Estoque registrou esta semana apenas 86 litros, enquanto o ideal seriam 200 litros; além da mobilização das doadoras, hospital pede a doação de kits, que custam R$ 28,20, contendo itens necessários para o acondicionamento no pós-doação

O Hospital Maternidade de Campinas antecipa a comemoração do “Dia Mundial da Doação de Leite Humano”, em 19 de maio, com uma ampla campanha de orientação e chamamento das doadoras, considerando o baixo estoque que tem sido registrado no Banco de Leite da instituição. Enquanto o ideal seria manter estocados pelo menos 200 litros para o atendimento aos bebês internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e na UCI (Unidade de Cuidados Especiais), a queda nas doações reduziu a quantidade de leite materno armazenado a 86 litros.
Dessa forma, a Maternidade pede às mães que contribuam com a doação do leite materno excedente a fim de garantir o alimento para os bebês internados. Para as mulheres que residem em Campinas, a coleta é feita quinzenalmente nas próprias residências. Informações sobre a coleta e forma de doação são fornecidas pelo telefone (19) 3306-6039.
Nascem por mês, em média, no Hospital Maternidade de Campinas, cerca de 750 bebês, dos quais 60% são atendidos pelos SUS (Sistema Único de Saúde). Embora a média seja de 25 nascimentos por dia, atualmente o hospital conta com apenas com 30 doadoras cadastradas. Anteriormente a média era de 50 mães.
“A coleta do leite é feita pelas próprias mães, em suas residências. Elas tanto podem entregar os frascos no Banco de Leite do Hospital Maternidade de Campinas ou aguardar a retirada quinzenal feita pela instituição em suas casas, para aquelas que residem em Campinas”, orienta Tereza Mathiazzi, coordenadora do Banco de Leite do Hospital Maternidade de Campinas. Cada litro doado pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia. O leite materno é o único alimento completo para nutrir os bebês por, no mínimo, seis meses de vida de forma exclusiva, e até dois anos complementado com outros alimentos.
Para ser doadora é necessário que a mulher seja saudável, que esteja amamentando o próprio filho e que tenha uma produção excedente de leite após a mamada. O primeiro passo é fazer contato prévio pelo telefone (19) 3306-6039 para o cadastramento, agendar a realização da coleta de sangue receber as orientações e os materiais para a coleta e armazenamento do leite. A realização do exame de sangue é feita no ambulatório da Av. Francisco Glicério, nº 1.913, sendo necessária para a verificação de sorologias de Sífilis, Hepatites B e C, doença de Chagas, HTLV (Vírus Linfotrópico da Célula Humana) e HIV (Aids).
Kits de armazenamento
Além da doação do leite pelas mães, este ano o Hospital iniciou a campanha “Doe Leite e Salve Vidas” para que a comunidade também ajude com a doação de “kits”, contendo itens necessários (frascos com tampas) para o acondicionamento do leite materno no Banco de Leite Humano do Hospital. Cada kit está orçado em R$ 28,20, mas as pessoas podem contribuir com qualquer valor via PIX, na chave CNPJ 46043980000100.
O kit é formado por um frasco graduado de 400 ml (R$ 14,00), um frasco graduado de 200 ml (R$ 12,00), uma tampa referência 74 (R$ 0,80 a unidade), uma tampa referência 63 (R$ 0,70 a unidade) e por uma tampa referência 58 (R$ 0,70 a unidade). A meta é conseguir, no mínimo 200 kits por meio das doações. Por ano, cerca de 900 bebês ocupam os leitos de UTI e UCI da Maternidade.
A coordenadora do Banco de Leite Humano esclarece que os frascos fracionados são os ideais para o armazenamento, pois, além de serem feitos em material apropriado para a pasteurização, a graduação permite que seja mantida a padronização de cada ciclo. Já as tampas plásticas são exigidas pelas normas técnicas que regem os bancos de leite porque não enferrujam e podem passar pelo processo de lavagem e esterilização.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) relata que, aumentar a amamentação ideal de acordo com as recomendações, poderia evitar mais de 823 mil mortes de crianças e 20 mil óbitos maternos a cada ano, no mundo. “O aleitamento materno é a forma mais natural e segura de alimentar a criança no início da vida. No leite materno são encontrados diversos componentes imunológicos, tornando esta prática essencial para alcançar o crescimento e o desenvolvimento infantil adequados, além de promover benefícios para a saúde física e psíquica da mãe e do bebê. A criança amamentada pela mãe apresenta menor incidência de infecções, menor tempo de hospitalização e menor ocorrência de reinternações”, explica a médica.



