Fábio Thuler, especialista em cirurgias digestivas robóticas, será o médico responsável pelo procedimento em um caso de câncer no intestino, o mais frequente do aparelho digestivo e que tem aumentado entre os brasileiros

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Foi-se o tempo em que eram necessárias grandes incisões cirúrgicas para se fazer cirurgias complexas. Com a chegada da robótica, a medicina deu início a uma fase de grandes transformações. Diante desse cenário, nesta sexta-feira, dia 27 de outubro, o Hospital e Maternidade São Luiz Campinas, recém-inaugurado na cidade, fará sua primeira cirurgia robótica do aparelho digestivo, sob o comando de Fábio Thuler, especialista em cirurgias digestivas robóticas desde 2012 e referência mundial no assunto.
O caso será uma cirurgia de câncer no intestino. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 44 mil novos casos da doença por ano, entre 2023 e 2025.
Mas, como funciona de fato uma cirurgia robótica? Com tecnologia de ponta, os robôs oferecem um mecanismo que permite uma cirurgia minimamente invasiva e com muitos benefícios e principalmente uma menor trauma cirúrgico. Durante o procedimento, o robô é controlado pelo cirurgião através de um console que executa os movimentos com exatidão por meio dos quatro braços do robô – e conta ainda com um dispositivo capaz de filtrar eventuais tremores das mãos do médico. A alta precisão também é garantida pelas imagens em alta definição (Full HD) e 3D, ampliadas em até 15 vezes. “O fato de ser menos invasivo e muito mais preciso, aumenta a segurança e conforto para o paciente durante e após a cirurgia, pois geralmente possibilitam cortes muito pequenos, menor tempo de internação, e recuperação mais rápida, sem grandes cicatrizes, com retorno às atividades físicas precoce e menor sangramento; além disso, é muito benéfica para os profissionais, pois o cirurgião tem movimentos mais controlados e precisos e uma visão melhor da região a ser operada”, explica Dr. Fábio.
Quando comparada às cirurgias tradicionais, as “abertas”, como são chamadas, não possuem tecnologia envolvida e a laparoscopia, embora tenha tecnologia, ainda possui algumas limitações, como o fato de não impedir totalmente um possível tremor das mãos e uma mobilidade reduzida dos instrumentos. “Os avanços são enormes, principalmente em cirurgias mais complexas, como cirurgias oncológicas, reoperações, obesidades extremas e cirurgias longas; quanto mais delicado o procedimento for, melhor para o robô; ele atende perfeitamente essa necessidade”, explica Fábio Thuler.
E, se na medicina é preciso se atualizar constantemente, quando falamos em tecnologia robótica, essa regra é ainda mais importante! Para aplicá-la à gastroenterologia é necessário, além da formação cirúrgica tradicional, um treinamento específico, certificado pela empresa Intuitive, que é responsável pelos robôs. Outras instituições, como o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), também oferecem cursos para certificações dos profissionais em cirurgia robótica.
Embora ainda não sejam a maioria das cirurgias digestivas realizadas, a aposta é que nos próximos anos seja notado um aumento significativo do número de cirurgias robóticas e uma evolução ainda maior nos softwares de interface entre o robô e o cirurgião. “A expectativa é que a tecnologia esteja cada vez mais presente nesse processo, e isso vai permitir que o cirurgião tenha informações em tempo real para tomar as decisões com ainda mais segurança durante a cirurgia; o que garante facilidade principalmente no processo de recuperação do paciente”, completa.
Inaugurado no mês de maio, o São Luiz Campinas, da Rede D’Or, é o maior hospital privado do interior paulista e conta com o Robô Da Vinci X, que realiza cirurgias robóticas de diferentes complexidades, também nas especialidades de Urologia, Cirurgia Geral, Ginecologia, Cardiologia, Cabeça e Pescoço, Cirurgia Torácica e Geral.
O equipamento está instalado em uma sala inteligente de 63 m², no centro-cirúrgico da unidade, totalmente adaptada com a infraestrutura necessária para robótica.
Fábio Thuler é Mestre e Doutor em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP. Com títulos de especialista em cirurgia geral e digestiva, é reconhecido na área pelo uso da tecnologia robótica em cirurgias do aparelho digestivo de alta precisão e minimamente invasivas. Seu foco de atuação é voltado às cirurgias do tipo oncológica e bariátrica. Foi coordenador do programa de cirurgia robótica do Hospital São Luiz Morumbi, rede D’or por 5 anos e, atualmente, é preceptor de cirurgia robótica e cirurgião oncológico contratado pelo Hospital São Luiz Campinas para o avanço da cirurgia robótica do hospital.



