julgamentos errados e nos impeçam de ver a realidade dos fatos nosso córtex tem que ser fortalecido e estimulado constantemente. De acordo com Sapolsky, o fortalecimento cerebral se dá pela aprendizagem, exercícios físicos e cognitivos, enriquecimento ambiental e social.

Somado a essas importantes recomendações finalizamos o texto de hoje com um precioso ensinamento de Epicteto passado por Sharon Lebell quando ela menciona que não são as coisas ou eventos que nos perturbam, mas a forma como interpretamos seu significado. Grande parte dos problemas do convívio com as pessoas está justamente na forma como as encaramos bem como as nossas atitudes frente a elas. Pense nisso, será que muitas vezes seus pensamentos pré concebidos, ou suas emoções mais negativas não estão te impedindo de ver as pessoas ou situações como elas realmente são? Namastê e até a próxima!

 

* Alessandra Cerri é sócia-diretora do Centro de Longevidade e Atualização de Piracicaba (Clap); mestre em Educação Física, pós-graduada em Neurociência e pós-graduada em Psicossomática.

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Atente-se às condições de balneabilidade das praias paulistas

Apesar de poucos se atentarem para a qualidade da água (balneabilidade) do mar ou dos rios que nela desembocam, esse cuidado se faz de extrema importância, principalmente em férias e feriados.

A balneabilidade é a medida da qualidade das águas destinadas à recreação de contato primário, ou seja, a relação direta e prolongada com a água (e atividades como natação, mergulho, esqui-aquático, por exemplo), em que a possibilidade de ingerir o líquido é elevada.

Em São Paulo, temos o Programa de Balneabilidade das Praias desenvolvido pela CETESB desde 1968. No início eram apenas as amostragens das praias da Baixada Santista. Posteriormente, a análise foi estendida a todo o litoral.

O controle do banhista desse risco é importante, principalmente em férias e feriados, como esse do Carnaval, onde o número de frequentadores aumenta muito. E as fortes chuvas que têm acontecido também podem agravar o estado da água, prejudicando o descanso e diversão dos visitantes.

Ocorre que, seja pelo excesso de visitantes, ocupação desordenada ou excesso de chuvas, os corpos d’água contaminados por esgoto doméstico ao atingirem as águas das praias podem expor os banhistas a bactérias, vírus e protozoários. Crianças e idosos, ou pessoas com baixa resistência, são as mais suscetíveis a desenvolver doenças ou infecções após terem nadado em águas contaminadas.

Assim, é importante seguir as seguintes recomendações:

  • Não tomar banho nas águas das praias classificadas como impróprias;
  • Evitar contato com cursos d’agua que afluem as praias;
  • Evitar o uso das praias que recebam corpos d’agua cuja qualidade é desconhecida
  • Evitar entrar no mar após a ocorrência de chuvas de maior intensidade
  • Evitar a ingestão de água do mar (redobrada atenção para as crianças)
  • Não levar os pets à praia nas cidades onde não há regulamentação de passeio na areia com os animais

A última publicação sobre a questão da balneabilidade das praias indica que em 2021 apenas 34% das praias no estado de São Paulo foram classificadas nas categorias Ótima e Boa (praias que permaneceram próprias em 100% do tempo). Para o Litoral Norte esse percentual foi de 49% e, na Baixada Santista, 13% de praias Boas, mas nenhuma classificada como Ótima.

As classificações por município mostram que seis deles, sendo os quatro do Litoral Norte somados aos de Cubatão, Bertioga e Guarujá na Baixada Santista, apresentaram praias com classificação Boa e apenas três (Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião) com classificação Ótima. Destaque para São Sebastião que teve aumento significativo de praias com essa classificação.

Assim, para garantir a diversão no feriado é importante que os banhistas, antes de entrarem na água, verifiquem a placa de sinalização.

Por: Renata Franco de Paula Gonçalves Moreno, advogada ambiental

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Humanização na saúde: a importância do cuidado pautado na empatia

O acesso à saúde pública sempre foi um direito de todo cidadão. Com a chegada da pandemia, em 2020, os serviços de saúde tiveram sua relevância destacada e compuseram um exército no combate à Covid-19, por meio de hospitais, UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento).

E com a pandemia também ocorreu o aprimoramento do conceito de acolhimento e humanização. O longo período de crise sanitária mundial fez com que as equipes buscassem caminhos para se ajustar às demandas crescentes, sobretudo diante da própria angústia vivenciada pelos familiares e pacientes durante o momento mais crítico.

Vale aqui destacar que a prática de acolhimento foi adotada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2003, por meio do programa HumanizaSUS. Por se aplicar desde a recepção do paciente, podemos dizer que o acolhimento é o primeiro passo para a humanização do atendimento em saúde como um todo. Partindo desse princípio, as equipes colocam a necessidade do indivíduo como norteadora de suas ações, aplicando a escuta junto ao usuário.

