Após visitar 94 países, moto resgatada do fundo do mar vai voltar às estradas

Histórias de viajantes em motocicletas é comum. Mas a história do espanhol Toni Moles Salvador, de 30 anos, e de sua “Débora”, nome dado á sua Kawasaki Ninja ZX-6R 636, ano 2004, é diferenciada.

Não pelos 94 países por onde passou, mas porque tudo poderia ter acabado quando, numa travessia marítima entre a Colômbia e o Panamá, o barco afundou e a motocicleta ficou dois dias no fundo do Mar do Caribe, a cerca de 36 metros de profundidade. Uma complexa operação de resgate retirou a motocicleta do fundo e a recuperação para continuar a aventura.

Nascido em Benicarló, na Espanha, Toni começou a se interessar por motocicletas ainda durante a infância. Sempre que encontrava uma moto, parava para observar. Também frequentava os eventos relacionados ao motociclismo que estavam ao seu alcance e sonhava com o dia em que teria a própria motocicleta.

Sua primeira moto foi uma Yamaha YZF-R125, que ele ainda conserva e com a qual percorreu mais de 15 países europeus. Aos 19 anos, depois de conquistar a habilitação necessária para pilotar motocicletas de maior cilindrada, o aventureiro realizou outro sonho de infância: comprou uma Kawasaki Ninja ZX-6R 636.

“Era a moto de que eu gostava desde pequeno. Sempre me atraíram as motocicletas de estrada e, visualmente, a Ninja 636 me parecia preciosa. Quando tive a possibilidade de comprá-la, não pensei muito. Fui buscá-la”, relembra.

Na época, a escolha foi motivada pela paixão pelo modelo. Toni ainda não imaginava que aquela Kawasaki se transformaria em sua companheira de vida e seria levada a desertos, salares, parques nacionais, estradas africanas e regiões remotas de diferentes continentes.

A “Débora”

O nome “Débora” surgiu de “DeboraKilómetros”, identidade utilizada por Toni para compartilhar suas viagens e aventuras. Como todas as suas motocicletas receberam nomes, a Ninja 636 também ganhou uma identidade própria.
Depois de mais de 200 mil quilômetros, a “Débora” deixou de ser apenas uma motocicleta.

“Com o passar dos anos, deixou de ser simplesmente uma Kawasaki Ninja 636. Tornou-se minha companheira de viagem. Hoje, é impossível separar a história de Débora da minha”, afirma Toni.

O projeto de percorrer o mundo também não nasceu de um planejamento fechado. Em cada viagem, Toni queria chegar um pouco mais longe, atravessar outra fronteira e conhecer um novo país. Aos poucos, percebeu que viajar de motocicleta havia se transformado em sua maneira de viver.

“Quanto mais viajava, mais queria conhecer e mais longe queria chegar. Assim, quase sem perceber, nasceu o projeto de percorrer o mundo com a “Débora””.

Embora uma motocicleta esportiva não seja a escolha mais convencional para enfrentar longas expedições e diferentes tipos de terreno, Toni acredita que cada pessoa deve viajar com a moto que deseja ou com aquela que tem disponível.

“Não é obrigatório viajar com uma trail simplesmente porque é o que todo mundo faz. Eu viajo com uma moto pela qual sou apaixonado. Mesmo quando o caminho é difícil, desço, olho para trás e continuo encantado por ela”, explica.

Para ele, essa escolha também tornou os registros da jornada ainda mais especiais ao reunir duas grandes paixões: sua Kawasaki e as paisagens do mundo.

O naufrágio

O maior desafio vivido pelo Toni a sua “Débora” aconteceu em 15 de janeiro de 2025, durante uma travessia da Colômbia em direção ao Panamá.
O espanhol decidiu não transportar a motocicleta por avião e preferiu usar uma embarcação que fazia o trajeto pelas ilhas do Darién e do Caribe.

O mar estava agitado e, segundo o viajante, as condições do barco também não eram as melhores. Fortes ondas atingiram a embarcação, que acabou naufragando no Tapón del Darién, uma das regiões mais remotas e desafiadoras do mundo. “Débora” ficou dois dias solitária no fundo do mar.

“Foi um momento muito duro. Senti muita culpa. Pensar que, depois de tantos milhares de quilômetros e tantas aventuras, eu poderia perdê-la no fundo do mar era como perder algo muito mais valioso do que uma moto. Não iria embora da Colômbia sem ela”, relata o motociclista.

De volta á Espanha, Kawasaki passa por uma reforma para o mês que vem voltar ás estradas. Toni pretende retornar à África e percorrer os países localizados ao longo da costa atlântica do continente.

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