“Três Mulheres Altas” é destaque teatral em Campinas neste fim de semana

Teatro Oficina do Estudante traz as atrizes Suely Franco, Deborah Evelyn e Nathalia Dill com o clássico da dramaturgia contemporânea escrito por Edward Albee 

A comédia dramática “Três Mulheres Altas”, um clássico da dramaturgia contemporânea escrito por Edward Albee (1928-2016) no início da década de 1990, é o destaque da programação do Teatro Oficina do Estudante Iguatemi neste final de semana. Estrelado por Suely Franco, Deborah Evelyn e Nathalia Dill e dirigido por Fernando Philbert, o espetáculo é “perversamente engraçado”, marca do autor, e traz o embate de três mulheres em diferentes fases da vida: juventude, maturidade e velhice. Edward Albee é autor de outros clássicos, como “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”, “Zoo Story” e “Equilíbrio Delicado” e vencedor três vezes do Prêmio Pulitzer. A peça é uma comédia mordaz que reflete sobre a passagem do tempo e o conflito entre três gerações. 

Os ingressos custam de R$ 60,00 a R$ 140,00, de acordo com o setor, e as apresentações serão realizadas na sexta e sábado, dias 14 e 15 de abril, às 21h, e  no domingo 16, às 19h. A classificação indicativa é 14 anos.

Em cena, as atrizes Suely Franco, Deborah Evelyn e Nathalia Dill interpretam três mulheres, batizadas pelo autor apenas pelas letras A, B e C. A mais velha (Suely Franco), que já passou dos 90 anos, está doente e embaralha memórias e acontecimentos, enquanto repassa a sua vida para a personagem B (Deborah Evelyn), apresentada como uma espécie de cuidadora ou dama de companhia. A mais jovem, C (Nathalia Dill), é uma advogada responsável por administrar os bens e recursos da idosa, que não consegue mais lidar com as questões financeiras e burocráticas.

Entre os muitos embates travados pelas três, a grande protagonista do espetáculo é a passagem do tempo, além da forma com que lidamos com o envelhecimento. “O texto do Albee nos faz refletir sobre ‘qual é a melhor fase da vida?’, além de questões sobre o olhar da juventude para a velhice, sobre a pessoa de 50 anos que também já acha que sabe tudo e, fundamentalmente, sobre o que nós fazemos com o tempo que nos resta. Apesar dos temas profundos, a peça é uma comédia em que rimos de nós mesmos’, analisa o diretor, Fernando Philbert.

Prêmio Pulitzer

A peça recebeu o Prêmio Pulitzer e ganhou bem-sucedidas montagens pelo mundo. No Brasil, foi dirigida por José Possi Neto, em 1995, e recebeu os prêmios APCA e Mambembe de Melhor Espetáculo. A última e, até então, única encenação do texto no Brasil foi logo após a estreia em Nova York, em 1994. A montagem atual tem a direção de Fernando Philbert. A tradução é de Gustavo Pinheiro e a realização da WB Produções, de Bruna Dornellas e Wesley Telles.

Philbert e as atrizes Suely Franco, Deborah Evelyn e Nathalia Dill acreditam que a nova versão traz uma visão atualizada com todas as mudanças comportamentais e políticas que aconteceram no mundo de lá para cá, especialmente nas questões femininas, presentes nos dois atos da peça. Sexo, casamento, desejo, pressões e machismo são temas que aparecem nos diálogos e comprovam a extrema atualidade do texto de Albee.

Clássico

Escrita em 1991 e lançada em 1994, “Três Mulheres Altas” representou uma virada na trajetória de Edward Albee, que recebeu as suas melhores críticas e viu renascer o interesse por sua obra. Aos 60 anos, ele ganhou o terceiro Prêmio Pulitzer, além de dois Tony Awards e uma série de outros troféus em premiações mundo afora. A peça tem características autobiográficas e foi escrita pouquíssimo tempo depois da morte da mãe adotiva do autor, que teria inspirado a personagem mais velha. Após abandoná-la aos 18 anos, Albee voltou a ter contato com a mãe em seus últimos dias, quando já estava doente de Alzheimer. No entanto, alguns especialistas em sua obra defendem que a peça não pode ser reduzida a este fato.

“Três Mulheres Altas” vai além de ser um retrato de sua mãe. O texto traz o olhar mordaz e perverso – por que não dizer cômico? – de Albee para a classe média alta americana e toda a sua hipocrisia, ao falar sobre status, sucesso, sexo e abordar a visão preconceituosa da sociedade e as relações que as três mulheres travam com o mundo, sempre atravessadas pelo filtro machista.

Sobre Edward Albee

Edward Albee morreu em 2016, aos 88 anos, e deixou um imenso legado para o teatro americano com suas 25 peças encenadas e publicadas. É autor de clássicos como “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”, “Zoo Story”, “Equilíbrio Delicado” e “Três Mulheres Altas”. Seus textos são marcados por um olhar sarcástico e por uma crítica intensa às convenções e hipocrisias da sociedade tradicional.

Nascido em 1928, ele foi adotado por Reed e Frances Albee, um casal de milionários dono de uma cadeia de teatros na época. Ele cresceu em um bairro de classe média alta cercado dos tipos que iria retratar em seus espetáculos anos mais tarde. Em torno dos 20 anos, saiu da casa dos pais definitivamente para viver em Nova York e inicia a sua produção literária. Em 1957, ao escrever “The Zoo Story”, peça de um ato que ecoava o teatro de Samuel Beckett, Jean Genet e Harold Pinter, Albee encontra a consagração inicial de sua exitosa carreira. Em 1962, estreou “Quem Tem Medo de Virginia Woolf”, que o levou ao auge da fama. Nos anos 1990, “Três Mulheres Altas” marcou o seu retorno ao centro das atenções do cenário teatral nesta que é, talvez, a mais pessoal e autobiográfica de suas peças.

Os ingressos estão à venda no site www.ingressodigital.com e na bilheteria do teatro, localizado no terceiro piso do Shopping Center Iguatemi Campinas. 

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