Assim, ele deixa de ser um número ou ficha para ser reconhecido como indivíduo, tendo as preocupações ouvidas e consideradas para dar continuidade ao tratamento. Nesse contexto, os profissionais de saúde têm autonomia para seguir diferentes protocolos, a fim de prestar a melhor assistência possível no momento.

Combinando diretrizes como a defesa dos direitos dos usuários, valorização do trabalhador e gestão participativa, o acolhimento tem o potencial de transformar os serviços de saúde.

Ele promove a aproximação entre funcionários e o público, dispensando processos rígidos para adotar soluções mais flexíveis e humanizadas.

Acolher o usuário também é importante porque aumenta o seu bem-estar, colaborando para uma melhora mais rápida, além de fidelizar pacientes. Afinal, apesar da missão social relevante, as unidades de saúde não deixam de ser um negócio, e pensar em estratégias que o diferenciem da concorrência é fundamental em um mercado cada vez mais competitivo.

Deixando uma impressão positiva, as chances de que o paciente volte a usar seus serviços aumentam de forma considerável. Funcionários e usuários também ficam mais satisfeitos, o que melhora o clima organizacional e, potencialmente, a vida do usuário.

Como gestor de uma Organização Social de Saúde (OSS) que investe em ações de prevenção e promoção à saúde, acredito que o processo de humanização tem início com a conscientização das equipes de saúde, incluindo treinamentos voltado à escuta qualificada.

No âmbito do SUS, ele tem papel essencial na atenção primária, que contempla as UBSs e os serviços de forma geral. São nesses locais que o paciente é cadastrado e recebe os primeiros cuidados. Cabe reforçar que não se trata de uma simples triagem, requerendo por parte dos funcionários um compromisso de manter todos os pacientes informados sobre a classificação e seu propósito.

Outra boa prática se volta à praticidade e comodidade, permitindo diferentes formatos de atendimento. Além do presencial, as unidades de saúde podem oferecer consultas à distância, deixando ao paciente a escolha do formato mais adequado. Aplicativos de mensagens, e-mail e outros canais também auxiliam no acolhimento, conferindo maior agilidade aos serviços.

Enfim, tudo se resume ao acolhimento. E, quando falo em acolher, é o ato de entender o paciente como um todo, com os seus medos, sonhos, dificuldades e condições familiares, para que possamos amenizar a dor e promover um atendimento integral e individualizado.

O tratamento realizado dessa forma, com foco nas reais necessidades do paciente, contribui de forma determinante para acelerar o processo de cura. Percebemos que pacientes atendidos de maneira humanizada têm mais confiança na equipe e nos tratamentos, além de responderem melhor aos recursos clínicos. O acolhimento ainda favorece a participação da família no processo de doença, gerando entendimento e alívio da ansiedade e depressão, com melhora da qualidade de vida.

Por fim e por esse conjunto de benefícios, ressalto aqui a necessidade de continuidade dessas práticas e a concretização da rede de acolhimento para além do momento de pandemia, sendo fundamental a inerência de tais práticas humanizadas para a potencialização do SUS.

Nosso desejo, como instituição de saúde, é fazer a diferença na vida de cada paciente, com um atendimento diferenciado, focado na experiência e na expertise. E assim seguiremos, juntos, enfrentando, da melhor forma possível, todas as adversidades que possam surgir, com respeito à população e focados na humanização como principal agente transformador, em todos os níveis de atenção à saúde: primária, especializada, urgência e emergência e gestão hospitalar.

Como gestor de uma Organização Social de Saúde (OSS) que investe em ações de prevenção e promoção à saúde, acredito que o processo de humanização tem início com a conscientização das equipes de saúde, incluindo treinamentos voltado à escuta qualificada.

Por: Ademir Medina

Ademir Medina é CEO do CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”)

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Seja leve com o seu trabalho

Como profissionais e atuando dentro das empresas, precisamos orquestrar projetos, processos, pessoas e interesses muitas vezes distintos, para entregar nossos resultados e atender nossos clientes de forma cada vez mais eficiente e assertiva, não é verdade? Se num passado recente usar o termo workaholic para caracterizar quem trabalhava de forma excessiva era visto como algo positivo, hoje essa realidade é diferente. Precisamos, sim, trabalhar arduamente, mas devemos gerenciar nossa vida, uma vez que, além de pagar boletos, temos que viver de maneira sábia.

Nesse contexto, equilíbrio é uma palavra que vem sendo cada vez mais adotada por profissionais de sucesso. Saber gerenciar seu tempo diante de tantos compromissos é um ótimo caminho para buscar leveza em meio ao turbilhão da nossa vida moderna, que nos demanda a execução de muitas tarefas ao mesmo tempo agora. E ninguém melhor do que você para dar o direcionamento e definir o que é prioridade em sua vida em cada momento. Cada vez mais, com a vida passando de forma ágil na frente de nossos olhos, saber aproveitar os pequenos momentos tem sido ainda mais importante. Isso tem afetado até mesmo a retenção dos melhores talentos dentro das empresas, especialmente hoje em dia, onde o profissional escolhe onde quer trabalhar.

Isso porque empresas que não têm clima organizacional equilibrado e onde não é possível conciliar o trabalho com as demais esferas da vida, cada vez mais perderão os melhores profissionais que buscam este estilo de vida. São pessoas que querem trabalhar para entregar os resultados, mas com tempo para estar com seus filhos, pais e manter sua vida social ativa.

Já que não temos sete vidas, como popularmente acreditamos que um gato tenha, é de vital importância viver o momento presente, uma vez que o tempo não volta. Somos seres integrais e, por isso, precisamos estar bem em todas as esferas de nossa vida. É importante que você se lembre sempre que entregar todas as demandas do ambiente corporativo com leveza é também sinônimo de sucesso. Pense nisso.

Por: David Braga

David Braga é CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent, empresa de busca e seleção de executivos, presente em 30 países pela Agilium Group; é conselheiro de Administração e professor convidado pela Fundação Dom Cabral; além de conselheiro da ABRH MG, ACMinas e ChildFund Brasil. Instagrams: @davidbraga | @prime.talent

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Câncer de pulmão e tabagismo

Hoje recebemos a triste notícia do falecimento da jornalista Glória Maria, aos 73 anos de idade.

Em 2019, foi diagnosticada com câncer de pulmão e o tratamento com imunoterapia não teve sucesso. Houve metástase cerebral, que foi tratada inicialmente com cirurgia, porém, sem bons resultados. Em meados de 2022, iniciou nova fase do tratamento para combater novas metástases cerebrais. Infelizmente, o tratamento deixou de fazer efeito nos últimos dias.

O câncer de pulmão, segundo estimativas mundiais de 2020, em mortalidade é o primeiro entre os homens e o segundo entre as mulheres; com incidência de 2,12 milhões de casos novos, sendo 1,35 milhão em homens e 770 mil em mulheres.

A boa notícia é que o câncer de pulmão pode ter uma menor incidência a partir do controle do seu principal fator de risco, o tabagismo.  Em aproximadamente 85% dos casos diagnosticados, ele está associado ao consumo de derivados de tabaco. Na década de 1980, foram iniciadas campanhas de conscientização sobre os males causados pelo cigarro e a favor da diminuição do uso do mesmo pela população. Com isso, a taxa de incidência do câncer de pulmão vem diminuindo.

Andando na contramão das campanhas antitabaco, temos os novos cigarros eletrônicos. Mesmo com a venda proibida no Brasil desde 2009, são consumidos na grande maioria por jovens, sendo tão prejudiciais à saúde quanto os cigarros tradicionais.

De acordo com dados do relatório Covitel (Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis em Tempos de Pandemia), divulgado recentemente pela Umane, 1 a cada 5 jovens entre 18 e 24 anos faz uso de dispositivos eletrônicos de fumo no país, o que equivale a 19,7% da população. Dentre as principais substâncias liberadas pelo cigarro eletrônico estão as nano partículas de metais pesados, solventes e outros químicos que variam de acordo com o que é colocado para fumo no dispositivo.

Além de doenças inflamatórias e até fibrose pulmonar, o uso desse tipo de cigarro está fortemente ligado ao surgimento de doenças cardiovasculares e distúrbios neurológicos.

As pessoas que possuem um risco aumentado para o câncer de pulmão devem considerar a realização de um exame preventivo anualmente. Sugere-se que seja feita uma triagem anual com tomografia computadorizada de tórax para adultos com idades entre 50 a 80 anos que tenham alto risco de câncer de pulmão (fumado pelo menos 20 maços/ano e são tabagistas ativos ou ex-tabagistas que pararam de fumar nos últimos 15 anos).

A maioria dos cânceres de pulmão não causa nenhum sintoma até que esteja em estágio mais avançado, mas algumas pessoas apresentam sintomas iniciais, que podem ser:

Tosse que não desaparece ou piora

Tosse com sangue ou escarro cor de ferrugem

Rouquidão

Perda de peso inexplicável

Falta de ar

Nas neoplasias pulmonares, temos três alternativas terapêuticas: cirurgia, radioterapia e quimioterapia/imunoterapia. Estes métodos podem ser associados para obter melhores resultados.

Tumores restritos ao pulmão, nos estágios I e II, devem ser operados e removidos. Tumores restritos ao pulmão devem ser operados e a chance de cura é de até 70%.

Deixamos aqui o alerta não apenas sobre os prejuízos que o uso do tabaco e a exposição ao fumo passivo causam na saúde pulmonar, mas também destacamos sobre a importância de realização de exames periódicos e o rastreamento quando fator de risco alto para câncer de pulmão.

 

Por: Talita Coelho Paiva
Oncologista clínica do Centro de Oncologia Campinas

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